
Mais 100 km de autonomia e o Rolls-Royce mais potente de sempre. É esse o resumo do Rolls-Royce Spectre Series II, a actualização de meia-vida do primeiro elétrico da marca britânica, apresentada a 2 de junho de 2026. O Spectre estava à venda desde 2023, e este refresh chega para o manter competitivo num segmento premium elétrico que cresce depressa — e a apenas uma semana de a Ferrari ter revelado o seu Luce.
Para quem segue o mercado em Portugal, o que interessa aqui é simples: o coupé elétrico de luxo mais caro à venda agora vai mais longe, carrega mais depressa e ganhou uma versão Black Badge que reescreve os números de potência da casa de Goodwood.
A grande novidade está na bateria. A capacidade mantém-se nos ~102 kWh, mas as células foram "re-engenheiradas" — palavra da própria Rolls-Royce — e o resultado é uma autonomia até 390 milhas WLTP, cerca de 628 km. São mais 18% do que a geração anterior. No ciclo americano EPA, o número fica nos 308 milhas (~496 km), uma subida de 16% face às anteriores ~265 milhas.
Na prática, falamos de um gran turismo elétrico que faz Lisboa-Porto e ainda sobra margem confortável para a viagem de regresso parcial sem ansiedade de carregamento. Os tempos de carregamento também desceram 14%: um 10–80% em menos de 30 minutos, com a pack a aceitar cerca de 250 kW em corrente contínua.
De onde vêm estes ganhos? Da partilha de tecnologia dentro do grupo BMW. O facelift do BMW i7 chegou em abril com uma bateria 20% mais densa em energia, mantendo os mesmos 102 kWh graças à croata Rimac. O Spectre usa os mesmos packs. A diferença de autonomia para o i7 explica-se pelo Spectre ser maior, mais pesado e menos aerodinâmico.

A potência subiu nas duas variantes. O modelo standard passa a debitar 593 cv e 1.015 Nm de binário, contra os 577 cv anteriores. Já a nova Black Badge é a estrela: 670 cv no chamado "Infinity Mode" e até 1.100 Nm em "Spirited Mode", quando o launch control entra em ação.
Estes 670 cv fazem dela a Rolls-Royce de produção mais potente nos 122 anos de história da marca. Não é um número que diga muito sobre prazer de condução num carro deste género — ninguém compra um Spectre para fazer tempos de volta — mas é a prova de que o elétrico libertou a Rolls-Royce de qualquer compromisso de potência.
Ambas as versões usam o conjunto de dois motores do BMW i7 M70, a referência de topo elétrica da BMW.
| Especificação | Standard | Black Badge |
|---|---|---|
| Potência | 593 cv | 670 cv |
| Binário | 1.015 Nm | 1.100 Nm |
| Potência anterior (Series I) | 577 cv | — |
| Autonomia WLTP | até 628 km | até 628 km |
| Autonomia EPA | 496 km | 496 km |
| Bateria | ~102 kWh | ~102 kWh |
| Carregamento 10–80% | menos de 30 min | menos de 30 min |
| Motorização | Bi-motor (base BMW i7 M70) | Bi-motor (base BMW i7 M70) |
Se os números técnicos são uma evolução comedida, a personalização é onde a Rolls-Royce abriu o catálogo. O Spectre é o segundo modelo mais personalizado da marca, atrás apenas do Phantom, e desde o lançamento original os clientes pediram mais de 20 elementos à medida.
As novidades do Series II incluem:
As encomendas abriram logo no dia da apresentação. No Reino Unido, o standard parte de cerca de £330.000 e a Black Badge de £400.000; nos Estados Unidos, os valores anunciados são 397.750 $ e 467.750 $. As entregas na América do Norte começam no final de 2026.
Para Portugal, não há preço oficial. Mas é possível enquadrar: o Series I rondava os 350.000 € no nosso mercado, e tudo aponta para que o Series II suba a partir daí. Convém lembrar que, sendo elétrico, o Spectre beneficia da isenção de ISV e de um IUC reduzido — um detalhe que, num carro deste valor, ainda assim representa uma poupança relevante face a um equivalente a combustão.
Vale a pena uma nota de contexto. A autonomia de 628 km, embora muito melhor, continua atrás de rivais como o Mercedes EQS (até 575 milhas WLTP em algumas versões) ou o Lucid Air (mais de 500 milhas EPA, a partir de uma fração do preço). E as vendas do Spectre caíram 47% em 2025, para 1.002 unidades, depois de quase 1.900 em 2024. Os donos conduzem em média cerca de 6.400 km por ano e carregam quase sempre em casa — o que torna a autonomia, na verdade, menos crítica do que os números sugerem.
Ainda não há preço oficial para Portugal. No Reino Unido, o Spectre Series II parte de cerca de 330.000 libras na versão standard e 400.000 libras na Black Badge; nos Estados Unidos, os valores são 397.750 e 467.750 dólares. Como o Series I rondava os 350.000 euros no mercado português, é expectável que o Series II suba a partir desse valor. Sendo elétrico, beneficia de isenção de ISV e de IUC reduzido.
O Spectre Series II anuncia até 390 milhas WLTP, cerca de 628 km, mais 18% do que a geração anterior. No ciclo americano EPA fica nos 308 milhas (~496 km). O ganho vem de células de bateria re-engenheiradas, mantendo a capacidade de ~102 kWh. Na prática, faz Lisboa-Porto com margem confortável, mas a maioria dos donos conduz cerca de 6.400 km por ano e carrega quase sempre em casa.
A nova versão Black Badge debita 670 cv em 'Infinity Mode' e até 1.100 Nm de binário em 'Spirited Mode', tornando-se a Rolls-Royce de produção mais potente nos 122 anos de história da marca. O modelo standard também subiu, dos 577 cv anteriores para 593 cv e 1.015 Nm. Ambas as versões usam o conjunto de dois motores do BMW i7 M70.
Apesar do salto para 628 km WLTP, o Spectre Series II continua atrás de rivais como o Mercedes EQS, que chega a anunciar até 575 milhas WLTP em algumas versões, ou o Lucid Air, com mais de 500 milhas EPA por uma fração do preço. Ainda assim, no segmento dos coupés elétricos de luxo o Spectre não tem concorrência direta com a mesma exclusividade e personalização.
O Series II ganha mais autonomia (até 628 km WLTP, +18%), carregamento 14% mais rápido (10-80% em menos de 30 minutos) e mais potência (593 cv contra os 577 cv do Series I). Estreia ainda a versão Black Badge de 670 cv e uma vasta atualização de personalização, com tecido Duality Twill, pele Placed Perforation, folheado Brindled Walnut e jantes forjadas de 23 polegadas. As mudanças visuais exteriores são mínimas.
Se procura um carro elétrico de luxo, o Spectre Series II é hoje a proposta mais extrema do mercado. Para quem o pode comprar, os ganhos de autonomia e a nova Black Badge tornam-no mais fácil de justificar do que o original. Resta esperar pelo preço oficial em euros — e por ver quantos chegam às estradas portuguesas.