
Há mais de uma década que não tínhamos notícias realmente interessantes sobre citadinos pequenos. O Smart Concept #2 muda isso. Revelado a 22 de abril de 2026 em Pequim e com estreia da versão de produção marcada para o Salão de Paris em outubro, é o sucessor espiritual do ForTwo — mais maduro, mais rápido a carregar e, segundo as estimativas, a rondar os 23.000 euros no nosso mercado.
Para quem vive em Lisboa, Porto ou qualquer centro urbano com ruas estreitas e lugares de estacionamento apertados, este é provavelmente o lançamento elétrico mais relevante do ano. O Smart #2 elétrico de dois lugares não tenta competir com o Renault 5 nem com o Hyundai Inster — vai pelo caminho oposto, com apenas 2.792 mm de comprimento e um raio de viragem de 6,95 metros que nenhum outro A-segmento consegue igualar.
O Concept #2 foi desenhado pela equipa global de design da Mercedes-Benz, liderada por Kai Sieber, e assenta na nova Arquitetura Compacta Elétrica (ECA) desenvolvida em conjunto com a Geely — os dois parceiros detêm 50% da Smart cada um. A plataforma é dedicada a elétricos, o que permite colocar a bateria sob o piso da cabina e o motor entre as rodas traseiras.
A grande diferença face ao antigo Smart EQ ForTwo está em três pontos práticos:
O motor continua atrás e a tração é traseira, fiel à tradição Smart. A posição de condução é ligeiramente mais alta do que antes, o que ajuda nas manobras urbanas e na visibilidade.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Comprimento | 2.792 mm |
| Raio de viragem | 6,95 m |
| Configuração | 2 portas, 2 lugares |
| Plataforma | ECA (Electric Compact Architecture) |
| Tração | Traseira, motor entre as rodas traseiras |
| Localização da bateria | Sob o piso da cabina |
| Autonomia alvo | cerca de 300 km (ciclo CLTC) |
| Carregamento DC | 10% a 80% em menos de 20 minutos |
| V2L | Sim |
| Estreia do conceito | 22 de abril de 2026, Pequim |
| Estreia do modelo de produção | outubro de 2026, Salão de Paris |
| Mercados | Europa e Reino Unido primeiro (não chega aos EUA) |
Ficam por confirmar a capacidade exata da bateria em kWh, a potência do motor, a largura, a altura e o volume da bagageira. Smart também ainda não publicou um número WLTP — só o CLTC chinês, que costuma ser otimista em 10 a 15% face ao ciclo europeu. Quer isto dizer que a autonomia WLTP real pode ficar mais perto dos 260 km do que dos 300 km anunciados.
Este é o ponto em que o Smart #2 se destaca — ou fica a perder, dependendo de como se olha para ele.
| Modelo | Comprimento | Autonomia (WLTP/CLTC) | Raio de viragem | Preço estimado (PT) |
|---|---|---|---|---|
| Smart #2 | 2.792 mm | cerca de 300 km CLTC | 6,95 m | cerca de 23.000 euros |
| Renault Twingo E-Tech | 3.789 mm | por confirmar | mais de 10 m | por confirmar |
| Fiat 500e | 3.632 mm | até 320 km WLTP | 9,7 m | a partir de 29.000 euros |
| Hyundai Inster | 3.825 mm | 370 km WLTP (229 mi) | mais de 10 m | a partir de 27.000 euros |
| Renault 5 E-Tech | 3.920 mm | até 400 km WLTP (252 mi) | 10,3 m | a partir de 27.900 euros |
O Smart #2 é 840 mm mais curto do que um Fiat 500e e quase um metro mais curto do que o novo Renault Twingo E-Tech. Em Lisboa, no bairro de Alfama ou nas ruelas do Porto, isso é a diferença entre estacionar ou continuar à procura durante mais vinte minutos. O raio de viragem de 6,95 m compara com os 9,4 m do Toyota Aygo X e os 10,3 m do Renault 5 — é praticamente um carro que gira sobre si próprio.
O preço para a contrapartida: menos lugares (só dois), menos autonomia homologada, menos bagageira. Para quem percorre 60 km por dia em centro urbano, isso é irrelevante. Para quem faz Lisboa-Porto ao fim de semana, já não é.
A imprensa britânica (Auto Express, What Car?) aponta um preço de entrada entre 20.000 e 25.000 libras, com estimativa-base em torno dos 21.000 libras. Convertido e ajustado ao nosso mercado — já com ISV (que os elétricos em Portugal estão isentos até 2027) e IVA — fica-se perto dos 23.000 euros anunciados pela imprensa portuguesa.
Três factores jogam a favor do Smart #2 em Portugal:
A 23.000 euros, o Smart #2 seria o elétrico de dois lugares mais barato em Portugal. O Fiat 500e arranca acima dos 29.000 e é um carro maior, com quatro lugares mas menos ágil. O equivalente mais próximo em preço, o Dacia Spring, oferece quatro lugares mas uma autonomia modesta e ausência de prestígio de marca.
O cronograma oficial da Smart aponta para estreia mundial do modelo de produção no Salão de Paris em outubro de 2026, com chegada ao mercado europeu pouco depois. Na prática, isto significa encomendas abertas em finais de 2026 e primeiras entregas em Portugal entre o primeiro e o segundo trimestre de 2027.
Vale a pena assinalar que a Smart tem presença comercial em Portugal através da rede Mercedes-Benz, o que facilita a chegada. O "smart care" — o novo serviço pós-venda da marca na Europa — arranca a meio de 2026, antes mesmo do #2 chegar aos concessionários.
A imprensa britânica (Auto Express e What Car?) aponta um preço de entrada entre 20.000 e 25.000 libras, com estimativa-base próxima das 21.000 libras. Aplicando a conversão cambial e os ajustes do mercado português — incluindo IVA e a isenção de ISV que os veículos 100% elétricos mantêm até 2027 — o preço deverá situar-se perto dos 23.000 euros, tornando-o potencialmente no elétrico de dois lugares mais barato em Portugal. O valor oficial só será confirmado após a estreia de produção no Salão de Paris, em outubro de 2026.
A estreia mundial do modelo de produção está marcada para o Salão de Paris em outubro de 2026, com chegada ao mercado europeu pouco depois. Na prática, as encomendas em Portugal deverão abrir em finais de 2026 e as primeiras entregas chegam entre o primeiro e o segundo trimestre de 2027. A comercialização será feita através da rede Mercedes-Benz, que já opera em todo o país.
A Smart só publicou até ao momento o valor CLTC (ciclo chinês) de cerca de 300 km. Como o CLTC é normalmente 10 a 15% mais otimista do que o ciclo europeu WLTP, a autonomia real homologada na Europa deverá ficar mais perto dos 260 km. A 120 km/h em autoestrada, o consumo acresce e a autonomia prática cai tipicamente para 180 a 200 km, o que torna o Smart #2 num carro essencialmente urbano.
Com 2.792 mm, o Smart #2 é cerca de 997 mm mais curto do que o novo Renault Twingo E-Tech e 840 mm mais curto do que um Fiat 500e, e o raio de viragem de 6,95 m é o melhor do segmento A (Fiat 500e: 9,7 m; Renault 5: 10,3 m). Em contrapartida, oferece apenas dois lugares e menos autonomia homologada: o Hyundai Inster atinge 370 km WLTP e o Renault 5 chega aos 400 km WLTP. Para condução exclusivamente urbana em Lisboa ou Porto, o Smart #2 vence; para viagens entre cidades, os rivais de quatro lugares continuam mais versáteis.
Os veículos 100% elétricos beneficiam em Portugal de três vantagens fiscais relevantes que se aplicam ao Smart #2: isenção de ISV (Imposto sobre Veículos) até 2027, IUC reduzido de 20 a 30 euros por ano em média e enquadramento favorável na tributação autónoma para uso empresarial. Estes benefícios podem representar vários milhares de euros de poupança total face a um equivalente a combustão e são uma das razões pelas quais o preço de 23.000 euros se torna competitivo no segmento A.
Para condução exclusivamente urbana, provavelmente sim. O Smart #2 combina três coisas que são raras no mesmo carro: preço abaixo dos 25.000 euros, dimensões compatíveis com Lisboa antiga e autonomia suficiente para uma semana de deslocações sem carregar.
A dúvida fica na autonomia real em autoestrada. Se a homologação WLTP ficar nos 260 km, e o consumo a 120 km/h reduzir esse número para 180-200 km reais, isto é um carro estritamente citadino — e esse é um compromisso que cada comprador tem de aceitar. Para quem tem um segundo carro na família para viagens longas, o Smart #2 é provavelmente a escolha mais racional da atual vaga de A-segmento elétrico. Para quem só pode ter um carro, vale a pena esperar pela ficha técnica WLTP definitiva antes de reservar.
Os próximos seis meses, até Paris, vão trazer os números que faltam: bateria, potência, WLTP oficial e preço português confirmado. É aí que o dossier se fecha.