
Até agora, a versão de entrada do Renault 5 tinha um defeito difícil de ignorar: não carregava em corrente contínua. Nada de postos rápidos na A1, nada de recuperar bateria numa paragem de café. Isso acabou. A Renault reformulou o Five para o ano-modelo 2026 e passou a incluir carregamento DC até 80 kW de série — sem mexer no preço.
Em França, onde a tabela já foi publicada, o Five mantém-se nos 24.990 €. Em Portugal, a Renault lista o Five a partir de 24 900 € (PVPR). É um dos poucos elétricos no mercado com carregamento rápido incluído por menos de 25 mil euros, e o único do lote de citadinos baratos que não pede um extra para isso.
A mudança é mais profunda do que um simples pacote de equipamento. O Five troca o motor de 95 cv e a bateria de 40 kWh NMC por um conjunto novo, herdado do Renault Twingo E-Tech: motor de 80 kW (110 cv) derivado da unidade Shanghai e-Drive, e bateria LFP de 36,5 kWh com arquitetura cell-to-pack — sem o nível intermédio de módulos, o que reduz peso e custo.
A autonomia declarada é de até 305 km WLTP. São 7 km a menos do que a versão de 40 kWh que substitui, e é aí que está o compromisso: perde-se um pouco em papel, ganha-se muito na prática. Um carro com 305 km e carregamento a 80 kW é utilizável numa viagem longa; um carro com 312 km e só carregamento AC não é.
Há outra troca a registar: o carregador de bordo em corrente alternada desce de 11 kW para 6,6 kW. Em casa, durante a noite, é irrelevante. Num carregador público AC de 22 kW, significa esperar praticamente o dobro do tempo. Vale a pena saber antes de assinar.
E o desempenho não sofreu. Renault indica 3,5 segundos dos 0 aos 50 km/h, que é o número que interessa num citadino — arrancar de um semáforo, entrar numa rotunda, sair de uma saída de garagem para o trânsito.

As versões com bateria NMC também ganharam quilómetros, por via de melhorias aerodinâmicas (altura ao solo mais baixa, espelhos redesenhados) e de otimização da eletrónica da bateria.
| Especificação | Five | Urban Range | Comfort Range |
|---|---|---|---|
| Potência | 80 kW / 110 cv | 90 kW / 120 cv | 110 kW / 150 cv |
| Bateria | 36,5 kWh LFP | 40 kWh NMC | 52 kWh NMC |
| Autonomia WLTP | até 305 km | até 315 km (antes 312) | até 430 km (antes 410) |
| Carregamento AC | 6,6 kW | 11 kW | 11 kW |
| Carregamento DC | 80 kW | 80 kW | 100 kW |
| Acabamentos | Five | Evolution, Techno | Evolution, Techno, Iconic Cinq, Roland-Garros |
O salto da versão Comfort Range é o mais significativo: mais 20 km, para 430 km WLTP. Na prática, e contando com o desconto habitual entre WLTP e mundo real, é um carro que faz Lisboa–Porto com uma paragem curta.
Aqui é preciso cuidado, porque cada mercado europeu recebeu um ajuste diferente. A tabela francesa de agosto de 2026 é a mais completa publicada até agora:
| Versão | Potência | Bateria | Preço em França |
|---|---|---|---|
| Five | 110 cv | 36,5 kWh LFP | 24.990 € |
| Evolution | 120 cv | 40 kWh | 28.490 € |
| Techno | 120 cv | 40 kWh | 30.490 € |
| Evolution | 150 cv | 52 kWh | 31.990 € |
| Techno | 150 cv | 52 kWh | 33.990 € |
| Iconic Cinq | 150 cv | 52 kWh | 35.490 € |
| Roland-Garros | 150 cv | 52 kWh | 36.490 € |
Estes são preços franceses. Na Alemanha, a Renault cortou 1.710 € em toda a gama — mas não comercializa a versão Five com bateria LFP. Na Holanda, as Evolution e Techno desceram 800 €. Ou seja: não existe um "preço europeu" do Renault 5, e a tabela portuguesa tem de ser confirmada em renault.pt.
Um ponto importante para quem está a comparar: a chegada da versão Five com bateria LFP a Portugal ainda não está confirmada. A Alemanha ficou de fora, e a Renault ainda não detalhou todos os mercados. Se o objetivo é especificamente o carregamento DC de série na versão de entrada, confirme com o concessionário antes de fazer o pedido.
É neste ponto que a atualização faz sentido. Nos citadinos elétricos baratos, o carregamento rápido é quase sempre um extra pago — e mesmo quando se paga, a potência é modesta.
| Modelo | Bateria | Autonomia WLTP | Carregamento DC |
|---|---|---|---|
| Renault 5 Five | 36,5 kWh LFP | 305 km | 80 kW, de série |
| Renault Twingo E-Tech | 27,5 kWh | 263 km | 50 kW, opcional (cerca de 500 €) |
| Citroën ë-C3 | 29–30 kWh | até 320 km | 30 kW, opcional (+400 €) |
| Dacia Spring | 24,3 kWh LFP | 225 km | 40 kW, opcional |
Nenhum rival inclui carregamento DC de série, e o mais rápido dos opcionais fica-se pelos 50 kW. Com 80 kW, o Five recupera autonomia a um ritmo que torna uma viagem de fim de semana ao Alentejo ou ao Algarve gerível — desde que se planeie a paragem na rede Mobi.E. Os outros três são carros de cidade que ocasionalmente saem da cidade. O Renault 5 Five deixou de estar nessa categoria.
Fiabilidade também conta a favor: as células LFP toleram melhor cargas frequentes a 100% e tendem a degradar-se mais lentamente do que as NMC. Para quem carrega em casa todos os dias, é uma vantagem discreta mas real.
A atualização de 2026 traz também software e equipamento novos em toda a gama. O Google Gemini substitui o Google Assistant através de atualização over-the-air, com 2 GB de dados mensais incluídos durante três anos. O modo Smart passa a alternar automaticamente entre Eco, Comfort e Sport, substituindo o antigo MySense. O sistema de chamada de emergência passa a 4G.
Do acabamento Techno para cima há um carregador de telemóvel sem fios Qi2 magnético e ventilado, capaz de 50% de bateria numa hora — o arrefecimento resolve o problema clássico dos carregadores por indução que abrandam quando o telemóvel aquece.
No exterior surgem as cores Vermelho Chama e Cinzento Xisto Metalizado, jantes de 18 polegadas em dourado, e autocolantes de tejadilho Hyper5 e Vibrant5. O acabamento Iconic troca o estofo amarelo pelo azul.
A Renault Portugal lista a versão de entrada Five a partir de 24 900 € (PVPR). Atenção ao número que encontra noutras publicações: os 24.990 € correspondem à tabela francesa de agosto de 2026, e cada mercado europeu recebeu um ajuste diferente — a Alemanha cortou 1.710 € em toda a gama e a Holanda baixou as versões Evolution e Techno em 800 €. Não existe um preço europeu único, por isso confirme sempre a tabela nacional em vigor em renault.pt ou no concessionário antes de encomendar.
Ainda não está confirmada. A Renault abriu encomendas na Europa a 25 de agosto de 2026, mas não detalhou todos os mercados e a Alemanha, por exemplo, ficou de fora desta versão com bateria LFP. Se o que procura é especificamente o carregamento DC de série na versão de entrada, verifique com o concessionário qual a configuração exata que está a ser comercializada em Portugal antes de assinar o pedido.
O Five passa a aceitar até 80 kW em corrente contínua de série — a versão anterior, com 95 cv e bateria de 40 kWh NMC, não carregava em DC de todo. Com uma bateria de 36,5 kWh, uma recarga dos 10% aos 80% num posto rápido da rede Mobi.E deverá ficar na ordem dos 30 minutos, embora a Renault ainda não tenha publicado o tempo oficial. Em corrente alternada é mais lento do que nas versões superiores: o carregador de bordo desce de 11 kW para 6,6 kW, o que dá uma carga completa em cerca de seis horas — irrelevante durante a noite em casa, mas o dobro do tempo num posto público AC de 22 kW.
O Five é a versão de entrada e a única com a nova bateria LFP de 36,5 kWh e motor de 80 kW (110 cv), com até 305 km WLTP. As versões Evolution e Techno usam baterias NMC: 40 kWh com 90 kW (120 cv) e até 315 km WLTP, ou 52 kWh com 110 kW (150 cv) e até 430 km WLTP, ambas com carregador AC de 11 kW. A distinção entre Evolution e Techno é sobretudo de equipamento — é a partir do acabamento Techno que surge o carregador de telemóvel sem fios Qi2 magnético e ventilado, capaz de 50% de bateria numa hora.
Depende do uso, mas no carregamento a diferença é grande. Nenhum dos citadinos elétricos baratos inclui carregamento DC de série: o Citroën ë-C3 oferece 30 kW como extra (+400 €), o Dacia Spring 40 kW opcional e o Renault Twingo E-Tech 50 kW por cerca de 500 €. Os 80 kW de série do Five são a potência mais alta do grupo e transformam-no num carro que consegue fazer uma viagem longa, ao contrário dos rivais, que continuam a ser carros essencialmente urbanos. Acresce que as células LFP toleram melhor cargas frequentes a 100% e tendem a degradar-se mais lentamente do que as NMC.
A gama já está em encomenda nos mercados europeus onde o Renault 5 é vendido, com apresentação pública no Salão Automóvel de Paris, entre 12 e 18 de outubro. Quem estiver a olhar para um elétrico citadino em Portugal tem duas coisas para acompanhar: a tabela de preços nacional atualizada e a confirmação da versão Five com bateria LFP. Se ela chegar cá pelo preço atual, torna-se difícil justificar pagar por um carregamento rápido opcional noutro modelo.