
A XPeng revelou os primeiros detalhes do GX, um SUV elétrico de seis lugares que se assume como o novo topo de gama da marca chinesa. A apresentação completa está marcada para o Salão Automóvel de Pequim, em finais de abril de 2026, mas o que já se sabe chega para perceber porque é que este modelo interessa ao mercado português.
Primeiro, porque a XPeng já produz carros na Europa — os G6 e G9 saem da fábrica da Magna Steyr em Graz, Áustria, desde setembro de 2025, com o P7+ a juntar-se em abril de 2026. A empresa quer crescer de três para sete modelos na Europa até 2027, e o GX é o candidato óbvio para essa expansão. Segundo, porque é um SUV elétrico chinês de seis lugares com mais de 5,2 metros e autonomia anunciada até 750 km — um segmento que praticamente não existe em Portugal por menos de 100 mil euros.
O GX (nome interno G01) assenta na plataforma SEPA 3.0, a mesma arquitetura "physical AI" que a XPeng usa nos seus modelos mais recentes. A semelhança estética com o Range Rover L460 é evidente e assumida — pilares A e B inclinados, porta traseira dividida em duas peças, puxadores retráteis. Mede 5.265 a 5.270 mm de comprimento, 2.000 mm de largura, 1.800 mm de altura e tem uma distância entre eixos de 3.115 mm. A configuração interior é 2+2+2, com seis lugares individuais.
He Xiaopeng, CEO da XPeng, descreve o projeto como a solução para o "triângulo impossível" dos SUV de três filas: espaço na bagageira com o carro cheio, conforto de condução e dimensões que não transformem o SUV num autocarro. É uma promessa ambiciosa para um segmento onde os rivais — Li Auto L9, Huawei Aito M9, Zeekr 9X, Nio ES9 e Denza N9 — já têm reputação consolidada na China.
A estratégia de motorização é dupla. A versão 100% elétrica tem duas opções de bateria fornecidas pela CALB:
| Bateria | Química | Autonomia CLTC RWD | Autonomia CLTC AWD |
|---|---|---|---|
| 91,9 kWh | LFP | 655 km | 635 km |
| 110 kWh | NMC | 750 km | 720 km |
A versão topo entrega 430 kW (cerca de 585 cv) com tração integral e chega aos 200 km/h. A grande vantagem técnica está na arquitetura de 800 V combinada com carregamento 5C — na prática, significa que numa paragem curta de 10 a 15 minutos num posto rápido recupera várias centenas de quilómetros. É a resposta direta ao maior atrito que ainda trava muitos compradores portugueses de elétricos.
Para quem não confia em viagens longas só a bateria, há a versão EREV com o Kunpeng Super Electric System. Um motor 1.5 a gasolina da Harbin Dongan (110 kW) funciona apenas como gerador, sem ligação às rodas. Dá 320 km em modo elétrico e ultrapassa os 1.000 km combinados. É a mesma filosofia do Nissan e-Power ou do Mazda MX-30 R-EV, mas com números muito superiores — e resolve a ansiedade de autonomia em viagens Lisboa-Algarve-Porto sem obrigar a paragens longas.
A XPeng diz que o GX leva quatro chips Turing desenhados internamente, com capacidade total superior a 3.000 TOPS. É potência de cálculo suficiente para suportar condução autónoma de nível 4 através de um sistema puramente visual, sem LiDAR no tejadilho — uma aposta semelhante à da Tesla, mas menos comum nos fabricantes chineses.
A lista de tecnologia continua com direção steer-by-wire da Bosch (sem ligação mecânica entre o volante e as rodas), direção nas quatro rodas, HUD de realidade aumentada a substituir o painel de instrumentos tradicional, e um chassis adaptativo controlado por IA. É o tipo de equipamento que, nos premium europeus, aparece em modelos acima dos 120 mil euros.
Na China, o preço esperado fica entre 400.000 e 500.000 yuan, o que converte para cerca de 49.000 a 62.500 euros antes de impostos e margens de importação. Para referência, o XPeng G9 em Portugal arranca nos 248.800 yuan na China, e cá custa a partir de 59.900 euros — a diferença entre preço chinês e preço europeu anda perto de 80% por causa de logística, homologação, distribuição e tarifas.
Se a XPeng aplicar a mesma lógica ao GX, o preço português ficaria provavelmente entre 85.000 e 110.000 euros para a versão totalmente elétrica. E há duas variáveis importantes a vigiar:
A data de chegada a Portugal não está confirmada, mas o calendário da XPeng aponta para um alargamento europeu em 2027. Até lá, a China vai ser o primeiro mercado, com lançamento previsto para abril ou maio de 2026, logo após a apresentação em Pequim.
O G9 é hoje o SUV mais caro que a XPeng vende em Portugal, com autonomia WLTP até 570 km e cinco lugares. O GX coloca-se claramente acima: mais 40 cm de comprimento, seis lugares em vez de cinco, baterias maiores, autonomia CLTC até 750 km (os valores WLTP ficarão abaixo, provavelmente na casa dos 620–640 km) e a opção EREV que o G9 não tem.
Para famílias numerosas, ou para quem faz viagens longas com frequência e não quer depender exclusivamente da rede de carregamento, o GX resolve os dois cenários de uma só vez. O G9 continuará a ser a escolha mais lógica para quem procura um SUV elétrico premium de cinco lugares — e certamente mais acessível no final da conta.
Não há data oficial para Portugal. O GX é apresentado no Salão Automóvel de Pequim em finais de abril de 2026 e começa a ser vendido na China entre abril e maio de 2026. A XPeng quer crescer de três para sete modelos na Europa até 2027, por isso a chegada a Portugal é mais provável em 2027, sobretudo se o modelo entrar em produção na fábrica da Magna Steyr em Graz, Áustria.
Na China, o preço esperado situa-se entre 400.000 e 500.000 yuan, o equivalente a cerca de 49.000 a 62.500 euros antes de impostos, logística e margens. Aplicando a mesma relação entre preço chinês e preço europeu do XPeng G9 (248.800 yuan na China, 59.900 euros em Portugal), uma estimativa realista para a versão totalmente elétrica do GX fica entre 85.000 e 110.000 euros — valor que pode descer se a produção europeia em Graz evitar as tarifas de 17% a 36,3% da UE sobre elétricos chineses importados.
A XPeng anuncia até 750 km em ciclo CLTC chinês para a versão BEV com bateria NMC de 110 kWh (RWD), e 655 km CLTC para a versão LFP de 91,9 kWh. Em ciclo WLTP europeu, esses valores ficam tipicamente 15% a 20% mais baixos — ou seja, uma autonomia real provável entre 620 e 640 km no topo de gama. A versão EREV com extensor de autonomia a gasolina entrega 320 km em modo elétrico e mais de 1.000 km combinados.
O GX usa uma arquitetura de 800 volts compatível com carregamento rápido 5C, a mesma geração técnica do XPeng G9 e do Porsche Taycan. Na prática, uma paragem de 10 a 15 minutos num posto ultra-rápido acrescenta várias centenas de quilómetros de autonomia. Em Portugal, essa velocidade só é aproveitável em postos de 350 kW como os da Ionity e MIIO Hyper, ainda pouco densos fora dos principais eixos A1-A2.
O GX posiciona-se claramente acima do G9: tem mais 40 cm de comprimento (5,27 m contra 4,89 m), seis lugares em configuração 2+2+2 em vez de cinco, baterias maiores (até 110 kWh contra 98 kWh no G9) e uma opção EREV com extensor de autonomia que o G9 não oferece. O G9 mantém-se como a escolha mais lógica para quem procura um SUV elétrico premium de cinco lugares e preço mais acessível — em Portugal arranca nos 59.900 euros, enquanto o GX deverá ultrapassar os 85.000 euros.
A apresentação em Pequim, entre finais de abril e maio, vai confirmar preços oficiais na China, fotografias do interior e especificações WLTP para a Europa. Se a XPeng confirmar que o GX entra em produção em Graz, a conversa muda de figura — passa a ser um elétrico chinês feito na Europa, livre de tarifas, com tecnologia que a maioria dos premium alemães ainda não entregou em série. Vale a pena ficar atento aos próximos anúncios, sobretudo aos valores definitivos para o mercado europeu.