
207 kW, 345 Nm, 0-100 km/h em 5,5 segundos, diferencial autoblocante Torsen e travões Alcon de quatro pistões. Esta ficha técnica serve para dois carros. O Peugeot E-208 GTi e o Opel Corsa GSE são gémeos da Stellantis, construídos sobre a mesma plataforma e-CMP e com o mesmo motor M4+, mas chegam a Portugal com preços diferentes.
Este comparativo E-208 GTi vs Corsa GSE vs Alpine A290 responde à pergunta que qualquer comprador faz ao ver os dois lado a lado: o que é que se paga a mais no Peugeot? E, já agora, faz sentido olhar para o Alpine A290, menos potente mas mais leve, que é a referência dos hot hatch elétricos no nosso mercado?
A lista de componentes comuns é longa. Os dois foram afinados pela Stellantis Motorsport e são os últimos desportivos da plataforma e-CMP antes da chegada da STLA-One, prevista para 2027/2028.
A revista britânica evo, que ensaiou o Peugeot, resumiu-o numa frase: dinamicamente, o E-208 GTi "espelha de perto" o irmão da Opel. Quem procura diferenças ao volante vai ter dificuldade em encontrá-las.
Aqui a história fica interessante. Na Alemanha, o Peugeot custa 44.900 euros e o Opel 39.900 euros, cerca de 5.000 euros de diferença. Em França, o fosso encolhe para 3.000 euros (42.900 contra 39.900 euros).
Em Portugal a diferença é ainda menor. O Corsa GSE já tem preço oficial: a partir de 42.740 euros, com encomendas abertas desde setembro. O E-208 GTi foi anunciado por 44.900 euros. São 2.160 euros de diferença, menos de metade do que um alemão paga a mais pelo leão.
| Modelo | Potência | Preço em Portugal |
|---|---|---|
| Opel Corsa GSE | 281 cv | desde 42.740 € |
| Peugeot E-208 GTi | 280 cv | 44.900 € |
| Alpine A290 GT | 180 cv | desde 39.000 € |
| Alpine A290 GTS | 220 cv | desde 45.200 € |
Os preços do Alpine A290 subiram ligeiramente desde o lançamento: as primeiras tabelas portuguesas indicavam 38.700 euros para o GT e 44.905 euros para o GTS. Os valores da tabela são os que a marca publica atualmente no site português, mas convém confirmar no concessionário antes de fechar negócio, sobretudo com campanhas em curso.
Por serem 100% elétricos, os três estão isentos de ISV e IUC. Para empresas, ficam abaixo do limite de 62.500 euros que garante tributação autónoma nula e IVA dedutível, o que os torna candidatos sérios a carro de serviço com algum caráter.
Mesmo motor, preço diferente. Os 2.160 euros extra do Peugeot compram sobretudo design e herança, não desempenho.
O E-208 GTi aposta tudo na nostalgia do 205 GTi: filetes vermelhos nas cavas das rodas, a inscrição GTi no pilar C exatamente como nos anos 80, jantes de 18 polegadas perfuradas ao estilo Speedline, spoiler no tejadilho e difusor traseiro agressivo. Lá dentro, tapetes vermelhos, cintos vermelhos, volante em Alcantara perfurada e o sistema i-Connect Advanced com navegação TomTom.
A Opel foi pelo caminho oposto. O Corsa GSE é discreto por fora, com apontamentos em preto brilhante e autocolantes como principal sinal de que não é um Corsa qualquer. A Automobile Propre chamou-lhe um "sleeper", um carro que não denuncia o que vale.
Discrição não significa carro despido. O GSE vem numa única versão bem recheada:
Há um detalhe prático a favor do Opel: o carregador AC de 11 kW. A Carwow indica 7,4 kW para o Peugeot, com os 11 kW provavelmente como opção. Para quem carrega numa wallbox trifásica em casa, isto encurta uma carga completa em várias horas.

Então, vale a pena pagar mais pelo Peugeot E-208 GTi? Só se o design e a ligação ao 205 GTi pesarem na sua decisão. Em prestações, travagem e comportamento, os dois são praticamente o mesmo carro.
O Alpine A290 GTS tem uma filosofia diferente. São 162 kW (220 cv) e 300 Nm, 0-100 km/h em 6,4 segundos e 170 km/h de velocidade máxima. No papel perde em tudo o que mede força bruta: a evo aponta que o Peugeot é 0,9 segundos mais rápido até aos 100 km/h.
O trunfo do Alpine é o peso. Com 1.479 kg, é mais leve do que o Corsa GSE (1.554 kg) e do que o E-208 GTi (1.546 kg segundo a evo, 1.610 kg segundo dados anteriores da Carwow). Junta-lhe suspensão traseira multibraço, jantes de 19 polegadas e travões Brembo na versão GTS. Não tem diferencial autoblocante mecânico, que é precisamente a arma dos dois Stellantis.
| Especificação | Peugeot E-208 GTi | Opel Corsa GSE | Alpine A290 GTS |
|---|---|---|---|
| Potência | 207 kW / 280 cv | 207 kW / 281 cv | 162 kW / 220 cv |
| Binário | 345 Nm | 345 Nm | 300 Nm |
| 0-100 km/h | 5,5 s | 5,5 s | 6,4 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h | 180 km/h | 170 km/h |
| Bateria | 54 kWh (51 úteis) | 54 kWh (51 úteis) | 52 kWh |
| Autonomia WLTP | 350-375 km | 354-374 km | até 380 km |
| Carregamento DC | 100 kW, 20-80% em ~27 min | 100 kW, 20-80% em 27 min | 100 kW, 10-80% em 30 min |
| Carregamento AC | 7,4 kW (11 kW provável opção) | 11 kW | 11 kW |
| Peso | 1.546-1.610 kg | 1.554 kg | 1.479 kg |
| Autoblocante mecânico | Sim (Torsen) | Sim (Torsen) | Não |
| Jantes | 18" | 18" | 19" |
| Preço em Portugal | 44.900 € | desde 42.740 € | desde 45.200 € |
No habitáculo, o Alpine joga noutra liga: pele Nappa, som Devialet com nove altifalantes, telemetria Alpine, dois ecrãs de 10 polegadas, condução com um só pedal e os botões Recharge e Overtake inspirados na Fórmula 1. A Carwow resumiu bem o duelo: o Peugeot é "bruto, agressivo e sobra-lhe potência", o Alpine é "mais subtil, mais refinado e mais fiel ao espírito desportivo clássico".

Em Portugal, o A290 GTS custa praticamente o mesmo que o E-208 GTi, cerca de 300 euros a mais. Quem aceita os 180 cv da versão GT de entrada poupa quase 6.000 euros face ao Peugeot, mas aí já não estamos a comparar hot hatch com hot hatch.
Os números WLTP rondam os 350-375 km nos dois Stellantis, com os pneus Hankook a darem mais uns 20 km do que os Michelin. Na estrada, a realidade depende muito do pé direito. Os ensaios da Automobile Propre ao Corsa GSE dão uma boa ideia:
Os ensaios alemães ao E-208 GTi e ao Corsa GSE ficaram nos 20 kWh/100 km, e com condução mais animada a autonomia cai para 200-250 km. Traduzindo para o nosso mapa: um Lisboa-Porto a ritmo de autoestrada obriga a uma paragem na rede MOBI.E.
É aqui que surge a principal crítica da imprensa. O carregamento DC de 100 kW é pouco para um carro que gasta 20 kWh ou mais quando é bem aproveitado. A electrive aponta ainda a ausência de condução com um só pedal, de auto-hold e de patilhas para regular a regeneração no Corsa GSE. O Alpine também carrega a 100 kW, mas pelo menos tem modo one-pedal.
O trio não está sozinho. A Lancia Ypsilon HF usa o mesmo motor de 280 cv (42.400 euros em França). O Cupra Raval VZ tem 225 cv e o Mini John Cooper Works elétrico 258 cv. Do lado da Volkswagen, o ID. Polo GTI deve chegar por cerca de 39.000 euros na Alemanha. Os preços portugueses destes rivais ainda não estão todos definidos, mas o segmento vai ficar bem mais disputado nos próximos meses.
Sim. Os dois usam o motor M4+ da Stellantis com 207 kW (280/281 cv) e 345 Nm, a mesma bateria de 54 kWh (51 kWh úteis), o diferencial autoblocante Torsen e os travões Alcon de quatro pistões. Ambos fazem 0-100 km/h em 5,5 segundos e chegam aos 180 km/h. As diferenças estão no design, no equipamento e no carregador AC: 11 kW no Corsa GSE contra 7,4 kW indicados para o Peugeot.
Em Portugal, o Corsa GSE custa desde 42.740 euros e o E-208 GTi 44.900 euros, uma diferença de 2.160 euros. É bem menos do que na Alemanha, onde o fosso ronda os 5.000 euros (44.900 contra 39.900 euros), ou em França, com 3.000 euros. Como são 100% elétricos, os dois estão isentos de ISV e IUC, e para empresas ficam abaixo do limite de 62.500 euros que permite deduzir o IVA.
O E-208 GTi é mais rápido em linha reta: 280 cv e 345 Nm contra 220 cv e 300 Nm, 0-100 km/h em 5,5 segundos contra 6,4 segundos e 180 km/h de velocidade máxima contra 170 km/h. O Alpine responde com menos peso (1.479 kg contra 1.546-1.610 kg) e suspensão traseira multibraço, mas não tem diferencial autoblocante mecânico. Em Portugal, o A290 GTS custa desde 45.200 euros, cerca de 300 euros acima do Peugeot.
A autonomia WLTP ronda os 350-375 km, mas em utilização real fica bastante abaixo. Nos ensaios da Automobile Propre ao Corsa GSE, o consumo variou entre 15,7 kWh/100 km em percurso misto calmo (cerca de 324 km) e 23,5 kWh/100 km em autoestrada a 110-130 km/h (200-220 km). No carregamento rápido DC a 100 kW, passar de 20% para 80% demora cerca de 27 minutos.
O Corsa GSE é o que oferece mais desempenho por euro, com 281 cv desde 42.740 euros e equipamento completo de série. O E-208 GTi dá o mesmo desempenho com a estética do 205 GTi por 44.900 euros, e o Alpine A290 GTS aposta no refinamento e na leveza. Vale a pena acompanhar também a Lancia Ypsilon HF (280 cv), o Cupra Raval VZ (225 cv), o Mini John Cooper Works elétrico (258 cv) e o VW ID. Polo GTI, cujos preços em Portugal ainda não estão todos definidos.
Se o objetivo é desempenho por euro, o Corsa GSE é a escolha racional. Tem o mesmo motor, o mesmo diferencial e os mesmos travões do Peugeot, custa 2.160 euros menos em Portugal e traz carregador AC de 11 kW e equipamento completo de série. Foi apresentado ao mundo no Caramulo Motorfestival, o que diz alguma coisa sobre a importância que a Opel dá ao nosso mercado.
O E-208 GTi justifica a diferença para quem cresceu a ver o 205 GTi e quer um carro que se note na rua. É o mesmo pacote mecânico com mais personalidade visual, e em Portugal a fatura dessa personalidade é bem mais leve do que na Alemanha.
O Alpine A290 GTS é para quem valoriza leveza, refinamento e equipamento premium acima dos números de aceleração. Pelo mesmo dinheiro do Peugeot, entrega uma experiência mais completa, mas menos explosiva. Antes de assinar, vale a pena comparar campanhas nos concessionários: estes preços de tabela raramente são o valor final.