
Depois de 27 milhões de unidades vendidas em sete décadas, a Hilux nunca tinha tido uma versão 100% elétrica. Agora tem. A nona geração trouxe a Toyota Hilux elétrico Portugal vai poder encomendar a partir de setembro de 2026, e é a primeira pick-up midsize de produção em série a abandonar o gasóleo por completo. As encomendas já abriram no Reino Unido e na Austrália, e o preço português ainda não foi confirmado — mas há muito que já sabemos.
A grande questão para quem trabalha com uma pick-up não é se é elétrica. É se aguenta o serviço. Vamos aos números.
A Hilux elétrica usa dois motores, um em cada eixo, com tração integral permanente AWD através de dual e-Axle. O motor dianteiro debita 80 kW e 205 Nm, o traseiro 128 kW e 268 Nm. Combinados, são 208 kW (278 cv) e 473 Nm de binário — disponível desde o arranque, como em qualquer elétrico.
Vale a pena um aviso aqui. As fontes britânicas (Auto Express, Electrifying) citam 193 cv em vez dos 278 cv, provavelmente por usarem um critério de medição diferente. Seja qual for o número oficial que a Toyota.pt acabar por publicar, o binário instantâneo nos dois eixos é o que conta em piso difícil — e isso não muda.
A construção mantém o chassis em escada (body-on-frame), com um novo subchassis dedicado à bateria que isola as células dos esforços de torção. Não é um SUV disfarçado de pick-up. É uma Hilux a sério, agora elétrica.

Aqui está o ponto fraco, e não vamos fingir o contrário. A bateria é de 59,2 kWh, lítio refrigerada a água. A autonomia WLTP ronda os 257 km (160 milhas), subindo até 380 km em ciclo urbano. A Toyota, no anúncio oficial de novembro de 2025, citou um valor mais conservador de cerca de 240 km.
A imprensa especializada britânica foi direta: 59,2 kWh é "uma bateria pequenina" para uma pick-up. E tem razão se a ideia for fazer Lisboa-Algarve sem parar. A autonomia real no inverno, com a carga atrás e o ar condicionado ligado, vai ficar abaixo dos 240 km.
Mas é aí que importa perceber para que serve esta carrinha. A Hilux elétrica foi pensada para uso comercial de curta distância, daqueles em que a viatura volta sempre à mesma base ao fim do dia. Para uma frota municipal, uma obra, uma quinta ou uma empresa de serviços que circula numa região — 240 km chegam e sobram, e a carga noturna resolve o resto.
No carregamento rápido DC, em corrente contínua via CCS2 a 125 kW, a Hilux vai de 10 a 80% em cerca de 30 minutos. Em casa ou na base, numa wallbox de 10 kW, uma carga completa de 10 a 100% leva cerca de 6,5 horas — ou seja, uma noite. Para o padrão "sai de manhã cheia, volta à tarde, carrega à noite", o tempo de carregamento não é problema.
Não há como adoçar isto: a versão elétrica carrega e reboca menos do que a diesel.
| Capacidade | Hilux elétrica (BEV) | Hilux diesel 48V |
|---|---|---|
| Carga útil (payload) | 715 kg | 1.000 kg |
| Reboque | 1.600 kg | 3.500 kg |
| Autonomia | ~257 km WLTP | centenas de km |
A capacidade de carga de 715 kg e o reboque de 1.600 kg (1.500 kg segundo uma fonte) ficam claramente atrás do mild-hybrid diesel 48V, que mantém os 1.000 kg de carga e os 3.500 kg de reboque. Para quem reboca atrelados pesados ou anda sempre carregado ao máximo, a diesel continua a ser a escolha óbvia — e é por isso que a Toyota a aponta como a versão de maior volume na Europa Ocidental.
A elétrica é para outro tipo de utilizador. E há mais a favor dela do que estes números deixam ver.
A parte boa: em terreno difícil, a Hilux BEV mantém as credenciais. São 212 mm de altura ao solo, 700 mm de profundidade de vadeação — igual ao modelo a combustão — e ângulos de ataque, saída e ventral de 29°, 24° e 20°.
O sistema Multi-Terrain Select tem cinco modos (Rock, Sand, Mud, Dirt, Mogul) que gerem binário e travagem por roda conforme o piso. Com binário instantâneo nos dois eixos, uma pick-up elétrica tem até vantagens em rastejar por lama ou rocha, onde a dosagem fina de potência conta mais do que a potência bruta.
Por dentro, a Hilux elétrica sobe de nível. O volante e boa parte do desenho da cabina vêm do novo Land Cruiser. Nas versões de topo há um ecrã central de 12,3 polegadas e instrumentação digital de 12,3 polegadas; nas de entrada, o ecrã desce para 9 polegadas. É a primeira Hilux com direção assistida elétrica na Europa Ocidental.
Para frotas, o trunfo é a gestão MyToyota: um gestor pode monitorizar até 10 viaturas em simultâneo — localização, estado de carga da bateria, análise de condução. Junta-se o pacote de segurança T-Mate de 3.ª geração, com assistência à condução, travagem de emergência que deteta peões e ciclistas, e câmara de monitorização do condutor.
E há um detalhe que tranquiliza quem teme a degradação da bateria num veículo de trabalho: o Battery Care Program garante pelo menos 70% da capacidade durante 10 anos ou 1 milhão de quilómetros.
O preço português ainda não está confirmado. O que temos são as referências de outros mercados. No Reino Unido, a BEV vai de £57.845 (Icon) a £60.695 (Invincible), com direito a um subsídio de £5.000 para viaturas comerciais. Em Espanha, a pré-venda começou nos 41.588€ (acabamento GX). Na Austrália, parte de 74.990 dólares australianos antes de impostos.
Para Portugal, a equação fiscal joga a favor: sendo 100% elétrica, a Hilux beneficia de isenção de ISV e de vantagens no IUC, além do tratamento fiscal favorável para viaturas de empresa. É exatamente aqui que a elétrica pode compensar a diesel: menos imposto à entrada, menos custo por quilómetro, e um perfil de utilização (curta distância, base fixa) que neutraliza a desvantagem da autonomia.
O preço oficial para Portugal ainda não foi confirmado. Como referência, no Reino Unido a versão BEV custa entre £57.845 (Icon) e £60.695 (Invincible), em Espanha a pré-venda começou nos 41.588€ (acabamento GX) e na Austrália parte de 74.990 dólares australianos antes de impostos. Sendo 100% elétrica, em Portugal beneficia de isenção de ISV e de vantagens no IUC, o que ajuda a aproximar o custo final da versão diesel.
As primeiras unidades são esperadas em Portugal a partir de setembro de 2026. As encomendas já abriram no Reino Unido e na Austrália, e o lançamento europeu está ligado à estreia no Salão de Bruxelas. Falta apenas a Toyota.pt confirmar o preço e os acabamentos disponíveis para o mercado nacional.
A autonomia WLTP ronda os 257 km (até 380 km em ciclo urbano), mas o anúncio oficial da Toyota de novembro de 2025 aponta um valor mais conservador de cerca de 240 km. Com a bateria de 59,2 kWh, no inverno e com carga, a autonomia real fica abaixo dos 240 km — suficiente para uso comercial de curta distância com regresso diário à base, mas curto para viagens longas como Lisboa-Algarve sem parar.
A versão elétrica oferece 715 kg de carga útil e 1.600 kg de capacidade de reboque, valores claramente abaixo do mild-hybrid diesel 48V, que mantém 1.000 kg de carga e 3.500 kg de reboque. Para quem reboca atrelados pesados ou anda sempre carregado ao máximo, a diesel continua a ser a escolha óbvia; a elétrica destina-se a um perfil de utilização regional e de curta distância.
Depende do uso. Para frotas municipais, obras, quintas ou empresas de serviços que circulam numa região e regressam sempre à base, os ~240 km e o carregamento noturno (10 kW, cerca de 6,5 horas) chegam, e a isenção de ISV e o menor custo por quilómetro compensam. Para reboque pesado ou longas distâncias, a diesel 48V continua mais adequada. O Battery Care Program garante pelo menos 70% da capacidade durante 10 anos ou 1 milhão de quilómetros.
A Hilux elétrica não vem substituir a diesel — vem ao lado dela. Se o seu trabalho é rebocar 3 toneladas ou atravessar o país carregado, fique com a 48V mild-hybrid. Se a sua pick-up faz rondas regionais, volta sempre à base e quer cortar combustível e impostos, esta é a primeira vez que uma elétrica faz sentido neste segmento.
Falta o preço oficial para Portugal, e é esse o número que vai decidir tudo. Com as primeiras unidades previstas para setembro de 2026, vale a pena acompanhar o anúncio da Toyota.pt — sobretudo pelo posicionamento face à diesel, que vai dizer se a Hilux elétrica é uma alternativa séria ou apenas uma montra tecnológica.