
A Xiaomi vai mais longe do que o SU7 e o YU7. A marca chinesa anunciou uma sub-marca dedicada — SKYNOMAD (em chinês Xuntian, "nómada do céu") — para acolher uma família de SUV híbridos com extensor de autonomia e até um camping-car com tejadilho elevatório. Para quem em Portugal anda atento à invasão chinesa de elétricos, é mais um nome para a lista — mas com uma diferença importante: estes não são puros elétricos, são EREV.
A pergunta natural para o comprador português é simples. Quando chega? E faz sentido esperar? A resposta curta: a Xiaomi confirmou entrada na Europa em 2027, com a Alemanha como primeiro mercado. A resposta longa exige um olhar à gama, à mecânica e ao posicionamento.
A SKYNOMAD nasce como casa para os modelos EREV (extended-range electric vehicle) da Xiaomi — carros que andam sempre a eletricidade, mas com um motor a gasolina a fazer de gerador quando a bateria descarrega. Não é um híbrido plug-in tradicional. As rodas são movidas só por motores elétricos; o motor de combustão nunca toca no veio. Isto interessa em Portugal por uma razão prática: a rede de carregamento rápido fora dos grandes eixos ainda tem buracos, e um EREV resolve a ansiedade de autonomia em viagens longas para o Algarve ou para o interior sem obrigar a uma paragem de 40 minutos num posto MOBI.E.
A nova sub-marca terá emblema próprio — substitui o logo Xiaomi na traseira e no volante — e foca-se em famílias e em quem usa o carro para viagens longas e atividades ao ar livre. A primeira leva inclui três SUV da plataforma Kunlun, mais o flagship YU9 com variante pop-top, e um motorhome dedicado conhecido como "Island of Man" (Mandao, na nomenclatura interna).
A linha Kunlun cobre três segmentos e está claramente posicionada contra os Li Auto, que dominam o segmento de SUV híbridos premium na China.
| Modelo | Posicionamento | Configuração | Bateria |
|---|---|---|---|
| Kunlun 10 | rival do Li Auto L6 | SUV compacto, 5 lugares | 70 ou 90 kWh |
| Kunlun 20 | rival do Li Auto L8 | SUV médio, 5 lugares | 70 ou 90 kWh |
| Kunlun 30 | rival do Li Auto L9 | SUV topo de gama, 7 lugares | 70 ou 90 kWh |
Os preços anunciados na China para a gama SKYNOMAD vão de 200.000 a 450.000 yuan (cerca de 27.500 a 62.000 dólares). Convertido ao bruto e somado o ISV português e logística, falamos provavelmente de uma gama entre os 35.000 e os 75.000 euros se chegar cá — sem garantias, claro, porque o próprio William Lu, presidente da Xiaomi Auto, deixou claro que o YU9 e a SKYNOMAD são candidatos "menos prováveis" para a primeira leva europeia, dominada pelo SU7 e pelo YU7.
O YU9 é a peça central. Um SUV de 5,2 a 5,3 metros, sete lugares, com EREV de 1.5 turbo e potência combinada acima dos 400 cv. Para quem está habituado a comparar com o que se vende em Portugal, o paralelo mais próximo é o BYD Sealion 8 ou um Volvo XC90 elétrico de gama alta.
Os números do YU9 segundo os protótipos avistados:
O preço de partida na China ronda os 359.800 yuan (cerca de 50.000 dólares), com topo de gama abaixo dos 500.000 yuan. Para contexto: o Li Auto L9 começa nos 409.800 yuan e o Aito M9 nos 469.800.
Importa pôr esta cifra em perspetiva. Os 1.500 km são o ciclo CLTC chinês, conhecido por ser otimista — em prática WLTP perdem-se facilmente 20 a 25%. Mesmo assim, falamos de uns 1.100 a 1.200 km reais com depósito cheio e bateria carregada. Lisboa-Faro ida e volta sem encher? Possível. É essa a promessa do EREV: andar de elétrico nos dias normais, ter um motor a gasolina como rede de segurança quando a viagem é longa.
A peça mais invulgar da gama é o motorhome dedicado, internamente chamado Mandao ou "Island of Man". Não é um SUV com tenda no tejadilho. É um veículo com tejadilho elevatório real, espaço para estar de pé no interior e cama em cima.
Os números soltos sobre o Mandao são impressionantes — embora ainda em fase inicial de desenvolvimento, segundo o ChinaEVHome:
Para quem em Portugal pondera comprar uma autocaravana convencional ou um Volkswagen California, a proposta da Xiaomi atira pedras a uma piscina diferente — combina mobilidade elétrica genuína com a praticidade de um camping-car. O preço será proporcional, mas o conceito é raro.
A Xiaomi confirmou pela voz de William Lu, presidente da divisão automóvel, que a entrada europeia acontece em 2027, começando pela Alemanha. A marca já tem um centro de I&D em Munique, liderado pelo ex-quadro da BMW Rudolf Dittrich, e prepara stand físico no país.
A primeira fase europeia foca-se no SU7 (sedan elétrico) e no YU7 (SUV elétrico), modelos que já têm aprovação WLTP em curso. A SKYNOMAD e o YU9 são, segundo o próprio Lu, candidatos secundários — vão depender de como corre a primeira leva e da estratégia de homologação dos EREV na UE, que ainda enfrentam alguma indefinição regulatória face a híbridos plug-in tradicionais.
Para Portugal, isto traduz-se em:
A Xiaomi confirmou pela voz de William Lu, presidente da Xiaomi Auto, a entrada europeia em 2027, começando pela Alemanha. A primeira leva foca-se no SU7 e no YU7; o YU9 e a sub-marca SKYNOMAD são considerados candidatos secundários, pelo que a janela realista para Portugal é 2028 ou mais tarde, sujeita à homologação WLTP dos EREV na União Europeia.
Na China, a gama SKYNOMAD vai dos 200.000 aos 450.000 yuan (cerca de 27.500 a 62.000 dólares), com o YU9 a partir de 359.800 yuan. Aplicando ISV português, IVA e logística, é razoável esperar uma gama entre 35.000 e 75.000 euros se chegar cá — mas ainda não há preços oficiais para a Europa e a Xiaomi não tem rede de assistência confirmada em Portugal.
Um EREV (extended-range electric vehicle) é um carro movido sempre por motores elétricos, com um motor a gasolina a funcionar apenas como gerador para carregar a bateria. Em Portugal, como tem mais de 50 km de autonomia em modo elétrico, deverá pagar ISV reduzido equiparado aos híbridos plug-in — uma vantagem real face a um SUV a gasóleo equivalente, com poupança de milhares de euros na fatura final.
O valor de 1.500 km vem do ciclo CLTC chinês, conhecido por ser otimista. Em ciclo WLTP perde-se tipicamente 20 a 25%, o que aponta para uns 1.100 a 1.200 km reais com depósito cheio e bateria carregada. A autonomia em modo 100% elétrico ronda os 200 km CLTC (cerca de 150 km reais), suficiente para a maior parte das deslocações diárias em Portugal sem acionar o motor a gasolina.
O YU9 posiciona-se diretamente contra o Li Auto L9 (a partir de 409.800 yuan na China) e o BYD Sealion 8 (já confirmado para a Europa). Diferencia-se pelo carregamento 800V, LiDAR no tejadilho, direção nas rodas traseiras e integração com o ecossistema HyperOS/HyperConnect da Xiaomi. Tem mais de 400 cv combinados e 0-100 km/h em cerca de 5 segundos — números próximos do L9 mas com ferragem tecnológica mais avançada.
A Xiaomi vendeu 108.800 carros só no terceiro trimestre de 2025, com receitas automóveis a crescer 197,9% em termos homólogos. A marca já é rentável no segmento EV — primeiro lucro operacional trimestral na divisão de mobilidade. O lançamento da SKYNOMAD mostra que a estratégia não é só copiar Tesla e Porsche; é construir várias frentes em paralelo, com EREV a cobrir o segmento onde os puros elétricos ainda têm fricção.
Para o comprador português, a mensagem prática é: vale a pena acompanhar. Não corre a comprar nada agora — o YU7 e o SU7 vão ser os primeiros Xiaomi a aparecer cá, provavelmente em 2027. Mas se procura um SUV familiar de sete lugares, eficiente, com longas autonomias e a possibilidade de viajar sem stress de carregamento, o YU9 e a gama Kunlun merecem entrar no radar para 2028 em diante. Os preços oficiais europeus, quando saírem, dirão se a Xiaomi mantém a sua promessa de custo agressivo também fora da China.