Mercedes Classe C elétrico vs Audi A6 e-tron: qual a melhor para viagens longas?

Publicado: 21/10/2026
Mercedes Classe C elétrico vs Audi A6 e-tron: 762 vs 773 km

Mercedes Classe C elétrico vs Audi A6 e-tron: a velha rivalidade passa a ser elétrica

Durante décadas, a Classe C e o A6 a gasóleo foram os carros de quem fazia Lisboa–Porto todas as semanas. Agora ambos têm versão 100% elétrica, e a pergunta mudou: qual destas berlinas aguenta melhor uma viagem longa sem obrigar a paragens? O duelo Mercedes Classe C elétrico vs Audi A6 e-tron é, em grande parte, um duelo de autonomia real, velocidade de carregamento e preço.

Há uma assimetria logo à partida. A Mercedes chega com uma única versão, o C 400 4MATIC de 489 cv e tração integral. A Audi tem quatro níveis de potência e duas carroçarias. Por isso, mais do que um "carro contra carro", esta é uma escolha entre uma proposta fechada e muito equipada e uma gama onde se pode escolher o equilíbrio entre preço, autonomia e desempenho.

Frente a frente: as fichas técnicas lado a lado

Para comparar com justiça, usamos o C 400 4MATIC contra toda a gama A6 Sportback e-tron. Os valores WLTP do Audi variam ligeiramente consoante o mercado e a data de homologação — indicamos o intervalo.

EspecificaçãoMercedes C 400 4MATICAudi A6 Sportback e-tron
Comprimento / largura / altura4.883 / 1.892 / 1.503 mmcerca de 4.930 / 1.920 / 1.490 mm
Distância entre eixos2.962 mm2.950 mm
Cx0,220,21
TraçãoIntegral, 2 motoresTraseira (base, performance) ou integral (quattro, S6)
Potência360 kW (489 cv), 800 Nm286 / 367 / 428 / 503 cv
0–100 km/h4,0 s7,0 / 5,4 / 4,7 / 4,1 s
Bateria útil94 kWh75,8 kWh (base) / 94,9 kWh (restantes)
Autonomia WLTPaté 762 km627–634 / 750–773 / 716–729 / 670–675 km
Carregamento DC máx.330 kW225 kW (base) / 270 kW
10–80%cerca de 22 mincerca de 21 min
Carregamento AC11 kW (22 kW opcional)11 kW (22 kW opcional em algumas versões)
Bagageira / frunk470 L / 101 L502 L (1.330 L) / 27 L
Peso2.460 kgnão divulgado

Dois carros quase do mesmo tamanho, ambos com arquitetura de 800 V e uma aerodinâmica entre as melhores do mercado. As diferenças estão nos detalhes — e no bolso.

Autonomia real: qual chega mais longe numa viagem longa

No papel, o Classe C elétrico (até 762 km WLTP) e o A6 e-tron performance (750 a 773 km, consoante a homologação) estão praticamente empatados. A vantagem da Mercedes é que essa autonomia vem com tração integral e 489 cv; no Audi, os números mais altos pertencem à versão de tração traseira. O A6 e-tron quattro, o rival mais direto em configuração, fica-se pelos 716–729 km.

Mercedes Classe C elétrico: autonomia real perto dos 670 km

O teste mais completo até agora é da britânica Electrifying: 4,4 milhas/kWh em utilização mista e com tempo ameno, o que dá cerca de 668 km de autonomia real. É um valor muito bom para um carro de 2.460 kg com dois motores — e ajuda o facto de o motor dianteiro se desligar quando não é preciso, reduzindo as perdas por arrasto em até 90%, segundo a marca.

Ainda não há um teste independente feito só em autoestrada a 120 km/h. Na nossa análise de abril estimámos entre 550 e 620 km a essa velocidade, com temperatura moderada, e os dados reais conhecidos não contradizem essa estimativa.

Audi A6 e-tron em autoestrada: entre 400 e 520 km

Do lado da Audi há mais dados de estrada. Num teste de duas semanas, a electrive mediu no A6 Sportback e-tron performance um consumo de cerca de 18,1 kWh/100 km a 120–130 km/h e de 23 kWh/100 km com uma média de 150 km/h. Traduzido: mais de 400 km em autoestrada a ritmo vivo, e até cerca de 520 km com uma condução contida.

A carrinha A6 Avant e-tron quattro fez cerca de 490 km a velocidades recomendadas, mas desceu para perto de 340 km a cruzeiros de 180 km/h numa autoestrada alemã sem limite. Este último cenário não se aplica cá, mas mostra quanto a velocidade pesa num elétrico. E se a eficiência de base interessar, o A6 Sportback e-tron detém o recorde Guinness de 1.338 km com uma carga — a 30 km/h de média, longe de qualquer uso real.

Audi A6 Sportback e-tron em andamento numa estrada, visto de lado
O A6 Sportback e-tron tem o Cx mais baixo dos dois: 0,21.

Lisboa–Porto sem parar com qualquer um dos dois?

A A1 entre Lisboa e Porto tem cerca de 310 km. Com os números acima, qualquer um dos dois faz a viagem sem parar e chega com margem, mesmo a 120 km/h. Lisboa–Algarve também. O que muda é a ida e volta no mesmo dia: aí, ambos pedem quase sempre uma paragem, e é o carregamento que decide quem perde menos tempo.

Carregamento: 330 kW contra 270 kW, mas o tempo quase empata

O Classe C elétrico carrega até 330 kW em DC, contra 270 kW do A6 e-tron (225 kW na versão base). A diferença de pico, no entanto, quase desaparece no cronómetro: 10–80% em cerca de 22 minutos no Mercedes, 21 minutos no Audi. No teste da electrive, o A6 chegou a um pico de cerca de 280 kW, ligeiramente acima do anunciado.

Onde a Mercedes ganha é nos primeiros minutos. Dez minutos num carregador de 800 V recuperam até 325 km WLTP no C 400, contra até 290 km no A6 Sportback e-tron quattro. Numa paragem de café, são mais uns 35 km na bateria.

Na rede MOBI.E — a rede pública de carregamento portuguesa — estes valores só se atingem nos postos de alta potência das autoestradas. Num carregador de 150 kW, ambos ficam limitados pelo posto e a diferença entre eles dilui-se. Para quem ainda encontra muitos carregadores de 400 V, a Mercedes oferece um conversor DC opcional; vale a pena confirmar se vem incluído.

Há mais dois pontos a favor da Mercedes: carregamento bidirecional (V2L, V2H e V2G, segundo a Electrifying), útil para alimentar equipamentos ou a própria casa, e carregador AC de 22 kW como opção. No Audi, os 22 kW só existem em algumas versões e o carro testado pela electrive tinha apenas 11 kW.

Gama e motores: uma versão contra quatro

Para já, o Classe C elétrico só existe como C 400 4MATIC: dois motores síncronos, 360 kW (489 cv), 800 Nm, 0–100 km/h em 4,0 segundos e 210 km/h de velocidade máxima. Tem caixa de duas velocidades no motor traseiro, eixo traseiro direcional (até 4,5° em manobras) e suspensão pneumática AIRMATIC opcional. Em 2027 chega uma versão de tração traseira com cerca de 800 km WLTP.

A Audi oferece mais escolha, construída sobre a plataforma PPE:

  • A6 e-tron — 286 cv, tração traseira, bateria de 75,8 kWh, até 634 km
  • A6 e-tron performance — 367 cv, tração traseira, 94,9 kWh, a versão mais eficiente da gama
  • A6 e-tron quattro — 428 cv, tração integral, 0–100 km/h em 4,7 s
  • S6 e-tron — 503 cv, tração integral, 0–100 km/h em 4,1 s

Em desempenho puro, só o S6 se aproxima do C 400. Mas nem toda a gente precisa de 4 segundos até aos 100 km/h, e o A6 e-tron performance — mais lento, mas com autonomia de referência — é provavelmente a versão mais racional para quem faz muitos quilómetros.

Espaço a bordo: bagageira, frunk e a opção Avant

Atrás, o Audi leva vantagem: 502 litros no Sportback, 1.330 litros com os bancos rebatidos, contra 470 litros no Mercedes. À frente, a situação inverte-se. O frunk do Classe C tem 101 litros, espaço suficiente para os cabos de carregamento e um saco de viagem; o do A6 tem apenas 27 litros.

Somando tudo, o Mercedes até oferece mais volume total. Para uma família, porém, o argumento decisivo pode ser outro: o A6 e-tron também existe como Avant, uma carrinha elétrica com perfil familiar. A Mercedes já confirmou uma carrinha Classe C elétrica, mas sem data. O C 400 pode ainda rebocar até 1,8 toneladas, útil para quem leva um atrelado ou uma pequena caravana.

Interior e tecnologia: Hyperscreen contra Digital Stage

A Mercedes aposta tudo no efeito visual. O MBUX Hyperscreen opcional é um único vidro de 39,1 polegadas que atravessa o tablier, gerido pelo novo sistema operativo MB.OS com atualizações over-the-air. Há head-up display com realidade aumentada, teto Sky Control com 162 estrelas iluminadas e, de série, bomba de calor — um pormenor importante para a autonomia nos dias frios.

Interior do Mercedes Classe C elétrico com o MBUX Hyperscreen a atravessar o tablier
O Hyperscreen de 39,1 polegadas é opcional; de série vem uma configuração com três ecrãs.

A Audi responde com o "Digital Stage": painel de instrumentos de 11,9 polegadas, ecrã central OLED de 14,9 polegadas e um ecrã opcional de 10,9 polegadas para o passageiro. Também tem head-up display com realidade aumentada, retrovisores virtuais opcionais e farolins traseiros OLED digitais. O ponto fraco, apontado pela electrive, é a qualidade dos materiais, abaixo do que o preço faria esperar, e um assistente de voz pouco convincente.

Em estrada, ambos são elogiados pelo conforto e pelo silêncio a bordo. A Electrifying descreve o Classe C como calmo e confiante, mais ágil do que o tamanho sugere graças ao eixo traseiro direcional. A electrive destaca o chassis do A6 e o modo de condução com um só pedal bem afinado.

Quanto custam em Portugal e o que pesa nos impostos

Segundo o Observador, o Mercedes Classe C elétrico custa em Portugal 70.600 € na versão Avantgarde e 74.200 € na AMG Line. É ligeiramente abaixo da estimativa de 72.000 € a 80.000 € que fizemos antes da divulgação dos preços — boa notícia para quem estava à espera.

No Audi A6 e-tron não temos tabela oficial portuguesa confirmada nas nossas fontes. Os dados de mercado que recolhemos apontam para um A6 Sportback e-tron a partir de cerca de 66.900 € e um Avant a partir de cerca de 68.700 €, valores que devem ser tratados como indicativos. Para comparação noutros mercados europeus:

MercadoMercedes C 400 4MATICAudi A6 Sportback e-tron
Portugal70.600 € / 74.200 €cerca de 66.900 € (indicativo)
Itáliadesde 70.269 € (até cerca de 89.240 €)desde 65.500 € (Avant desde 68.000 €)
Alemanha67.711 €62.800 € (base) / 75.600 € (performance) / 79.800 € (quattro)

A leitura interessante está na Alemanha. O A6 base é mais barato, mas o Audi comparável em tração integral, o quattro de 428 cv, custa 79.800 € — mais de 12.000 € acima do C 400 4MATIC, que tem mais potência. Se o padrão se repetir em Portugal, o Mercedes é o melhor negócio a nível de equipamento por euro; o Audi é a porta de entrada mais barata.

Nos impostos, os dois partem iguais: como elétricos, estão isentos de ISV (o imposto sobre a compra do veículo) e de IUC. Para empresas, ambos ficam perto ou acima do limite de 62.500 € a partir do qual a dedução do IVA e os benefícios de tributação autónoma deixam de se aplicar por inteiro. Antes de assinar, vale a pena fazer as contas com o contabilista — a versão base do A6 pode ser a única a encaixar abaixo do limite, dependendo do equipamento.

Perguntas Frequentes

Em WLTP estão quase empatados: até 762 km no Mercedes C 400 4MATIC e 750 a 773 km no A6 e-tron performance. Em estrada, o Classe C fez cerca de 668 km em utilização mista e estimamos 550 a 620 km a 120 km/h, enquanto o A6 e-tron performance consumiu cerca de 18,1 kWh/100 km a 120–130 km/h, o que dá mais de 400 km a ritmo vivo e até cerca de 520 km com condução contida. Qualquer um faz os cerca de 310 km entre Lisboa e Porto sem parar.

Num posto rápido de 800 V, o Classe C elétrico carrega até 330 kW e passa de 10 para 80% em cerca de 22 minutos, recuperando até 325 km WLTP em 10 minutos (contra até 290 km no A6 Sportback e-tron quattro). Na rede MOBI.E, em postos de 150 kW, o carro fica limitado pela potência do carregador. Em casa ou no trabalho, carrega a 11 kW em AC, ou a 22 kW com o carregador opcional.

Segundo o Observador, o Classe C elétrico custa 70.600 € na versão Avantgarde e 74.200 € na AMG Line. Para o A6 Sportback e-tron, os dados de mercado indicam cerca de 66.900 € e para o Avant cerca de 68.700 €, valores indicativos sem tabela oficial confirmada. Ambos estão isentos de ISV e IUC, mas para empresas ficam perto ou acima do limite de 62.500 € a partir do qual a dedução do IVA e os benefícios de tributação autónoma deixam de se aplicar por inteiro.

Sim, mas para já só da Audi: o A6 Avant e-tron já está à venda, a partir de cerca de 68.700 € (valor indicativo), e a versão quattro fez cerca de 490 km reais a velocidades recomendadas. A Mercedes confirmou uma carrinha Classe C elétrica, mas ainda sem data. Entretanto, o Classe C berlina compensa com 470 L de bagageira, 101 L de frunk e capacidade para rebocar até 1,8 toneladas.

Depende do uso. A versão de tração traseira com um só motor chega em 2027 e promete cerca de 800 km WLTP, mais do que os 762 km do atual C 400 4MATIC. Quem precisa de carro já e quer tração integral com 489 cv tem no C 400 4MATIC a única opção; quem procura sobretudo autonomia e preço pode comparar entretanto com o A6 e-tron performance de tração traseira.

Classe C elétrico ou A6 e-tron: qual escolher?

Escolha o Mercedes Classe C elétrico se quer tração integral, desempenho forte e carregamento mais rápido nos primeiros minutos sem pagar o preço de um A6 quattro. Também é a escolha certa para quem valoriza o interior mais vistoso, o frunk grande e o carregamento bidirecional. O preço de entrada é mais alto e, por agora, não há alternativa mais barata na gama.

Escolha o Audi A6 e-tron se precisa de uma carrinha (Avant), de uma bagageira traseira maior ou de um preço de entrada mais baixo. O A6 e-tron performance é a escolha mais racional para quem faz muitos quilómetros em autoestrada: autonomia de referência, carregamento de 21 minutos e mais de 400 km reais a ritmo de autoestrada.

Para viagens longas em Portugal, nenhum dos dois falha. A decisão vai cair sobretudo no preço final de cada configuração — e na chegada, em 2027, do Classe C de tração traseira com cerca de 800 km WLTP, que pode baralhar de novo as contas.