
15 000 euros por um carro elétrico novo, fabricado em Itália, vendido sob marcas como Fiat, Citroën, Opel ou Peugeot. Parecia impossível há um ano. Esta segunda-feira, 19 de maio de 2026, a Stellantis oficializou o projeto E-Car e colocou data e fábrica em cima da mesa: produção em Pomigliano d'Arco a partir de 2028.
O grupo italo-francês admite o que todos sabíamos. "Carros abaixo de 15 000 euros já não existem na Europa", disse Antonio Filosa, CEO da Stellantis, na apresentação. O E-Car é a resposta — uma plataforma única que servirá várias marcas do grupo e que tenta recuperar o segmento A, abandonado por quase toda a indústria europeia há uma década.
E-Car significa European, Emotion, Electric, Environmental friendliness. Mais do que o acrónimo, o que interessa é a estratégia: um carro elétrico citadino com menos de 4,2 metros, totalmente desenvolvido e produzido na Europa, partilhado entre Fiat, Citroën, Opel e Peugeot. A revivificação do Fiat Panda elétrico é o cenário mais comentado, mas a Stellantis ainda não confirmou nomes comerciais.
O ponto de partida é o preço. Cerca de 15 000 euros (aproximadamente 17 500 dólares), num momento em que o elétrico mais barato à venda em Portugal — o Dacia Spring — começa nos 17 000 euros e a futura Dacia gémea do Twingo deverá rondar os 18 000 euros no segundo trimestre de 2026. Se a Stellantis cumprir o alvo, o E-Car ficará claramente abaixo da concorrência direta.

O E-Car nasce ao abrigo da nova categoria M1E da UE, desenhada para carros elétricos europeus com menos de 4,2 metros. As regras estarão congeladas durante dez anos — algo que dá aos construtores a certeza necessária para investir numa fábrica e numa plataforma novas. Quem produzir nesta categoria recebe ainda super-créditos CO2, que aliviam as metas de emissões da frota.
A inspiração é assumida: o sistema japonês dos kei cars, que durante décadas manteve viva uma classe de citadinos pequenos, eficientes e baratos. John Elkann, presidente da Stellantis, vinha a defender publicamente esta abordagem há vários anos.
A produção arranca em 2028 em Pomigliano d'Arco, na Campânia. É a fábrica que atualmente produz o Fiat Panda e o Alfa Romeo Tonale, com capacidade para cerca de 300 000 veículos por ano. O Panda atual fica em produção pelo menos até 2030, pelo que o E-Car ocupará linhas adicionais ou paralelas, e não substitutas.
Para a Stellantis, é também uma resposta política. A indústria automóvel italiana tem perdido volume e empregos, e o governo italiano pressiona o grupo a investir no país. Pomigliano marca uma reafirmação da produção italiana e europeia num segmento que tinha sido essencialmente abandonado aos fabricantes chineses.
Como é que se constrói um elétrico a 15 000 euros? A Stellantis fala em parcerias selecionadas com fornecedores para encurtar prazos de desenvolvimento e cortar custos. Em paralelo, o grupo tem a cooperação com a Leapmotor em Espanha, que poderá partilhar tecnologia ou componentes. Os detalhes técnicos — bateria, autonomia, potência — não foram divulgados.
Em Portugal, a oferta de elétricos abaixo dos 20 000 euros é praticamente inexistente. O Dacia Spring domina sozinho, com autonomia modesta (cerca de 220 km WLTP) e equipamento básico. Um Stellantis E-Car a 15 000 euros, mesmo sem incentivos, ficaria 2 000 a 3 000 euros abaixo do Spring — e provavelmente com mais qualidade percebida, dado o ADN europeu.
Soma-se a isenção de ISV para elétricos puros e o IUC reduzido, vantagens que já fazem diferença na conta final. Para quem usa o carro sobretudo dentro de Lisboa, Porto ou em deslocações curtas, faz sentido começar a olhar para 2028 como o ano em que comprar um elétrico novo deixará de ser uma decisão financeira pesada.
| Modelo | Preço aprox. (Portugal) | Disponibilidade |
|---|---|---|
| Stellantis E-Car | 15 000 € | a partir de 2028 |
| Dacia Spring | 17 000 € | já à venda |
| Nova Dacia (base Twingo) | 18 000 € | revelação Q2 2026 |
| Renault Twingo E-Tech | a partir de 20 000 € (estimado) | 2026 |
A Stellantis aponta para um preço-alvo de cerca de 15 000 euros (aproximadamente 17 500 dólares), confirmado na apresentação oficial de 19 de maio de 2026. Em Portugal, somando a isenção de ISV para elétricos puros e o IUC reduzido, o valor final no stand deverá ficar 2 000 a 3 000 euros abaixo do Dacia Spring (atualmente a partir de 17 000 €). O preço definitivo só será conhecido perto do lançamento comercial em 2028.
A produção arranca em 2028 na fábrica de Pomigliano d'Arco, em Itália, com capacidade total de cerca de 300 000 veículos por ano. Os primeiros protótipos deverão ser mostrados em 2027 e a comercialização europeia, incluindo Portugal, está prevista para o decorrer de 2028. Ainda não há datas oficiais para o início de vendas em concessionários portugueses.
A plataforma servirá várias marcas do grupo — Fiat, Citroën, Opel e Peugeot são as mencionadas no anúncio oficial. O renascimento do Fiat Panda elétrico é o cenário mais comentado para o modelo de estreia, mas a Stellantis ainda não confirmou nomes comerciais nem qual a marca que lançará o primeiro derivado da plataforma.
O E-Car ataca diretamente o segmento dominado pelo Dacia Spring (a partir de 17 000 € em Portugal, com cerca de 220 km WLTP de autonomia) e pelo futuro citadino elétrico da Dacia baseado no Twingo (estimado em 18 000 € após a revelação no segundo trimestre de 2026). Aos 15 000 euros, o Stellantis E-Car fica claramente abaixo de ambos, com a vantagem adicional de ser totalmente desenvolvido e produzido na Europa ao abrigo da nova categoria M1E. Especificações técnicas como bateria e autonomia ainda não foram divulgadas.
Os carros 100% elétricos em Portugal estão isentos de ISV (Imposto Sobre Veículos) e beneficiam de IUC anual reduzido face aos modelos a combustão. Empresas podem ainda deduzir uma parte significativa do IVA na compra e nas despesas associadas. A estes benefícios pode somar-se o incentivo do Fundo Ambiental, quando disponível — em 2026 ronda os 4 000 euros para particulares, embora as regras possam mudar até 2028.
A Stellantis ainda não divulgou autonomia, potência, dimensões finais nem qual a marca que estreará a plataforma. Também não sabemos se o E-Car virá em duas configurações (uma mais básica, outra mais equipada) ou em variantes específicas por marca — um Citroën descontraído, um Opel mais sóbrio, um Peugeot mais desportivo. Faz parte do guião habitual do grupo, e seria estranho se não acontecesse.
Vale a pena acompanhar os próximos meses. Espera-se que os primeiros protótipos sejam mostrados em 2027, com homologação e lançamento comercial ao longo de 2028. Se a Stellantis entregar o que promete, o mercado de elétricos baratos em Portugal vai mudar.