
A BYD acabou de fazer as contas em voz alta no Reino Unido: o Ti 7 custa 47.995 libras com tudo incluído, numa única versão Excellence AWD. É um SUV de cinco metros, sete lugares, tração integral e um sistema híbrido plug-in de 408 cavalos. E custa cerca de 25.000 libras menos do que um Land Rover Defender 110 PHEV.
Para quem está em Portugal, a pergunta seguinte é óbvia — e é a que ainda não tem resposta oficial. Vamos ao que se sabe, ao que se estima e ao que depende do fisco português.
Comecemos pelo essencial: a BYD não anunciou qualquer preço em euros. O valor de 47.995 libras é exclusivo do mercado britânico e inclui os impostos do Reino Unido.
À taxa de câmbio atual, 47.995 libras equivalem a cerca de 55.000 euros. Guarde este número com pinças. É uma conversão aritmética, não um preço de tabela, e a experiência com outros modelos BYD mostra que os preços continentais raramente coincidem com a conversão direta da lista britânica. Volumes diferentes, estruturas de distribuição diferentes, fiscalidade completamente diferente.
Em Portugal, um híbrido plug-in só beneficia da taxa intermédia de ISV — 25% do valor normal — se cumprir duas condições cumulativas: autonomia mínima de 50 km em modo elétrico e emissões de CO2 abaixo de 50 g/km.
A primeira está garantida com folga. O Ti 7 anuncia até 119 km (74 milhas) em modo elétrico, mais do dobro do mínimo exigido. A segunda é a incógnita: a BYD ainda não divulgou o valor de CO2 homologado em WLTP para a Europa continental, e num SUV de 2,4 toneladas com um 1.5 turbo a bordo, ficar abaixo dos 50 g/km não é automático. Se ficar, o ISV desce drasticamente e o preço português pode aproximar-se — ou até descer abaixo — dos 55.000 euros estimados. Se não ficar, paga a componente ambiental completa e o salto é de vários milhares.
No IUC, sem surpresas: os plug-in pagam como qualquer veículo com motor de combustão, com base na cilindrada (1.5 litros, portanto num escalão contido) e nas emissões. Nada de isenções como nos elétricos puros.

As encomendas já abriram no Reino Unido. Os primeiros carros chegam aos concessionários em novembro de 2026 e as entregas a clientes começam em janeiro de 2027. Quem reservar leva um empurrão: os 500 libras de sinal são igualados por outros 500 da própria BYD.
A Europa continental — e Portugal com ela — fica para 2027, depois do arranque britânico. É o padrão habitual da marca: testar o modelo num mercado, ajustar, depois alargar. Ainda não há data concreta para os concessionários portugueses nem confirmação de que a versão de sete lugares seja a única cá disponível. Nos Emirados, por exemplo, o Ti 7 vende-se com cinco lugares.
O Ti 7 estreia na Europa o sistema DM-p Super Hybrid da BYD — a variante orientada para desempenho do seu híbrido plug-in, e a primeira a chegar cá. Junta um 1.5 turbo a gasolina de 150 cv a motores elétricos à frente e atrás (o comunicado oficial fala em dois motores; várias publicações contam três), com tração integral permanente.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Potência combinada | 408 cv (300 kW) |
| Motor a gasolina | 1.5 turbo, 150 cv |
| Bateria | 35,6 kWh Blade (LFP) |
| Autonomia elétrica | até 119 km (164 km em cidade) |
| Autonomia combinada | até cerca de 710 km |
| 0-100 km/h | 4,8 s |
| Velocidade máxima | 190 km/h |
| Comprimento | cerca de 5,0 a 5,15 m |
| Distância entre eixos | 2.920 mm |
| Peso | cerca de 2,4 toneladas |
| Construção | monobloco (unibody) |
| Lugares | 7 |
Quatro vírgula oito segundos até aos 100 km/h num carro de 2,4 toneladas com três filas de bancos é o tipo de número que há cinco anos exigia um logótipo alemão e seis dígitos na fatura.
Os 119 km homologados em modo elétrico chegam para cobrir a maioria dos percursos diários portugueses sem queimar uma gota de gasolina. Em condução urbana, a BYD anuncia até 164 km — os plug-in são mais eficientes em cidade, onde a travagem regenerativa trabalha a favor. Na prática: um Lisboa-Cascais-Lisboa diário, ou um Porto-Braga ida e volta, fazem-se a eletricidade se carregar em casa.
Para a viagem longa entra o depósito. A autonomia combinada anunciada ronda os 710 km, o que resolve um Lisboa-Algarve com margem confortável e sem depender da rede MOBI.E nas autoestradas. Há ainda V2L — o carro funciona como tomada elétrica para equipamentos externos, útil em campismo, obras ou num apagão.
Aqui está o compromisso que ninguém escapa. Com as três filas de pé, a mala do Ti 7 fica-se pelos 126 litros — o suficiente para o farnel e pouco mais. Rebata a terceira fila e sobem para 970 litros. Rebata a segunda também e chega aos 1.830 litros.
O equipamento de série compensa a modéstia do porta-bagagens em modo sete lugares:
A pintura Starlight Silver não custa nada; as cores Mountain Green, Obsidian Black, Jade Green e Titanium Grey acrescentam 1.100 libras, e a Titanium Grey mate pede mais 2.000.

Não é subtil, e é por isso que funciona. O Defender 110 PHEV parte de 71.840 libras no Reino Unido e oferece 50 km de autonomia elétrica. O Ti 7 pede menos 25.000 libras e dá mais do dobro da autonomia elétrica, além de uma terceira fila que o Defender só disponibiliza noutras configurações.
Ponto a favor do britânico: o Defender é um todo-o-terreno com currículo comprovado. O Ti 7 usa construção monobloco, orientada para espaço interior e refinamento de estrada, não para atravessar leitos de ribeiro. São ferramentas diferentes com a mesma silhueta.
Para o comprador português a alternativa mais direta será o Kia EV9 — sete lugares, 100% elétrico e já disponível cá, com isenção de ISV que o Ti 7 nunca terá. Quem faz muitos quilómetros fora de zonas com carregamento fácil ganha com o plug-in; quem circula sobretudo em cidade e carrega em casa provavelmente sai melhor no elétrico puro.
A BYD ainda não anunciou qualquer preço em euros para Portugal. O único valor oficial é o do Reino Unido: 47.995 libras com impostos britânicos incluídos, numa única versão Excellence AWD. Convertido à taxa de câmbio atual, isso dá cerca de 55.000 euros, mas trata-se de uma estimativa aritmética e não de um preço de tabela — a fiscalidade portuguesa (ISV e IVA) e a estrutura de distribuição continental podem afastar o valor final em vários milhares de euros, para cima ou para baixo.
As encomendas abriram no Reino Unido, com os primeiros carros em concessionário em novembro de 2026 e entregas a clientes a partir de janeiro de 2027. A Europa continental, incluindo Portugal, só recebe o modelo durante 2027, depois do arranque britânico. Ainda não há data confirmada para os concessionários portugueses, nem confirmação de que a configuração de sete lugares seja a única comercializada cá — nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, o Ti 7 vende-se com cinco lugares.
Depende de um número que a BYD ainda não divulgou. Em Portugal, um híbrido plug-in só beneficia da taxa reduzida de ISV (25% do valor normal) se cumprir duas condições em simultâneo: pelo menos 50 km de autonomia em modo elétrico e emissões de CO2 abaixo de 50 g/km. O Ti 7 cumpre a primeira com folga, graças aos até 119 km anunciados, mas o valor de CO2 homologado em WLTP para a Europa ainda não é conhecido — e num SUV de 2,4 toneladas com um 1.5 turbo, ficar abaixo dos 50 g/km não é garantido. No IUC não há isenções: paga como qualquer veículo com motor de combustão.
A bateria Blade LFP de 35,6 kWh anuncia até 119 km (74 milhas) em modo puramente elétrico e até 164 km em utilização urbana, onde a travagem regenerativa trabalha a favor. Na prática, isso cobre a maioria dos trajetos diários portugueses sem gastar gasolina, desde que carregue em casa. Para viagens longas entra o depósito, com uma autonomia combinada anunciada na ordem dos 710 km. O modelo suporta ainda V2L, funcionando como tomada elétrica para equipamentos externos.
No Reino Unido a diferença é brutal: o Defender 110 PHEV parte de 71.840 libras e oferece apenas 50 km de autonomia elétrica, contra os 119 km do Ti 7 por menos cerca de 25.000 libras. A ressalva é técnica — o Ti 7 usa construção monobloco, pensada para espaço e conforto de estrada, e não a construção robusta de todo-o-terreno do Defender. Para o comprador português, a alternativa mais direta é o Kia EV9: sete lugares, 100% elétrico, já disponível cá e isento de ISV, uma vantagem fiscal que o Ti 7 nunca terá. Quem circula sobretudo em cidade e carrega em casa tende a sair melhor no elétrico puro; quem faz muitos quilómetros longe de rede de carregamento ganha com o plug-in.
Duas coisas travam qualquer decisão neste momento: o preço em euros e o valor de CO2 homologado. São elas que separam um SUV de sete lugares e 408 cv por 55.000 euros — proposta agressiva no nosso mercado — de um por 65.000, onde a concorrência aperta bastante.
Vale também acompanhar as queixas reportadas na China, onde o modelo se vende como Fangchengbao Ti7 e já somou 94.417 unidades: houve relatos de destacamento do vidro do teto panorâmico e de infiltrações na tomada de carregamento. A versão europeia chega depois dessas correções, mas é um ponto a vigiar nos primeiros testes. O calendário aponta para 2027 — tempo mais do que suficiente para a BYD Portugal pôr números em cima da mesa.