Volvo EX40 e EC40 2027: O Que Muda, Autonomia e Preços em Portugal

Publicado: 10/09/2026
Volvo EX40 e EC40 2027: O Que Muda no Facelift Elétrico

O que muda no Volvo EX40 e EC40 de 2027

Nove anos depois de o XC40 ter estreado a plataforma CMA, a Volvo decidiu que ainda não é altura de a reformar. A 10 de setembro de 2026 a marca anunciou a renovação simultânea do XC40, do EX40 e do EC40 para o model year 2027, e a lista de alterações é clara: muda a cara, muda o ecrã, muda a eletrónica de segurança. Baterias e motores ficam exatamente como estavam.

É uma escolha defensável. O sistema elétrico destes dois SUV já tinha recebido uma revisão profunda em 2024 — passou a tração traseira, ganhou baterias maiores — e continua competitivo. O que estava a envelhecer era o interior, com um ecrã de 9 polegadas que já parecia pequeno ao lado do EX30.

Um rosto novo — e uma traseira que só o EX40 recebe

À frente, tudo é novo: capô, guarda-lamas dianteiros, para-choques inferior e uma grelha totalmente fechada, mais tapada do que a do XC40 térmico porque um elétrico precisa de menos arrefecimento. Os faróis Matrix LED "Thor's Hammer" foram redesenhados com 15 segmentos, pensados para um feixe largo e comprido.

Atrás, a história divide-se. O EX40 recebe luzes LED novas, porta da bagageira e para-choques redesenhados. O EC40 mantém a traseira em coupé exatamente como estava — é a diferença mais visível entre os dois modelos depois deste facelift.

O designer de exteriores Alain Snoodijk resume a intenção sem rodeios: "A silhueta é a mesma, as proporções são as mesmas. Tentámos proteger e manter a postura que o carro tem." Quem esperava um redesenho radical vai ficar desiludido. Quem gosta da forma atual, nem vai reparar que passou por cirurgia.

Volvo EX40 2027 visto de três quartos à frente, com os novos faróis Matrix LED Thor's Hammer e grelha fechada
A frente é a parte mais alterada: capô, guarda-lamas, para-choques e faróis são todos novos.

Ecrã de 11,2 polegadas e Google Gemini a bordo

A mudança que mais se vai notar no dia a dia está no centro do tablier. O ecrã cresce de 9 para 11,2 polegadas, em formato tablet, e corre a versão mais recente do sistema operativo da Volvo — o mesmo que equipa os modelos mais novos da marca, com menos toques necessários para chegar às funções essenciais.

A novidade tecnológica é o Google Gemini como assistente de voz. Em vez de comandos rígidos, permite conversa natural: planear uma viagem, encontrar uma paragem de carregamento a meio do caminho, tratar de mensagens sem tirar as mãos do volante. Para quem faz Lisboa–Porto com regularidade, um assistente que percebe "encontra-me um carregador rápido antes de Coimbra" vale mais do que qualquer atualização estética.

O resto do interior recebe retoques: carregador sem fios atualizado, nova iluminação ambiente, novos estofos e decorações — pele Arianne Cardamom com madeira Brown Ash, ou alternativas em Black Ash e alumínio. Detalhe honesto: nem tudo o que o XC40 ganhou passa para o EX40. Algumas jantes e materiais de interior ficam exclusivos do térmico, e o carregador sem fios do EX40 não muda de sítio como no XC40. As atualizações over-the-air continuam a chegar com regularidade.

Segurança: 12 novos sensores e o alerta de abertura de porta

Esta é a parte menos glamorosa e provavelmente a mais valiosa. A Volvo trocou toda a plataforma de sensores: radares dianteiro, de canto e traseiros de canto, câmara frontal nova, 12 novos sensores ultrassónicos, câmaras de estacionamento novas e um computador de segurança com mais capacidade de cálculo.

O que isso permite:

  • Door Opening Alert — avisa antes de abrir a porta se vier um ciclista ou trânsito a passar. Numa cidade como Lisboa, onde as ciclovias correm coladas a lugares de estacionamento, é uma função com utilidade real.
  • Pilot Assist com mudança de faixa automática e um seguimento de estrada mais suave.
  • Câmara 360° com vista 3D, opcional, para manobras e estacionamento apertado.
  • Travagem de emergência automática com correção de direção e mitigação de colisão.

Autonomia e carregamento: 575 km no EX40, 584 km no EC40

Os valores WLTP anunciados são de até 575 km no EX40 e até 584 km no EC40 — números preliminares, com a homologação ainda por fechar. A diferença entre os dois vem da carroçaria: o perfil coupé do EC40 corta mais ar e traduz-se em consumos ligeiramente mais baixos.

A nomenclatura também mudou. Onde antes se lia Single Motor e Twin Motor, agora lê-se P5 e P8, à imagem do resto da gama elétrica Volvo.

VersãoP5P5 Long RangeP8 AWDP8 Performance
TraçãoTraseiraTraseiraIntegralIntegral
Potência175 kW / 238 cv185 kW / 252 cv300 kW / 408 cv325 kW / 442 cv
Binário420 Nm420 Nm670 Nm670 Nm
Bateria nominal / útil69 / 66 kWh82 / 79 kWh82 / 79 kWh82 / 79 kWh
Carregamento DC máx.135 kW205 kW205 kW205 kW
10–80%33 min28 min28 min28 min
0–100 km/h7,3 s7,3 s4,7 s4,6 s
Autonomia EC40 (WLTP)445–482 km540–576 km510–547 km510–542 km
Consumo EX4018,3–17,2 kWh/100 km18,4–16,719,4–17,719,4–18,0
Peso em vazio1.977 kg2.021 kg2.110 kg2.110 kg

O ponto prático: só as versões de 82 kWh chegam aos 205 kW em corrente contínua, com 10–80% em 28 minutos num posto de 200 kW e a bateria entre 20 e 35 °C. A versão de entrada, com 69 kWh, fica-se pelos 135 kW e 33 minutos. Numa viagem Lisboa–Algarve, isso é a diferença entre uma pausa de café e uma pausa de almoço. O carregador de bordo é trifásico de 11 kW, com tomada Type 2/CCS — compatível com a esmagadora maioria da rede Mobi.E. A bateria tem garantia de 8 anos ou 160.000 km.

Velocidade máxima limitada a 180 km/h em toda a gama, como em todos os Volvo desde 2020. Capacidade de reboque travado: 1.500 kg nas versões de tração traseira, 1.800 kg nas integrais.

Espaço: 410 litros no EX40, 404 no EC40

As dimensões não mudam. Ambos medem 4.440 mm de comprimento com 2.702 mm entre eixos, e a largura é de 2.034 mm com espelhos abertos (1.938 recolhidos). A bagageira do EX40 leva 410 litros até à linha das vidraças e 1.400 litros com os bancos rebatidos até ao tejadilho; o EC40, penalizado pela linha de tejadilho descendente, fica-se por 404 e 1.310 litros. Ambos têm ainda um frunk de 31 litros à frente — suficiente para os cabos de carregamento e pouco mais.

Interior do Volvo EX40 com o novo ecrã central de 11,2 polegadas em formato tablet
O ecrã sobe de 9 para 11,2 polegadas e passa a integrar o Google Gemini.

Preços: o que se sabe e o que ainda falta

Aqui é preciso ser direto. À data deste artigo, a Volvo Portugal ainda não publicou a tabela de preços do model year 2027. As encomendas já abriram em mercados selecionados — incluindo as versões Black Edition — e a produção arranca no outono de 2026 em Ghent, na Bélgica, mas a lista portuguesa com os valores do facelift ainda não está disponível.

O que existe é a tabela oficial do Reino Unido para o MY27, que serve de referência de posicionamento e não de conversão: o EX40 arranca em £43.860 OTR na versão Core Single Motor Extended Range e sobe até £58.110 no topo Ultra Black Edition Twin Motor Performance; o EC40 começa mais acima, em £46.860. Não converta estes valores para euros — a fiscalidade britânica e a portuguesa não têm nada em comum.

Para o mercado português, o ponto de referência útil continua a ser a gama atualmente em comercialização, que se posiciona sensivelmente a partir dos 50.000 € e ultrapassa os 57.000 € nas versões Black Edition mais equipadas. É um intervalo indicativo do modelo em fim de ciclo, não um preço confirmado do MY27 — confirme sempre junto de um concessionário Volvo antes de decidir.

A favor do comprador português joga a fiscalidade: sendo 100% elétricos, EX40 e EC40 estão isentos de ISV e pagam IUC reduzido, o que aproxima o custo total de propriedade de rivais térmicos que na tabela parecem bem mais baratos.

Perguntas Frequentes

A Volvo Portugal ainda não publicou a tabela de preços do model year 2027, pelo que não existe um preço português confirmado para a versão renovada. A referência disponível é a lista oficial do Reino Unido, onde o EX40 MY27 arranca em £43.860 OTR e chega a £58.110 no topo de gama, e o EC40 começa em £46.860 — valores que não devem ser convertidos para euros, porque a fiscalidade é diferente. Como indicação de posicionamento, a gama atualmente em comercialização em Portugal situa-se sensivelmente a partir dos 50.000 €. Confirme sempre junto de um concessionário Volvo antes de decidir.

Partilham plataforma CMA, baterias, motores e todo o interior renovado, incluindo o ecrã de 11,2 polegadas. A diferença está na carroçaria: o EX40 é o SUV clássico e, neste facelift, recebe novas luzes traseiras LED, nova porta da bagageira e novo para-choques traseiro; o EC40 mantém a traseira em coupé inalterada. Isso reflete-se no espaço — 410 litros de bagageira no EX40 contra 404 no EC40, e 1.400 contra 1.310 litros com os bancos rebatidos. Em contrapartida, o perfil mais aerodinâmico dá ao EC40 até 584 km WLTP, contra 575 km do EX40.

Nas versões com bateria de 82 kWh (79 kWh úteis), o pico de carregamento rápido é de 205 kW e a Volvo indica 28 minutos de 10% a 80%, com a bateria entre 20 e 35 °C. A versão de entrada, com 69 kWh (66 úteis), está limitada a 135 kW e precisa de cerca de 33 minutos para o mesmo intervalo. Em corrente alternada, o carregador de bordo trifásico é de 11 kW, adequado a carregamento noturno em casa ou no trabalho. A bateria tem garantia de 8 anos ou 160.000 km.

A nova nomenclatura substitui os antigos Single Motor e Twin Motor. O P5 é de tração traseira, com 175 kW (238 cv) na bateria de 69 kWh ou 185 kW (252 cv) na de 82 kWh, faz 0-100 km/h em 7,3 segundos e é a escolha de autonomia máxima, com os tais 575 km no EX40. O P8 tem tração integral e 300 kW (408 cv), ou 325 kW (442 cv) na variante Performance, baixando o 0-100 km/h para 4,7 e 4,6 segundos. O preço a pagar é autonomia e peso: o P8 pesa 2.110 kg contra 2.021 kg do P5 Long Range. Para uso maioritariamente português, o P5 Long Range é o equilíbrio mais racional.

A plataforma CMA tem nove anos e sabe-se que a próxima geração deverá migrar para a SPA3, a mesma do EX60 — mas essa mudança só é esperada para 2028 ou mais tarde. Quem precisa de carro agora tem, com o facelift MY27, o interior e o software que faltavam a este modelo, mantendo autonomias acima dos 500 km e 205 kW de carregamento. Se o orçamento chegar bastante acima dos 65.000 €, o EX60 oferece já uma arquitetura de carregamento muito mais rápida; se for mais contido, o EX30 é a alternativa por baixo. Sendo 100% elétricos, EX40 e EC40 continuam isentos de ISV e com IUC reduzido.

EX40, EC40, EX30 ou esperar pelo EX60?

A gama elétrica da Volvo ficou densa e vale a pena situar estes dois modelos.

Por baixo está o EX30, mais pequeno, mais barato e sobre plataforma diferente — a escolha lógica para quem faz sobretudo cidade e não precisa dos 410 litros de bagageira.

Por cima chegou já em 2026 o EX60, sobre a nova plataforma SPA3 com megacasting, arquitetura de carregamento muito mais rápida e preços que arrancam bastante acima dos 65.000 €. É outro patamar de produto e de orçamento.

No meio ficam o EX40 e o EC40, com uma plataforma de nove anos mas com o essencial resolvido: 575–584 km de autonomia homologada, 205 kW de carregamento nas versões de 82 kWh e agora o interior atualizado que lhes faltava. Sabe-se que a próxima geração deverá migrar para SPA3 — mas isso é uma história para 2028 ou mais tarde.

Quem quiser um SUV elétrico premium de dimensão contida, com rede de assistência sólida em Portugal e valores de autonomia acima dos 500 km, tem agora uma versão claramente melhor do mesmo carro. A pergunta que fica por responder é quanto vai custar aqui — e essa resposta chega com a tabela portuguesa do MY27, que vale a pena acompanhar nas próximas semanas.