
Bateria maior, mais potência e mais autonomia elétrica. A Hyundai revelou a 1 de outubro a quinta geração do Tucson, e a versão que mais interessa a quem conduz em Portugal é o novo Hyundai Tucson PHEV: 292 cv, bateria de 17,1 kWh e uma autonomia elétrica de 81 km, ainda à espera de homologação WLTP.
O novo Hyundai Tucson 2027 chega à Europa no início do próximo ano, produzido na fábrica de Nošovice, na República Checa. Os preços ainda não foram anunciados. Mas já há dados suficientes para perceber se vale a pena esperar por ele — e onde continua a ficar atrás da concorrência.
O salto mais relevante está na bateria. Passa de 13,8 kWh para 17,1 kWh, e a Hyundai aponta para 81 km de autonomia elétrica (com jantes de 17"). Com essa margem, dá para fazer o trajeto casa-trabalho e ainda as voltas da tarde sem ligar o motor a gasolina.
| Novo Tucson PHEV (5.ª geração) | Tucson PHEV anterior | |
|---|---|---|
| Motor | 1.6 T-GDi + motor elétrico P2 de 107 cv | 1.6 T-GDi + motor elétrico |
| Potência combinada | 292 cv | 248 cv (Hyundai Portugal) |
| Binário | 380 Nm | — |
| Bateria | 17,1 kWh | 13,8 kWh |
| Autonomia elétrica | 81 km (WLTP, a homologar) | até 86 km (valor anunciado pela Hyundai Portugal) |
| Carregamento AC | 7,2 kW | 7,2 kW |
| Carregamento DC | Não | Não |
| 0-100 km/h | 7,9 s | — |
| Tração / caixa | Integral (AWD) / automática de 6 velocidades | Integral (AWD) / automática de 6 velocidades |
| Capacidade de reboque | 1.810 kg | — |
Uma nota sobre a autonomia: os 81 km do novo modelo são um objetivo ainda à espera de homologação. Já os 86 km que a Hyundai Portugal anuncia para o Tucson PHEV atual podem não ter sido medidos da mesma forma — é provável que incluam o ciclo urbano. Por isso, só com a homologação será possível saber ao certo quanto se ganha em autonomia.
Os 292 cv e 380 Nm chegam através do novo motor elétrico de 107 cv integrado na caixa. Dos 0 aos 100 km/h, são 7,9 segundos. Não é um desportivo, mas é rápido q.b. para entradas em autoestrada e ultrapassagens com o carro carregado.
Não. E este é o ponto fraco que a Hyundai deixou por resolver. O carregador de bordo continua nos 7,2 kW em corrente alterna, sem carregamento DC.
Na prática, numa wallbox capaz de entregar os 7,2 kW, encher a bateria de 17,1 kWh deve levar à volta de duas horas e meia (uma estimativa nossa, feita a partir da capacidade da bateria). Numa tomada doméstica comum, conte com uma noite inteira. Para quem carrega em casa ou no escritório, isto chega e sobra. Para quem depende da rede pública MOBI.E, os postos rápidos não servem de nada a este carro.
O BYD Seal U DM-i, por exemplo, aceita até 18 kW em DC e faz 30-80% em 35 minutos. Não é rápido em termos absolutos, mas é uma opção que o Tucson simplesmente não tem.
A Europa recebe a versão de distância entre eixos curta, com 4.560 mm de comprimento, 1.900 mm de largura, 1.670 mm de altura e 2.720 mm entre eixos. Os mercados da América do Norte, Coreia e Austrália ficam com uma carroçaria longa de 4.700 mm — por isso, se vir fichas técnicas brasileiras com 4,70 m, não são as do Tucson que vamos ter cá.
Os 40 mm extra entre eixos sentem-se atrás: o espaço para as pernas chega aos 1.003 mm e as portas traseiras abrem a 83 graus, o que facilita a vida com cadeiras de criança. A bagageira anunciada é de 691 a 695 litros, mas atenção — esse valor deve referir-se às versões sem bateria de tração. No PHEV anterior a bagageira ficava nos 558 litros, e é provável que a nova versão plug-in também perca alguns litros face aos números oficiais.
O desenho segue a linguagem "Art of Steel", com assinatura luminosa em H à frente e atrás, formas quadradas e para-lamas marcados. A própria Hyundai admite que vai dividir opiniões.

O interior estreia o sistema Pleos Connect, baseado em Android Automotive, num ecrã de 12,9" ou 17", com quadrante digital de 9,9" e o assistente de voz Gleo AI. As aplicações correm nativamente, sem depender do telemóvel.
A boa notícia para quem não gosta de procurar a climatização em menus: a Hyundai manteve teclas físicas para o ar condicionado e o volume. Há ainda dois carregadores sem fios Qi2 de 15 W, tomadas USB-C de 100 W, som Bang & Olufsen opcional e o Memory Reverse Assist, que memoriza até 50 metros de percurso para fazer marcha-atrás sozinho — útil em garagens apertadas de prédios antigos.

Não há preços oficiais. O Tucson PHEV atual começa nos cerca de 47.370 € em Portugal, e em França a versão anterior arrancava nos 41.050 €. Com mais bateria, mais equipamento e uma carroçaria nova, é razoável esperar que o novo Hyundai Tucson PHEV fique no mesmo patamar ou acima — algures acima dos 47 mil euros é a nossa estimativa, não um valor confirmado.
A fiscalidade pesa a favor dos plug-in. Com mais de 50 km de autonomia elétrica e emissões baixas, os híbridos plug-in beneficiam atualmente de uma redução de 75% no ISV, e os 81 km dão margem confortável para cumprir esse critério. Para empresas, os PHEV que cumprem os requisitos têm taxas reduzidas de tributação autónoma e IVA dedutível dentro dos limites de custo de aquisição definidos na lei. Vale a pena confirmar as regras em vigor quando o carro chegar, já que o Orçamento do Estado pode mexer nelas.
A Coreia recebe-o ainda em 2026, e a Europa no início de 2027. A Hyundai vai mostrar uma versão mais desportiva, provavelmente N Line, no Salão de Paris a 12 de outubro. Os preços portugueses devem surgir perto do lançamento.
O rival mais incómodo vem da China. O BYD Seal U DM-i tem bateria de 18 kWh, 323 cv e 405 Nm na versão AWD, faz 0-100 km/h em 5,9 segundos e aceita carregamento DC. No Reino Unido custa entre £34.995 e £39.995, abaixo do Tucson e do Kia Sportage PHEV.
| Novo Tucson PHEV | BYD Seal U DM-i (AWD Design) | |
|---|---|---|
| Potência / binário | 292 cv / 380 Nm | 323 cv / 405 Nm |
| Bateria | 17,1 kWh | 18 kWh |
| Autonomia elétrica | 81 km (WLTP, a homologar) | ~70 km (até 78 milhas WLTP em algumas versões) |
| Carregamento DC | Não | Sim, 18 kW |
| Bagageira | 691-695 L (versões não-PHEV) | 425 L |
No papel, o BYD ganha em potência, preço e carregamento. Mas os testes britânicos apontam-lhe uma suspensão desconfortável e uma direção sem sensações. O Tucson deverá responder com mais espaço na bagageira, uma rede de assistência Hyundai bem implantada em Portugal e uma autonomia elétrica superior — se os 81 km se confirmarem.
O Kia Sportage PHEV partilha a base técnica com o Tucson atual, por isso hoje são quase gémeos mecânicos. Com a nova geração, o Tucson passa à frente em bateria e autonomia até a Kia atualizar o Sportage. O Toyota RAV4 PHEV continua a ser a outra referência do segmento C que vale a pena pôr na lista.
A Hyundai ainda não anunciou preços para a 5.ª geração. O Tucson PHEV atual começa nos cerca de 47.370 € em Portugal e, com uma bateria maior (17,1 kWh) e mais equipamento, é de esperar que o novo modelo fique ao mesmo nível ou acima. Os preços portugueses deverão ser revelados perto do lançamento europeu, no início de 2027.
O novo Tucson PHEV mantém um carregador de bordo de 7,2 kW em corrente alterna e não aceita carregamento rápido DC. Numa wallbox de 7,2 kW, a bateria de 17,1 kWh deverá carregar por completo em cerca de duas horas e meia (estimativa); numa tomada doméstica de 230 V, conte com uma noite inteira. Os postos rápidos DC da rede MOBI.E não trazem qualquer vantagem a este modelo.
Os híbridos plug-in com pelo menos 50 km de autonomia elétrica e emissões baixas beneficiam atualmente de uma redução de 75% no ISV, e os 81 km anunciados para o novo Tucson PHEV dão margem confortável para cumprir esse critério. Para empresas, os PHEV elegíveis têm taxas reduzidas de tributação autónoma e IVA dedutível dentro dos limites legais de custo de aquisição. Estas regras podem mudar com o Orçamento do Estado, por isso convém confirmá-las na altura da compra.
Não. A 5.ª geração do Tucson não terá versão totalmente elétrica, pelo que o PHEV de 292 cv e 81 km de autonomia elétrica será a versão mais eletrificada. Na Europa, a gama inclui ainda um 1.6 T-GDi de 150 cv (manual de 6 velocidades ou DCT de 7 com sistema mild hybrid de 48V) e um híbrido convencional de 245 cv e 380 Nm.
Os dois partilham atualmente a mesma base técnica (1.6 T-GDi, bateria de 13,8 kWh e carregador de 7,2 kW). Com a nova geração, o Tucson PHEV passa à frente com 17,1 kWh de bateria, 292 cv e 81 km de autonomia elétrica anunciada, vantagem que deverá manter até a Kia atualizar o Sportage. Nenhum dos dois oferece carregamento rápido DC.
Se carrega em casa e faz menos de 80 km por dia, o novo Tucson PHEV pode transformar a maioria das suas deslocações em viagens 100% elétricas — algo que o modelo atual, com uma bateria de 13,8 kWh, consegue com menos folga. Não haverá versão totalmente elétrica nesta geração, por isso o PHEV é o Tucson mais eletrificado que vai existir.
Se precisa de carro agora, o Tucson PHEV atual pode tornar-se uma boa compra à medida que os concessionários escoam stock com descontos. Se pode esperar até 2027, o mais sensato é aguardar pelos preços portugueses e pela homologação WLTP definitiva — e comparar com o que o Seal U DM-i custar nessa altura.