
607 km de autonomia WLTP, 150 kW de carregamento rápido e garantia de bateria até um milhão de quilómetros. O Toyota C-HR+ elétrico chegou a Portugal este ano e marca uma mudança importante para a marca: pela primeira vez, o nome C-HR vende-se também sem uma única gota de gasolina.
Apesar do nome, o C-HR+ não é uma versão elétrica do C-HR híbrido. É um modelo novo, construído sobre a plataforma eTNGA — a mesma do bZ4X — e posicionado como o BEV de maior autonomia da Toyota na Europa. As primeiras entregas começaram em março de 2026 e o preço de partida na Alemanha é de 38.990€.
A Toyota optou por uma estrutura simples mas bem pensada: duas baterias e três níveis de potência, todas com a mesma carroçaria de 4,53 metros.
| Versão | Bateria | Potência | Autonomia WLTP | 0-100 km/h |
|---|---|---|---|---|
| FWD Entry | 57,7 kWh | 167 cv | 458 km | 8,4 s |
| FWD Long Range | 77 kWh | 224 cv | 607 km | 7,3 s |
| AWD Dual Motor | 77 kWh | 343 cv | 548 km | 5,2 s |
Os 607 km da versão de maior autonomia fazem do C-HR+ o Toyota elétrico com mais alcance no mercado europeu. Para contexto: é mais autonomia do que um Tesla Model Y RWD anuncia em WLTP. Lisboa-Porto fica a uma única paragem rápida, mesmo no Inverno.
A bateria vem da PPES, joint-venture entre a Toyota e a Panasonic, e o consumo homologado fica entre 13,4 e 15,5 kWh/100 km — números competitivos para a categoria.
O carregamento rápido sobe agora aos 150 kW em corrente contínua, com uma carga de 10 a 80% feita em 28 minutos. Não é o pico mais alto da categoria — um Kia EV3 chega aos 128 kW e o Renault Scenic E-Tech aos 150 kW também — mas a curva mantém-se estável e o pré-condicionamento da bateria garante este tempo mesmo a -10°C.
Em AC, o standard são 11 kW; o acabamento High sobe para 22 kW, útil para quem tem trifásico em casa ou usa o carro como ferramenta de empresa.

Sem preços oficiais portugueses confirmados à data deste artigo, podemos estimar a partir das tabelas alemã e britânica. Na Alemanha, o C-HR+ arranca em 38.990€. No Reino Unido vai de 34.495£ a 41.900£ pelos três acabamentos (Icon, Design, Excel).
Tomando como referência o posicionamento histórico da Toyota Portugal face à Alemanha e o facto de os BEV estarem isentos de ISV, o preço de entrada em Portugal deverá rondar os 39.000–42.000€ para a versão 57,7 kWh, e subir para a casa dos 48.000–52.000€ na versão 77 kWh AWD topo de gama. Vale a pena confirmar com o concessionário local — a Toyota Portugal raramente publica tabelas antes do início efetivo das entregas.
A isenção de ISV continua a ser o trunfo dos BEV no mercado português, e o IUC anual é também residual face a um equivalente térmico. Para uma empresa, o C-HR+ entra na lógica conhecida: viatura sem tributação autónoma agravada e dedução total de IVA na maioria dos casos.
Esta é a parte interessante. O C-HR+ chega a um segmento já bem servido, e a Toyota vai ter de convencer compradores que já têm boas alternativas:
O C-HR+ joga em dois pontos: a autonomia máxima de 607 km e — possivelmente o argumento mais forte — a garantia. A Toyota oferece 8 anos / 160.000 km no powertrain elétrico e até 10 anos ou 1 milhão de quilómetros no Battery Care Program, desde que o cliente faça o EV Health Check anual. Garantia de pelo menos 70% de capacidade. Nenhum rival oferece nada parecido.
A imprensa britânica deu nota 8/10, com elogios à eficiência (potencialmente 5,0 mi/kWh = ~3,1 km/kWh) e à autonomia, mas críticas ao volume da bagageira (416 L é menor do que Elroq, Scenic e EV3) e a um carácter de condução descrito como "subdued" — confortável, sim, mas pouco emocional.

Com 4.530 mm de comprimento, 1.870 mm de largura e 1.595 mm de altura, o C-HR+ é um pouco maior do que o C-HR híbrido. A distância entre eixos generosa de 2.750 mm liberta espaço atrás, e os 185 mm de altura ao solo dão alguma capacidade de estradão. O coeficiente aerodinâmico de 0,262 ajuda a justificar a autonomia.
A bagageira fica em 416 L (VDA) — suficiente para uso urbano e fins de semana, mas claramente abaixo dos rivais maiores. Quem precise de espaço de carga sério deve olhar para o Scenic E-Tech ou Skoda Elroq.
No interior, o ecrã central de 14 polegadas vem em todas as versões, com Apple CarPlay e Android Auto sem fios. Cluster digital de 7 polegadas, iluminação ambiente de 64 cores e dois carregadores wireless são argumentos sólidos. O acabamento topo traz som JBL de 9 colunas e 800 W, e teto panorâmico opcional.
A versão AWD dual-motor com 343 cv reboca até 1.500 kg — pouco habitual num BEV deste segmento — e faz o 0-100 em 5,2 segundos. Para um SUV familiar elétrico, são números mais do que suficientes.
Sem tabela oficial portuguesa publicada à data, a estimativa razoável é entre 39.000€ e 42.000€ para a versão 57,7 kWh FWD, subindo para 48.000€ a 52.000€ na versão 77 kWh AWD dual-motor. A referência são os 38.990€ de partida na Alemanha e o intervalo UK de 34.495£ a 41.900£. Como BEV, beneficia de isenção de ISV e IUC mínimo, o que ajuda a aproximar o preço final do equivalente alemão.
Apesar do nome partilhado, são modelos diferentes. O C-HR híbrido continua a usar a plataforma TNGA-C com motorização hybrid e plug-in hybrid. O C-HR+ é 100% elétrico, construído sobre a plataforma eTNGA (a mesma do bZ4X), com 4.530 mm de comprimento (ligeiramente maior), baterias de 57,7 ou 77 kWh e até 607 km WLTP de autonomia. O C-HR+ é o BEV de maior autonomia da Toyota na Europa.
Os 607 km são WLTP da versão 77 kWh FWD com jantes de 18". No mundo real, espere entre 480 e 540 km em uso misto e cerca de 400 km em autoestrada a 120 km/h no Inverno. O consumo homologado fica entre 13,4 e 15,5 kWh/100 km, e a imprensa britânica registou eficiências de até 5,0 mi/kWh (~3,1 km/kWh), o que valida a autonomia anunciada como das mais realistas do segmento.
O Kia EV3 parte de cerca de 36.000€ em Portugal e tem interior mais moderno segundo a crítica, mas carrega só até 128 kW DC. O Kona Electric arranca em cerca de 37.000€ e oferece até 514 km WLTP na bateria de 65 kWh. O C-HR+ joga com 607 km de autonomia, 150 kW DC e — o seu maior trunfo — garantia de bateria até 10 anos ou 1 milhão de quilómetros, algo que nenhum rival oferece.
Em carregamento rápido DC, o C-HR+ aceita até 150 kW e faz 10-80% em 28 minutos. O pré-condicionamento da bateria mantém estes tempos mesmo a -10°C. Em AC doméstico, são 11 kW de série (carga completa em cerca de 8 horas com a bateria de 77 kWh) ou 22 kW no acabamento High, útil para quem tem instalação trifásica em casa ou empresa.
Depende do perfil. Se o que procura é o BEV com melhor garantia do mercado, autonomia real acima dos 500 km e fiabilidade Toyota, o C-HR+ tem argumentos difíceis de igualar. Se procura o interior mais moderno ou a bagageira maior pelo dinheiro, há rivais melhores.
A oferta vai medir-se pelo preço oficial em Portugal. Se a Toyota colocar a versão 57,7 kWh abaixo dos 40.000€ antes de campanhas, fica diretamente competitiva com o Kona Electric e o EV3. Acima disso, o argumento muda — e os compradores vão pesar a garantia de 1 milhão de quilómetros contra os 545 L da bagageira do Scenic.
Vale a pena acompanhar os próximos anúncios da Toyota Portugal nas próximas semanas, especialmente sobre disponibilidade em stock e campanhas de lançamento.