
Cerca de 15.000 euros, uma tonelada de peso e um tejadilho de lona que enrola até atrás. É esta a proposta do novo Citroën 2CV elétrico, revelado como 2 CV Concept a 11 de outubro e exposto no Salão Automóvel de Paris, que decorre de 12 a 18 de outubro de 2026. Não é um exercício de nostalgia: a Citroën quer pôr à venda, até 2028, um citadino elétrico simples e barato, fabricado na Europa.
Para o comprador português há duas razões para prestar atenção. A primeira é o preço-alvo, que colocaria o 2CV entre os elétricos novos mais acessíveis do mercado. A segunda é afetiva: o último 2CV do mundo saiu da fábrica de Mangualde, em 1990.
"Reinventar o 2 CV não é replicar um carro do passado", disse Xavier Chardon, CEO da Citroën. A frase resume bem o conceito.
O "Dois Cavalos" original estreou-se precisamente no Salão de Paris de 1948 e foi produzido durante 42 anos, até 1990. Somou cerca de 3,87 milhões de unidades da versão de passageiros — 5,1 milhões contando a Fourgonnette e restantes derivados. A potência variou entre 9 e 29 cv, e o caderno de encargos ficou famoso: levar dois agricultores e 50 kg de batatas, ou um cesto de ovos, por um campo lavrado sem partir nada.
O novo modelo mede 3,76 m, cerca de 10 cm menos do que o original. A silhueta geral mantém-se, mas o capô é mais alto e mais quadrado, as cavas das rodas são mais baixas e as janelas descem em vez de rebater para cima. Se a versão de produção chegar em 2028, coincide com os 80 anos do primeiro 2CV.
Os faróis LED redondos e independentes da carroçaria, os guarda-lamas ligeiramente alargados e os vincos verticais no capô e na porta da bagageira vêm diretamente do original e do protótipo TPV ("Toute Petite Voiture"). O resto é engenharia de custos bem pensada:
Com a Michelin, a Citroën desenvolveu ainda um "gémeo digital universal do pneu": um modelo virtual que acompanha pressão, temperatura e desgaste em tempo real e permite ao carro ajustar as ajudas à condução.

Por dentro, não há tablier convencional. Uma barra horizontal agrupa os comandos, o volante tem um só raio e há um ecrã tátil quadrado de 8 polegadas, complementado pelo Citroën Smart Vision, que projeta a informação na linha de visão do condutor. A consola central dá lugar a um cesto amovível impresso em 3D com madeira e bioplástico, e o rádio "Radioën" destaca-se para servir de coluna portátil.
Os detalhes divertidos são muitos: suportes para ovos nas portas, uma tartaruga no pedal do travão e um coelho no acelerador. O banco da frente pode ser retirado e usado fora do carro, num piquenique. Alguns destes pormenores — o cesto, as cores vivas — provavelmente não chegam à produção.
A Citroën ainda não divulgou bateria, potência nem autonomia. A tabela separa o que foi confirmado daquilo que tem sido noticiado:
| Item | Valor | Estado |
|---|---|---|
| Comprimento | 3,76 m | Oficial (conceito) |
| Lugares | 4 | Noticiado |
| Peso-alvo | cerca de 1.000 kg | Oficial (objetivo) |
| Preço-alvo | cerca de 15.000 € antes de incentivos | Oficial (objetivo) |
| Lançamento | até 2028 | Oficial |
| Motor | cerca de 80 cv | Noticiado |
| Velocidade máxima | cerca de 130 km/h | Indicação do CEO |
| Bateria | LFP, 20 a 30 kWh | Estimativa |
| Autonomia WLTP | 160 a 210 km | Estimativa |
| Carregamento DC | 50 kW | Estimativa |
As estimativas divergem bastante. A Electrifying aponta para cerca de 20 kWh, 160 a 210 km WLTP e carregamento rápido a 50 kW. A New Atlas fala numa bateria LFP de 30 kWh, baseada na química do ë-C3. Como referência, a Electrek lembra que citadinos elétricos comparáveis andam pelos 30 kWh e cerca de 250 km.
Na prática, mesmo o cenário mais modesto chega para uma semana de deslocações casa-trabalho em Lisboa ou no Porto. Uma viagem Lisboa-Porto, com pouco mais de 300 km, exigiria uma paragem para carregar na rede MOBI.E. O peso de uma tonelada é aqui o trunfo: um carro leve gasta menos e dispensa uma bateria grande e cara.
O novo 2CV vai cumprir as futuras regras europeias da categoria E-Car (M1E), pensada para elétricos pequenos e baratos: tem de ser fabricado na Europa e não pode ultrapassar 4,20 m. Segundo as notícias, usará uma nova plataforma Stellantis com tecnologia da Leapmotor (derivada do T03), partilhada com um pequeno Fiat — possível sucessor do Panda — e talvez um Opel. A produção está apontada para Pomigliano d'Arco, em Itália, a partir de 2028.
Ou seja, o novo 2CV não será feito em Portugal. Mas a história portuguesa do modelo merece ser contada. A fábrica da Citroën em Mangualde abriu em 1964 a montar 2CV — 472 unidades nesse primeiro ano. Em 1988, com o fecho da fábrica de Levallois, em Paris, Mangualde passou a ser o único sítio do mundo onde se fazia o 2CV. A 27 de julho de 1990, o último de todos, um Charleston cinzento, saiu dessa linha.
Hoje, Mangualde produz as carrinhas Citroën Berlingo, Peugeot Partner e Opel Combo.
O único número com origem oficial é o de Xavier Chardon: "menos de 15.000 euros antes de subsídios". É um objetivo, não uma tabela de preços, e não há qualquer valor anunciado para Portugal.
Há duas ressalvas. Primeiro, não é claro se o valor inclui ou exclui incentivos de cada país. Segundo, o IVA português é de 23%, contra 20% em França, pelo que um preço fixado a pensar no mercado francês pode ficar um pouco acima por cá. A favor joga a fiscalidade: os elétricos estão isentos de ISV e de IUC em Portugal, e o Fundo Ambiental tem apoiado a compra por particulares — embora os montantes mudem todos os anos.
A confirmar-se, seria o carro mais barato da Citroën (o Ami é um quadriciclo, não conta) e preencheria o espaço deixado pelos antigos C1 e C2.
O 2CV vai entrar no segmento A elétrico, que deverá estar bem mais concorrido em 2028. Os rivais apontados pelas publicações são o Renault Twingo E-Tech, o Dacia Spring, o Leapmotor T03, o BYD Dolphin Surf e o futuro VW ID. Up, além do próprio ë-C3 dentro de casa.
Os Renault 5 e 4 E-Tech são o contraponto natural. Também apostam no design retro, mas são carros maiores e mais caros; a imprensa especializada espera que o 2CV fique abaixo tanto do Renault 5 E-Tech como do ë-C3. A filosofia é outra: menos emoção de design, mais simplicidade e custo baixo.
Quanto à segurança, a categoria E-Car ainda está em processo legislativo, e o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC) teme que congele os requisitos para esta classe. A Citroën garante que o 2CV de produção terá airbags e ESC.
Ao lado do 2 CV Concept, a marca mostrou a 2 CV Fourgonnette, uma versão furgão elétrica que recupera outro clássico — a Fourgonnette original foi produzida cerca de 1,2 milhões de vezes.

Não há especificações e a Citroën diz que não antecipa um modelo de produção a curto prazo; serve para "abrir caminhos". Se avançar, faria sentido na mesma base E-Car, como alternativa compacta a carrinhas como a Renault Kangoo E-Tech.
Não existe preço oficial para Portugal. O único valor avançado pela marca é um objetivo de cerca de 15.000 € antes de incentivos, indicado pelo CEO Xavier Chardon para o mercado europeu. Isso colocaria o 2CV abaixo do Citroën ë-C3 na gama da marca, embora o IVA de 23% (contra 20% em França) possa empurrar ligeiramente o valor final para cima. Como elétrico, ficará isento de ISV e IUC.
A Citroën prevê apresentar a versão de produção nos próximos dois anos e lançá-la até 2028, ano em que o 2CV original faz 80 anos. Algumas publicações admitem produção em 2027 e vendas a partir de 2028. Ainda não há data específica para Portugal, mas, sendo um modelo europeu de grande volume, deverá chegar na mesma vaga de lançamento — algo por confirmar.
A Citroën ainda não divulgou bateria nem autonomia. As estimativas da imprensa apontam para uma bateria LFP entre 20 e 30 kWh, com 160 a 210 km WLTP no cenário mais modesto e carregamento rápido DC a cerca de 50 kW. O peso-alvo de cerca de 1.000 kg deverá ajudar a manter o consumo baixo, mas todos estes valores são estimativas até à apresentação do modelo de produção.
Segundo as notícias, o novo 2CV será produzido em Pomigliano d'Arco, em Itália, a partir de 2028, numa nova plataforma Stellantis E-Car com tecnologia Leapmotor — não em Portugal. Terá de ser fabricado na Europa para cumprir a categoria europeia E-Car (M1E), limitada a 4,20 m. A ligação portuguesa é histórica: o último 2CV original saiu da fábrica de Mangualde a 27 de julho de 1990.
Ambos apostam no design retro, mas o 2CV será mais pequeno (3,76 m de comprimento) e mais simples, com foco no custo baixo e num peso-alvo de cerca de 1.000 kg. A imprensa especializada espera que fique abaixo do preço do Renault 5 E-Tech e do ë-C3. Os rivais mais diretos serão citadinos do segmento A, como o Renault Twingo E-Tech, o Dacia Spring, o Leapmotor T03 e o BYD Dolphin Surf.
O calendário oficial aponta para a apresentação do modelo de produção nos próximos dois anos e a entrada na gama até 2028; a Electrifying admite produção em 2027 e vendas a partir de 2028. Não há data específica para Portugal. Como o 2CV foi pensado como modelo europeu de grande volume, o mais provável é chegar ao nosso mercado na mesma vaga de lançamento, mas isso ainda não foi confirmado.
Até lá, os números que interessam — bateria, autonomia real e preço final em euros — ainda estão por fechar. Se a Citroën cumprir os 15.000 € e uma autonomia na casa dos 200 km, o novo Citroën 2CV elétrico pode ser a resposta europeia aos citadinos chineses baratos. Vale a pena acompanhar a apresentação da versão de produção.