
Quase todos os híbridos plug-in que se vendem hoje em Portugal fazem entre 80 e 100 km em modo elétrico. O Zeekr 8X anuncia até 328 km. Não é um erro de escala: a marca chinesa construiu praticamente um carro elétrico de bateria grande e acrescentou-lhe um 2.0 turbo a gasolina para os dias em que a autonomia não chega.
A lógica é o inverso da habitual. Em vez de eletrificar um motor de combustão com uma bateria pequena, a Zeekr partiu de uma arquitetura de 900 V, montou uma bateria de 70 kWh e deixou o motor térmico no papel de reforço. É por isso que a autonomia elétrica do Zeekr 8X em Portugal vai ser a conversa quando o carro chegar — se chegar.
Aqui entra o primeiro cuidado, e é importante. Os 328 km são medidos em ciclo WLTC com a bateria de 70 kWh; a versão de 55 kWh fica-se pelos 256 km. Em ciclo chinês CLTC, o mesmo pacote anuncia 410 km — e o CLTC é notoriamente otimista.
O número europeu ainda não existe. A Auto Express conduziu um exemplar de especificação europeia e reportou cerca de 150 milhas, ou seja, aproximadamente 240 km em ciclo europeu. É esse o valor a ter em mente. Continua a ser mais do dobro do que qualquer plug-in mainstream à venda cá faz, mas não são 328 km.
O segundo número que tem circulado trocado: os 660 kW são potência combinada do sistema, não potência de carregamento. A versão de dois motores debita 660 kW, cerca de 897 cv, e faz os 0-100 km/h em 3,7 segundos. A topo de gama de três motores, chamada Yaoying, sobe para 1.030 kW — perto de 1.400 cv — com 1.400 Nm, 2,96 segundos até aos 100 km/h e 220 km/h de velocidade máxima.
Do lado térmico está um 2.0 turbo a gasolina da Aurobay com 205 kW (279 cv) e 410 Nm, mais um gerador P1 de 145 kW. Com o depósito cheio e a bateria carregada, a Zeekr fala em 1.416 km de autonomia combinada.
O carregamento é outra história — e igualmente notável. A arquitetura de 900 V aceita 6C, o que se traduz em 20-80% em cerca de nove minutos. A fonte alemã elektroauto-news adianta um pico de 425 kW; os restantes meios limitam-se a citar o tempo de carga, por isso trate o valor exato como indicativo até haver homologação europeia. Para comparação: os poucos plug-ins europeus que sequer aceitam corrente contínua fazem-no a uns modestos 50 kW.

| Especificação | Valor |
|---|---|
| Comprimento / largura / altura | 5.100 / 1.998 / 1.780 mm |
| Distância entre eixos | 3.069 mm |
| Peso | cerca de 2,8 toneladas |
| Bagageira (bancos rebatidos) | 2.200 litros |
| Lugares | 5 ou 6 (mercado chinês) |
| Plataforma | Geely SEA-S (Haohan-S), 900 V |
| Motor a gasolina | 2.0 turbo, 205 kW / 279 cv, 410 Nm |
| Gerador P1 | 145 kW / 197 cv |
| Potência do sistema | 660 kW (bimotor) ou 1.030 kW (trimotor Yaoying) |
| 0-100 km/h | 3,7 s / 2,96 s |
| Bateria | 55 kWh ou 70 kWh NMC, compatível 6C |
| Autonomia elétrica (WLTC) | 256 km (55 kWh) / 328 km (70 kWh) |
| Autonomia elétrica (teste europeu) | cerca de 240 km |
| Autonomia combinada | 1.416 km |
| Carregamento DC | 20-80% em cerca de 9 min; pico anunciado de 425 kW |
A suspensão é de duplos triângulos à frente e multibraços atrás, com molas pneumáticas de dupla câmara, amortecedores adaptativos e barras estabilizadoras ativas a 48 V nalgumas versões. Sobe 5 cm em modo todo-o-terreno e baixa cerca de 3 cm em autoestrada.
Por dentro, o exagero continua: head-up display de realidade aumentada com 44 polegadas, ecrã de 16 polegadas para o condutor e outro igual para o passageiro, mais um de 17 polegadas para os lugares traseiros, até 29 altifalantes (Naim nos carros europeus), frigorífico e massagem de 22 pontos. A Auto Express classificou o interior como "dos melhores que vimos num modelo chinês", mas deu 3,5 em 5 ao conjunto: a direção é leve demais e o controlo de carroçaria não acompanha os rivais alemães.

Não há termo de comparação direto no nosso mercado. O híbrido plug-in com maior autonomia elétrica à venda na Europa é o Lynk & Co 08, com cerca de 200 km WLTP e 39,6 kWh de bateria. O Mercedes GLC 300 e fica nos 124 km. A grande maioria dos plug-ins — de Volkswagen a Peugeot, de Toyota a Kia — vive na casa dos 80 a 100 km.
Traduzindo para uso real: com 240 km efetivos, um 8X faz a semana inteira de deslocações em Lisboa ou no Porto sem gastar uma gota de gasolina, e ainda cobre Lisboa-Coimbra em elétrico puro. O motor térmico passa a ser aquilo que devia sempre ter sido num plug-in — uma rede de segurança para agosto e para as viagens ao Algarve.
Há a questão fiscal, e não é pequena. Em Portugal, os híbridos plug-in só beneficiam de redução de ISV se cumprirem os requisitos legais de autonomia mínima em modo elétrico e de emissões; com estes valores de bateria, o 8X está confortavelmente do lado certo dessa fronteira. O peso de 2,8 toneladas e a cilindrada de 2.0 litros, porém, puxam o ISV para cima pelo outro lado da tabela.
Na China, o 8X arrancou numa campanha de lançamento a 329.800 yuan, com a tabela oficial entre 356.800 e 500.800 yuan. A Auto Express estima 60.000 libras para a versão de entrada no Reino Unido e 70.000 para a topo de gama, o que aponta para algo entre 70.000 e 85.000 euros num mercado europeu com IVA e ISV — uma estimativa nossa, não um preço anunciado.
Quanto à data, convém ser direto: não há qualquer confirmação de lançamento do 8X em Portugal. O que existe são sinais. O CEO da Geely Auto, Gan Jiayue, falou em mercados externos a partir do terceiro ou quarto trimestre de 2026. A CarNewsChina aponta a Europa para depois do final de 2026, a imprensa alemã fala em 2027 para a Alemanha e a Auto Express em início de 2027 para o Reino Unido.
A favor de Portugal joga um facto concreto: a Zeekr já cá está. O 001, o X, o 7X e o 7 GT vendem-se em Portugal, que é um dos 16 países europeus onde a marca opera. A rede existe, o importador existe — falta o carro entrar na lista.
Para quem anda a ponderar um SUV grande eletrificado agora, esperar por um modelo sem data, sem preço e sem homologação europeia é um risco difícil de justificar. Mas o 8X vale a pena vigiar por outra razão: se um plug-in com 240 km reais e carregamento rápido de verdade se estabelecer na Europa, os 100 km de autonomia que a concorrência oferece hoje vão começar a parecer insuficientes muito depressa.
Ainda não existe preço oficial para Portugal. Na China o 8X arrancou com uma campanha de lançamento a partir de 329.800 yuan, com a tabela oficial entre 356.800 e 500.800 yuan, e a imprensa britânica estima cerca de 60.000 a 70.000 libras para o Reino Unido. Aplicando ISV e IVA nacionais a um híbrido plug-in deste tamanho, um valor de partida acima dos 70.000 euros é o cenário mais realista — mas trata-se de uma estimativa, não de um preço confirmado pela marca.
Os 328 km anunciados referem-se ao ciclo WLTC com a bateria de 70 kWh (a versão de 55 kWh fica-se pelos 256 km WLTC, e o ciclo chinês CLTC chega a indicar 410 km). Num primeiro contacto com um exemplar de especificação europeia, a Auto Express registou cerca de 240 km, pelo que a homologação WLTP europeia deverá ficar bastante abaixo dos 328 km. Mesmo assim, seriam mais do dobro do que oferece a esmagadora maioria dos plug-in à venda em Portugal.
Não há data confirmada para Portugal. A Zeekr já comercializa cá o 001, o X, o 7X e o 7 GT, o que facilita a chegada de novos modelos, mas para o 8X as indicações apontam apenas para o arranque das vendas fora da China no terceiro ou quarto trimestre de 2026, com a Alemanha referida para 2027 e o Reino Unido no início de 2027. Uma eventual estreia portuguesa ao longo de 2027 é expectativa, não um compromisso da marca.
Não. Os 660 kW (cerca de 897 cv) são a potência combinada do sistema na versão bi-motor, que faz 0-100 km/h em 3,7 segundos; a versão topo de gama tri-motor sobe para 1.030 kW e 2,96 segundos. O carregamento é outra conversa: a arquitetura de 900 volts e as células 6C permitem um pico anunciado de 425 kW em corrente contínua, com 20 a 80 por cento em cerca de 9 minutos — muito acima dos plug-in europeus atuais, que raramente aceitam mais de 50 kW em DC.
O plug-in com maior autonomia elétrica disponível na Europa é hoje o Lynk & Co 08, com cerca de 200 km WLTP e bateria de 39,6 kWh, seguido do Mercedes GLC 300 e com cerca de 124 km; a maioria dos modelos mainstream fica entre 80 e 100 km. Mesmo com o valor europeu mais conservador de cerca de 240 km, o 8X colocaria a fasquia num patamar diferente, ao qual junta 5,10 metros de comprimento, 2.200 litros de bagageira com os bancos rebatidos e 1.416 km de autonomia combinada.