
Onze vírgula oito. Catorze vírgula sete. São os dois números que jornalistas diferentes registaram no mesmo Volkswagen ID. Polo de 155 kW, e a diferença entre eles vale mais de 100 km de autonomia. Quem procura o consumo real do Volkswagen ID. Polo antes de assinar um contrato merece saber que a resposta honesta não é um número — é uma faixa entre cerca de 12 e 16 kWh/100 km.
O teste alemão da Elektroauto-News, feito nos arredores de Viena, fechou o percurso com 11,8 a 12,4 kWh/100 km. Foi um trajeto misto — cidade, estradas nacionais, autoestrada A3 — sempre dentro dos limites legais e com cerca de 30 °C. A publicação australiana CarExpert, na mesma versão de 155 kW, mediu 14,7 kWh/100 km. Testes alemães adicionais (Motor1, InsideEVs) reportaram valores até cerca de 16 kWh/100 km consoante o percurso, o condutor e a temperatura, embora esses números nos tenham chegado apenas por resumos de pesquisa e não por leitura direta do artigo.
Nenhum destes testes está errado. É assim que um elétrico se comporta: 30 °C, sem aquecimento nem ar condicionado a puxar, num percurso misto a velocidades legais, dá o melhor cenário possível. Trate os 12 kWh/100 km como isso mesmo — o melhor cenário de verão, não a média com que vai viver.
A homologação WLTP dá contexto à discussão. Estes são os valores oficiais por versão:
| Versão | Bateria útil | Consumo WLTP | Autonomia WLTP |
|---|---|---|---|
| 85 kW (116 cv) | 37 kWh LFP | 13,8 kWh/100 km | 323 km |
| 99 kW (135 cv) | 37 kWh LFP | 13,6 kWh/100 km | 331 km |
| 155 kW (211 cv) | 52 kWh NMC | 13,4 kWh/100 km | 454 km (452 km no Style) |
A própria Volkswagen publica uma banda de 14,7 a 13,3 kWh/100 km consoante jantes e equipamento, o que já admite uma variação de quase 10% antes sequer de o carro sair do stand.
Repare no que isto significa para o consumo real. O teste de Viena ficou bem abaixo do WLTP — coisa rara num elétrico. O teste da CarExpert ficou acima. Se ambos os cenários são possíveis no mesmo carro, o WLTP de 13,4 kWh/100 km acaba por ser, ironicamente, a estimativa central mais defensável para uso variado ao longo do ano.

Traduzir consumo em quilómetros é simples: divide-se a capacidade útil pelo consumo. Com os 52 kWh úteis da versão de 155 kW:
| Consumo | Autonomia real estimada |
|---|---|
| 12,0 kWh/100 km (melhor caso, verão) | 433 km |
| 13,4 kWh/100 km (WLTP) | 388 km |
| 14,7 kWh/100 km (medido pela CarExpert) | 354 km |
| 16,1 kWh/100 km (pior caso reportado) | 323 km |
Os 420 a 440 km que o teste austríaco extrapolou são reais — mas só àquele consumo, naquelas condições. Para planear viagens, 350 a 390 km é a janela sensata. Isso continua a chegar para Lisboa–Coimbra e volta sem carregar, ou para Lisboa–Porto com uma paragem curta.
Quem ficar pela bateria de 37 kWh LFP das versões de 85 e 99 kW deve aplicar a mesma matemática: 323 e 331 km WLTP tornam-se qualquer coisa entre 230 e 275 km na prática. Continua a ser um carro de cidade e área metropolitana, não um devorador de autoestrada.
Nenhum dos testes publicou um número isolado só de autoestrada, por isso não inventamos um. Mas há pistas físicas: com um coeficiente aerodinâmico de 0,264 e 1.576 kg, a A1 a 120 km/h vai empurrar o consumo para o topo da faixa medida, e não para a base. Os 16 kWh/100 km deixam de ser o pior caso e passam a ser o cenário provável.
Vale também o aviso de conforto: os dois testes referem que o ruído de vento se torna audível acima dos 80 a 85 km/h, e a CarExpert notou mais ruído de pneus do que esperava. O eixo traseiro de barra de torção transmite juntas de dilatação e emendas de asfalto para dentro do habitáculo — algo a ter em conta em muita estrada nacional portuguesa.
Os 11,8 kWh/100 km foram medidos a 30 °C. Em janeiro, com aquecimento a trabalhar, a conta muda. E aqui há um detalhe importante: a bomba de calor é opcional no ID. Polo, e a Electrifying assinala que a sua disponibilidade ainda não está confirmada para todos os mercados. Sem ela, o aquecimento do habitáculo consome diretamente da bateria com muito pior rendimento.
Em Portugal o impacto é menos brutal do que na Europa central, mas quem faz Beira Interior ou Trás-os-Montes de manhã cedo no inverno deve contar com o topo da faixa. Se aparecer na lista de opções por um valor razoável, é uma caixa que vale a pena assinalar.
Aqui está o cálculo que ninguém faz por si — e uma advertência antes de o ler. Não temos uma fonte tarifária portuguesa verificada para 2026. Nenhuma das publicações consultadas cobre preços de eletricidade em Portugal. Os valores abaixo assumem três preços redondos por kWh, escolhidos como referências plausíveis e claramente identificados como pressupostos, não como tarifas oficiais da ERSE ou de qualquer comercializador:
Confirme o seu preço por kWh na fatura antes de usar estes números para decidir seja o que for.
| Consumo | Casa, vazio (0,15 €/kWh) | Casa, simples (0,20 €/kWh) | Rápido público (0,40 €/kWh) |
|---|---|---|---|
| 12,0 kWh/100 km | 1,80 € | 2,40 € | 4,80 € |
| 13,4 kWh/100 km (WLTP) | 2,01 € | 2,68 € | 5,36 € |
| 14,7 kWh/100 km | 2,21 € | 2,94 € | 5,88 € |
| 16,1 kWh/100 km | 2,42 € | 3,22 € | 6,44 € |
A leitura prática: carregado em casa, o ID. Polo custa entre 1,80 € e 3,22 € por 100 km. Só na rede pública rápida é que a conta triplica, e é por isso que a wallbox doméstica faz mais diferença ao orçamento mensal do que a versão de bateria escolhida.
Com os mesmos pressupostos e a bateria de 52 kWh, uma carga completa custa 7,80 € a 0,15 €/kWh, 10,40 € a 0,20 €/kWh e 20,80 € num carregador rápido a 0,40 €/kWh. A carga típica de 10 a 80%, que são 36,4 kWh, fica em 5,46 €, 7,28 € ou 14,56 € respetivamente.
Em tempo, a versão de 52 kWh aceita até 105 kW em DC e faz os 10-80% em cerca de 24 minutos. As de 37 kWh chegam aos 90 kW e precisam de 23 a 27 minutos. Em corrente alternada, ambas ficam pelos 11 kW — uma carga completa em casa demora uma noite, o que é exatamente o que se pretende com a tarifa de vazio.
A eficiência do ID. Polo não é acaso nem software. É um conjunto de decisões de engenharia visíveis na ficha técnica:
Junte-se a plataforma MEB+ e um V2L de 3,6 kW de série, que permite alimentar equipamento externo a partir da bateria.

Entre os citadinos elétricos, o ID. Polo apresenta-se com uma vantagem de consumo homologado: 13,3 a 13,4 kWh/100 km contra cerca de 14,8 kWh/100 km do Renault 5 E-Tech, com mais autonomia WLTP, mais potência de carga e uma mala de 441 litros claramente maior. O rival ganha em preço de entrada e, segundo a Electrifying, em prazer de condução — o veredicto sobre o Polo é que "não é envolvente de conduzir" em comparação. Já fizemos a comparação completa entre o Renault 5 e o ID. Polo noutro artigo, por isso ficamo-nos aqui pelo que interessa a este: em kWh por 100 km, o alemão leva vantagem no papel.
Os 11,8 kWh/100 km do melhor teste foram registados a cerca de 30 graus. No inverno, com aquecimento a puxar da bateria e a bomba de calor a ser opcional no ID. Polo, conte com o topo da faixa medida: perto de 16 kWh/100 km, o que dá cerca de 325 km reais com os 52 kWh uteis. Em trajetos curtos e frios, em que o habitaculo nunca chega a aquecer por completo, pode ficar abaixo dos 300 km. Em Portugal o impacto e menor do que na Europa central, mas quem faz Beira Interior ou Tras-os-Montes de manha deve orcamentar por esse cenario.
Nenhum dos testes publicados isolou um valor so de autoestrada, por isso nao existe um numero medido para citar. A fisica aponta o caminho: com um coeficiente aerodinamico de 0,264 e 1.576 kg na versao de 155 kW, uma A1 a 120 km/h empurra o consumo para o topo da faixa registada, na ordem dos 16 kWh/100 km, e nao para os 12 do melhor caso. Na pratica, isso significa cerca de 325 km de autonomia total e apenas cerca de 227 km entre paragens se carregar sempre dos 10 aos 80%.
Assumindo um preco de 0,15 euros por kWh em horas de vazio — um pressuposto ilustrativo, nao uma tarifa oficial da ERSE ou de qualquer comercializador —, uma carga completa dos 52 kWh uteis custa cerca de 7,80 euros e a carga tipica de 10 a 80%, que sao 36,4 kWh, fica em cerca de 5,46 euros. Some ainda 5 a 10% de perdas de carregamento em corrente alternada, que aparecem no contador mas nao na bateria. Confirme o seu preco por kWh na fatura antes de usar estes valores, porque e esse numero que determina metade da conta.
Depende quase so do perfil de utilizacao, nao do consumo: as duas versoes gastam praticamente o mesmo por 100 km (13,4 kWh/100 km WLTP na de 52 kWh contra 13,6 e 13,8 na de 37 kWh). A diferenca esta no alcance real. A bateria de 37 kWh LFP transforma os 323 a 331 km WLTP em qualquer coisa entre 230 e 275 km reais, o que chega e sobra para cidade e area metropolitana. A de 52 kWh NMC da 350 a 390 km reais em uso variado e aceita 105 kW em DC contra 90 kW, o que a torna a escolha certa para quem faz autoestrada com regularidade.
Com os pressupostos seguintes — 15.000 km por ano, 14 kWh/100 km reais no ID. Polo, 0,15 euros por kWh em carregamento domestico noturno, e um citadino a gasolina equivalente a fazer 6 litros aos 100 km com combustivel a 1,75 euros por litro — a eletricidade custa cerca de 315 euros por ano e a gasolina cerca de 1.575 euros, uma diferenca proxima de 1.250 euros. Se carregar em tarifa simples a 0,20 euros por kWh, a poupanca desce para perto de 1.150 euros. Nenhum destes precos de energia ou combustivel e uma cotacao verificada para 2026: substitua-os pelos seus valores reais antes de decidir, sobretudo se carregar muitas vezes na rede publica rapida, onde a vantagem encolhe bastante.
Se está a orçamentar o ID. Polo, assuma um consumo real de 14 kWh/100 km. Não 12, que é uma tarde de verão bem conduzida, nem 16, que é inverno e autoestrada. Aos 14 kWh, a versão de 52 kWh dá-lhe cerca de 370 km reais e custa perto de 2,10 € a 2,80 € por 100 km em casa, conforme o seu tarifário. Antes de fechar contas, confirme dois números que ainda estão em aberto: o preço português com os impostos aplicáveis e o seu próprio custo por kWh — é esse que determina metade da resposta.