
Carregar 20 kWh — uns 100 km de autonomia — pode custar-lhe 3,80 € em casa ou mais de 30 € num posto público mal escolhido. A mesma energia, o mesmo carro, oito vezes o preço. Em França, um estudo da associação de consumidores Que Choisir Ensemble mediu preços em 121 postos de oito operadores e encontrou diferenças que a imprensa francesa resumiu numa frase: "uma lotaria de tarifas, com desvios até 255%".
O problema não fica na fronteira. Em Portugal, o preço de carregamento de um carro elétrico num posto público varia tanto entre operadores que vale a pena perceber porquê — e como pagar menos. Portugal está, aliás, na metade cara da Europa.
A referência mais útil vem de um relatório europeu da Eleport (fevereiro de 2026), que comparou o carregamento rápido em corrente contínua em 29 países. Portugal aparece em 23.º lugar, com uma mediana de 0,65 €/kWh — bem acima da mediana europeia de 0,54 €/kWh.
| Mercado | Mediana DC (€/kWh) |
|---|---|
| Espanha | 0,47 |
| França | 0,52 |
| Mediana europeia | 0,54 |
| Alemanha | 0,59 |
| Portugal | 0,65 |
| Itália | 0,71 |
| Reino Unido | 0,82 |
Há mercados piores — Itália e Reino Unido —, mas os nossos vizinhos do lado, Espanha e França, carregam mais barato. Para quem vive cá, isto significa uma coisa simples: o carregamento público rápido é caro, e a escolha do operador pesa muito na fatura.
Para enquadrar, eis os valores típicos por tipo de potência em Portugal:
| Tipo de carregamento | Potência | Preço típico (€/kWh) |
|---|---|---|
| Lento / AC | menos de 7,4 kW | 0,15–0,30 |
| Semi-rápido | 7,4–22 kW | 0,20–0,40 |
| Rápido | 22–150 kW | 0,40–0,60 |
| Ultrarrápido | 150 kW ou mais | 0,50–0,70 |
Aqui é que a "lotaria" aparece. O preço por kWh do mesmo carregamento rápido muda radicalmente conforme o operador:
| Operador | Preço (€/kWh) |
|---|---|
| Tesla (off-peak) | ~0,21 |
| Continente (retalho) | 0,41–0,55 |
| Enable Mobility | 0,46–0,58 |
| Atlante (app) | ~0,49 |
Entre o Tesla em hora de vazio e o topo da tabela, a diferença ultrapassa os 170%. É a mesma energia que entra na bateria. O que muda é quem opera o posto e a tarifa que cobra — e, muitas vezes, se está a pagar através de uma app/contrato ou de forma avulsa.

A opacidade não é por acaso. Em Portugal, a fatura de um carregamento na rede MOBI.E tem três camadas, e poucos condutores as conhecem:
Junte as três camadas e percebe porque dois postos lado a lado podem ter preços tão diferentes: o CEME é seu e fixo, mas o OPC muda em cada operador. Vale a pena saber que o atual modelo de faturação da MOBI.E está a ser descontinuado até dezembro de 2026, por isso espere mudanças na forma como tudo isto aparece na fatura.
O número que devia ditar a sua rotina: carregar os mesmos 20 kWh custa cerca de 3,80 € em casa e, em média, 10,80 € num posto de 22 kW — chegando a mais de 30 € nas piores tarifas. Entre três e nove vezes mais caro lá fora.
A regra prática é simples: o carregamento público rápido é para viagens, não para o dia a dia. Para os quilómetros de rotina — casa-trabalho, recados — carregue em casa ou em AC lento durante a noite. Reserve o DC rápido para a A1, a A2 e os percursos longos onde não há alternativa.
Os operadores não vão simplificar isto por si. Mas há alavancas concretas para baixar a fatura:
A transparência ainda não está cá — falta um comparador público de preços de carregamento como o que já existe para os combustíveis. Até lá, conhecer as três camadas da fatura e escolher bem o operador é a forma mais direta de não pagar a mais. Se está a ponderar dar o salto, vale a pena fazer as contas ao carregamento doméstico antes de comprar: é aí que o elétrico recupera a diferença.
Para carregamento rápido, o Tesla em hora de vazio é dos mais económicos, com cerca de 0,21 €/kWh. Seguem-se opções como o Atlante (~0,49 €/kWh via app) e os carregadores de retalho como o Continente (0,41–0,55 €/kWh). A diferença entre o mais barato e o mais caro ultrapassa os 170% para a mesma energia, pelo que escolher bem o operador e usar app/contrato em vez de pagamento avulso é a forma mais direta de poupar.
A mediana do carregamento rápido em corrente contínua em Portugal é de 0,65 €/kWh, segundo o relatório Eleport de fevereiro de 2026 — acima da mediana europeia de 0,54 €/kWh, o que coloca o país em 23.º lugar de 29. Os valores típicos variam por potência: 0,15–0,30 €/kWh em AC lento, 0,40–0,60 €/kWh em carregamento rápido e 0,50–0,70 €/kWh em ultrarrápido.
A fatura de um carregamento público na rede MOBI.E tem três camadas: o CEME (comercializador de energia, constante seja qual for o posto), o OPC ou operador do ponto de carregamento (que varia de operador para operador) e os impostos — IEC de 0,001 €/kWh mais IVA de 23% no continente (22% na Madeira, 16% nos Açores). É esta combinação que faz dois postos lado a lado terem preços tão diferentes.
Sim. Carregar 20 kWh (cerca de 100 km) custa aproximadamente 3,80 € em casa e, em média, 10,80 € num posto público de 22 kW — chegando a mais de 30 € nas piores tarifas, ou seja, três a nove vezes mais caro. A regra prática é reservar o carregamento rápido público para viagens longas e usar o carregamento doméstico ou AC lento durante a noite para os quilómetros do dia a dia.
Para quem usa carregamento rápido com frequência, sim. Subscrições como Tesla e IONITY (11,99 €/mês) ou Electra (9,99 €/mês) cortam as tarifas entre 15% e 50%. Em contrapartida, o carregamento ad-hoc — pagar de forma avulsa, sem app nem contrato — pode custar cerca de 35% mais. Convém ainda saber que o atual modelo de faturação da MOBI.E está a ser descontinuado até dezembro de 2026, pelo que a forma como tudo aparece na fatura deverá mudar.