
449 km de autonomia WLTP com uma bateria de apenas 65 kWh. É esse o número que a Lepas — a marca de "nova energia" que a Chery criou para os mercados ocidentais — colocou em cima da mesa ao revelar a especificação completa do L6 EV para o Reino Unido, com as encomendas a abrir no início do quarto trimestre de 2026.
Para quem anda a acompanhar a chegada das marcas chinesas ao nosso mercado, este é um lançamento a seguir de perto. A Lepas já não é uma desconhecida por cá: o L8, o SUV híbrido plug-in que estreou a marca na Europa, foi o primeiro cartão de visita. O L6 EV é o segundo capítulo — e o primeiro totalmente elétrico.
O nome junta três palavras: Leopard, Leap e Passion. A Lepas é a aposta da Chery International para o segmento premium de veículos de nova energia fora da China, com plano de distribuição na Europa, Austrália e África do Sul. A Chery já vende cá com a marca Omoda e Jaecoo; a Lepas posiciona-se um degrau acima, com uma linguagem de design própria — a chamada "Leopard Aesthetics", com faróis LED "Hunting Eye" e uma barra luminosa traseira contínua.
O L6 assenta na plataforma LEX, a arquitetura modular de nova energia da Chery, e chega com dois motores possíveis: a versão elétrica de que falamos aqui e uma Super Hybrid com 1,5 litros a gasolina anunciada com mais de 1.125 km de autonomia combinada. Por agora, na Europa, é a elétrica que tem data.
A ficha técnica final para o Reino Unido, anunciada em agosto de 2026, é esta:
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Bateria | 65 kWh LFP |
| Motor | dianteiro, 160 kW (217 cv) |
| Binário | 275 Nm |
| Tração | dianteira, sistema e-drive 12 em 1 |
| Autonomia WLTP | 279 milhas (cerca de 449 km) |
| 0-100 km/h | 7,9 s |
| Velocidade máxima | 179 km/h |
| Carregamento DC | até 120 kW |
| 30-80% | cerca de 22 minutos |
| V2L | 3,3 kW de série |
Uma nota de honestidade sobre os números: as fontes espanholas que noticiaram a apresentação europeia falam em 67,1 kWh e 450 km, e a pré-apresentação de abril, em Milão, indicava 67 kWh e 270 milhas. A especificação britânica de agosto é a mais recente e a única oficialmente homologada — 65 kWh e 279 milhas — mas convém contar com uma margem até a marca confirmar os valores para o continente.
O que estes números valem na estrada portuguesa? Uma bateria LFP de 65 kWh que anuncia 449 km WLTP significa, na prática, uns 330 a 360 km reais em utilização mista, e algo como 280 a 300 km em autoestrada a 120 km/h no inverno. Chega para Lisboa-Porto com uma paragem curta. E a paragem é mesmo curta: 22 minutos dos 30 aos 80% num carregador de 120 kW é competitivo para um SUV deste preço, ainda que os 120 kW de pico fiquem longe dos 150-160 kW que alguns rivais já oferecem.
O V2L de 3,3 kW de série é daqueles detalhes que só se valorizam depois de usar. Permite ligar uma máquina de café, ferramentas elétricas ou a iluminação de um festival diretamente à bateria do carro — útil em fins de semana de campismo ou obras em casa.

São 4.570 mm de comprimento, 1.852 mm de largura, 1.676 mm de altura e 2.700 mm de distância entre eixos. A altura ao solo fica nos 159 mm. Traduzindo: é um SUV de cinco lugares com a pegada de um Nissan Qashqai, mas com o piso traseiro plano que a plataforma dedicada a elétricos permite — quem viaja ao meio atrás agradece.
A bagageira anuncia 410 litros, que sobem para 1.334 litros com os bancos rebatidos em 40/60. Há ainda um compartimento escondido de 99 litros sob o piso, o sítio óbvio para arrumar os cabos de carregamento sem os ter sempre a rolar por cima da bagagem.
A gama arranca com duas versões e, ao contrário do que costuma acontecer, a de entrada não é uma versão pobre.
Essence traz jantes de 19 polegadas em diamante, teto panorâmico com cortina elétrica, ecrã tátil de 13,2 polegadas, quadrante digital de 8,88 polegadas com processador Qualcomm 8155, câmara 540°, 22 funções ADAS, climatização bizona, volante aquecido, para-brisas aquecido, carregamento sem fios de 50 W e sistema de som com seis colunas. Os bancos são em tecido, com regulação manual em seis posições.
Elevate acrescenta estofos em pele sintética, bancos dianteiros elétricos aquecidos e ventilados com apoio lombar elétrico para o condutor, porta da bagageira elétrica, purificação de ar por iões, iluminação ambiente de 256 cores, som SONY de oito colunas e assistentes de estacionamento avançado e remoto.
Em cor, o Lucid White é gratuito; Phantom Grey, Cosmic Black, Quicksilver, Solar Orange e Supernova Purple custam 500 libras no Reino Unido.
Aqui é preciso ser claro: não há preço nem data confirmados para Portugal. A própria Lepas ainda não anunciou preços para o Reino Unido, onde as encomendas abrem em outubro de 2026. A imprensa britânica especula com um valor a partir de cerca de 32.000 libras.
Se partirmos desse número, o cálculo para Portugal faz-se assim: tirando o IVA britânico de 20%, ficam cerca de 26.700 libras, algo como 30.700 euros ao câmbio atual; somando o IVA português de 23%, chegamos a qualquer coisa entre 37.000 e 40.000 euros. Os elétricos estão isentos de ISV, o que ajuda, e pagam apenas a componente ambiental mínima de IUC. É uma estimativa, não um preço — e a experiência recente mostra que as marcas chinesas costumam entrar mais agressivas do que estas contas sugerem.
A esse valor, o L6 EV entraria numa das zonas mais disputadas do mercado. O MG S5 EV oferece 62 kWh e cerca de 446 km, o Leapmotor B10 fica-se por 56,2 kWh e cerca de 442 km, e ambos já têm rede de assistência montada em Portugal. No Reino Unido, a imprensa coloca o L6 a competir diretamente com o BYD Atto 3, o Geely EX5 e o Leapmotor C10.
Sete anos ou 160.000 km de garantia no veículo, oito anos ou 160.000 km na bateria de alta tensão, doze anos contra perfuração por corrosão e três anos na pintura. Para uma marca que praticamente ninguém conhece, esta é a forma mais direta de responder à pergunta que todos os compradores fazem sobre carros chineses: e daqui a cinco anos?
É também um pacote que bate a maioria dos generalistas europeus, onde três a cinco anos continuam a ser a norma. Vale a pena confirmar, quando a Lepas chegar oficialmente a Portugal, se as mesmas condições se aplicam ao mercado nacional — nem sempre acontece.
Não existe preço anunciado para Portugal nem para o Reino Unido. A imprensa britânica aponta um valor de partida na ordem das 32.000 libras, o que, retirado o IVA britânico e somado o IVA português de 23%, daria uma estimativa entre 37.000 e 40.000 euros. Convém tratar este número como indicativo: as marcas chinesas têm entrado no mercado europeu abaixo das contas feitas a partir das tabelas britânicas. A favor do comprador joga ainda a isenção total de ISV para veículos 100% elétricos e um IUC limitado à componente ambiental mínima.
Ainda não há data confirmada para Portugal. O que está anunciado é a abertura das encomendas no Reino Unido no início do quarto trimestre de 2026, apontada pela imprensa britânica para outubro de 2026. A Lepas é a marca de novas energias da Chery para os mercados ocidentais e tem uma expansão anunciada para a Europa, Austrália e África do Sul, pelo que a chegada ao continente é expectável depois do arranque britânico — mas sem calendário oficial para o mercado português.
A ficha técnica europeia indica 279 milhas WLTP, ou seja cerca de 449 km, a partir de uma bateria LFP de 65 kWh (algumas fontes espanholas referem 67,1 kWh, pelo que o valor exato pode variar consoante o mercado). Em carregamento rápido em corrente contínua aceita até 120 kW, com os 30 aos 80% a demorarem cerca de 22 minutos. Em utilização real mista, com autoestrada e frio, é prudente contar com algo entre 330 e 380 km. Traz ainda V2L de 3,3 kW de série, para alimentar equipamentos a partir da bateria do carro.
A Lepas anuncia 7 anos ou 100.000 milhas de garantia para o veículo e 8 anos ou 100.000 milhas para a bateria de alta tensão, a que se somam 12 anos contra corrosão da carroçaria e 3 anos para a pintura. É um dos pacotes mais longos do segmento e o argumento comercial mais forte da marca num momento em que ainda não tem histórico de fiabilidade na Europa. Os termos definitivos para Portugal só serão conhecidos quando a marca confirmar a distribuição no país.
Em números, o L6 EV leva ligeira vantagem: 65 kWh e cerca de 449 km WLTP contra os 62 kWh e cerca de 446 km do MG S5 EV e os 56,2 kWh e cerca de 442 km do Leapmotor B10. A potência é semelhante nos três, na casa dos 200 a 220 cv. A diferença decisiva não está na ficha técnica mas na rede: MG e Leapmotor já têm concessionários e assistência montados em Portugal, enquanto a Lepas ainda não confirmou distribuição nacional. No Reino Unido, a imprensa coloca o L6 a competir também com o BYD Atto 3, o Geely EX5 e o Leapmotor C10.
Falta o essencial: se a Lepas vem a Portugal, quando, através de que rede de concessionários e a que preço. A Chery já tem estrutura montada no país com a Omoda e a Jaecoo, o que torna a entrada da Lepas tecnicamente simples. O L8 PHEV já abriu caminho na Europa e o L6 EV é o modelo com maior potencial de volume dos dois.
Se o preço aterrar abaixo dos 38.000 euros com o equipamento da Essence, este é um carro que merece estar na sua lista. Acima disso, o MG S5 EV e o Leapmotor B10 têm a vantagem de já estarem cá — com preço, stand e mecânico à distância de uma chamada.