CHAdeMO em Portugal: Onde Carregar o Nissan Leaf e o Que Está a Mudar

Publicado: 08/10/2026
CHAdeMO em Portugal: Onde Carregar um Nissan Leaf Usado

CHAdeMO em Portugal: a ficha que a Europa está a abandonar

"Um carro não deixa de ser viável no dia em que o fabricante muda de ficha." A frase é de Delvin Lane, CEO da InstaVolt, e resume bem a dúvida de quem tem — ou pensa comprar — um Nissan Leaf usado. A rede britânica acaba de garantir que o CHAdeMO fica para sempre nos seus postos, numa altura em que quase todos os outros operadores europeus seguem o caminho oposto. E o CHAdeMO em Portugal, como está?

A resposta curta: ainda existe, ainda funciona e não encontrámos nenhum anúncio público de um operador português a retirá-lo. Mas a tendência europeia é clara, e quem quer carregar um Nissan Leaf em Portugal com tranquilidade nos próximos anos deve perceber o que está a mudar.

O que a InstaVolt prometeu no Reino Unido

A InstaVolt tem 900 locais de carregamento ultrarrápido no Reino Unido e mais 300 em desenvolvimento. O compromisso, anunciado a 25 de setembro de 2026 durante a Used EV Week, é simples: pelo menos um conector CHAdeMO em cada local, existente ou futuro, como "característica permanente" da rede. A maioria dos carregadores continuará a ser CCS.

O argumento é o mercado de usados. Segundo a empresa, milhares de condutores britânicos ainda dependem do CHAdeMO, sobretudo donos de Leaf, que continua a ser um dos elétricos usados mais populares por lá. "A posse de um elétrico não muda de um dia para o outro", defende a InstaVolt.

Porque é notícia? Porque, segundo a própria InstaVolt, outros operadores não só deixaram de instalar CHAdeMO como estão a desmontá-lo em locais existentes em vez de o manter.

Fim do CHAdeMO na Europa: os números por trás da tendência

O CHAdeMO nasceu no Japão em 2010, criado por empresas como a Nissan, a Mitsubishi e a Toyota. Começou com até 62,5 kW em corrente contínua e a especificação evoluiu depois até 400 kW. Só que a Europa escolheu outro caminho: a ficha CCS2 (CCS Combo 2) tornou-se o padrão de todos os elétricos novos — incluindo o novo Leaf de terceira geração, que na Europa já usa CCS.

Os dados da GIREVE, plataforma europeia de roaming de carregamento, mostram a dimensão da mudança:

Indicador (Europa)Valor
Quota do CHAdeMO no total de conectoresmenos de 30%
Quota nos novos carregadores rápidosmenos de 15%
Quota das sessões de carregamento (2024)4,4%
Utilização face a pontos CCS83-85% inferior

No Reino Unido, os carregadores só-CHAdeMO passaram de 10% dos novos equipamentos públicos em 2021 para 7% em 2022 e apenas 2% em 2023. Em França, a lei deixou de exigir CHAdeMO nas estações públicas de alta potência em maio de 2021. E o regulamento europeu AFIR só obriga à ficha CCS2 para carregamento rápido DC.

O que fazem os grandes operadores

  • Allego: deixou de instalar CHAdeMO em novos locais em 2023 e não substitui os que avariam, embora os existentes continuem a funcionar.
  • Ionity: rede só CCS nos 24 países onde opera.
  • Fastned: mantém CHAdeMO em todos os locais, mas diz que a política está "em revisão".
  • InstaVolt: compromisso permanente no Reino Unido.

A configuração típica de uma estação mais antiga é dois conectores CCS e um CHAdeMO. Para um dono de Leaf isto tem dois lados: se a ficha única estiver ocupada ou avariada, fica à espera. Por outro lado, há donos britânicos que relatam menos filas no CHAdeMO precisamente porque quase ninguém o usa.

Postos CHAdeMO na rede MOBI.E: onde carregar hoje

A rede MOBI.E tem mais de 7.000 estações e mais de 13.000 pontos de carregamento, e perto de 40% são rápidos ou ultrarrápidos. Portugal cumpre o AFIR e tem uma vantagem que poucos países têm: um sistema totalmente interoperável. Qualquer utilizador carrega em qualquer posto, independentemente do operador (OPC) ou do comercializador de energia.

Onde está o CHAdeMO nesse universo? Não existe um número público atualizado de postos CHAdeMO na MOBI.E, e não o vamos inventar. O que sabemos:

  • Powerdot e Atlante listam CHAdeMO nas suas estações, a par de CCS2 e Tipo 2.
  • Tesla Supercharger aceita carros de outras marcas, mas só com CCS2 — não serve para o Leaf.
  • Ionity é só CCS, cá como no resto da Europa.

O conselho prático: antes de uma viagem, filtre o mapa da MOBI.E ou a app do seu comercializador por tipo de conector. Nas autoestradas A1 e A2 há postos rápidos a cada 40-60 km; no interior do Alentejo, em Trás-os-Montes ou na A24 a distância entre carregadores rápidos pode chegar a 100-150 km. Com um só CHAdeMO por estação, ter um plano B conta mais do que para um condutor com CCS.

O CHAdeMO vai acabar em Portugal?

Não há sinais disso a curto prazo. Não encontrámos qualquer anúncio de um operador português a retirar o CHAdeMO dos seus postos. O risco é mais lento e silencioso: estações novas instaladas só com CCS2, porque é o que o AFIR exige, e carregadores antigos que um dia serão substituídos por equipamentos sem CHAdeMO. A quota vai encolher com o tempo — mas encolher não é desaparecer.

Carregamento rápido do Nissan Leaf: o que esperar numa paragem

O Leaf tem duas entradas atrás da tampa na grelha: uma para AC (Tipo 1 na 1.ª geração, Tipo 2 a partir de 2018) e CHAdeMO para DC. Os números que interessam:

Nissan LeafBateriaCarregamento ACCarregamento DC
1.ª geração24 / 30 kWh3,6 ou 6,6 kW (Tipo 1)até 50 kW CHAdeMO
2.ª geração40 kWh6,6 kW (Tipo 2)até 50 kW CHAdeMO
Leaf e+62 kWh6,6 kW (Tipo 2)até 50 kW CHAdeMO
3.ª geração (2025+)——CCS na Europa

Num posto rápido, conte com cerca de uma hora até 80%. O Leaf de 40 kWh anuncia 168 milhas WLTP (cerca de 270 km) e faz à volta de 151 milhas reais (cerca de 243 km); o e+ chega a 239 milhas (cerca de 385 km). Na prática, um Lisboa-Porto com o 40 kWh pede uma paragem — e convém que o CHAdeMO dessa paragem esteja livre.

Há outro detalhe que os donos conhecem bem: o "rapidgate". A bateria do Leaf não tem arrefecimento ativo, por isso num dia quente e com vários carregamentos rápidos seguidos a potência baixa. Numa viagem longa em agosto, a segunda paragem pode demorar mais do que a primeira.

Tampa frontal de um Nissan Leaf aberta com as entradas CHAdeMO e Tipo 2
As duas entradas do Leaf: Tipo 2 para carregar em casa, CHAdeMO para os postos rápidos. Foto: Jzh2074 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Adaptador CCS para CHAdeMO: vale a pena?

Existem adaptadores CCS2 para CHAdeMO à venda online, e a pergunta aparece com frequência nos grupos de donos de Leaf em Portugal. São equipamentos ativos, que convertem a comunicação entre carro e carregador, e não passam pelo crivo da Nissan. Antes de gastar dinheiro num, confirme a compatibilidade com o seu ano e bateria e leia a experiência de outros donos. Para quem carrega sobretudo em casa, provavelmente não se justifica.

Nissan Leaf usado: ainda vale a pena com ficha CHAdeMO?

Depende de como vai usar o carro. Fontes britânicas e americanas apontam o CHAdeMO como um fator que pesa no valor residual para quem faz muitas viagens longas, mas pouco relevante para quem usa o carro no dia a dia e carrega em casa. Para esse perfil, uma wallbox resolve tudo (com cabo Tipo 1 no Leaf de 1.ª geração): a 7 kW, um Leaf de 2.ª geração enche em cerca de 7,5 horas, limitado pelo carregador de bordo de 6,6 kW.

Se o seu uso é Lisboa ou Porto, casa-trabalho, com garagem ou lugar com tomada, o Leaf continua a ser uma das formas mais baratas de entrar nos elétricos. Se faz Lisboa-Algarve todos os meses, a dependência de um único conector por estação é um custo real, e um elétrico usado com CCS pode fazer mais sentido.

Leaf 40 kWh ou 62 kWh usado: qual escolher?

O 40 kWh chega para quase todo o uso urbano e suburbano. O e+ de 62 kWh faz sentido para quem quer menos paragens: com mais autonomia, depende menos de encontrar um CHAdeMO livre. Em qualquer dos casos, peça um relatório do estado de saúde da bateria (SoH) antes de comprar — num Leaf usado, isso vale mais do que a quilometragem.

Outros carros elétricos com ficha CHAdeMO

Não é só o Leaf. Também usam CHAdeMO o Kia Soul EV de primeira geração, o trio Citroën C-Zero, Peugeot iOn e Mitsubishi i-MiEV, e o Mitsubishi Outlander PHEV. Todos partilham a mesma realidade: carregamento rápido possível, mas numa rede cada vez mais pensada para CCS.

O CHAdeMO em Portugal não está em vias de extinção — está a tornar-se minoritário. Para quem tem um Leaf ou está a pensar comprar um, a pergunta certa não é "vai acabar?", mas "quantas vezes vou precisar de carregamento rápido?". Se a resposta for "poucas", a ficha é um detalhe. Vale a pena acompanhar se algum operador português segue o exemplo da InstaVolt — ou o da Allego.

Perguntas Frequentes

Na rede MOBI.E, que tem mais de 7.000 estações e 13.000 pontos de carregamento, cerca de 40% deles rápidos ou ultrarrápidos. Operadores como a Powerdot e a Atlante listam CHAdeMO nas suas estações, enquanto os Tesla Supercharger e a Ionity são só CCS2 e não servem para o Leaf. Filtre o mapa da MOBI.E ou a app do seu comercializador pelo conector CHAdeMO antes de sair. Nos postos AC, o Leaf de 1.ª geração tem entrada Tipo 1 e precisa de um cabo Tipo 2 para Tipo 1.

Não há sinais disso a curto prazo: não encontrámos nenhum anúncio público de um operador português a retirar o CHAdeMO. A tendência europeia é de perda de peso, já que o regulamento AFIR só obriga à ficha CCS2 e o CHAdeMO representa menos de 15% dos novos carregadores rápidos e apenas 4,4% das sessões na Europa em 2024. O mais provável é a quota encolher à medida que surgem estações novas só com CCS2, e não um desaparecimento súbito.

Cerca de uma hora até 80%, porque todas as versões do Leaf com CHAdeMO carregam a um máximo de 50 kW em corrente contínua. Como a bateria não tem arrefecimento ativo, em dias quentes ou após vários carregamentos rápidos seguidos a potência baixa (o chamado rapidgate), e a segunda paragem de uma viagem pode demorar mais. Em casa, numa wallbox de 7 kW, o Leaf enche em cerca de 7,5 horas.

Vale para quem carrega sobretudo em casa e faz percursos casa-trabalho, onde a ficha CHAdeMO pesa pouco. Para viagens longas frequentes, a dependência de um único conector por estação é um custo real e o CHAdeMO tende a pesar no valor residual. Entre versões, o 40 kWh (cerca de 270 km WLTP) chega para uso urbano e o e+ de 62 kWh (cerca de 385 km) reduz as paragens. Peça sempre um relatório do estado de saúde da bateria (SoH) antes de comprar.

Existem adaptadores ativos à venda online que convertem a comunicação entre o carregador CCS2 e o carro, mas não são homologados pela Nissan e a compatibilidade varia com o ano e a bateria do Leaf. Tenha em conta que, mesmo que funcione, o Leaf continua limitado a 50 kW em DC. Para quem carrega quase sempre em casa, o investimento dificilmente se justifica.