
Cerca de 500 km de autonomia. É metade dos 1.000 km que a Tesla prometeu em 2017 — e, curiosamente, é o número mais honesto de tudo o que se ouviu esta semana. O novo Tesla Roadster foi finalmente mostrado a 15 de outubro de 2026, no centro de testes da SpaceX em McGregor, no Texas, depois de sete adiamentos da apresentação. A produção arranca no Texas em 2028, garante a marca.
A apresentação foi puro espetáculo: o carro a andar de pernas para o ar numa rampa, a saltar por cima de um Tesla Semi com propulsores de gás frio. Os números a sério chegaram no dia seguinte, num vídeo de quase uma hora da Top Gear com Lars Moravy (chefe de engenharia) e Franz von Holzhausen (chefe de design). Juntámos aqui a ficha técnica do Tesla Roadster tal como ela existe hoje, incluindo os valores em que as fontes não se entendem, e o que isso significa para quem está em Portugal.
Antes da tabela, um aviso. A Tesla não publicou uma ficha técnica oficial completa: a capacidade da bateria, a curva de carregamento, a velocidade máxima por versão e o preço continuam por revelar. Os valores abaixo vêm das declarações de Moravy e von Holzhausen e do comunicado de lançamento, cruzados entre várias publicações. É, por isso, uma ficha técnica do Tesla Roadster ainda provisória — mas já muito mais útil do que os números de 2017 que ainda circulam.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Lugares | 2 (versão Rocket: 1) |
| Carroçaria | T-top com painéis de vidro amovíveis nas portas em asa de borboleta — não é um verdadeiro roadster |
| Chassis | Novo, em alumínio e fibra de carbono; direção steer-by-wire, travões brake-by-wire, discos carbocerâmicos |
| Tração | Traseira, 2 motores, torque vectoring, sem diferencial (redutor planetário 8,4:1 por roda) |
| Potência (versão base) | mais de 800 kW (cerca de 1.088 cv) |
| Binário (versão base) | 1.200 Nm |
| Potência (versões de topo) | mais de 1.000 kW (cerca de 1.360 cv); algumas fontes falam em cerca de 1.500 hp |
| Binário (versões de topo) | mais de 1.400 Nm |
| Peso | cerca de 1.700 kg (versão mais leve, provisório) |
| Bateria | Iões de lítio à base de níquel (células 4680), 800–1.000 V, capacidade não revelada (mais de 100 kWh segundo a MotorTrend) |
| Carregamento DC máximo | 500 kW (Supercharger V4) |
| Potência máxima de saída da bateria | 1.000 kW |
| Carregamento | 15→85% em 10 min (Moravy, via InsideEVs); outras fontes: 10→80% em 10–12 min |
| Autonomia | cerca de 500–515 km em condução normal; a Tesla fala em "mais de 300 milhas" |
| 0-97 km/h | Performance: menos de 1,6 s; Thrust: menos de 0,9 s; Rocket: menos de 0,59 s; demonstração ao vivo: 0,81 s |
| Velocidade máxima | 344 km/h atual, objetivo 531 km/h; comunicado da Tesla: mais de 370 km/h |
| Pneus | 295/30 R20 à frente, 335/30 R21 atrás, Pirelli P Zero Trofeo RS |
| Produção | Texas, a partir de 2028 |
Depende de quem pergunta. A versão base de desenvolvimento anuncia mais de 800 kW, cerca de 1.088 cv, com 1.200 Nm. As versões mais potentes passam 1.000 kW — os tais 1.360 cv que fazem os títulos — e mais de 1.400 Nm. A MotorTrend e o Detroit News falam em cerca de 1.500 hp, mas os valores em kW citados por Moravy apontam para os 1.360 cv.
Tudo isto vai apenas para as rodas de trás. Não há tração integral, ao contrário do protótipo de 2017, que tinha três motores. Cada um dos dois motores traseiros move uma roda através de um redutor planetário 8,4:1, sem diferencial, e é o software que distribui o binário em curva.
Ninguém mediu ainda o 0-100 km/h. Todos os números divulgados são para 0-60 mph, ou seja, 0-97 km/h. Na apresentação, a Tesla mostrou uma passagem cronometrada em 0,81 segundos, com o temporizador do próprio evento e sem verificação independente.
Os valores oficiais variam por versão: menos de 1,6 s na Performance, menos de 0,9 s na Thrust e menos de 0,59 s na Rocket. Moravy chegou a citar 0,55 s, mas com "rollout" — a medição americana que descarta o primeiro pé de arranque. Para ter uma referência, o Rimac Nevera, com cerca de 1.900 cv e quatro motores, é um dos elétricos de produção mais rápidos que existem e fica acima de 1,7 s. Sem propulsores, a versão Performance do Roadster não promete batê-lo.
A bateria é desenhada de raiz para o Roadster: células de iões de lítio à base de níquel, arquitetura entre 800 e 1.000 V e a capacidade de carregamento mais rápida que a Tesla alguma vez fez. A capacidade em kWh ficou de fora, a pedido da própria marca.
Em 2017, a promessa eram 1.000 km com uma carga. Agora, Moravy fala em 500 a 515 km em condução normal. É uma queda grande, mas faz sentido para um carro pensado sobretudo para pista. Moravy espera 25 a 30 minutos de condução em circuito sem limitações por cada carga.
Na prática, 500 km chegam para uma ida Lisboa–Porto com margem. Ninguém compra um carro destes para fazer a A1 todas as semanas, mas é útil saber que uma escapadinha ao Algarve não exige planear paragens ao detalhe.
Segundo Moravy, a bateria passa de 15% a 85% em cerca de 10 minutos num Supercharger V4, com pico de 500 kW. Aqui as fontes também divergem: a Hagerty fala em 15→80% em 10 minutos (como objetivo), a MotorTrend em 10→80% em 10 a 12 minutos e a Top Gear em menos de 15 minutos para 15→80%. Fica a ordem de grandeza: uma pausa para café.
Se os 70% de carga corresponderem a cerca de 70% da autonomia, são uns 350 km recuperados nessa paragem — uma estimativa nossa, não da Tesla. Em Portugal, convém lembrar que a maioria dos postos rápidos fica muito abaixo dos 500 kW, por isso os 10 minutos dependem de encontrar um carregador à altura. A tomada de carga está escondida atrás da asa traseira.
O Roadster chega em três configurações comerciais. (A InsideEVs menciona "quatro versões" no resumo técnico de Moravy, incluindo a versão base de 800 kW ainda em desenvolvimento; o comunicado da Tesla lista três.)
| Versão | O que tem | 0-97 km/h | Disponibilidade |
|---|---|---|---|
| Performance | 4 ventoinhas de sucção traseiras + saias, até 2 g em curva, sem propulsores | menos de 1,6 s | Reserva aberta |
| Thrust | Acrescenta 4 propulsores de gás frio (azoto) e um depósito de 200 L na bagageira | menos de 0,9 s | "Limitada" |
| Rocket | 10 propulsores no total, um só lugar, depósito extra de 400 L (600 L no total) | menos de 0,59 s | Só por convite |

As ventoinhas, de cerca de 20 kW cada, sugam o ar de baixo do carro e geram até 2 g de força. Os propulsores são a parte mais SpaceX da história: azoto armazenado a uma pressão até 10.000 psi, mais de 80 kN de impulso e cerca de 5 a 6 segundos de efeito por cada enchimento. A Rocket é a única versão que, segundo a Tesla, consegue "voar".
O reverso da medalha é sério. Encher o depósito demora atualmente 2 a 6 horas (a Hagerty fala em 6 a 7 horas) e a Tesla trabalha num sistema para baixar para menos de 30 minutos. Na versão Thrust, o depósito de 200 L ocupa a bagageira inteira.
Ninguém sabe ainda — e isso é talvez a questão mais importante para quem está em Portugal. O próprio Elon Musk admitiu que as funções de propulsores e ventoinhas "podem não ser legais em todas as jurisdições" e não lhes chamou homologadas para estrada. A InsideEVs acredita que uma versão legal para estrada terá de abdicar dos propulsores.
Há mais detalhes por resolver. O Roadster não tem espelhos retrovisores, usa câmaras onde a lei o permite; os carros americanos vão ter espelhos. Sobre homologação europeia, a Tesla não disse uma palavra. Sem homologação na UE, não há matrícula portuguesa, por muito que o carro exista no Texas.

Não há preço. Nem para Portugal, nem para a Europa, nem para os EUA. O contrato de reserva diz que qualquer preço indicado "é apenas uma estimativa" e que o valor final só será confirmado na configuração do carro. Qualquer número português que encontre por aí é especulação.
A única referência concreta é antiga: em 2017, a versão base custava 200.000 dólares nos EUA, cerca de 170.000 € em França na altura. Esses preços foram retirados do site da Tesla no final de 2021 e o carro de hoje é completamente diferente — tome-os como contexto histórico, não como estimativa.
Do lado fiscal, há uma boa notícia previsível: como elétrico puro, o Roadster ficaria isento de ISV e de IUC em Portugal, pagando apenas IVA a 23%. Num carro desta gama, a isenção de ISV pesa muito, mas o preço base continua a ser a grande incógnita.
Antes da apresentação, a reserva em França custava 43.000 €: 4.000 € por cartão e 39.000 € por transferência no prazo de 10 dias. Não conseguimos confirmar o valor europeu depois da apresentação, nem encontrar um valor específico para Portugal. Para comparação, os valores reabertos em setembro foram:
| Mercado | Sinal de reserva |
|---|---|
| EUA (Performance) | 50.000 $ (5.000 $ + 45.000 $ em 10 dias) |
| EUA (Thrust) | 250.000 $, segundo MotorTrend, Fox Business e TechCrunch |
| França / Europa (antes da apresentação) | 43.000 € (4.000 € + 39.000 €) |
| China (antes da apresentação) | 332.000 RMB (cerca de 52.000 $) |
| Canadá (antes da apresentação) | 64.000 CAD |
Atenção a uma contradição: a InsideEVs escreveu que as três versões se reservavam com 50.000 dólares, enquanto outras publicações apontam 250.000 dólares para a Thrust. A Rocket é só por convite.
O contrato de reserva americano é claro numa coisa que não convém ignorar: a Tesla "não pode garantir quando o veículo será efetivamente entregue, nem se será entregue". A reserva é reembolsável e não transmissível, e não é uma encomenda firme — é um lugar aproximado na fila.
A produção está prevista para o Texas, a partir de 2028. A Tesla tem 4 a 5 protótipos de desenvolvimento e planeia uma série maior no início do próximo ano. Datas europeias ou portuguesas? Nenhuma. Tendo em conta que a promessa de 2017 apontava para entregas em 2020, é prudente contar com as primeiras unidades europeias, na melhor das hipóteses, depois das americanas — e só se a homologação for resolvida.
A Tesla ainda não anunciou preço para Portugal, para a Europa nem para os EUA, e o contrato de reserva diz que qualquer valor indicado é apenas uma estimativa. A única referência concreta é de 2017: 200.000 dólares nos EUA, cerca de 170.000 € em França na altura, valores que já não se aplicam ao carro atual. Como elétrico puro, o Roadster ficaria isento de ISV e IUC em Portugal, pagando apenas IVA a 23%.
Antes da apresentação de outubro de 2026, a reserva em França custava 43.000 €: 4.000 € por cartão e 39.000 € por transferência no prazo de 10 dias. Não há valor confirmado para Portugal nem valor europeu atualizado depois da apresentação; nos EUA, a versão Performance pede 50.000 dólares. A reserva é reembolsável e não transmissível, mas a Tesla avisa que não pode garantir quando, nem se, o carro será entregue.
A produção está prevista para o Texas a partir de 2028, com 4 a 5 protótipos de desenvolvimento já a circular e uma série maior planeada para o início do próximo ano. A Tesla não anunciou datas de entrega na Europa nem em Portugal. Tendo em conta que a promessa de 2017 apontava para 2020, o mais prudente é esperar as primeiras unidades europeias só depois das americanas, e apenas se a homologação na UE for resolvida.
Ainda não se sabe: a Tesla não disse nada sobre homologação europeia, e sem ela não há matrícula portuguesa. Elon Musk admitiu que os propulsores de gás frio e as ventoinhas de sucção podem não ser legais em todas as jurisdições, e a InsideEVs acredita que uma versão de estrada terá de abdicar dos propulsores. O carro também não tem espelhos retrovisores, usando câmaras apenas onde a lei o permite.
Lars Moravy, chefe de engenharia da Tesla, fala em cerca de 500 a 515 km em condução normal, metade dos 1.000 km prometidos em 2017, ou 25 a 30 minutos de condução em circuito. Num Supercharger V4 de 500 kW, a bateria passa de 15% a 85% em cerca de 10 minutos, embora outras fontes indiquem 10 a 12 minutos para 10→80%. Em Portugal, a maioria dos postos rápidos fica muito abaixo dos 500 kW, por isso o tempo real será superior.
Pela primeira vez em nove anos, o Roadster tem números de engenharia credíveis, ditos por quem o está a construir. Mas para um comprador em Portugal faltam as três coisas que decidem uma compra: preço, data de entrega na Europa e homologação. Quem tem 43.000 € parados e gosta de fazer parte da história pode reservar sabendo que o dinheiro é reembolsável. Os restantes fazem bem em esperar pelo anúncio de preço e por qualquer sinal concreto sobre a versão europeia — e sobre o que sobra dos propulsores quando ela chegar.