
Amesterdão, 29 de julho. A Zeekr levantou o pano ao 9X, o maior e mais caro carro que a marca chinesa já trouxe à Europa — um SUV de luxo com 5.239 mm de comprimento, mais longo do que um Range Rover de distância entre eixos alongada, e com quase três toneladas para pôr em movimento.
Não é um elétrico. Também não é bem um híbrido plug-in daqueles a que estamos habituados. E ainda não tem preço. Mesmo assim, é o lançamento chinês mais interessante do ano para quem anda a olhar para o segmento do BMW X7, do Mercedes GLS ou do Audi Q9.
A Zeekr chama-lhe "Super Hybrid", mas o nome técnico é EREV — um elétrico de autonomia estendida. As rodas são movidas sempre pelos motores elétricos; o motor 2.0 turbo a gasolina de quatro cilindros serve essencialmente como gerador, produzindo eletricidade quando a bateria se esgota.
Na prática, isto muda a forma como se vive o carro. A bateria de 55,1 kWh (bruta, química NMC) dá cerca de 179 km em modo elétrico — mais do que muitos citadinos elétricos e muito acima dos 60 a 90 km típicos de um híbrido plug-in premium. Para quem faz Lisboa-Cascais ou Porto-Braga todos os dias, o 9X é um carro elétrico durante a semana inteira. O gerador só entra em ação na viagem ao Algarve, e aí a autonomia combinada chega aos 737 km em ciclo WLTP.
A arquitetura é de 900 V, o que explica o número mais impressionante da ficha: em carregamento rápido DC, o pico é de 330 kW e os 10-80% fazem-se em 9,5 minutos. Numa área de serviço da A1 com carregador ultrarrápido, isso é o tempo de um café.

| Especificação | Valor |
|---|---|
| Tipo | SUV de luxo, EREV (autonomia estendida) |
| Motor de combustão | 2.0 turbo 4 cilindros gasolina (gerador) |
| Motores elétricos | 2 (frente + trás), tração integral |
| Arquitetura elétrica | 900 V |
| Potência do sistema | 897 cv (660 kW) |
| Binário | 935 Nm |
| 0-100 km/h | 4,1 s |
| Velocidade máxima | 240 km/h |
| Bateria | 55,1 kWh brutos (NMC) |
| Autonomia elétrica | cerca de 179 km |
| Autonomia combinada | até 737 km (WLTP) |
| Carregamento DC (pico) | 330 kW |
| Carregamento 10-80% | 9,5 min |
| Capacidade de reboque | 2.000 kg |
| Comprimento | 5.239 mm |
| Largura | 2.029 mm (2.290 mm com espelhos) |
| Altura | 1.819 mm |
| Distância entre eixos | 3.169 mm |
| Peso em ordem de marcha | 2.900 kg |
| Distância ao solo | 208 mm à frente / 200 mm atrás |
| Suspensão | Duplo triângulo à frente, multibraços atrás; pneumática de dupla câmara com CDC |
| Jantes | 22 polegadas, 285/45 R22 |
| Lugares | 6 (2+2+2) |
Vale a pena perceber isto antes de comparar números com o que se lê sobre o mercado chinês. Na China, o 9X tem três motores elétricos, mais de 1.300 cv (1.030 kW), bateria de 70 kWh, mais de 300 km de autonomia elétrica e 1.250 km em ciclo CLTC. Faz os 0-100 km/h em 3,1 segundos.
A versão europeia perde um motor. É uma diferença mecânica, não uma questão de software ou de afinação — 897 cv em vez de mais de 1.300, 4,1 segundos em vez de 3,1, 55,1 kWh em vez de 70. Continua a ser um SUV absurdamente rápido para as suas quase três toneladas, mas é bom saber de onde vêm os números antes de os repetir.
Aqui é preciso ser claro: não existe preço oficial, nem para a Europa nem para Portugal. A Zeekr classifica as próprias especificações como preliminares, à espera da homologação final, e não anunciou data de abertura de encomendas.
O que se pode fazer é olhar para os rivais diretos. Em Alemanha, o Mercedes GLS arranca nos 102.700 €, o BMW X7 nos 106.500 € e o Audi Q9 nos 108.400 €. A Zeekr quer posicionar-se abaixo dos alemães — é essa a estratégia da marca em todos os segmentos onde já entrou. Em Portugal, com o ISV e o IVA a somarem-se a esse valor de base, é realista esperar que o 9X fique acima dos 100.000 €, provavelmente numa faixa entre os 100.000 e os 120.000 €.
Há uma variável fiscal que pode ajudar. Sendo um híbrido com mais de 50 km de autonomia elétrica homologada e emissões baixas, o 9X pode enquadrar-se no regime fiscal mais favorável que Portugal reserva aos híbridos plug-in, o que reduz de forma significativa a componente de cilindrada do ISV. Só a homologação final confirmará o enquadramento, mas é uma diferença que num carro deste tamanho se conta em muitos milhares de euros — e é precisamente por isso que os EREV estão a ganhar terreno.
A Zeekr já está no nosso mercado. A marca é representada em Portugal pela Salvador Caetano, que arrancou em 2026 com o 001, o X, o 7X e o 7GT. Isso resolve a questão que costuma travar as marcas chinesas: rede de assistência, garantia e peças.
Quanto ao 9X, a imprensa portuguesa aponta para uma chegada no início de 2027. É uma expectativa reportada, não um compromisso da marca — a Zeekr não confirmou datas por mercado. Na Europa, as primeiras entregas são apontadas para o final de dezembro de 2026, e a expansão da rede está a ser feita em parte em conjunto com a Lotus, outra marca do grupo Geely.
O 9X não compete com o BMW X5 nem com o Mercedes GLE. Está uma classe acima, ao lado do X7, do GLS, do novo Audi Q9 e do Range Rover. É importante para gerir expectativas de preço: quem procura um SUV grande a 70.000 € continua a ter no X5 ou no GLE a opção mais racional.
Contra os alemães, o argumento da Zeekr é duplo. Primeiro, a tecnologia: 900 V, carregamento a 330 kW e 179 km elétricos são números que nenhum X7 ou GLS híbrido oferece hoje. Segundo, o equipamento de série — o 9X chega numa única versão, Ultra AWD de seis lugares, com tudo incluído, enquanto na concorrência alemã metade do que se vê nas fotografias é extra.
O contra-argumento também existe, e é honesto reconhecê-lo: 2.900 kg são muito peso para travar e mudar de direção, o valor residual de uma marca chinesa recente é uma incógnita em Portugal, e o X7 tem 25 anos de reputação de segmento que não se compram com ecrãs.

O interior é onde a Zeekr gastou a ambição toda. Há dois ecrãs OLED 3.5K de 16 polegadas, um head-up display de realidade aumentada com 47 polegadas de área projetada, e um ecrã OLED 3K de 17 polegadas que desce 88 cm de um módulo no tejadilho para servir de cinema aos passageiros de trás.
O som é assinado pela Naim: 32 colunas e 3.868 W. Os bancos da frente são de 12 vias com memória, massagem, ventilação e aquecimento; os da segunda fila são poltronas individuais de seis vias com apoios de pernas elétricos. Há frigorífico na segunda fila, pele Nappa, forro do tejadilho em micro-camurça e madeira nórdica.
Na parte que menos se vê: suspensão pneumática de dupla câmara com amortecimento variável CDC, travões com pinças fixas de seis pistões à frente, dez modos de condução (três normais e sete para piso difícil) e condução assistida com LiDAR sobre chips Nvidia Drive Thor, calibrada para estradas europeias. A capacidade de reboque é de 2.000 kg.
O design é da equipa de Stefan Sielaff, no centro de estilo da Geely em Gotemburgo. Lothar Schupet, responsável da Zeekr na Europa, resume assim a intenção: "Apesar da sua dimensão imponente, este carro é extrovertido e elegante ao mesmo tempo."
É um elétrico de autonomia estendida (EREV), que a Zeekr comercializa com o nome Super Hybrid. As rodas são movidas sempre pelos dois motores elétricos e o 2.0 turbo a gasolina funciona quase exclusivamente como gerador para recarregar a bateria. A diferença face a um híbrido plug-in convencional está sobretudo na autonomia elétrica: cerca de 179 km, contra os 60 a 90 km típicos de um PHEV premium.
Não existe preço oficial, nem para a Europa nem para Portugal — a Zeekr classifica as especificações como preliminares, à espera da homologação final. A referência possível são os rivais diretos, que em Alemanha arrancam nos 102.700 € (Mercedes GLS), 106.500 € (BMW X7) e 108.400 € (Audi Q9); a imprensa portuguesa aponta para um valor na ordem dos 100.000 €. Com ISV e IVA aplicados em Portugal, é realista contar com uma faixa entre 100.000 e 120.000 €, e o enquadramento fiscal dependerá dos valores homologados de emissões e de autonomia elétrica.
A Zeekr já opera em Portugal desde 2026, representada pela Salvador Caetano, com o 001, o X, o 7X e o 7GT. Para o 9X, a imprensa portuguesa aponta o início de 2027, depois das primeiras entregas europeias previstas para o final de dezembro de 2026. É importante sublinhar que se trata de uma expectativa reportada e não de um compromisso anunciado pela Zeekr, que ainda não confirmou datas por mercado nem a abertura de encomendas.
A bateria NMC de 55,1 kWh brutos dá cerca de 179 km em modo exclusivamente elétrico, e a autonomia combinada com o gerador a gasolina chega aos 737 km em ciclo WLTP. Graças à arquitetura de 900 V, o carregamento rápido em corrente contínua atinge um pico de 330 kW e faz os 10-80% em cerca de 9,5 minutos. Na prática, poucos postos da rede portuguesa debitam 330 kW, pelo que os tempos reais dependerão do carregador ultrarrápido disponível.
O 9X joga na classe full-size, ao lado do BMW X7, do Mercedes GLS, do Audi Q9 e do Range Rover — e não do X5 ou do GLE, que são uma classe abaixo. Com 5.239 mm de comprimento, seis lugares em configuração 2+2+2, 897 cv e 2.900 kg, oferece números de tecnologia (900 V, 330 kW, 179 km elétricos) que nenhum X7 ou GLS híbrido iguala hoje, e chega numa versão única Ultra AWD com tudo de série. A favor dos alemães ficam o valor residual conhecido e uma reputação de segmento que uma marca chinesa recente ainda tem de construir em Portugal.
Se o 9X é o carro certo para si depende inteiramente de um número que ainda não conhecemos. Com equipamento e tecnologia deste nível, o 9X só faz sentido se ficar claramente abaixo do X7 e do GLS — se chegar a Portugal com preço de alemão, a marca não tem ainda o histórico para justificar a troca.
O que já está garantido é o contexto: a Zeekr tem rede em Portugal, o segmento dos SUV chineses de luxo deixou de ser teórico, e um EREV com 179 km elétricos resolve o dilema de quem quer conduzir a eletrões durante a semana sem depender de carregadores em viagem. Fica a faltar a etiqueta do preço, esperada nos próximos meses.