
290 km de autonomia WLTP por 19.990 €. Nenhum outro elétrico novo perto deste valor anuncia tanto — e é por isso que o smart #2, o sucessor elétrico do ForTwo, está a fazer tanta gente fazer contas. Só que há um pormenor que muda tudo: tem dois lugares. Os rivais diretos têm quatro ou cinco.
Por isso, a pergunta útil não é se o smart #2 é bom. É o que mais se compra com o mesmo dinheiro em Portugal e o que se ganha ou perde em cada troca. Fomos olhar para os smart #2 concorrentes um a um — Dacia Spring, BYD Dolphin Surf, Citroën ë-C3, Leapmotor T03, Geely E2 e Renault Twingo — e ainda para os microcarros elétricos, a outra família de alternativas ao smart #2 com dois lugares.
Uma nota antes dos números: preços portugueses confirmados existem para o smart #2, para o Leapmotor T03 e, já com algum tempo, para o BYD Dolphin Surf. Nos restantes indicamos sempre o mercado de origem do preço — servem como referência, não como tabela nacional.
Antes de comparar, convém fixar a referência. O smart #2 mede 2,75 m e tem um raio de viragem de 6,95 m — números que nenhum rival desta lista consegue igualar. Estaciona de frente em lugares onde os outros nem tentam.
A bateria LFP de 35,8 kWh anuncia 290 km WLTP, um pouco menos em utilização real. O motor de 60 kW (82 cv) e 130 Nm faz 0-100 km/h em 11,6 s e chega aos 140 km/h, o que permite circular na autoestrada sem drama. Carrega a 65 kW em DC, com 10-80% em cerca de 20 minutos, e a 7,4 kW (Pure) ou 11 kW (restantes versões) em AC.
A bagageira tem 305 litros, ou 505 litros contando com o espaço total disponível. É desenvolvido pela Geely e fabricado na China. As encomendas abriram a 13 de outubro de 2026 e as primeiras entregas estão previstas para 2027.
A tabela junta os principais carros elétricos até 20 mil euros (e alguns um pouco acima) que fazem sentido comparar com o smart #2. Atenção à coluna do preço: o mercado indicado entre parênteses é o da fonte.
| Modelo | Lugares | Comprimento | Potência | Bateria | Autonomia WLTP | DC máx. | Preço base (mercado) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| smart #2 | 2 | 2,75 m | 82 cv | 35,8 kWh LFP | 290 km | 65 kW | 19.990 € (PT) |
| Dacia Spring (2.ª geração) | 4 | 3,85 m | 82 cv | 27,5 kWh LFP | 246-250 km | 50 kW (opcional) | 17.900 € (FR/IT) |
| Leapmotor T03 | 4 | 3,62 m | 95 cv | 37,3 kWh LFP | 265 km | 45-48 kW | cerca de 18.986 € (PT) |
| DR 1.0 EV | 4 | 3,20 m | 61 cv | 31 kWh | 210 km | n/d | 18.900 € (IT) |
| Renault Twingo | 4 | 3,79 m | 82 cv | 27,5 kWh | 264 km | n/d | 19.500 € (IT) |
| BYD Dolphin Surf Active | 4 | 3,99 m | 88 cv | 30 kWh LFP | 220 km | 65 kW | 20.885 € (PT, lançamento 2025) |
| BYD Dolphin Surf Boost | 4 | 3,99 m | 88 cv | 43,2 kWh | 322 km | 85 kW | 23.990 € (FR) |
| Geely E2 Pro | 5 | 4,135 m | 81 cv | 35,35 kWh LFP | 252 km | 60 kW | 19.990 € (DE) |
| Citroën ë-C3 Urban Range | 5 | cerca de 4,01 m | 82 cv | 30 kWh LFP | 200 km | 30 kW (opcional) | cerca de 19.990 € (ES) |
| Citroën ë-C3 44 kWh | 5 | cerca de 4,01 m | 113 cv | 44 kWh LFP | 315 km | 100 kW | 22.590 € (ES, 2025) |
Lida na horizontal, a tabela conta uma história clara. Abaixo dos 20 mil euros, o smart #2 tem a maior autonomia e o carregamento rápido mais capaz, empatado com o Dolphin Surf Active. Para ter mais quilómetros é preciso subir para o Dolphin Surf Boost ou para a ë-C3 de 44 kWh — e aí o preço já passa os 22 mil euros.
O Spring de segunda geração é o rival mais barato e, provavelmente, o mais óbvio. Em França custa 17.900 € na versão Expression e 19.400 € na Journey; o preço português da nova geração ainda não está confirmado. Pelo mesmo dinheiro (ou menos), leva quatro pessoas e oferece uma bagageira de 337 litros, mais um frunk opcional de 18 litros.
O preço desse espaço extra paga-se na estrada. A bateria de 27,5 kWh úteis fica-se pelos 246-250 km WLTP, a velocidade máxima é de 130 km/h e o 0-100 km/h demora 12,1 s. De série, carrega apenas a 6,6 kW em AC. O carregamento rápido de 50 kW (15-80% em 28 minutos) só existe com o Pack Charge, um opcional de 500 € em França reservado à versão Journey.

Smart #2 ou Dacia Spring, qual comprar? Se a família tem mais de duas pessoas ou se precisa de bagageira a sério, o Spring ganha por defeito. Se o carro é para uma ou duas pessoas e faz percursos fora da cidade com alguma frequência, os 40 km extra de autonomia e o DC de série do smart #2 fazem diferença todas as semanas.
Aqui a luta é mais equilibrada no preço. O Dolphin Surf Active chegou a Portugal em 2025 por 20.885 €, e em França pede hoje 19.990 € — praticamente o valor do smart #2. Ambos carregam a 65 kW em DC, com 10-80% em cerca de 20 minutos no smart e 30 minutos no BYD.
A diferença está no resto. O BYD tem 3,99 m, quatro lugares com bom espaço atrás, bagageira de 308 litros e vai aos 150 km/h. Mas a bateria de 30 kWh da versão Active anuncia apenas 220 km — 70 km a menos do que o smart #2.

Para bater a autonomia do smart é preciso subir para o Dolphin Surf Boost: 43,2 kWh, 322 km WLTP e DC a 85 kW. Em França custa 23.990 €, ou seja, cerca de 4.000 € acima do smart #2. Smart #2 ou BYD Dolphin Surf? Quem precisa de quatro lugares e consegue esticar o orçamento tem no Boost um carro mais completo. Quem não precisa, poupa esses 4.000 €.
A ë-C3 joga noutro campeonato de espaço: cinco lugares, cerca de 4,01 m e fabrico europeu (Eslováquia e Sérvia). A versão de entrada, Urban Range, anda pelos 19.990 € em Espanha, mas com 30 kWh e apenas 200 km WLTP. O carregamento rápido é de 30 kW, e mesmo assim opcional.
A versão de 44 kWh é outra conversa: 113 cv, 315 km WLTP e DC a 100 kW de série, com 20-80% em 26 minutos. Supera o smart #2 em autonomia, em espaço e em carregamento. O preço de referência que temos é de 22.590 € em Espanha (2025) — o valor português deve ser confirmado no configurador da Citroën.
Na prática, a ë-C3 Urban Range perde para o smart #2 em quase tudo exceto lugares, e a ë-C3 44 kWh ganha em quase tudo exceto preço e facilidade de estacionamento.
Com 37,3 kWh LFP, o T03 tem até mais bateria do que o smart #2, mas anuncia 265 km WLTP — 25 km a menos. Tem 3,62 m, quatro lugares, 95 cv e cruise control adaptativo de série. É também dos poucos rivais com preço português conhecido: cerca de 18.986 €, abaixo do smart.
O ponto fraco é o carregamento. A 45-48 kW em DC, ir de 30% a 80% demora 36 minutos. Numa viagem com paragem, é quase o dobro do tempo do smart #2.
O Geely E2 vem do mesmo grupo que desenvolve o smart #2, mas é um carro completamente diferente: 4,135 m, cinco lugares, tração traseira, bagageira de 375 litros mais um frunk de 70 litros e cinco estrelas Euro NCAP. A versão Pro tem 81 cv, 35,35 kWh e 252 km WLTP, com DC a 60 kW. A Max sobe para 116 cv, 47,14 kWh e 345 km.
Os preços de referência são 19.990 € na Alemanha e 20.990 € em França para a versão Pro. Em Portugal ainda não há preço — a chegada está prevista para 2027, mais ou menos ao mesmo tempo que as primeiras entregas do smart #2. O raio de viragem de 9,9 m, contra 6,95 m do smart, mostra bem que são carros para usos diferentes.
O novo Twingo partilha a base técnica do Spring: 82 cv, 27,5 kWh e 264 km WLTP, com 3,79 m e quatro lugares. Em Itália custa 19.500 €. Fica entre o Spring e o smart em autonomia e oferece uma alternativa com mais estilo ao Dacia.
Há ainda o DR 1.0 EV (3,20 m, 61 cv, 31 kWh, 210 km, 18.900 € em Itália), de difícil acesso no nosso mercado, e o Fiat 500e. Este último tem três portas, como o smart, mas parte de cerca de 24.990 € na Alemanha — é a opção mais cara e de imagem, não de preço.
Se os dois lugares não são problema, há outra família de rivais: os microcarros elétricos homologados como quadriciclos L7e. Microlino, Silence S04, XEV YoYo, Birba ou Tazzari Zeromax são alguns exemplos. Têm dois (ou quatro) lugares, são ainda mais compactos e servem bem para circular dentro da cidade.
O problema são os limites da categoria: 15 kW de potência e 90 km/h de velocidade máxima. Nada de autoestrada, nada de IC com trânsito rápido. O smart #2, pelo contrário, é um automóvel M1 completo, com 140 km/h, 290 km de autonomia e carregamento rápido.
Para quem procura um citadino elétrico de dois lugares que também faça uma ida de Lisboa a Setúbal ou do Porto a Braga sem stress, o smart #2 é praticamente a única opção nova neste formato.
Entre os elétricos novos com preço português confirmado, o smart #2 Pure lidera com 290 km WLTP por 19.990 €, graças a uma bateria LFP de 35,8 kWh. O Leapmotor T03 fica pelos 265 km por cerca de 18.986 € e o BYD Dolphin Surf Active anuncia 220 km (20.885 € no lançamento em 2025). Para passar os 300 km é preciso subir para o Dolphin Surf Boost (322 km) ou a Citroën ë-C3 de 44 kWh (315 km), ambos acima dos 22 mil euros nos mercados de referência.
Sim. O Leapmotor T03 tem preço português de cerca de 18.986 €, cerca de 1.000 € abaixo do smart #2, com quatro lugares e 265 km WLTP. O Dacia Spring de segunda geração custa 17.900 € em França, mas o preço português ainda não está confirmado. Em troca dos lugares extra, ambos têm menos autonomia e carregamento rápido mais lento do que o smart #2.
O smart #2 carrega a 65 kW em DC e faz 10-80% em cerca de 20 minutos. O Leapmotor T03 (45-48 kW) precisa de 36 minutos para ir de 30% a 80%, e o Dacia Spring só tem DC de 50 kW com o Pack Charge opcional, demorando 28 minutos de 15% a 80%. Apenas a Citroën ë-C3 de 44 kWh, com 100 kW de série e 20-80% em 26 minutos, carrega com mais potência — mas custa mais.
Os microcarros como o Microlino, o Silence S04 ou o XEV YoYo são quadriciclos L7e, limitados a 15 kW de potência e 90 km/h de velocidade máxima, por isso não servem para autoestrada. O smart #2 é um automóvel M1 completo, com 60 kW (82 cv), 140 km/h, 290 km WLTP e carregamento rápido a 65 kW. Para uso exclusivamente urbano um L7e pode bastar; para sair da cidade, o smart #2 é praticamente a única opção nova de dois lugares.
As encomendas do smart #2 abriram em Portugal a 13 de outubro de 2026 e as primeiras entregas estão previstas para 2027, a mesma altura em que é esperada a chegada do Geely E2. Como todos os elétricos, está isento de ISV e de IUC, tal como os rivais desta comparação. A compra pode ainda ser candidata ao apoio do Fundo Ambiental, consoante as regras em vigor no momento da aquisição.
Depende de quem vai no carro. A resposta curta:
Em Portugal, todos estes elétricos beneficiam da isenção de ISV e de IUC, por isso a diferença de custo entre eles está sobretudo no preço de compra e na eventual candidatura ao apoio do Fundo Ambiental. Vale a pena comparar com o mercado de usados: há Spring, T03 e Dolphin Surf seminovos que podem ficar bem abaixo dos valores de tabela.
O smart #2 só começa a ser entregue em 2027, e até lá vão chegar preços portugueses do novo Spring, do Twingo e do Geely E2. Esta comparação vai mudar — mas, para já, nenhum rival abaixo dos 20 mil euros iguala os 290 km do smart.