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Renault 5 vs Clio: Qual Comprar para a Cidade em Portugal

Publicado: 19/06/2026
Renault 5 vs Clio: Qual Comprar, Elétrico ou Híbrido

Renault 5 vs Clio: qual comprar para a cidade?

A Renault tem agora dois citadinos que se cruzam no mesmo cliente: o Renault 5 E-Tech, totalmente elétrico, e o Clio, o utilitário mais vendido em França há vários anos, disponível em gasolina e em híbrido auto-recarregável. São o mesmo segmento B, vêm da mesma marca — e mesmo assim respondem a necessidades muito diferentes. Se está indeciso entre Renault 5 elétrico vs Clio híbrido, a escolha resume-se a uma pergunta: tem onde carregar?

Vamos comparar os dois lado a lado, com os números reais e o que eles significam para quem conduz no nosso mercado.

Renault 5 elétrico: o citadino com 405 km de autonomia

O Renault 5 E-Tech na versão de 52 kWh úteis anuncia uma autonomia WLTP de cerca de 405 km. Na prática, em uso misto pode contar com algo entre 300 e 335 km, e em cidade — onde estes carros vivem — o consumo fica nos 15 a 17 kWh/100 km. Para o trajeto diário de casa-trabalho em Lisboa ou no Porto, isto traduz-se em carregar uma vez por semana, talvez menos.

Debaixo do capô (ou melhor, do chão) está um motor de 110 kW, ou seja, 150 cv, com 245 Nm de binário. Faz os 0–100 km/h em 8,0 segundos e atinge 150 km/h. Não é um carro de autoestrada vocacionado para longas distâncias, mas para a cidade é rápido, ágil e silencioso.

O carregamento é onde o R5 mostra a sua maturidade. Em corrente alternada aceita 11 kW, o que enche a bateria em casa numa noite. Em carga rápida DC chega aos 100 kW, suficiente para passar de 10 para 80% em cerca de 31 minutos numa paragem de autoestrada. Vem ainda com bomba de calor de série — um detalhe que preserva a autonomia no frio e que muitos rivais cobram à parte.

Interior do Renault 5 E-Tech com painel digital e ecrã central
O interior do Renault 5 mistura o toque retro com ecrãs modernos.

Há também uma versão de entrada com bateria de 40 kWh e 120 cv, para quem quer o R5 mais barato e faz menos quilómetros. Em termos de espaço, a mala oferece 326 litros — competitivo para o segmento — mas o banco traseiro é apertado. Com 3.922 mm de comprimento, é dos mais curtos da categoria.

Renault Clio E-Tech: o híbrido que nunca se liga à tomada

O grande argumento do Clio híbrido é simples: nunca precisa de uma ficha. O sistema E-Tech é auto-recarregável — recupera energia nas travagens e desacelerações e usa-a para andar em modo elétrico em boa parte do percurso urbano.

Há duas gerações em jogo, e a distinção importa. O novo Clio de sexta geração estreia em 2026 com um híbrido full de 160 cv, combinando um motor 1.8 de ciclo Atkinson com dois motores elétricos. Anuncia 3,9 L/100 km e 89 g/km de CO2, faz os 0–100 km/h em 8,3 segundos e tem uma mala de 391 litros num corpo de 4.116 mm.

A geração anterior — a quinta, com 145 cv e motor 1.6 — continua a ser a mais comum no mercado de usados português, e é a que muitos compradores vão realmente encontrar. Faz 67,3 mpg, ou seja, cerca de 4,2 L/100 km, emite 96 g/km e acelera dos 0–100 km/h em 9,3 segundos. A mala da versão híbrida desce para 301 litros por causa da bateria, contra os 391 da versão a gasolina.

Em ambos os casos, a lógica é a mesma: roda em modo elétrico até cerca de 80% do tempo em cidade, mas só durante alguns quilómetros de cada vez e até aos 40 km/h. Não é um elétrico — é gasolina com ajuda elétrica. O reverso é que pode fazer Lisboa–Porto–Algarve sem pensar onde abastecer, com autonomias que passam facilmente dos 1.000 km por depósito.

Renault 5 ou Clio: o confronto número a número

EspecificaçãoRenault 5 E-Tech (52 kWh)Renault Clio E-Tech Híbrido
Motorização100% elétrico, bateria 52 kWhHíbrido auto-recarregável (gasolina + 2 motores)
Potência110 kW / 150 cv160 cv (nova geração) / 145 cv (anterior)
0–100 km/h8,0 s8,3 s (nova) / 9,3 s (anterior)
Autonomia / consumoWLTP cerca de 405 km; 15–17 kWh/100 km3,9 L/100 km (nova) / 4,2 L (anterior)
CO20 g/km no escape89 g/km (nova) / 96 g/km (anterior)
CarregamentoAC 11 kW; DC 100 kW (10–80% em 31 min)Não se liga à tomada
Comprimento3.922 mm4.116 mm (nova) / 4.053 mm (anterior)
Mala326 L391 L (nova) / 301 L híbrido (anterior)
Euro NCAP4 estrelas5 estrelas (2019)

O Clio é o carro mais prático no dia a dia em família: mais comprido, com mais espaço atrás e uma mala maior na versão a gasolina. O R5 ganha em agilidade, silêncio e na sensação de carro novo, mas paga em espaço traseiro e segurança avaliada (4 estrelas contra as 5 do Clio).

Custos de utilização e impostos em Portugal

Aqui é onde a balança pende para os elétricos — desde que tenha como carregar. O Renault 5, sendo 100% elétrico, beneficia em Portugal de isenção de ISV e paga um IUC muito reduzido. Carregar em casa com tarifa noturna custa uma fração do que custa abastecer o Clio, mesmo com os 3,9 L/100 km do híbrido. Para quem faz muitos quilómetros urbanos com carregamento doméstico, o R5 é claramente mais barato de manter.

O Clio híbrido não tem os incentivos fiscais do elétrico, mas também não depende de infraestrutura de carregamento. E é aí que está a verdadeira decisão: cerca de 44% das casas não têm condições para instalar um carregador. Se vive num apartamento sem garagem própria, depender da rede pública MOBI.E para o uso diário pode ser frustrante — e o Clio resolve isso sem esforço.

Perguntas Frequentes

O Clio a gasolina parte de cerca de 19.900 € e o Clio híbrido E-Tech de cerca de 24.600 €, enquanto o Renault 5 elétrico de 52 kWh se situa nos 30.990 a 32.900 € em mercados como a Alemanha e a Holanda, antes de incentivos. Na prática, o R5 começa mais ou menos ao nível de um Clio híbrido de gama média, mas a versão de maior autonomia custa mais. Em Portugal, a isenção de ISV do elétrico aproxima as contas, pelo que vale a pena confirmar os preços oficiais da Renault Portugal e os incentivos em vigor.

O Renault 5 E-Tech de 52 kWh anuncia cerca de 405 km WLTP, mas no mundo real conte com 300 a 335 km em uso misto. Em cidade, onde o consumo desce para 15 a 17 kWh/100 km, a autonomia é ainda melhor, o que para um trajeto diário em Lisboa ou no Porto significa carregar apenas uma vez por semana. Vem com bomba de calor de série, o que ajuda a preservar a autonomia no inverno.

Carregar o Renault 5 em casa com tarifa noturna custa uma fração do que custa abastecer o Clio, mesmo com os 3,9 L/100 km do novo híbrido. Para quem faz muitos quilómetros urbanos e tem carregamento doméstico, o R5 é claramente mais barato de manter, beneficiando ainda de isenção de ISV e de um IUC muito reduzido em Portugal. A vantagem desaparece se depender da rede pública para o uso diário, onde os preços de carga rápida se aproximam do custo do combustível.

Em geral não. Cerca de 44% das casas em Portugal não têm condições para instalar um carregador, e depender da rede pública MOBI.E para o uso diário pode ser frustrante e mais caro. Nesse cenário, o Clio híbrido auto-recarregável é a escolha mais sensata: nunca se liga à tomada, roda em modo elétrico até 80% do tempo em cidade e faz facilmente mais de 1.000 km por depósito sem ansiedade de autonomia.

Escolha o Renault 5 elétrico se tem carregamento em casa ou no trabalho, conduz sobretudo em cidade e quer custos de utilização baixos com zero emissões locais e benefícios fiscais. Opte pelo Clio híbrido se não tem onde carregar, faz mais autoestrada ou viagens longas, ou procura um usado mais acessível da quinta geração. O Clio é também mais prático em família, com mais espaço atrás e maior mala, e tem 5 estrelas Euro NCAP contra as 4 do R5.

Renault 5 ou Clio: para quem é cada um

O Renault 5 elétrico faz sentido se tem carregamento em casa ou no trabalho, conduz sobretudo em cidade e na região, e quer custos de utilização baixos com zero emissões locais. Os incentivos fiscais e o preço da eletricidade fazem o resto.

O Clio híbrido é a escolha certa se não tem onde carregar, faz mais autoestrada ou viagens longas, e quer consumos baixos sem nunca pensar em pontos de carregamento. É também, na versão usada de quinta geração, mais acessível à entrada.

Em termos de preço, o Clio a gasolina parte de valores na ordem dos 19.900 €, o híbrido a partir de cerca de 24.600 €, e o R5 de 52 kWh situa-se nos 30.990 a 32.900 € em mercados como a Alemanha e a Holanda — antes dos incentivos. Ou seja, o R5 começa mais ou menos ao nível de um Clio híbrido de gama média, mas a versão de maior autonomia custa mais. Vale a pena acompanhar os preços oficiais da Renault Portugal e os incentivos em vigor antes de decidir — é aí que a conta final se faz.