
669 litros de bagageira. É esse o número que torna o Toyota bZ4X Touring difícil de ignorar para quem precisa de espaço a sério e não quer abdicar do elétrico. A Toyota pegou no seu SUV bZ4X, esticou-o 140 mm na traseira, levantou um pouco a altura ao solo e vestiu-o de plásticos de proteção e barras de tejadilho. O resultado é uma espécie de carrinha todo-o-terreno — qualquer coisa no espírito dos antigos Audi Allroad — agora à venda em Portugal a partir de cerca de 52.200 €.
Chega numa altura interessante. As familiares elétricas começam a multiplicar-se (VW ID.7 Tourer, Audi A6 e-tron Avant, o futuro Polestar 4 estate) e a Toyota junta-se à festa com o argumento mais prático de todos: cabe-lhe mais bagagem que à concorrência.
A versão de tração dianteira anuncia até 591 km WLTP. É o número de catálogo, medido em ciclo otimista, mas dá uma boa baliza. A bateria é de 74,7 kWh brutos (71 kWh úteis) e o motor dianteiro entrega 224 cv, com 0-100 km/h em 7,3 segundos. Nada de espetacular, mas chega de sobra para circular descansado.
O que interessa mais é a autonomia real. Num teste de estrada britânico que misturou autoestrada e estradas secundárias, o consumo médio de longo prazo ficou em torno dos 14 kWh/100 km — o que se traduz em qualquer coisa como 470 km reais entre cargas. Para a maioria dos dias chega e sobra; um Lisboa-Porto faz-se com uma única paragem curta para carregar.
A tração integral AWD é outra conversa. São 380 cv, 537 Nm e 0-100 km/h em 4,5 segundos — o Toyota elétrico mais rápido de sempre fora da linha GR. O preço a pagar é a autonomia: desce para 479 a 528 km WLTP, consoante as jantes (18" ou 20"). Quem privilegia distância fica melhor servido com a versão dianteira.

Aqui está o verdadeiro trunfo. A mala oficial leva 669 litros com os bancos de trás em pé — 48% mais que os 452 litros do bZ4X SUV. Com os bancos rebatidos, sobe até 1.718 litros. Há ainda piso de altura ajustável e arrumação por baixo para os cabos de carregamento.
Para contextualizar: o VW ID.7 Tourer fica-se pelos 605 litros, o Skoda Enyaq pelos 585 e o Mercedes CLA Shooting Brake pelos 455. Numa carrinha elétrica familiar, a Toyota oferece simplesmente mais espaço útil que praticamente toda a concorrência direta.
O interior não é tão brilhante. O espaço para os passageiros é generoso — cinco adultos viajam à vontade — mas o piso alto obriga a uma posição com os joelhos virados para cima, e a arrumação no habitáculo é fraca (não há sequer porta-luvas). O painel de 14 polegadas é grande e responde bem, ainda que o sistema seja simples demais e a estética cinzenta deixe a desejar. São defeitos conhecidos da casa, não impeditivos.
Em corrente contínua, o bZ4X Touring aceita até 150 kW. Não é recorde de velocidade na categoria, mas o 10-80% faz-se em cerca de 28 minutos — o tempo de um café e uma ida à casa de banho numa área de serviço. O detalhe que importa: a Toyota garante esses ~28 minutos entre -10 °C e +20 °C, e mesmo a -20 °C o tempo mantém-se perto dos 30 minutos graças ao pré-condicionamento da bateria.
A bomba de calor é de série, o que ajuda a proteger a autonomia no inverno — algo que nem todos os elétricos a este preço oferecem. Em corrente alternada, a versão dianteira leva carregador de 11 kW e a AWD sobe para 22 kW, útil para quem tem acesso a um ponto trifásico.
A gama arranca na casa dos 52.200 € para a versão de tração dianteira e sobe até cerca de 59.900 € para a AWD mais equipada. Por ser 100% elétrico, o bZ4X Touring está isento de ISV e beneficia das condições mais favoráveis de IUC para BEV — uma poupança real face a um equivalente a combustão.
O equipamento de série é completo: faróis LED adaptativos, entrada sem chave, bancos dianteiros aquecidos, porta da bagageira elétrica, câmara 360°, pacote completo de assistência à condução, dois carregadores sem fios e a tal bomba de calor. A versão AWD acrescenta bancos dianteiros ventilados, bancos traseiros aquecidos, teto panorâmico e o carregamento AC a 22 kW.
Há ainda dois argumentos tipicamente Toyota: a garantia até 10 anos / 100.000 km com manutenção na rede, e a garantia de bateria que assegura no mínimo 70% de capacidade até 10 anos ou um milhão de quilómetros. Para uma família que pensa ficar com o carro muitos anos, isto pesa.
A comparação inevitável é com a referência do segmento. E o duelo é mais equilibrado do que parece.
| Toyota bZ4X Touring (FWD) | VW ID.7 Tourer | |
|---|---|---|
| Bagageira (bancos em pé) | 669 L | 605 L |
| Autonomia WLTP | até 591 km | superior |
| 0-100 km/h (AWD) | 4,5 s | mais lento |
| Postura | SUV/carrinha elevada | carrinha executiva baixa |
| Preço de entrada | ~52.200 € | mais caro |
O ID.7 Tourer leva vantagem na autonomia e tem um ar mais sofisticado de carrinha executiva. O Toyota responde com mais mala, uma versão AWD bem mais rápida, uma postura mais alta tipo SUV e um preço de entrada inferior. Para quem privilegia espaço, robustez e o sossego de uma garantia longa, o bZ4X Touring é argumento sólido.

A gama arranca em cerca de 52.200 € para a versão Touring Premium de tração dianteira (FWD) e sobe até aos 59.900 € para a Touring Lounge de tração integral (AWD). Por ser 100% elétrico, o bZ4X Touring está isento de ISV e beneficia das condições mais favoráveis de IUC para BEV em Portugal, o que representa uma poupança real face a um equivalente a combustão.
A versão de tração dianteira anuncia até 591 km WLTP, com uma bateria de 74,7 kWh brutos (71 kWh úteis). Num teste de estrada que misturou autoestrada e estradas secundárias, o consumo ficou perto dos 14 kWh/100 km, o que se traduz em cerca de 470 km reais entre cargas — suficiente para fazer um Lisboa-Porto com uma única paragem curta. A versão AWD desce para 479 a 528 km WLTP consoante as jantes.
A bagageira oficial leva 669 litros com os bancos traseiros em pé — 48% mais que os 452 litros do bZ4X SUV — e sobe até cerca de 1.718 litros com os bancos rebatidos. É uma das maiores do segmento das familiares elétricas, ultrapassando o VW ID.7 Tourer (605 L), o Skoda Enyaq (585 L) e o Mercedes CLA Shooting Brake (455 L).
Em corrente contínua aceita até 150 kW, fazendo o 10-80% em cerca de 28 minutos. A Toyota garante esse tempo entre -10 °C e +20 °C, e mesmo a -20 °C mantém-se perto dos 30 minutos graças ao pré-condicionamento da bateria. Em corrente alternada, a versão FWD leva carregador de 11 kW e a AWD sobe para 22 kW. A bomba de calor é de série, ajudando a proteger a autonomia no inverno.
O VW ID.7 Tourer leva vantagem na autonomia WLTP e tem um ar mais sofisticado de carrinha executiva. O Toyota bZ4X Touring responde com mais bagageira (669 L vs 605 L), uma versão AWD bem mais rápida (0-100 km/h em 4,5 s), uma postura mais alta tipo SUV, capacidade de reboque até 1.500 kg e um preço de entrada inferior (~52.200 €). Para quem privilegia espaço, robustez e a tranquilidade da garantia Toyota até 10 anos, o bZ4X Touring é o argumento mais sólido.
Depende do que procura. Se a prioridade é a maior autonomia possível, há rivais que vão mais longe com a mesma carga. Mas se quer uma elétrica familiar com mala enorme, tração integral disponível, capacidade de reboque até 1.500 kg, modo X-MODE para piso difícil e a tranquilidade de uma garantia Toyota, poucas opções fazem tanto sentido por este dinheiro. A Toyota demorou a acertar com o bZ4X — com o Touring, parece finalmente ter encontrado a versão certa.