
A Mercedes-Benz apresentou no dia 20 de abril, na Coreia do Sul, a primeira Classe C totalmente elétrica. A versão de lançamento chama-se C 400 4MATIC, tem 482 cv, bateria de 94 kWh e promete até 762 km de autonomia WLTP. Para o mercado português, onde a Classe C a gasolina/diesel parte dos €55.000–€60.000, a pergunta mais importante ainda está por responder: qual vai ser o preço do Mercedes Classe C elétrico em Portugal?
Ola Källenius, CEO da marca, não se contém: diz que o carro "redefine o segmento médio dos veículos elétricos" e que é "a Classe C mais espaçosa e inteligente de sempre". Marketing à parte, os números sustentam boa parte da história.
É o primeiro Classe C construído sobre uma plataforma dedicada a elétricos, a MB.EA-M, que a Mercedes partilha com o futuro GLC EV. Arquitetura de 800 V, dois motores (um em cada eixo), tração integral e uma caixa de duas velocidades no motor traseiro — algo raro num elétrico desta categoria. O motor dianteiro desacopla mecanicamente quando não é preciso, para poupar energia em autoestrada.
A bateria de 94 kWh úteis é menor do que a do rival direto, o BMW i3 Neue Klasse (108,7 kWh), mas a eficiência compensa parte da diferença. O coeficiente aerodinâmico parte de 0,22, um valor na linha dos melhores da categoria. A Mercedes faz as contas: cada redução de 0,01 no Cx representa mais 2,5% de autonomia em viagem longa.
A autonomia oficial é de 762 km WLTP. Em condições reais portuguesas — autoestrada a 120 km/h, temperatura moderada — é razoável esperar entre 550 e 620 km. Chega para fazer Lisboa–Porto ida e volta sem parar para carregar, desde que se parta com a bateria cheia.
Para 2027, a Mercedes prepara uma versão de tração traseira com um só motor, que deverá aproximar-se dos 800 km WLTP. Uma versão AMG e uma carrinha (estate) também estão confirmadas, mas sem data.
No carregamento rápido em DC, o Classe C elétrico atinge 330 kW de pico. Em 10 minutos ligado a um carregador de 800 V recupera cerca de 325 km de autonomia WLTP. Uma paragem típica de 10–80% demora aproximadamente 22 minutos. É rápido, mas não lidera: o BMW i3 50 xDrive vai até 400 kW e adiciona 400 km em 10 minutos com a mesma paragem.
Para o condutor português, o que isto quer dizer na prática: numa viagem Lisboa–Algarve, uma única paragem de café de 15 minutos num carregador rápido MOBI.E ou Ionity resolve qualquer ansiedade de autonomia. O carregamento bidirecional V2L também está incluído — pode ligar-se uma máquina de café ou uma bicicleta elétrica diretamente ao carro.
A Mercedes é explícita sobre o posicionamento: "a Classe C mais desportiva de sempre". Os 482 cv (360 kW) e 800 Nm de binário colocam o C 400 4MATIC à frente do BMW i3 50 xDrive (469 cv, 645 Nm) em números absolutos.
A direção às quatro rodas muda completamente a experiência num carro de 4,88 metros. Em cidade, o raio de viragem aproxima-se de um utilitário. Em autoestrada, aumenta a estabilidade em mudanças rápidas de faixa.
O interior é o argumento mais visual do carro. Opcional, o MBUX Hyperscreen é um único vidro de 993 mm a atravessar todo o painel, com cerca de 10 milhões de pixels. De série vem a configuração MBUX Superscreen, com instrumentação de 10,3", ecrã central de 14" e, opcionalmente, mais um ecrã de 14" à frente do passageiro.
O head-up display em realidade aumentada projeta uma imagem virtual equivalente a 18 polegadas. O sistema operativo mudou para MB.OS e integra inteligência artificial de três fontes diferentes — ChatGPT-4o, Microsoft Bing e Google Gemini — no assistente MBUX. É uma abordagem pragmática: em vez de apostar num único parceiro, a Mercedes escolhe o melhor modelo para cada tipo de pergunta.
Outros detalhes que valem uma nota:
| Especificação | Mercedes C 400 4MATIC | BMW i3 50 xDrive |
|---|---|---|
| Bateria útil | 94 kWh | 108,7 kWh |
| Autonomia WLTP | 762 km | 900 km |
| Potência combinada | 482 cv (360 kW) | 469 cv |
| Binário | 800 Nm | 645 Nm |
| 0–100 km/h | 3,9 s | cerca de 4,5 s |
| Carregamento DC máx. | 330 kW | 400 kW |
| Autonomia em 10 min | 325 km | 400 km |
| Comprimento | 4.880 mm | 4.760 mm |
| Distância entre eixos | 2.962 mm | 2.895 mm |
| Bagageira | 470 L + 101 L frunk | não divulgado |
| Arquitetura | 800 V | 800 V |
| Carregamento bidirecional | V2L | V2L, V2H, V2G |
A Mercedes ganha em potência, binário, aceleração e qualidade percebida do interior. O BMW ganha em autonomia, velocidade de carregamento e versatilidade bidirecional. A diferença filosófica é clara: Mercedes aposta no luxo ostensivo (Hyperscreen, iluminações por todo o lado), BMW na "shy tech" (tecnologia discreta) e na condução.
O Classe C elétrico cresceu em todas as dimensões relevantes. São 4.880 mm de comprimento (mais 12 cm que o i3) e uma distância entre eixos de 2.962 mm — são 97 mm mais do que a Classe C a gasolina. Resultado: mais 12 mm de espaço para as pernas à frente e o teto panorâmico de série liberta 22 mm de altura à frente e 11 mm atrás.
A bagageira traseira tem 470 litros. O frunk (bagageira dianteira) acrescenta 101 litros — útil para guardar cabos de carregamento sem comprometer o espaço normal. Em viagem de família a um C-Class elétrico encaixa bagagem de quatro pessoas para um fim de semana prolongado sem dificuldade.
A Mercedes confirma entregas europeias a partir do final de 2026, com o grosso da distribuição a cair no primeiro semestre de 2027. Nos Estados Unidos, o carro chega em 2027, com preço esperado acima dos $51.650 do atual C 300 4MATIC a combustão — estimativas americanas apontam para $55.000–$65.000.
Preço oficial em Portugal? Ainda por confirmar. Mas há como aproximar um valor. A Classe C 300 híbrida parte hoje de cerca de €60.000 em Portugal, já com ISV e IVA. O C 400 4MATIC elétrico é uma versão claramente superior em potência e conteúdo tecnológico. A isenção total de ISV para elétricos e o IUC reduzido compensam parte do posicionamento premium, mas não tudo.
Estimativa realista: o Mercedes Classe C elétrico deverá partir entre €72.000 e €80.000 em Portugal para a versão C 400 4MATIC, com configurações bem equipadas a passarem facilmente dos €90.000. A versão traseira de 2027, presumivelmente mais acessível, pode aproximar-se dos €65.000.
Isto coloca o Classe C elétrico em linha com o BMW i3 em Portugal e claramente acima do Tesla Model 3 Long Range (a partir de cerca de €52.000). Para quem procura berlina elétrica premium alemã, vai ser uma escolha entre duas filosofias, não entre dois preços.
Três fatores aliviam a conta em relação a um equivalente a combustão:
Para empresas e profissionais liberais, esta combinação pode tornar a Classe C elétrica mais barata no TCO (custo total de propriedade) ao longo de quatro anos do que a versão híbrida plug-in equivalente, mesmo partindo de um preço de etiqueta superior.
O preço oficial em Portugal ainda não foi anunciado pela Mercedes-Benz Portugal. Com base no posicionamento da Classe C 300 híbrida (cerca de €60.000) e nas estimativas americanas de $55.000–$65.000, é realista esperar que o C 400 4MATIC elétrico parta entre €72.000 e €80.000, com configurações bem equipadas a ultrapassarem os €90.000. A versão traseira de um só motor prevista para 2027 deverá aproximar-se dos €65.000.
A Mercedes-Benz confirmou entregas europeias a partir do final de 2026, com o grosso da distribuição a cair no primeiro semestre de 2027. Para Portugal, o mais provável é que as primeiras unidades cheguem aos concessionários no primeiro semestre de 2027, com reservas a abrirem alguns meses antes. Ainda não há data oficial para Portugal.
A autonomia WLTP oficial é de 762 km com a bateria de 94 kWh. Em condições reais portuguesas — autoestrada a 120 km/h, temperatura moderada — é razoável contar com 550 a 620 km por carga, o suficiente para fazer Lisboa–Porto ida e volta sem parar. No inverno ou em condução mais agressiva, a autonomia real pode cair para 480–520 km.
São carros de categorias diferentes apesar do tamanho semelhante. O Tesla Model 3 Long Range parte de cerca de €52.000 em Portugal, com 629 km WLTP e 0-100 km/h em 4,4 segundos. O Mercedes C 400 4MATIC parte acima dos €72.000 estimados, oferece 762 km WLTP, 482 cv, 0-100 em 3,9 s e um interior premium com MBUX Hyperscreen opcional. Para quem procura luxo alemão, a Mercedes ganha; para melhor relação preço-autonomia, o Tesla continua imbatível.
Sendo 100% elétrico, o Classe C beneficia de isenção total de ISV (poupança de vários milhares de euros face a um equivalente a combustão) e de IUC reduzido anualmente. Para empresas e profissionais liberais, há dedução de IVA em viaturas elétricas até €62.500, valor revisto no Orçamento do Estado. Estes incentivos podem tornar o TCO a quatro anos competitivo face a uma versão plug-in hybrid, apesar do preço de etiqueta superior.
Se está a considerar um premium D-segment elétrico e não precisa de substituir carro antes de meados de 2027, vale a pena acompanhar os próximos anúncios. Os dois lançamentos relevantes — Mercedes Classe C elétrico e BMW i3 Neue Klasse — chegam com diferença de meses. A comparação direta em concessionários portugueses só vai ser possível no verão de 2027, e é aí que os preços oficiais e as primeiras unidades de teste permitirão uma decisão informada.
Para já, fica o essencial: a Mercedes entrega 762 km WLTP, 482 cv, carregamento a 330 kW e um interior que pode ter um ecrã de quase um metro de largura. O preço português é a última peça que falta — e vale acompanhar os anúncios da Mercedes-Benz Portugal nos próximos meses.