
Um SUV coupé chinês com 5,05 metros, 475 kW de potência combinada e LiDAR da Huawei no tejadilho. O Voyah Passion S foi apresentado oficialmente a 22 de maio de 2026 e, à primeira vista, parece mais um lançamento distante para o mercado chinês. Mas há um detalhe que muda tudo para quem compra carro em Portugal: dois dias antes, a Stellantis e a Dongfeng anunciaram uma joint venture para produzir Voyah em Rennes, em França. Ou seja, este pode vir a ser o próximo SUV elétrico chinês a chegar ao nosso mercado — sem as tarifas de 35% que a UE aplica às importações da China.
A marca Voyah é a aposta premium da Dongfeng para veículos eletrificados. Em casa vende mais de 10.000 unidades por mês. Na Europa, em 2025, Dongfeng e Voyah juntas venderam apenas 3.210 carros. É esse número que o acordo com a Stellantis vai tentar mudar.
O Passion S (nome de código FE) é um SUV coupé "tech-dynamic" — é assim que a Voyah o posiciona. Os números explicam o porquê:
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Comprimento | 5.050 mm |
| Largura | 1.998 mm |
| Altura | 1.656 mm |
| Distância entre eixos | 3.000 mm |
| Motor traseiro (RWD) | 300 kW / 402 cv |
| Motor dianteiro (AWD) | 175 kW / 235 cv |
| Potência combinada (AWD) | 475 kW / 637 cv |
| Bateria | LFP |
| Arquitetura elétrica | 800V |
| Jantes | 21 polegadas forjadas em cinza-metálico |
| LiDAR | Huawei Qiankun, 896 canais |
| Lançamento | Meados de 2026 (China) |
A versão de tração traseira já entrega 402 cv. A de tração integral chega aos 637 cv, com dois motores e um zero-aos-cem que a marca ainda não confirmou mas que, com esta potência e bateria LFP de 800V, ficará claramente abaixo dos 4 segundos.
A arquitetura 800V é o detalhe técnico que mais importa para a utilização real. Permite carregamentos rápidos a potências altas — pensar em 200 kW ou mais — o que numa paragem de 15 minutos chega para recuperar autonomia para várias horas de estrada. Para quem faz Lisboa-Porto com regularidade, esta é a diferença entre parar uma vez ou andar a planear a viagem ao detalhe.
A escolha de células LFP (litio-ferro-fosfato) em vez das NMC mais comuns no segmento premium tem implicações concretas. As LFP custam menos a fabricar, duram mais ciclos de carga, são mais seguras em caso de impacto e suportam ser carregadas a 100% diariamente sem degradação acelerada. O custo é uma densidade energética ligeiramente inferior — daí o pacote maior, daí o carro com 5 metros. Para uso urbano e estradas portuguesas, a troca compensa.

A 20 de maio de 2026, dois dias antes da apresentação do Passion S, a Stellantis e a Dongfeng assinaram um memorando de entendimento para criar uma joint venture europeia. A estrutura é 51% Stellantis, 49% Dongfeng — exatamente o mesmo modelo usado com a Leapmotor. A JV vai cobrir vendas, distribuição, compras e engenharia para os veículos elétricos premium da Voyah na Europa.
E é aqui que entra Rennes. A fábrica da Stellantis na Bretanha já teve capacidade para 400.000 carros por ano. Hoje produz apenas o Citroën C5 Aircross numa única linha — ou seja, está subutilizada. Trazer a produção da Voyah para lá resolve dois problemas ao mesmo tempo: a Stellantis enche a fábrica, e os carros da Voyah deixam de pagar as tarifas que a União Europeia impôs aos elétricos importados da China.
"Com este novo capítulo na nossa colaboração, vamos dar aos nossos clientes uma escolha ainda maior de produtos competitivos e a preços competitivos." — Antonio Filosa, CEO da Stellantis
A frase do CEO da Stellantis vale a pena ler com atenção. "Preços competitivos" é a parte que interessa: produzir em França, sem tarifas, deve permitir colocar um Voyah no mercado europeu a um preço que faça frente aos rivais chineses e, sobretudo, aos europeus.
O Passion S é o lançamento mais mediático, mas dificilmente será o primeiro Voyah a chegar a Portugal pelas mãos da Stellantis. O candidato natural é o Voyah Courage, um SUV elétrico de duplo motor com 320 kW (429 cv), 0-100 km/h em 4,9 segundos e autonomia WLTP a rondar os 470 km. Já se vende em quantidades muito pequenas na Europa, e é o modelo com maturidade industrial para arrancar a produção em Rennes.
Para o comprador português isto traduz-se em algo concreto: dentro de 12 a 24 meses, é provável existir um SUV elétrico Voyah produzido em França, com rede de assistência Stellantis (a mesma que serve Peugeot, Citroën, Opel, Fiat) e preço alinhado com os elétricos europeus do mesmo segmento.
Esta é a pergunta que muitos vão fazer. A resposta honesta: ainda não há confirmação oficial. As entregas na China começam a meio de 2026, e o foco europeu inicial será no Courage. Mas se o JV funcionar, faz todo o sentido trazer o Passion S num segundo momento — é o produto mais espetacular da gama e o que melhor justifica o posicionamento premium.
Quanto ao preço, qualquer estimativa hoje é especulação. Na China, o Passion S deverá ficar entre os 270.000 e os 350.000 yuanes (cerca de 33.000 a 43.000 euros à taxa atual, sem impostos). Em Portugal, mesmo com ISV reduzido para elétricos, o tempo de transporte ou a montagem em Rennes, mais a margem do importador, devem colocá-lo seguramente acima dos 60.000 euros para a versão AWD de 637 cv. É um carro que vai competir diretamente com o Xiaomi YU7 GT (apresentado no mesmo dia na China) e, no nosso mercado, com modelos como o Tesla Model Y Performance ou o BYD Sealion 7.
Não há ainda data oficial. As entregas na China começam a meio de 2026 e o foco europeu inicial da joint venture Stellantis-Dongfeng será no Voyah Courage, que deverá ser o primeiro modelo Voyah produzido em Rennes. Uma chegada do Passion S a Portugal só fará sentido num segundo momento, num horizonte realista de 2027 ou mais tarde, dependendo do arranque da fábrica francesa.
Qualquer valor hoje é especulação, mas dá para enquadrar. Na China, o Passion S deverá custar entre 270.000 e 350.000 yuanes (cerca de 33.000 a 43.000 euros sem impostos). Em Portugal, mesmo com ISV reduzido para elétricos e produção em Rennes a evitar a tarifa de 35% da UE, a versão AWD de 637 cv deverá ficar seguramente acima dos 60.000 euros após margem de importador e IVA.
A Voyah ainda não divulgou o valor WLTP de autonomia, mas o Passion S usa uma bateria LFP com arquitetura elétrica de 800V, o que permite carregamentos rápidos a 200 kW ou mais — o suficiente para recuperar várias horas de autonomia numa paragem de cerca de 15 minutos. As células LFP suportam ainda ser carregadas a 100% diariamente sem degradação acelerada, ao contrário das NMC habituais no segmento premium.
A fábrica da Stellantis em Rennes já teve capacidade para 400.000 carros por ano e hoje produz apenas o Citroën C5 Aircross numa única linha, estando subutilizada. Produzir os Voyah na Bretanha resolve dois problemas: enche a fábrica francesa e evita a tarifa de 35% que a União Europeia aplica aos veículos elétricos importados da China. A joint venture, anunciada a 20 de maio de 2026, é controlada pela Stellantis (51%) e segue o mesmo modelo do acordo com a Leapmotor.
O candidato natural é o Voyah Courage, um SUV elétrico de duplo motor com 320 kW (429 cv), 0-100 km/h em 4,9 segundos e autonomia WLTP a rondar os 470 km. Já se vende em pequenas quantidades na Europa — Dongfeng e Voyah juntas venderam apenas 3.210 carros no continente em 2025 — e tem maturidade industrial para arrancar a produção em Rennes antes do mediático Passion S.
Três pontos. Primeiro, a Voyah é uma marca premium real, com volume na China e tecnologia competitiva — LiDAR Huawei, 800V, LFP e 637 cv não são compromissos. Segundo, o acordo com a Stellantis muda completamente a equação para a Europa: Rennes neutraliza as tarifas e dá acesso a uma rede de assistência consolidada. Terceiro, o primeiro modelo a chegar a Portugal não será o Passion S — será quase de certeza o Courage, e o calendário realista aponta para 2027.
Vale a pena ir acompanhando as comunicações da Stellantis nos próximos meses. Quando o MoU se transformar em acordo definitivo e Rennes confirmar a primeira linha Voyah, vamos saber exatamente quando — e por quanto — estes carros chegam ao nosso mercado.