
A Zeekr não é uma marca que se conheça do café. Mas pertence ao grupo Geely — o mesmo da Volvo, da Polestar e da Lynk & Co — e o Zeekr 001 partilha a plataforma SEA com o Polestar 4 e o Volvo EX30. Tradução prática: por baixo da carroçaria de inspiração premium está engenharia europeia já testada. A pergunta que interessa ao comprador português é simples: vale a pena o Zeekr 001 em Portugal, ou estamos só a comprar uma etiqueta de preço atraente?
A resposta honesta tem dois lados. Há muito a gostar. E há defeitos que ninguém deveria ignorar antes de assinar o contrato.
A Zeekr arrancou na Alemanha em dezembro de 2025 e está a expandir-se para França, Itália, Espanha e Reino Unido durante 2026. Em Portugal a chegada é recente e o preço oficial ainda não está totalmente consolidado, por isso vale a pena olhar para as referências europeias.
Na Alemanha, o Zeekr 001 parte de 59.990 € na versão Long Range RWD, sobe para 65.990 € na variante AWD e chega aos 70.990 € na Privilege. Nos Países Baixos a base fica em 55.990 €. Para o mercado português, é seguro contar com valores na mesma ordem de grandeza, a partir de cerca de 61.000 €.
O ponto central é a comparação. Um BMW i5 começa acima de 74.000 €. Um Mercedes EQE ou um Porsche Taycan jogam ainda mais alto. O Zeekr entrega air suspension, teto panorâmico, faróis Matrix LED, bomba de calor, carregador de bordo de 22 kW e bancos com massagem — equipamento que nos rivais alemães custa milhares de euros em extras — por um preço de rival de Volkswagen. É esta a tese: tecnologia premium ao preço de um VW.

Há duas mecânicas. A Long Range RWD usa um único motor traseiro de 200 kW (272 cv) e faz o 0-100 km/h em 7,2 segundos — suficiente para quase toda a gente. No topo, a versão AWD de duplo motor entrega 400 kW (544 cv) e despacha o 0-100 km/h em 3,8 segundos. Ambas estão limitadas a 200 km/h.
A bateria é a mesma nas duas: 100 kWh totais, 94 kWh utilizáveis, química NMC da CATL, arquitetura de 400 V. Eis os números que contam:
| Especificação | Long Range RWD | AWD (duplo motor) |
|---|---|---|
| Potência | 200 kW (272 cv) | 400 kW (544 cv) |
| Binário | 343 Nm | 686 Nm |
| 0-100 km/h | 7,2 s | 3,8 s |
| Velocidade máxima | 200 km/h | 200 km/h |
| Autonomia WLTP | 620 km | 585-594 km |
| Peso | 2.200 kg | 2.335 kg |
Dimensões: 4.955 mm de comprimento, 2.999 mm de distância entre eixos e uma mala de 539 litros (até 2.144 litros com os bancos rebatidos), mais um frunk de 60 litros à frente.
Os 620 km WLTP da versão RWD são o melhor cenário. Na vida real, a EV Database aponta uma autonomia combinada de cerca de 505 km — um valor sólido. O detalhe que a maioria dos artigos não conta: em autoestrada e com frio, a autonomia cai para perto de 365 km. Em cidade e clima ameno, sobe até aos 725 km.
Para o uso típico português isto significa um Lisboa-Porto (cerca de 310 km) sem qualquer aflição, mesmo no inverno. Para o Algarve em pleno verão, com ar condicionado e velocidade de cruzeiro, conte com uma paragem de carregamento à ida.
E carregar é rápido. Em corrente contínua o 001 aceita até 200 kW, fazendo os 10-80% em cerca de 30 minutos — tempo de um café e uma ida à casa de banho numa área de serviço. Em corrente alternada, o carregador de 22 kW de série (raro nesta gama) enche a bateria de 0 a 100% em cerca de 5h15, ideal para carregar em casa ou no escritório durante a noite.
O interior é o argumento mais forte. Materiais de qualidade, detalhes em tom dourado, secções em Alcântara no tablier e poucos plásticos duros. Os testes alemães destacaram um esquema de cores azulado "discreto e mais interessante" do que o preto habitual, e um sistema de som Yamaha de timbre quente. Os bancos dianteiros são excelentes para viagens longas, com climatização e massagem.
A condução, no essencial, agrada. A entrega de potência é "linear, potente e muito controlada — quase como um bom motor atmosférico", segundo a VISION mobility. A direção tem peso bem calibrado e a travagem é progressiva. Em cruzeiro tranquilo, é silencioso e confortável.
E há a rede de apoio: 8 anos ou 200.000 km de garantia na bateria, 5 anos no veículo (até 10 anos se a manutenção for feita na rede Zeekr). A marca está a montar centros de serviço em ritmo acelerado pela Europa.
Aqui é onde a honestidade conta. O título da review original — "o elétrico premium ao preço de um Volkswagen que esconde vários defeitos" — não é exagero.
O maior queixume é o ecrã de 15,4 polegadas. Funções básicas, como o ajuste dos espelhos, estão enterradas em menus profundos. Não há ecrã dividido, e as indicações de navegação desaparecem quando se acede a outras funções. Os comandos capacitivos no volante são "imprecisos e desajeitados".
O segundo é a assistência à condução: 21 sistemas que avisam, nas palavras dos testadores, "muito depressa e muito intensamente", com sons desagradáveis. Os piscas são notoriamente barulhentos. É o tipo de coisa que cansa ao fim de uma semana.
A suspensão divide opiniões. A pneumática (nas versões superiores) absorve bem os solavancos, mas é "comfort-biased" demais para o gosto europeu, faltando-lhe firmeza mesmo em modo Sport. A suspensão passiva de série fica saltitante sobre lombas maiores. A transição entre travão e regeneração nem sempre está bem harmonizada a velocidades mais altas.
Por fim, a largura: 2,22 m com os espelhos torna o 001 desafiante em ruas estreitas e parques apertados — algo a pesar em centros históricos portugueses. E a mala de 539 litros, embora prática, é modesta para um carro de quase cinco metros.
O preço oficial em Portugal ainda não está totalmente consolidado, mas as referências europeias dão uma boa base: na Alemanha o Zeekr 001 parte de 59.990 € na versão Long Range RWD, sobe para 65.990 € no AWD de duplo motor e chega aos 70.990 € na Privilege (nos Países Baixos a base fica em 55.990 €). Para o mercado português é seguro contar com valores a partir de cerca de 61.000 €. O argumento de venda é a comparação: um BMW i5 começa acima de 74.000 €, pelo que o Zeekr custa, no mínimo, 13.000 € menos com mais equipamento de série.
Os 620 km WLTP da versão RWD são o melhor cenário; na vida real a EV Database aponta uma autonomia combinada de cerca de 505 km. O detalhe que a maioria dos artigos não conta é que, em autoestrada e com frio, a autonomia cai para perto de 365 km, enquanto em cidade e clima ameno sobe até aos 725 km. Na prática, um Lisboa-Porto (cerca de 310 km) faz-se sem aflição, mesmo no inverno.
Em corrente contínua, o Zeekr 001 aceita até 200 kW e faz os 10-80% em cerca de 30 minutos — o tempo de um café numa área de serviço. Em corrente alternada, o carregador de bordo de 22 kW de série (raro nesta gama) enche a bateria de 100 kWh de 0 a 100% em cerca de 5h15, ideal para carregar em casa ou no escritório durante a noite.
O BMW i5 oferece refinamento dinâmico, uma interface mais resolvida e o prestígio da marca, mas custa pelo menos 13.000 € mais. O Zeekr 001 entrega mais equipamento de série (air suspension, teto panorâmico, bomba de calor, bancos com massagem), autonomia idêntica e desempenho equivalente ou superior. Quem valoriza marca e revenda previsível continua com motivos para o alemão; quem olha para a folha de equipamento e o preço, e tolera um software irritante, encontra no Zeekr uma das melhores propostas de valor do mercado elétrico atual.
Os testes europeus são consistentes nas críticas: o ecrã de 15,4 polegadas enterra funções básicas (como o ajuste dos espelhos) em menus profundos e não tem ecrã dividido; os 21 sistemas de assistência avisam demasiado depressa e de forma intrusiva, com piscas barulhentos; a suspensão é demasiado mole para o gosto europeu; e a largura de 2,22 m com espelhos torna-o desafiante em ruas estreitas e parques apertados de centros históricos. A mala de 539 litros também é modesta para um carro de quase cinco metros.
Se o orçamento aponta para um elétrico executivo, o Zeekr 001 obriga o comprador a uma decisão desconfortável. O BMW i5 oferece refinamento dinâmico, uma interface mais resolvida e o prestígio da marca — mas custa, no mínimo, 13.000 € mais. O Zeekr entrega mais equipamento de série, autonomia idêntica e desempenho equivalente ou superior, ao preço de um carro generalista bem equipado.
A escolha resume-se ao que se valoriza. Quem quer marca, polimento de detalhe e revenda previsível continua a ter motivos para o alemão. Quem olha para a folha de equipamento e o preço, e está disposto a viver com um software irritante, encontra no Zeekr 001 uma das propostas de maior valor do mercado elétrico atual.
Os carros elétricos chineses já valem cerca de 5,1% do mercado europeu, e a Zeekr é dos nomes mais credíveis dessa vaga. Vale a pena acompanhar a confirmação do preço oficial em Portugal e os primeiros incentivos — mas o 001 já mostra que a conversa sobre elétricos premium deixou de ser exclusiva dos alemães.