
165 kW de pico no carregamento rápido — menos do que o ID.4 atual consegue. É o dado mais inesperado da ficha técnica do Volkswagen ID. Tiguan, que a marca confirmou a 28 de setembro ao mesmo tempo que deixou vários jornalistas europeus conduzir protótipos camuflados nos arredores de Viena. O nome deixou de ser especulação: o ID. Tiguan substitui oficialmente o ID.4 e o ID.5 num único modelo, com apresentação mundial em outubro de 2026 (a AutoScout24 aponta para 9 de outubro) e chegada ao mercado no início de 2027.
Para quem está a pensar num SUV elétrico familiar em Portugal, há finalmente números concretos para comparar. Três versões, duas baterias com químicas diferentes, autonomias entre 450 e 600 km WLTP e uma série de melhorias práticas que respondem às queixas mais comuns dos donos do ID.4. O preço é a única peça que continua em falta.
A base continua a ser a plataforma MEB, agora na evolução MEB+. Mas não se trata de um simples restyling: segundo a Volkswagen, todos os painéis da carroçaria são novos à exceção do tejadilho. O comprimento ronda os 4,58 m, e o estilo aproxima-se do Tiguan a combustão — mais quadrado, com puxadores de porta clássicos e faixas de luz a toda a largura à frente e atrás.
| Versão | Tração | Potência | Bateria | Autonomia WLTP (est.) | 0–100 km/h | Vel. máxima |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Entrada | Traseira | 140 kW / 190 cv | 58 kWh LFP | ~450 km | 8,5 s | 160 km/h |
| Intermédia | Traseira | 210 kW / 286 cv | 77 kWh NMC | ~600 km | 6,6 s | 180 km/h |
| Topo | Integral (2 motores) | 220 kW / 299 cv | 77 kWh NMC | ~560 km | 6,3 s | 180 km/h |
A versão intermédia usa o motor APP550, com 550 Nm, que já conhecemos de outros modelos do grupo. Os níveis de equipamento serão Trend, Life, Style e R-Line: a bateria de 58 kWh fica disponível em Trend, Life e Style, enquanto a de 77 kWh é de série no R-Line e opcional no Life e no Style.
Os valores WLTP ainda são estimativas da marca — a homologação final chega com a apresentação. Mesmo assim, o quadro é claro: cerca de 450 km para a versão de entrada, 600 km para a de tração traseira com 77 kWh e 560 km para a de tração integral.
E na prática? No teste da ADAC, com um protótipo R-Line de tração integral, o consumo registado foi de 17,7 kWh/100 km. Aplicado aos 77 kWh, isso dá qualquer coisa como 430 km reais com a bateria cheia. Chega para um Lisboa-Porto (cerca de 310 km) sem paragens e ainda com margem. Em autoestrada a 120 km/h e no inverno, conte com menos.
A bateria LFP de 58 kWh é a novidade da gama. Este tipo de química tolera melhor cargas frequentes até 100% e tende a envelhecer bem, o que a torna uma escolha lógica para quem faz sobretudo cidade e periferia e carrega em casa todas as noites. O custo é a autonomia e o carregamento rápido mais lento.
A NMC de 77 kWh faz mais sentido para quem viaja regularmente pelo país. Mais 150 km de autonomia WLTP e um pico de carregamento muito superior mudam a forma como se planeia uma viagem ao Algarve ou a Trás-os-Montes.
Este é o ponto que vai gerar mais discussão. Na bateria de 77 kWh, o pico de carregamento DC desce de 183 kW no ID.4 atual para 165 kW no ID. Tiguan. A bateria LFP de 58 kWh fica pelos 105 kW.
A explicação da Volkswagen, detalhada pela Elektroauto-News, é dupla: regras de homologação mais exigentes para a durabilidade das baterias e a preferência por um patamar mais longo acima dos 100 kW, em vez de um pico alto que cai depressa. O resultado nos tempos reais não é mau:
Traduzindo: numa paragem de meia hora num posto rápido da rede MOBI.E, a versão de 77 kWh repõe cerca de 54 kWh — perto de 300 km ao ritmo de consumo medido pela ADAC. A AutoScout24 aponta, com razão, que isto fica atrás de rivais com arquitetura de 800 V como o Hyundai IONIQ 5. Para uma família que faz duas ou três viagens longas por ano, a diferença pesa pouco. Para quem vive na autoestrada, pesa mais.
Todos os jornalistas que conduziram os protótipos concordam num ponto: o ID. Tiguan é mais silencioso, mais confortável e mais bem acabado do que o ID.4. A Electrifying descreveu-o como "mais adulto". A ADAC falou num refinamento quase "à Rolls-Royce" no silêncio de marcha.

A cabine recebe o volante do ID. Polo, com comandos hápticos revistos, e um painel de botões dedicado à climatização por cima da consola central. Depois de anos de queixas sobre os comandos táteis do ID.4, a Volkswagen volta a botões e manípulos. A qualidade dos materiais também sobe, segundo todos os testes.
As melhorias práticas são talvez as mais relevantes para quem usa o carro no dia a dia:
O teste mais longo, da Elektroauto-News, durou cerca de uma hora em cidade, periferia e autoestrada, num Style de 210 kW com bateria de 77 kWh. A suspensão filtra muito melhor empedrados e juntas de dilatação do que no ID.4, e a direção progressiva é leve em manobras. O motor APP550 empurra com vontade desde parado, embora a aceleração acima dos 80 km/h seja menos marcante. Ponto negativo: com jantes de 21 polegadas, ouve-se o ruído de rolamento em pisos degradados — algo a ter em conta nas nossas estradas secundárias.
A AutoScout24 destacou ainda a suspensão opcional DCC Pro e o conforto em viagens longas. A mensagem da Volkswagen é clara: o ID. Tiguan não quer ganhar ao Tesla Model Y em eficiência ou velocidade de carregamento, mas sim em afinação de suspensão, qualidade percebida e rede de assistência.
Preço oficial? Ainda não existe, nem na Alemanha nem em Portugal. Os valores que circulam são estimativas da imprensa especializada e devem ser lidos como tal:
Fazendo as contas para cá, partindo da estimativa alemã: 45.000€ com IVA a 19% correspondem a cerca de 37.800€ sem imposto. Com o IVA português de 23%, chegaríamos perto dos 46.500€ para a versão de entrada. É uma aproximação grosseira — a Volkswagen ajusta preços e equipamento por mercado — mas dá uma ordem de grandeza. As versões de 77 kWh deverão ficar bem acima.
A favor do comprador português: como elétrico, o ID. Tiguan está isento de ISV e de IUC, e para empresas mantém as vantagens fiscais habituais dos elétricos em sede de tributação autónoma e dedução de IVA (dentro dos limites legais). Os preços oficiais devem chegar com a apresentação mundial em outubro.
Ainda não há preço oficial, pelo que qualquer valor é apenas uma estimativa. Partindo da estimativa alemã da AutoScout24 (base abaixo de 45.000€) e ajustando o IVA de 19% para 23%, a versão de entrada com bateria de 58 kWh poderá rondar os 46.500€ em Portugal, com as versões de 77 kWh bem acima. Por ser elétrico, fica isento de ISV e IUC, e os preços oficiais para Portugal deverão ser conhecidos após a apresentação mundial em outubro de 2026.
A Volkswagen estima cerca de 450 km WLTP para a versão de 58 kWh LFP, mas em uso real o valor será inferior. Com o consumo de 17,7 kWh/100 km medido pela ADAC num protótipo de tração integral, 58 kWh dariam cerca de 330 km, uma referência conservadora, já que a versão de entrada tem tração traseira e menos potência. Em autoestrada a 120 km/h e no inverno, conte com menos.
Num posto rápido DC, a versão de 58 kWh (pico de 105 kW) carrega de 10 a 80% em cerca de 26 minutos e a de 77 kWh (pico de 165 kW, abaixo dos 183 kW do ID.4) em cerca de 29 minutos. Em corrente alternada, ambas aceitam 11 kW, o que significa 8 a 12 horas para uma carga completa da bateria de 77 kWh numa wallbox doméstica, consoante a potência da instalação.
Depende do uso: o ID. Tiguan traz reboque até 2 toneladas, V2L, modo one-pedal e botões físicos, mas só chega no início de 2027 e ainda sem preço confirmado. Um ID.4 usado com bateria de 77 kWh mantém um pico de carregamento de 183 kW, superior aos 165 kW do novo modelo. Com a chegada do sucessor, é de esperar mais ID.4 e ID.5 retomados em 2027, o que tende a pressionar os preços dos usados em baixa.
O ID. Tiguan reboca até 1,8 toneladas com a bateria de 58 kWh e até 2,0 toneladas com a de 77 kWh, e o peso admitido sobre a bola sobe de 75 kg no ID.4 para 90 kg, o suficiente para um suporte com duas bicicletas elétricas. Estreia também a função V2L para alimentar equipamentos externos a partir da bateria, e suporta carregamento bidirecional (V2G) desde o software 3.5.
O ID. Tiguan vai disputar compradores com o Skoda Enyaq, o Audi Q4 e-tron, o Tesla Model Y, o Hyundai IONIQ 5, o Opel Grandland Electric e o Volvo EX60. Face ao Enyaq, com quem partilha a base, deverá diferenciar-se pelo conforto e pelo interior; face ao Model Y, perde no carregamento mas ganha nos comandos físicos e na rede de concessionários.
A chegada do ID. Tiguan no início de 2027 também mexe com o mercado de usados. É de esperar mais ID.4 e ID.5 retomados nos concessionários ao longo de 2027, o que tende a pressionar os preços em baixa. Para quem não precisa de reboque de 2 toneladas nem de one-pedal, um ID.4 usado com bateria de 77 kWh — e com os seus 183 kW de pico — pode ser um negócio interessante nos próximos meses.
Quem quer o ID. Tiguan novo deve esperar pelo anúncio de outubro: é aí que se saberá o preço real para Portugal, a gama exata no nosso mercado e os valores WLTP homologados. Até lá, a ficha técnica já permite escolher a bateria certa — LFP para a cidade, NMC para a estrada.