
Pegue numa nota de 10 euros e veja até onde ela o leva. Carregado em casa, um carro elétrico anda 287 km com esses 10 euros em Portugal. A gasolina? Cerca de 99 km. O gasóleo fica-se pelos 118 km. É quase o triplo da distância pelo mesmo dinheiro — e não é uma estimativa de fabricante, são dados de um índice europeu que compara 17 países.
Esta é a forma mais simples de perceber quanto custa andar de carro elétrico em Portugal. Esqueça os cálculos de kWh e litros. A pergunta é direta: quantos km com 10 euros?
O fabricante norueguês de carregadores Zaptec criou um índice — o Zaptec Index, atualizado em contínuo — que mede até onde 10 euros de energia o levam em 17 mercados europeus. Para a comparação ser justa, usa três versões do mesmo carro: o Volkswagen ID.3 Pro elétrico (14,3 kWh/100 km), o Golf 1.5 TSI a gasolina (5,1 L/100 km) e o Golf 2.0 TDI a gasóleo (4,3 L/100 km).
Os preços de energia e combustível saem de fontes oficiais — Eurostat, o Boletim Petrolífero Semanal da UE, agências nacionais de estatística e as tarifas publicadas pelas principais redes de carregamento. Não há marketing pelo meio.
"As pessoas não deviam ter de ser analistas de energia para saber quanto custa andar de carro", resumiu Kurt Østrem, CEO da Zaptec.
Aqui está a parte que vai surpreender muita gente: Portugal é o 4.º melhor país da Europa para carregar em casa. Com eletricidade a cerca de €0,24/kWh, os tais 10 euros dão para 287 km. À frente só estão a Noruega (364 km), a Islândia (344 km) e a Finlândia (310 km) — todos países com eletricidade barata e muita energia renovável.
| País | Elétrico em casa (km) | Gasolina (km) | Gasóleo (km) |
|---|---|---|---|
| Noruega | 364 | — | — |
| Islândia | 344 | 126 | 132 |
| Finlândia | 310 | 89 | 104 |
| Portugal | 287 | ~99 | ~118 |
| França | 273 | 98 | 117 |
| Áustria | 214 | 109 | 122 |
| Alemanha | 181 | — | — |
A Áustria fecha a tabela dos 17 mercados com 214 km em casa — e mesmo aí o elétrico continua a fazer cerca do dobro da gasolina. Ou seja: não há um único país europeu onde carregar em casa não compense face à bomba.

Vamos ao caso português com calma. Em junho de 2026, a gasolina 95 anda nos €1,65/L e o gasóleo nos €1,66/L — ambos abaixo da média da UE-27, que ronda os €1,81/L. A eletricidade doméstica fica nos tais €0,24/kWh.
Com esses preços e o consumo do trio Volkswagen, os 10 euros traduzem-se em:
O carro elétrico carregado em casa anda cerca de 3 vezes mais do que a gasolina e 2,4 vezes mais do que o gasóleo pelo mesmo dinheiro. Posto noutra perspetiva: o que um depósito de gasolina faz em 99 km, a tomada de casa faz em quase 300 km.
Nem toda a gente tem garagem com tomada. A boa notícia é que Portugal também está no pódio do carregamento público: 3.º melhor da Europa, com 233 km por 10 euros a uma tarifa média de €0,30/kWh. Só a Islândia (250 km) e a Finlândia (241 km) fazem melhor.
Na rede Mobi.E os preços variam bastante consoante o posto e a potência:
| Tipo de carregamento | Tarifa aproximada (€/kWh) |
|---|---|
| AC (corrente alternada) | 0,15 – 0,30 |
| DC rápido | 0,30 – 0,50 |
| Ultrarrápido | 0,50 – 0,70 |
A €0,30/kWh, o elétrico continua a deixar a gasolina (99 km) e o gasóleo (118 km) muito para trás.
Aqui entra a parte honesta. A vantagem do elétrico depende de onde mete a energia. Nos carregadores ultrarrápidos portugueses, a tarifa pode subir até aos €0,65/kWh ou mais — e a essa tarifa os 287 km do início encolhem para perto do que faz um carro a combustão.
Não é só teoria portuguesa. Em Itália (€0,70/kWh) e no Reino Unido (€0,73/kWh) o índice mostra o elétrico a fazer apenas 101 e 96 km por 10 euros no carregamento público — menos do que um diesel. Quem depende exclusivamente de carregadores rápidos em viagem perde grande parte da poupança.
A leitura prática é simples: o elétrico ganha de forma clara para quem carrega em casa ou na rede AC mais barata. Para o utilizador de autoestrada que vive do carregador ultrarrápido, as contas aproximam-se das da gasolina.
Carregando em casa a cerca de €0,24/kWh, 10 euros dão para cerca de 287 km num elétrico tipo Volkswagen ID.3 (14,3 kWh/100 km), segundo o Zaptec Index. Com os mesmos 10 euros, a gasolina faz só ~99 km e o gasóleo ~118 km, aos preços de junho de 2026 (€1,65 e €1,66/L). Ou seja, o elétrico anda quase o triplo da distância pelo mesmo dinheiro.
Para quem carrega em casa, andar de elétrico custa cerca de um terço do que custa a gasolina ao quilómetro. O elétrico faz aproximadamente 3 vezes mais distância do que a gasolina e 2,4 vezes mais do que o gasóleo por cada 10 euros de energia. A vantagem só se esbate em quem depende exclusivamente de carregadores ultrarrápidos.
Sim. No carregamento em casa, Portugal é o 4.º melhor país de 17 mercados europeus analisados (287 km por 10 euros), atrás apenas da Noruega, Islândia e Finlândia. Na rede pública é ainda o 3.º melhor, com 233 km por 10 euros a uma tarifa média de €0,30/kWh — à frente de mercados como França, Alemanha e Áustria.
Em casa a eletricidade ronda os €0,24/kWh, o que rende 287 km por 10 euros. Na rede pública Mobi.E os preços variam: ~€0,15-0,30/kWh em AC, €0,30-0,50/kWh em DC rápido e €0,50-0,70/kWh no ultrarrápido. A €0,30/kWh ainda se fazem cerca de 233 km por 10 euros, mas quanto mais rápida a tomada, mais cara fica a energia.
Pode, em certos casos. Nos carregadores ultrarrápidos em Portugal a tarifa pode chegar a €0,65/kWh ou mais, encolhendo os 287 km para perto do que faz um carro a combustão. Em Itália (€0,70/kWh) e no Reino Unido (€0,73/kWh) o índice mostra mesmo o elétrico a fazer menos quilómetros do que um diesel no carregamento público — daí a poupança depender de carregar sobretudo em casa ou na rede AC mais barata.
Se faz a maioria dos quilómetros a partir de casa — o caso da esmagadora maioria dos condutores em deslocações diárias — a resposta dos números é clara: andar de elétrico em Portugal custa cerca de um terço do que custa a gasolina. E o país está entre os mais baratos da Europa para o fazer, algo que poucos cá teriam adivinhado.
Antes de decidir, vale somar à conta a isenção de ISV e o IUC reduzido dos elétricos, que pesam no custo total de posse. O preço da nota de 10 euros já lhe diz o essencial: ao quilómetro, é difícil bater uma tomada de casa.