
Sete anos depois de a BMW ter trocado o Série 1 para tração dianteira em 2019 e desagradado a meio mundo de entusiastas, há finalmente uma reviravolta. A nova geração chega em 2028 e o BMW i1 elétrico tração traseira vai recuperar a propulsão tradicional da casa — mas só na versão totalmente elétrica, construída sobre a plataforma Neue Klasse Gen6. As variantes a gasolina e híbridas plug-in continuam dianteiras, na conhecida arquitetura UKL2.
Para o comprador português, isto importa por uma razão simples: pela primeira vez, um hatch compacto premium da BMW vai oferecer dinâmica de propulsão a um preço aproximado de 30.000 libras (cerca de 35.000 euros antes de impostos) — uma posição que o Série 1 nunca ocupou, nem mesmo nas gerações anteriores em RWD.
A estratégia da BMW é dupla. O i1, com nome de código interno NB0, nasce da mesma plataforma elétrica que sustenta o novo iX3 e o iX3 já confirmado para mercados europeus. É uma base concebida de raiz para ser propulsão, com motor traseiro único de série.
Já o Série 1 a combustão mantém a base UKL2 atual, com motores 1.5 três cilindros e 2.0 quatro cilindros a gasolina. A grande novidade térmica é a versão plug-in hybrid: bateria de cerca de 19,5 kWh e aproximadamente 97 km de autonomia exclusivamente elétrica — números que a colocam acima da maior parte dos PHEV compactos atualmente à venda em Portugal.
A produção do atual F40 termina entre 2027 e o início de 2028. O i1 entra em linha de montagem no final de 2028, seguido pouco depois pelo i2 Gran Coupe, uma berlina compacta de quatro portas também elétrica.

O motor traseiro do i1 standard deverá ser herdado do iX3 40, a versão de entrada do SUV elétrico. Falamos de 235 kW (cerca de 316–322 cv) e 500 Nm de binário, suficientes para o tornar mais potente do que qualquer Série 1 atual sem badge M.
Para os entusiastas, há uma surpresa maior. A versão M, com dois motores e tração integral, está nos planos com 463 cv (345 kW) e 645 Nm. Se confirmados, estes valores fariam do i1 M o Série 1 mais potente alguma vez produzido — ultrapassando o atual M135i.
A autonomia é o ponto onde a BMW corta para acertar no preço. A bateria será claramente mais pequena do que os 108,7 kWh do i3 (que chega aos 900 km WLTP). O objetivo declarado para o i1 ronda os 600 km WLTP — algo como 450–480 km reais em uso misto, suficiente para Lisboa-Porto sem paragem obrigatória.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Plataforma | Neue Klasse Gen6 (NB0) |
| Tração | Traseira, motor único |
| Potência | 316–322 cv (235 kW) |
| Binário | 500 Nm |
| Autonomia WLTP (alvo) | cerca de 600 km |
| Ecrã central | 17,9 polegadas, inclinado |
| Panoramic iDrive | 43,3 polegadas |
| Preço alvo (Reino Unido) | cerca de 30.000 libras |
| Início de produção | final de 2028 |
A BMW aponta para um preço de partida no Reino Unido na ordem das 30.000 libras — quase 20.000 libras abaixo do i3. Convertido e ajustado à fiscalidade portuguesa, esperamos um arranque entre 38.000 e 42.000 euros para a versão base, dependendo do nível de equipamento.
Há um detalhe importante para o mercado português: sendo 100% elétrico, o i1 beneficia de isenção total de ISV e de isenção de IUC nos primeiros anos ao abrigo da legislação atual. Comparado com um Série 1 a gasolina equivalente, a diferença efetiva no momento da matrícula pode chegar a 6.000–8.000 euros.
A versão M de 463 cv, se chegar à Europa, deverá posicionar-se acima dos 60.000 euros — território de M2 mas com a praticidade de um cinco portas.
Quem já anda à procura de um BMW elétrico tem de decidir entre esperar pelo i1 ou avançar para o BMW i3 mais cedo. As diferenças vão muito além do tamanho.
| Critério | BMW i1 (2028) | BMW i3 (atual) |
|---|---|---|
| Carroçaria | Hatchback compacto | Sedan/berlina |
| Bateria | mais pequena, alvo cerca de 600 km WLTP | até 108,7 kWh, cerca de 900 km WLTP |
| Tração | traseira (M com integral) | traseira |
| Preço estimado em Portugal | 38.000–42.000 euros | acima de 60.000 euros |
| Uso ideal | cidade e viagens médias | viagens longas frequentes |
O i3 é o carro para quem faz Lisboa-Algarve regularmente sem parar. O i1 é o carro para quem quer um BMW elétrico premium para o dia a dia, que cabe num lugar de estacionamento normal e custa o mesmo que um Audi Q4 e-tron bem equipado.
Há uma segunda novidade que entusiastas de longa data vão apreciar: a possibilidade de regresso da carroçaria de três portas, exclusiva do i1 elétrico. A versão a combustão fica apenas em cinco portas. É uma decisão de marketing inteligente — diferenciar visualmente o elétrico para quem quer mostrar que tem o modelo mais moderno da gama.
A BMW não está sozinha neste segmento. A Mercedes A-Class EQ e o Audi A2 e-tron chegam praticamente na mesma altura, ambos elétricos compactos com posicionamento premium. O Série 1 vende cerca de 200.000 unidades por ano globalmente e representa até 40% das vendas BMW em França e Itália — números que justificam o investimento numa plataforma dedicada.
Para Portugal, o cenário em 2028 deverá ser disputado: i1 versus A-Class EQ versus A2 e-tron, todos com autonomias semelhantes na casa dos 500–600 km WLTP, todos com tecnologia 800V para carregamento rápido. A diferenciação será feita na marca, no interior e — no caso do i1 — na dinâmica de condução que só a propulsão traseira oferece.
A BMW aponta para um preço de partida de cerca de 30.000 libras no Reino Unido, o que, convertido e ajustado à fiscalidade portuguesa, deverá colocar o BMW i1 entre 38.000 e 42.000 euros para a versão base. Como elétrico beneficia de isenção total de ISV e de IUC reduzido nos primeiros anos, uma vantagem fiscal que pode chegar a 6.000–8.000 euros face a um Série 1 a gasolina equivalente. A futura versão M de 463 cv, se for vendida na Europa, deverá ultrapassar os 60.000 euros.
A produção do BMW i1 arranca no final de 2028, depois do encerramento do atual Série 1 F40 entre 2027 e o início de 2028. As primeiras imagens oficiais são esperadas para 2027 e as entregas nos concessionários portugueses deverão começar no primeiro semestre de 2029. O modelo i2 Gran Coupe, uma berlina compacta também elétrica baseada na mesma plataforma Neue Klasse, segue-se pouco depois.
O i1 é construído sobre a plataforma Neue Klasse Gen6, concebida de raiz para arquitetura elétrica com motor traseiro, ao contrário da UKL2 utilizada pelas versões a gasolina e híbrida plug-in, que continuam a ser tração dianteira. Esta separação permite à BMW recuperar a propulsão tradicional da casa que tinha abandonado em 2019 com o Série 1 F40, mas apenas na variante elétrica. A versão M topo de gama acrescenta um segundo motor para tração integral e 463 cv.
O objetivo declarado pela BMW para o i1 ronda os 600 km WLTP, o que corresponde a cerca de 450 a 480 km em uso misto real — suficiente para uma viagem Lisboa-Porto sem paragem obrigatória para carregar. A bateria será claramente mais pequena do que os 108,7 kWh do BMW i3 (que atinge perto de 900 km WLTP), opção que permite à marca cortar custos e atingir o preço-alvo. O carregamento rápido em arquitetura 800V está confirmado, à semelhança do iX3.
O BMW i1 é um hatchback compacto de cinco portas (com possível variante de três portas) com cerca de 600 km WLTP e preço estimado entre 38.000 e 42.000 euros em Portugal, pensado para o dia a dia urbano e viagens médias. O BMW i3, atual berlina elétrica da marca, é maior, parte de mais de 60.000 euros e oferece até 900 km WLTP com a bateria de 108,7 kWh, sendo a escolha natural para quem faz longas distâncias com frequência. Ambos usam tração traseira na versão standard, mas o i1 vai posicionar-se contra rivais como o Audi A2 e-tron e o Mercedes A-Class EQ.
O i1 representa mais do que um novo modelo: é a admissão da BMW de que a transição para o elétrico permite recuperar o ADN que perdeu em 2019. Para quem está a ponderar um hatch elétrico premium, faz sentido aguardar pelas primeiras imagens oficiais — esperadas para 2027 — antes de fechar negócio noutro lado. O preço definitivo, os incentivos elétricos que vigorarem em 2028 e a oferta concreta dos concessionários portugueses vão definir se o i1 cumpre a promessa de ser o BMW elétrico mais acessível da gama.