
Um posto que aparece a 500 metros no mapa pode ser a pior escolha da viagem. Se for um carregador AC de 7 kW e só tem 15 minutos, vai sair dali quase com a mesma bateria com que chegou. Com tantas apps para encontrar postos de carregamento em Portugal, o difícil já não é saber onde estão os carregadores. É saber ler o mapa e escolher o ponto que serve para aquela paragem.
A boa notícia é que no nosso mercado o ponto de partida é simples. Todos os postos públicos estão registados na rede Mobi.E, por isso qualquer mapa de postos de carregamento sério acaba por mostrar mais ou menos os mesmos pontos. O que muda é a qualidade da informação: potência, conectores, disponibilidade em tempo real e preço. São esses quatro filtros que separam uma paragem rápida de meia hora perdida.
Antes de abrir qualquer app, faça uma pergunta: quanto tempo vou ficar parado? A resposta decide quase tudo o resto.
Numa ida às compras, ao ginásio ou ao trabalho, um carregador AC perto do destino chega e sobra. Vai estar lá uma ou duas horas de qualquer forma. Numa viagem longa, a lógica inverte-se: procure carregamento rápido DC junto à estrada principal, em vez de sair da autoestrada para um posto que fica a 10 km de desvio.
Acima de 50 kW já se fala em carregamento rápido — o suficiente para recuperar boa parte da autonomia em cerca de 30 minutos. Em Portugal, a rede divide-se grosso modo em três escalões:
Atenção a um detalhe: o carro também tem limite. Um elétrico que aceita no máximo 70 kW não vai carregar mais depressa num HPC de 350 kW. Às vezes, um posto de 150 kW livre é melhor escolha do que um ultrarrápido com fila.
Na Europa, a resposta é quase sempre: os dois. A tomada Tipo 2 serve para carregamento AC; o conector CCS2 (Combo 2) é o padrão europeu para carregamento DC rápido. Antes de ir, confirme que o ícone do conector no mapa corresponde ao do seu carro — sobretudo se tiver um modelo mais antigo ou importado. Os Tesla Supercharger abertos a outras marcas usam CCS2.
Um posto que aparece "livre" pode estar ocupado ou avariado quando chega. É o problema mais comum, e acontece em todas as apps. A solução prática passa por cruzar duas fontes antes de uma paragem importante e ter sempre um plano B a poucos quilómetros.
As tarifas são definidas por cada operador e variam bastante entre AC, DC e HPC, com possíveis taxas de ocupação se deixar o carro ligado depois de terminar. Há postos que exigem app ou cartão RFID e outros que aceitam cartão bancário diretamente. Para o detalhe de tarifas, temos um guia dedicado aos preços de carregamento público em Portugal.

Não há uma app de carregamento de carro elétrico perfeita, mas há combinações que funcionam bem. Este é o resumo do que cada uma faz melhor:
| App / mapa | Ponto forte | Limitação |
|---|---|---|
| Mobi.E | Cobre toda a rede pública nacional, gratuita e sem subscrição | Pensada para carregar, não para planear |
| Miio | Preço por kWh com taxas incluídas, filtros completos, planeamento de viagem | Subscrição miio one para descontos |
| Electromaps | Disponibilidade em tempo real, integração com Iberdrola | bp pulse | Utilizadores relatam dados de disponibilidade por vezes errados |
| Google Maps | Portas livres em tempo real, filtros por conector e velocidade | Pagamento não é feito na app |
| Apple Maps | Disponibilidade em tempo real, filtro por rede e conector | Rotas com paragens só em carros compatíveis |
| ABRP / PlugShare | Planeamento detalhado / comentários de outros condutores | Ferramentas complementares |
São as duas apps independentes mais usadas por cá, e servem perfis diferentes.
A Miio é desenvolvida em Portugal (pela MUVEXT) e conta com mais de 500.000 condutores. O maior trunfo é a transparência: mostra o preço por kWh de cada posto já com taxas de ocupação e impostos, o que permite comparar operadores antes de ligar o cabo. Tem filtros por potência, conector, disponibilidade e distância, recomenda postos compatíveis com o seu carro, calcula paragens numa viagem e funciona com Apple CarPlay. Inicia o carregamento na app ou com cartão/porta-chaves miio. Há ainda uma subscrição, a miio one, com descontos automáticos.
O Electromaps aposta na cobertura e na disponibilidade em tempo real. Lista cerca de 8.500 estações em Portugal e, desde agosto de 2026, tem integrada a rede Iberdrola | bp pulse — mais de 500 pontos rápidos e ultrarrápidos no país e mais de 2.500 na Península Ibérica. Para quem atravessa a fronteira com frequência, a app e o cartão Electropass permitem gerir a viagem toda entre Portugal e Espanha. O senão: há queixas de postos marcados como disponíveis que afinal estão em uso.
Na prática? Miio se o preço é o que mais pesa na sua decisão; Electromaps se faz muitas viagens ibéricas.
Mostra, e é provavelmente a ferramenta mais subestimada. O Google Maps indica quantas portas estão livres em tempo real, a velocidade de carregamento e, na app do telemóvel, os métodos de pagamento aceites e se o posto "foi usado hoje" — um bom sinal de que está a funcionar. Dá para filtrar pelos conectores do perfil do seu carro e por velocidade (rápido, muito rápido, super-rápido).
Para viagens, o Maps planeia paragens de carregamento em mais de 350 modelos elétricos com Android Auto. Nos carros com Google integrado (Volvo, Polestar, Renault, Ford, Honda, Nissan, entre outros), estima a bateria à chegada e acrescenta paragens automaticamente se a carga não chegar ao destino.
O Apple Maps oferece disponibilidade em tempo real desde o iOS 17, com filtros por rede e tipo de ficha. Em carros compatíveis, define uma rede preferida e adiciona paragens de carregamento à rota.
EDP, Galp, Iberdrola, Powerdot, Tesla e Ionity têm as suas próprias apps, úteis se usa sempre a mesma rede. Cartões de roaming como Octopus Electroverse (cartão gratuito, sem subscrição), Chargemap Pass (19,90 € por dois anos), Shell Recharge ou Plugsurfing também funcionam na rede Mobi.E. Dica: o Chargemap Pass não baixa preços — a margem está incluída nas tarifas.
Cada vez mais, não precisa de app nenhuma. O regulamento europeu AFIR obriga a que todos os postos públicos novos instalados desde 13 de abril de 2024 aceitem cartão bancário. A partir de 1 de janeiro de 2027, a regra estende-se aos postos de 50 kW ou mais na rede rodoviária principal europeia (TEN-T) — incluindo os já existentes.
Para quem carrega pouco fora de casa, isto significa que o cartão contactless pode bastar. Para quem carrega com frequência, uma app continua a compensar pela informação de preços e disponibilidade.
No litoral, a situação é confortável. Segundo estimativas de sites de viagem, a A1, A2, A22 e A6 têm postos ultrarrápidos a cada 60 a 80 km, o que torna um Lisboa-Porto pela A1 tranquilo, com uma paragem rápida em Leiria ou Coimbra. No interior, as distâncias crescem: na A23, na A24 e em partes do Alentejo podem passar 100 a 150 km entre postos rápidos.
Para viagens no interior, o planeamento faz diferença:
Não precisa de instalar todas as apps para encontrar postos de carregamento em Portugal. Uma independente (Miio ou Electromaps) mais o Google ou Apple Maps cobre a grande maioria das situações, com o cartão bancário como plano C. Antes de uma viagem longa, gaste cinco minutos a cruzar disponibilidade e potência — poupa bem mais tempo do que isso na estrada.
O Google Maps, o Apple Maps (desde o iOS 17), a Miio e o Electromaps mostram o estado dos postos em tempo real, mas este é o dado menos fiável de qualquer mapa: um posto marcado como livre pode estar ocupado ou avariado. No Google Maps, o indicador "usado hoje" é um bom sinal de que o carregador está a funcionar, e no PlugShare pode ver os registos recentes de outros condutores. Antes de uma paragem importante, cruze pelo menos duas fontes e tenha um posto alternativo a poucos quilómetros.
A partir de 50 kW já se fala em carregamento rápido, e cerca de 30 minutos chegam normalmente para recuperar boa parte da autonomia. O tempo real depende da potência máxima que o carro aceita e do nível da bateria: um elétrico limitado a 50 kW carrega ao mesmo ritmo num posto de 50 kW ou num HPC de 350 kW. Para paragens mais curtas em viagem, um posto DC de 100 a 150 kW faz mais diferença, desde que o seu carro aceite essa potência.
Não precisa de contrato com cada operador: todos os postos públicos estão integrados na rede Mobi.E, criada pelo Decreto-Lei 39/2010 e em funcionamento desde 2013, e qualquer app ou cartão aceite na rede dá acesso a todos eles. A Miio, com mais de 500.000 condutores, e as apps dos operadores (EDP, Galp, Powerdot, Iberdrola | bp pulse) são as opções mais comuns. Cartões de roaming como o Octopus Electroverse (gratuito), Shell Recharge ou Plugsurfing também funcionam, o que dá jeito a quem vem do estrangeiro.
As estimativas variam conforme a fonte, mas a rede pública ronda os 8.000 pontos AC Tipo 2 (3 a 22 kW), cerca de 1.500 pontos DC rápidos (50 a 150 kW) e perto de 450 ultrarrápidos HPC (150 a 350 kW). O Electromaps lista cerca de 8.500 estações no país. No litoral, a A1, A2, A22 e A6 têm postos ultrarrápidos a cada 60 a 80 km, enquanto na A23, A24 e em partes do Alentejo podem passar 100 a 150 km entre postos rápidos.
Só compensa para quem carrega com frequência em postos públicos. A miio one dá descontos automáticos nas sessões feitas pela Miio, enquanto o Chargemap Pass custa 19,90 € por dois anos mas não baixa preços, já que a margem está incluída nas tarifas. Para quem carrega pouco fora de casa, o cartão bancário contactless pode bastar: desde 13 de abril de 2024 os postos públicos novos têm de o aceitar, e a partir de 1 de janeiro de 2027 a regra estende-se aos postos de 50 kW ou mais na rede TEN-T, incluindo os existentes.