
380 kW de pico num carregador Ionity e 10-80% em 17 minutos e 10 segundos. Foi este o número que saiu do ensaio do Volvo EX60 P10 AWD feito pela Automobile Propre entre as estradas dos Vosges e as autoestradas alemãs — e é ele que explica porque é que o duelo Volvo EX60 vs BMW iX3 passou a ser uma das escolhas mais difíceis no segmento dos SUV elétricos premium.
Durante anos, quem queria um SUV médio elétrico com emblema premium olhava primeiro para Munique e Estugarda. O EX60 muda essa ordem. Chega com mais potência do que o iX3 50 xDrive, carrega mais depressa do que o Mercedes GLC 400 e, em Portugal, custa menos do que ambos na versão equivalente. Não ganha em tudo, e há um ponto fraco que vale a pena conhecer antes de assinar.
O EX60 é o primeiro Volvo sobre a nova plataforma SPA3, que vai partilhar com o futuro Polestar 7. Três ideias estão por trás dela: megacasting (peças como o piso traseiro feitas numa única injeção de alumínio), bateria integrada diretamente na carroçaria (cell-to-body) e um computador central, o HuginCore, com processadores Nvidia e Qualcomm. No total, poupa cerca de 130 kg face a uma construção convencional.
Na prática, isto dá um SUV com 4,80 m de comprimento, 2,97 m de distância entre eixos e um Cx de 0,26 — mais próximo de uma carrinha elevada do que de um SUV quadrado. É produzido em Torslanda, na Suécia, desde abril de 2026.
Há três motorizações:
Todas estão limitadas a 180 km/h e todas trazem carregamento AC de 22 kW de série — o iX3 e o GLC ficam-se pelos 11 kW no equipamento base.
A Volvo anuncia 16 minutos para ir de 10% a 80% no P10. No carregador Alpitronic HYC400 da Ionity em Haut-Koenigsbourg, o cronómetro parou nos 17 minutos e 10 segundos. Um minuto a mais do que a promessa, mas com uma curva de carga que impressiona:
Para comparar, o BMW iX3 50 xDrive declara 21 minutos (com 400 kW de pico) e o Mercedes GLC 400 declara 22 minutos (330 kW). Numa viagem Lisboa-Algarve com paragem na A2, a diferença entre o Volvo e o Mercedes é um café a menos.

Há um senão português: postos acima de 300 kW ainda são raros na rede MOBI.E. O EX60 só mostra estes números em carregadores de alta potência, como os da Ionity nas autoestradas. Num posto de 150 kW, vai carregar como qualquer outro elétrico recente.
Os 660 km WLTP do P10 são o número de catálogo. Os ensaios dizem outra coisa, e dizem-no em três cenários diferentes.
A 180 km/h numa autobahn sem limite, o EX60 P10 gastou 36 kWh/100 km. É um valor que nenhum condutor português vai reproduzir legalmente, mas mostra que a aerodinâmica funciona: com 91 kWh úteis, mesmo a esse ritmo o carro faz perto de 250 km.
No regresso, a combinar autoestrada, estradas secundárias e cidade, o consumo desceu para 16,2 kWh/100 km — praticamente em linha com os 15,7 kWh/100 km homologados. A L'argus, noutro ensaio, registou 16,8 kWh/100 km em percurso misto, o que aponta para cerca de 500 km de autonomia real.
A Auto Express, no Reino Unido, levou os três carros ao mesmo percurso. Resultado da autonomia medida:
| Modelo | Autonomia WLTP | Autonomia no teste |
|---|---|---|
| BMW iX3 50 xDrive | 805 km | cerca de 629 km (391 milhas) |
| Mercedes GLC 400 4MATIC | 713 km | cerca de 544 km (338 milhas) |
| Volvo EX60 P10 AWD | 660 km | cerca de 518 km (322 milhas) |
Aqui o Volvo fica em último. A bateria mais pequena do que a do BMW (91 contra 108,7 kWh úteis) pesa, e a eficiência medida foi ligeiramente inferior à dos rivais. Ainda assim, 500 km reais chegam para um Lisboa-Porto de ida e volta com folga para desvios, e o carregamento rápido compensa parte da diferença em viagens longas.
| Volvo EX60 P10 AWD | BMW iX3 50 xDrive | Mercedes GLC 400 | Audi Q6 e-tron | |
|---|---|---|---|---|
| Potência | 510 cv | 469 cv | 489 cv | 428 cv |
| 0-100 km/h | 4,6 s | 4,9 s | 4,3 s | 5,4 s |
| Bateria | 95 kWh | 108,7 kWh | 94 kWh | 100 kWh |
| Autonomia WLTP | 660 km | 805 km | 713 km | 652 km |
| Consumo WLTP | 15,7 kWh/100 km | 15,1 kWh/100 km | 14,9 kWh/100 km | 16,6 kWh/100 km |
| Carregamento DC | 370 kW | 400 kW | 330 kW | 270 kW |
| 10-80% (oficial) | 16 min | 21 min | 22 min | 22 min |
| Carregamento AC | 22 kW | 11 kW | 11 kW | 11 kW |
| Bagageira / frunk | 523 L / 58 L | 520 L / 58 L | 570 L / 128 L | 526 L / 64 L |
| Peso | 2.350 kg | 2.360 kg | 2.535 kg | 2.425 kg |
| Reboque | 2.400 kg | 2.000 kg | 2.400 kg | 2.400 kg |
Fonte: Automobile Propre. Bateria indicada em capacidade bruta para o Volvo.
O retrato é claro. O BMW ganha em autonomia e eficiência, o Mercedes em espaço de carga (128 L de frunk fazem diferença), e o Volvo ganha em potência, velocidade de carregamento e no AC de 22 kW — útil para quem carrega em postos AC públicos ou tem uma wallbox trifásica em casa.
Em Portugal, o EX60 começa nos 62.299€ para o P6 RWD. As versões com acabamentos Plus e Ultra ficam assim:
| Versão | Plus | Ultra |
|---|---|---|
| P6 RWD | 67.906€ | 74.917€ |
| P10 AWD | 70.981€ | 77.992€ |
| P12 AWD | 77.131€ | 84.142€ |
Do lado alemão, o BMW iX3 arranca perto dos 64.500€ no iX3 40 e sobe para cerca de 72.900€ no iX3 50 xDrive. O Mercedes GLC 400 elétrico deverá situar-se entre os 75.000€ e os 80.000€.
Posto lado a lado, o EX60 P10 Plus custa cerca de 2.000€ menos do que o iX3 50 xDrive e, face à estimativa do GLC 400, a diferença pode passar os 4.000€ — com mais potência do que ambos. A vantagem desaparece se olharmos para autonomia por euro: o BMW continua a dar mais quilómetros pelo dinheiro.
Todos beneficiam do mesmo enquadramento fiscal para elétricos: isenção de ISV e de IUC.
Para empresas e trabalhadores independentes, o P6 de entrada fica em 50.650€ + IVA. É um número que conta: abaixo do limite de 62.500€ que o fisco usa para os elétricos de empresa, o que tem impacto na dedução do IVA e na tributação autónoma. As versões mais caras podem ultrapassar esse limiar, por isso convém confirmar as contas com o contabilista antes de escolher o acabamento.
O conforto é o trunfo mais citado. A Auto Express colocou o EX60 entre a agilidade do BMW e o rolamento suave do Mercedes, mais perto deste último. A Automobile Propre destacou o isolamento acústico, sem ruído de vento nem de rolamento em autoestrada. O sistema de som Bose de 21 altifalantes vem de série.
O problema está no habitáculo digital. Espelhos, orientação das saídas de ar e níveis de regeneração ajustam-se pelo ecrã central de 15 polegadas. Não há patilhas para a regeneração e quase não há botões físicos. A L'argus resumiu bem: esta aposta no digital, oposta ao pragmatismo tradicional da Volvo, "não vai agradar a todos". O assistente Google Gemini ajuda, mas não substitui um botão quando se está a conduzir.

Também há menos espaço para as pernas atrás do que no iX3, segundo a Auto Express. No veredicto final, o britânico colocou o BMW em primeiro, o Volvo em segundo e o Mercedes em terceiro — descrevendo o EX60 como "um pacote apelativo que merece ter sucesso".
A garantia em França é de 3 anos ou 100.000 km para o carro e 8 anos ou 160.000 km para a bateria. As condições portuguesas ainda devem ser confirmadas no concessionário.
Na maioria das versões, sim. Em Portugal, o EX60 P6 RWD arranca nos 62.299€, abaixo dos cerca de 64.500€ do BMW iX3 40, e o EX60 P10 AWD Plus (70.981€, 510 cv) custa perto de 2.000€ menos do que o iX3 50 xDrive (cerca de 72.900€, 469 cv). O Mercedes GLC 400 elétrico deverá ficar entre 75.000€ e 80.000€, o que deixa o Volvo mais de 4.000€ abaixo. Os três estão isentos de ISV e IUC.
Num carregador rápido de alta potência, o EX60 P10 foi de 10% a 80% em 17 minutos e 10 segundos num posto Ionity, com um pico de 380 kW e uma média de 245 kW. Em corrente alternada, o carregador de bordo de 22 kW vem de série, o dobro dos 11 kW de base do iX3 e do GLC: numa wallbox trifásica de 22 kW, a bateria de 91 kWh úteis enche-se de raiz em cerca de 4 a 5 horas. Em postos DC de 150 kW, mais comuns na rede MOBI.E, os tempos serão bem mais longos do que no teste.
Depende muito da velocidade. A 180 km/h numa autobahn alemã, o EX60 P10 gastou 36 kWh/100 km, o que dá perto de 250 km com os 91 kWh úteis. Em uso misto, os ensaios registaram 16,2 a 16,8 kWh/100 km, ou seja, cerca de 500 a 520 km reais, face aos 660 km WLTP. Aos 120 km/h das autoestradas portuguesas, é de esperar um valor entre estes dois extremos, mais próximo dos 400 km.
O EX60 P6 RWD custa 50.650€ + IVA para empresas e trabalhadores independentes. Sem IVA, o P6 Plus fica em cerca de 55.200€ e o P10 Plus em cerca de 57.700€, ainda abaixo do limiar de 62.500€ usado no regime fiscal dos elétricos de empresa. Já o P10 Ultra (cerca de 63.400€ + IVA) e as versões P12 ultrapassam esse valor, com impacto na dedução do IVA e na tributação autónoma, pelo que convém validar as contas com o contabilista.
As encomendas do EX60 Cross Country deverão abrir por volta do segundo trimestre de 2027. Terá por base o P10 AWD, com 640 km de autonomia WLTP (menos 20 km do que o P10 normal) e altura ao solo aumentada. Até lá, as primeiras entregas em Portugal são das versões P6 e P10, a partir do verão de 2026, com o P12 de 680 cv a chegar mais tarde.
Para a maioria dos condutores portugueses, o P6 faz mais sentido do que parece. Com 374 cv, 620 km WLTP e o preço mais baixo da gama, é também a versão que a L'argus elogiou pela suspensão e pelo comportamento — a tração traseira e o menor peso tornam-no mais ágil do que o P10.
O P10 justifica-se para quem precisa de tração integral, reboca com frequência (até 2.400 kg) ou faz muitas viagens longas e quer aproveitar os 370 kW de carregamento. Os 3.075€ de diferença entre o P6 Plus e o P10 Plus são razoáveis pelo que se ganha, mas não são obrigatórios.
Quem quer o visual mais aventureiro terá de esperar: o EX60 Cross Country, com 640 km WLTP e altura ao solo aumentada, só deverá abrir encomendas por volta do segundo trimestre de 2027.
Se a autonomia máxima e a eficiência são a prioridade, o iX3 continua a ser a referência. Mas quem valoriza conforto, carregamento rápido e um preço mais contido tem agora no Volvo EX60 uma alternativa séria aos alemães — com as primeiras entregas em Portugal a acontecerem já este ano para o P6 e o P10. Vale a pena marcar um test drive e passar dez minutos só a mexer nos menus antes de decidir.