
Durante 23 anos seguidos foi o maior exportador de automóveis de passageiros da China, mas até agora a Chery só tinha vendido híbridos na Europa. Isso muda com o Chery Q, mostrado no Salão Automóvel de Paris 2026: um compacto de 4,19 metros, tração traseira e bateria de 41 kWh, que será o primeiro elétrico a chegar à União Europeia com o logótipo Chery na grelha. Para quem anda a seguir o Chery Q elétrico em Portugal, há boas e más notícias — e convém separar bem o que é oficial do que ainda é especulação.
A boa notícia: as dimensões, o espaço e a tecnologia são sérios para um carro que aponta ao segmento mais barato. A menos boa: o preço europeu ainda não existe, e a autonomia anunciada foi medida num ciclo que já ninguém usa na Europa.
O Q é a versão europeia do QQ3, o pequeno elétrico que a Chery lançou na China em março de 2026. As medidas são praticamente as mesmas e colocam-no a meio caminho entre um citadino e um SUV compacto.
| Especificação | Chery Q (dados do fabricante) |
|---|---|
| Comprimento / largura / altura | 4.190–4.195 / 1.811 / 1.560–1.573 mm |
| Distância entre eixos | 2.700 mm |
| Motor | 89 kW (121 cv), traseiro |
| Tração | Traseira (RWD) |
| Bateria | 41 kWh LFP |
| Autonomia | até 400 km NEDC (WLTP por publicar) |
| Carregamento DC 30–80% | menos de 17 minutos |
| V2L | Sim |
| Bagageira / frunk | 375 L / 70 L |
| Compartimentos de arrumação | 38 |
Torque, aceleração, velocidade máxima e potência de carregamento AC ainda não foram divulgados. É uma lista de lacunas grande para um carro já em exposição num salão, e diz muito sobre a fase em que o projeto está.
Os 2,70 metros de distância entre eixos são o número mais interessante da ficha. É mais do que oferece um Renault 5 (2.540 mm) e traduz-se em bom espaço atrás — algo que até a crítica mais dura ao QQ3, da britânica Auto Express, reconhece. Junte-se uma bagageira de 375 litros, um frunk de 70 litros com abertura hidráulica e 38 compartimentos espalhados pelo habitáculo.
O público-alvo está declarado: condução urbana, condutores recentes e famílias jovens. Eric Zheng, CEO da Chery Auto Deutschland, resume o argumento: "os nossos elétricos são acessíveis, seguros e fiáveis".
Na China, o QQ3 tem duas baterias LFP (29,48 kWh e 41,28 kWh) e dois motores (58 kW e 90 kW). A Europa recebe, para já, só a combinação maior. A versão chinesa traz ainda um ecrã central de 15,6 polegadas com resolução 2.5K, processador Qualcomm Snapdragon 8155 e o sistema de assistência Falcon 500; para o Q europeu, a imprensa alemã fala de câmara de 540 graus e cockpit Qualcomm.
Há também notícia de uma bateria de 52 kWh prevista para Itália. Se chegar a outros mercados, resolveria a principal fraqueza do carro — mas, por agora, é apenas isso: uma versão anunciada para um país.

Aqui está o ponto em que é preciso ter cuidado. Os 400 km anunciados pela Chery são medidos no ciclo NEDC, que foi substituído pelo WLTP na Europa em 2018 por ser demasiado otimista. A própria imprensa alemã chama-lhe "desatualizado e irrealista". Um valor WLTP oficial ainda não existe.
As estimativas que circulam não coincidem entre si:
Com estes números em cima da mesa, uma leitura prudente aponta para algo na ordem dos 280–320 km WLTP — mas é uma estimativa nossa, não um dado da marca. Na prática portuguesa, com autoestrada a 120 km/h, o valor real desce ainda mais. Chega bem para o dia a dia em Lisboa ou no Porto; uma viagem Lisboa-Porto exigirá, quase de certeza, uma paragem para carregar.
Dos 30 aos 80% em menos de 17 minutos é um bom número para uma bateria deste tamanho. A Chery não divulgou a potência máxima DC do Q europeu, mas o QQ3 chinês carrega até 85 kW e faz os mesmos 30–80% em 16,5 minutos. Numa estação rápida da rede MOBI.E numa área de serviço, isto significa um café e pouco mais.
O V2L (vehicle-to-load) permite alimentar aparelhos externos a partir da bateria — na China, a 3,3 kW ou 6,6 kW; na Europa, a GoingElectric indica que funciona através de adaptador.
Preço oficial para a Europa? Não há. Tudo o que se segue são estimativas, e nem sequer concordam entre si.
| Referência | Valor | Natureza |
|---|---|---|
| QQ3 na China | 68.920–89.985 yuan (entrada cerca de 10.020 USD) | Preço oficial chinês |
| China-Gadgets (Alemanha) | posicionamento na classe dos 20.000 € | Estimativa editorial |
| Auto Express (Reino Unido) | só faz sentido abaixo de 18.000 libras | Opinião do crítico, não preço |
O preço chinês não serve de referência direta. Um elétrico construído na China paga 10% de direito de importação mais direitos de compensação — no caso das empresas que cooperaram com a investigação europeia, como a Chery, 20,7%, num total de 30,7%. Somam-se transporte, homologação, margem do concessionário e IVA a 23%.
A nossa leitura: um Chery Q em Portugal entre 20.000 e 25.000 euros parece o intervalo plausível, com a parte de baixo a depender de a Chery querer competir de frente com o Geely E2 e o MG4 Urban. Repetimos — é uma estimativa, não um preço anunciado. Do lado positivo, como qualquer elétrico puro, o Q fica isento de ISV e de IUC, e as empresas podem deduzir o IVA em elétricos até 62.500 euros.
Nenhuma fonte comparou ainda o Q com os rivais diretos, por isso a tabela abaixo junta dados oficiais publicados dos concorrentes com o que se sabe do Chery.
| Modelo | Bateria | Potência | Autonomia | Preço de entrada |
|---|---|---|---|---|
| Chery Q | 41 kWh LFP | 121 cv | 400 km NEDC (WLTP por publicar) | por anunciar |
| Renault 5 E-Tech (Five) | 36,5 kWh LFP | 110 cv | até 305 km WLTP | 24.900 € (PVPR Portugal) |
| BYD Dolphin Surf Boost | 43,2 kWh LFP | 88 cv | 320 km WLTP | cerca de 22.990 € (Europa) |
| Leapmotor B05 Pro | 56,2 kWh | 218 cv | 401 km WLTP | 26.900 € (Itália) |
| Geely E2 Pro | 35 kWh LFP | 114 cv | 252 km WLTP | 19.490–20.280 € (Bélgica/Espanha) |
Em espaço, o Q leva vantagem sobre o Renault 5 (3,92 m) e o Dolphin Surf (3,99 m): é maior, tem mais entre-eixos e uma bagageira mais generosa que os 326 litros do Renault. A tração traseira e os 121 cv também o colocam acima do Dolphin Surf em potência.
O problema está no resto. O Renault 5 já está à venda, tem rede de assistência estabelecida e um valor WLTP confirmado. O Leapmotor B05 joga um patamar acima, com mais bateria e potência, e é fabricado em Espanha — sem tarifas. E a Auto Express, que conduziu o QQ3 na China, deu-lhe 3 em 5: elogiou o espaço e o equipamento, mas criticou plásticos frágeis, suspensão pouco refinada e ruído aerodinâmico, concluindo que fica atrás do Renault 4 e dos rivais europeus. Resta ver quanto da afinação muda para a Europa.
Não há data para Portugal. O calendário conhecido começa na Alemanha: a Chery instalou a sede alemã em Frankfurt e lança a marca no primeiro semestre de 2027 com quatro SUV híbridos — Tiggo 4, 7, 8 e 9. O Q chega depois, algures em 2027, possivelmente já perto do fim do ano. França e Polónia têm o mesmo calendário vago.
O plano europeu é ambicioso: de 20 mercados e 687 pontos de venda e assistência em 2026 para 27 mercados e 1.143 pontos em 2027. Na Alemanha, a rede arranca com cerca de 30 concessionários e deverá ultrapassar os 100 até ao final de 2027. Se Portugal entrar nessa lista de 27 mercados, um Chery Q por cá antes do final de 2027 é possível — mas é uma hipótese, não um anúncio.
Desde 1 de setembro de 2026, a Chery oferece em França 7 anos ou 150.000 km em todos os modelos, e 8 anos ou 160.000 km na bateria e no sistema de tração, com pelo menos 75% de capacidade garantida. Não está confirmado que estas condições se apliquem noutros países, mas é um bom indicador do que a marca está disposta a oferecer para ganhar confiança.
A Chery ainda não anunciou o preço europeu do Q, por isso todos os valores são estimativas. A imprensa alemã posiciona-o na classe dos 20.000 €, mas um elétrico fabricado na China paga 30,7% de direitos de importação na UE (10% + 20,7% de compensação no caso da Chery), além de transporte e IVA a 23%, pelo que um intervalo de 20.000 a 25.000 € em Portugal parece mais plausível. Como elétrico puro, fica isento de ISV e de IUC.
Os 400 km anunciados pela Chery são medidos no ciclo NEDC, abandonado na Europa em 2018 por ser demasiado otimista, e o valor WLTP oficial ainda não foi publicado. As estimativas variam entre cerca de 250–280 km (China-Gadgets) e 340–355 km (Auto Express, sobre o QQ3), apontando para algo na ordem dos 280–320 km WLTP com a bateria de 41 kWh. Em autoestrada a 120 km/h, a autonomia real será inferior.
O Chery Q é a versão europeia do QQ3, lançado na China em março de 2026, e mantém as mesmas medidas: cerca de 4,19 m de comprimento e 2,70 m de distância entre eixos. Na China, o QQ3 tem duas baterias (29,48 kWh e 41,28 kWh) e dois motores (58 kW e 90 kW), enquanto a Europa recebe, para já, apenas a combinação de 41 kWh e 89 kW (121 cv). Está ainda prevista uma bateria de 52 kWh para Itália, ainda não confirmada para outros mercados.
Não há data oficial para Portugal. A Chery lança a marca na Alemanha no primeiro semestre de 2027 com os SUV híbridos Tiggo 4, 7, 8 e 9, e o Q deverá seguir-se mais tarde em 2027, possivelmente perto do fim do ano. O plano europeu prevê passar de 20 mercados e 687 pontos de venda em 2026 para 27 mercados e 1.143 pontos em 2027, mas a inclusão de Portugal e o calendário nacional ainda não foram anunciados.
Segundo a Chery, o Q carrega dos 30 aos 80% em menos de 17 minutos num carregador rápido DC. A potência máxima do modelo europeu não foi divulgada, mas o QQ3 chinês, com a mesma bateria de 41 kWh, aceita até 85 kW e faz os 30–80% em 16,5 minutos. O Q tem ainda função V2L, que na China permite alimentar aparelhos externos a 3,3 kW ou 6,6 kW.
Se precisa de um elétrico pequeno agora, o Renault 5, o Dolphin Surf e o Geely E2 já têm preços e autonomias WLTP confirmados — e isso pesa. O Chery Q é para quem pode esperar até 2027 e valoriza espaço acima de tudo: 2,70 m de entre-eixos e 445 litros de arrumação somando bagageira e frunk são raros neste segmento. A decisão vai depender de dois números que ainda não existem: o valor WLTP e o preço português. Se o primeiro ficar perto dos 300 km e o segundo perto dos 20 mil euros, o Q passa a ser uma opção a considerar a sério.