Leapmotor Bate Vendas Recorde: 101.267 Carros num Mês e o Impacto em Portugal

Publicado: 03/08/2026
Leapmotor: Vendas Recorde e a Gama à Venda em Portugal

101.267 carros num só mês: a Leapmotor entrou noutra escala

Em julho de 2026 a Leapmotor entregou 101.267 veículos em todo o mundo. É a primeira vez que a marca ultrapassa as 100 mil unidades num único mês — e representa mais do dobro do registado em julho de 2025, quando ficou pelas 50.129. Um crescimento homólogo de 102%.

Para quem está em Portugal a ponderar um elétrico chinês, este número interessa por uma razão simples: volume traduz-se em peças, em oficinas, em valor residual e na probabilidade de a marca ainda cá estar daqui a cinco anos. As vendas recorde da Leapmotor deixaram de ser uma curiosidade asiática e passaram a ser um argumento de compra no nosso mercado.

Quatro meses seguidos a bater recordes

Julho foi o quarto mês consecutivo de máximo histórico e o quinto de crescimento sequencial. Face a junho (93.376 unidades), a subida foi de 8,45%.

No acumulado de janeiro a julho, a marca leva 457.754 veículos entregues, mais 68,42% do que no mesmo período de 2025. O objetivo anual é 1 milhão de carros — ou seja, está feito cerca de 46% do caminho, o que obriga a uma média de 108.449 unidades nos cinco meses que faltam. Ambicioso, mas já não absurdo à luz do ritmo atual.

Desde o arranque da produção, a Leapmotor soma mais de 1.552.590 veículos entregues até ao final de junho de 2026. E os mercados fora da China representam agora cerca de 30% das vendas, distribuídas por mais de 40 países e 2.000 pontos de venda.

A Europa é o principal motor fora da China

A ligação entre a Leapmotor e o comprador europeu chama-se Stellantis. A Leapmotor International é uma joint venture com o grupo, e é a Stellantis que trata da distribuição, venda e pós-venda deste lado do mundo — o mesmo grupo que detém a Peugeot, a Citroën, a Opel e a Fiat.

Os resultados dessa estrutura são visíveis nos números. No quarto trimestre de 2025 a marca vendeu mais de 17.000 carros na Europa, contra cerca de 1.300 no mesmo trimestre de 2024. No primeiro trimestre de 2026 foram 24.751 unidades, mais 39% do que no trimestre anterior e mais 706% do que um ano antes. Só em março de 2026 registaram-se mais de 11.000 matrículas europeias, o equivalente a 3,2% de todo o mercado europeu de elétricos a bateria.

Nos nove principais mercados europeus, a Leapmotor foi a segunda marca mais vendida a clientes particulares no segmento BEV, com 7,6% de quota — um salto de vinte posições em doze meses.

1,6% do mercado elétrico português

Portugal aparece a meio da tabela europeia da marca. Em março de 2026, a Leapmotor detinha 1,6% do mercado português de veículos elétricos a bateria.

Para contexto, a Itália vai nos 33,5% (é o mercado onde a marca é mais forte, por razões óbvias de proximidade à Stellantis), seguida da Polónia com 5,4%, Espanha com 2,3%, Reino Unido com 2,2%, Áustria com 2,0%, Países Baixos com 1,9% e Alemanha com 1,8%.

Ou seja: em Portugal a Leapmotor ainda é uma marca de nicho, abaixo da média europeia. O que isto significa na prática é que vai encontrar poucos exemplares em segunda mão e menos concessionários do que em Itália ou Espanha — mas também que a marca tem margem clara para crescer cá, e é normalmente nessa fase que aparecem as campanhas mais agressivas.

Que modelos Leapmotor estão à venda na Europa

A gama europeia assenta em três carros, com preços de entrada bem distintos:

ModeloTipoPreço de entrada (Europa)
T03Citadino elétrico, segmento Adesde 18.900 €
B10SUV elétrico, segmento Cdesde 29.900 €
C10SUV segmento D, BEV e REEVdesde 36.400 €

Atenção a um detalhe: os valores do T03 e do C10 são preços de lançamento anunciados em setembro de 2024 e podem já não estar atualizados. Confirme sempre a tabela em vigor no concessionário antes de contar com eles.

O T03 é o carro que sustenta o volume. Em março de 2026 tinha 56,4% de todo o segmento A elétrico europeu — mais de metade dos citadinos elétricos vendidos na Europa eram Leapmotor. Já o C10 existe em duas versões, totalmente elétrica ou REEV, com autonomia estendida por um motor a combustão que funciona apenas como gerador. Para quem faz muitos quilómetros fora do corredor Lisboa-Porto, essa segunda opção resolve a ansiedade de autonomia sem sair do elétrico no dia a dia.

Leapmotor T03, o citadino elétrico da marca, visto de três quartos à frente
O T03 representava 56,4% de todo o segmento A elétrico europeu em março de 2026.

O B10 é o que mais interessa às famílias

O B10 é o SUV familiar da gama e o modelo com maior probabilidade de entrar na garagem de uma família portuguesa. Mede 4.515 mm de comprimento por 1.885 de largura, tem 2.735 mm de distância entre eixos e uma mala de 420 litros que sobe até 1.415 com os bancos rebatidos.

Há duas baterias, ambas LFP: 56,2 kWh para 361 km WLTP na versão Life, e 67,1 kWh para 434 km WLTP na Design. Um teste independente em condições mistas e frias registou cerca de 389 km reais na bateria maior — uma diferença honesta face ao valor de catálogo. A propulsão é traseira, com 160 kW (218 cv) e 240 Nm, 0-100 km/h em 7,5 a 8 segundos.

No carregamento rápido aceita entre 140 e 168 kW em CCS2, o que dá uma passagem de 30 a 80% em cerca de 20 minutos. Em corrente alternada fica-se pelos 11 kW. Traz bomba de calor de série — relevante nas manhãs frias do interior — função V2L para alimentar equipamentos externos, ecrã de 14,6 polegadas e cinco estrelas Euro NCAP obtidas em 2025.

Nem tudo são elogios. A crítica independente aponta assistências à condução demasiado intrusivas, suspensão mole em curva e uma garantia mais curta do que a da concorrência: 4 anos para o carro e 8 anos para a bateria, quando MG, Kia e Hyundai oferecem mais.

O que aí vem

A gama vai crescer. O B10 com extensor de autonomia chegou às redes europeias em maio de 2026, e estão anunciados um hatchback elétrico B05 e um crossover B03X. Há ainda relatos — não confirmados — de que a produção do B10 possa passar para a fábrica da Stellantis em Saragoça, o que reduziria prazos de entrega e exposição a tarifas para o mercado ibérico.

Onde arranjar assistência a um Leapmotor em Portugal

Esta é normalmente a pergunta que trava a compra de uma marca chinesa, e é onde a estrutura Stellantis pesa mais.

A rede europeia da Leapmotor conta com mais de 800 pontos de venda e serviço, o dobro dos que existiam em 2024. A Stellantis afirma que a maioria dos clientes tem acesso a assistência a menos de 25 minutos de carro, precisamente por a marca se apoiar em concessionários já instalados do grupo em vez de construir uma rede de raiz.

Em Portugal, isso significa oficinas com procedimentos, formação e sistemas de peças partilhados com marcas que já cá estão há décadas. Não é o mesmo que comprar um Peugeot em termos de densidade da rede, mas está muito longe do risco de uma importação paralela sem apoio.

Perguntas Frequentes

A gama comercializada pela rede Stellantis assenta no T03 (citadino do segmento A, desde cerca de 18.900 € no lançamento europeu), no B10 (SUV do segmento C, desde 29.900 €) e no C10 (SUV do segmento D, disponível em versão 100% elétrica e REEV, desde cerca de 36.400 €). A esta base juntaram-se entretanto o hatchback B05 e o crossover B03X, e o B10 com extensor de autonomia chegou às redes europeias em maio de 2026. Os preços de lançamento do T03 e do C10 datam de setembro de 2024, pelo que devem ser confirmados na tabela em vigor no concessionário.

O B05, o hatchback elétrico da marca, foi lançado na Europa com preços a partir de 26.900 €, e o crossover B03X entrou com um preço-base europeu de 24.900 €. São valores pan-europeus de lançamento: em Portugal, o preço final depende da tabela do importador e da versão escolhida, mas nenhum dos dois paga ISV por ser 100% elétrico.

A Leapmotor oferece 4 anos de garantia no veículo (com limite de quilometragem, 60.000 milhas no mercado britânico) e 8 anos ou 160.000 km na bateria de tração. É uma cobertura mais curta do que a de rivais diretas como a MG, a Kia, a Hyundai ou a Toyota, que chegam a oferecer 7 anos ou mais no veículo — um ponto a pesar na comparação, sobretudo porque o pós-venda é assegurado pela rede Stellantis, com mais de 800 pontos de venda e serviço na Europa.

Está a meio caminho: entregou 457.754 veículos entre janeiro e julho de 2026, cerca de 46% da meta anual de 1 milhão. Para lá chegar precisa de uma média de 108.449 unidades por mês nos cinco meses restantes — acima das 101.267 de julho, mas apenas 7% acima, depois de quatro meses consecutivos de máximos históricos e um crescimento homólogo de 102%. É atingível se o ritmo se mantiver, mas exige mais um salto no último trimestre.

Sendo veículos 100% elétricos a bateria, o T03, o B10 BEV, o B05 e o B03X estão isentos de ISV — o imposto que agrava fortemente o preço dos carros a combustão — e pagam apenas a componente reduzida de IUC. Atenção que as versões REEV com extensor de autonomia, como o C10 REEV e o B10 Hybrid, têm motor de combustão a bordo e não beneficiam do mesmo enquadramento fiscal que um BEV puro.

Vale a pena comprar um Leapmotor em Portugal?

Depende do que valoriza. Se procura equipamento e espaço por euro investido, a Leapmotor é hoje das propostas mais competitivas à venda — o B10 entrega dimensões de segmento C com uma lista de equipamento que rivais europeus só oferecem em versões topo. Se valoriza afinação de chassis, refinamento e uma rede de assistência em cada esquina, marcas estabelecidas continuam à frente.

Vale a pena lembrar que os elétricos continuam isentos de ISV em Portugal e pagam IUC reduzido, o que melhora as contas seja qual for a marca escolhida.

O que mudou com estes 101.267 carros é a margem de segurança. Uma marca que entrega mais de 100 mil unidades por mês, com 30% delas fora da China e o pós-venda entregue à Stellantis, deixou de ser uma aposta. Falta agora ver se a quota portuguesa de 1,6% sobe em linha com o resto da Europa — e as tabelas de preços dos próximos meses vão dizer muito sobre isso.