
A Nissan pôs à venda no Japão, a 22 de julho de 2026, a versão NISMO do LEAF de terceira geração. E fez algo que quase nenhuma marca faz hoje: não mexeu na potência. O LEAF NISMO B7 tem os mesmos 160 kW (218 cv) e 355 Nm do LEAF normal. O B5 fica-se pelos 130 kW (177 cv) e 345 Nm. Ambos de tração dianteira, tal como o modelo de série.
Toda a diferença está no chassis, na aerodinâmica, no software e no aspeto. Se está à espera de um hot hatch elétrico com 300 cv, este não é o carro. Se lhe interessa um crossover elétrico que se comporte melhor numa estrada de montanha sem perder autonomia relevante, vale a pena continuar a ler — sobretudo porque a Europa já está confirmada e o preço em Portugal ainda não.
O LEAF de terceira geração já não é a hatchback que conhecíamos. É um crossover de 4.415 mm de comprimento, 1.810 mm de largura e 1.550 mm de altura, com 2.690 mm de distância entre eixos e um peso entre 1.820 e 1.920 kg conforme a versão. O NISMO mantém essas medidas.
| Especificação | B5 NISMO | B7 NISMO |
|---|---|---|
| Potência | 130 kW (177 cv) | 160 kW (218 cv) |
| Binário | 345 Nm | 355 Nm |
| Tração | Dianteira | Dianteira |
| Bateria | 55 kWh | 75 kWh |
| Autonomia (WLTC Japão) | até 521 km | até 702 km |
| Autonomia (WLTP) | 436 km | 604 km |
| Jantes | 19" Enkei bicolor | 19" Enkei bicolor |
| Pneus | Michelin Pilot Sport 5 | Michelin Pilot Sport 5 |
| Níveis de regeneração | 4, por patilhas | 4, por patilhas |
| Preço (Japão) | 6.601.100 ienes | 6.952.000 ienes |
Para referência, o LEAF standard europeu de 160 kW faz 0-100 km/h em 7,6 segundos e atinge 160 km/h. A Nissan não publicou números próprios para o NISMO, o que confirma que a mecânica é a mesma.
A lista de alterações mecânicas é mais séria do que o habitual em pacotes de aspeto. Molas específicas NISMO, barras estabilizadoras mais rígidas, casquilhos selecionados e amortecedores swing-valve herdados do X-Trail NISMO — estes últimos travam o balanceamento inicial da carroçaria sem endurecer a suspensão em piso irregular. Por cima, jantes Enkei de 19 polegadas calçadas com Michelin Pilot Sport 5.
O software de condução foi reescrito. A Nissan aponta para um arranque parado cerca de 20% mais forte e uma retoma mais consistente a velocidades altas, sem qualquer alteração na potência declarada — é gestão de binário, não hardware novo. O modo Sport desaparece e dá lugar a um modo NISMO dedicado; Standard e Eco também receberam calibração própria.
A novidade que mais interessa a quem gosta de conduzir são as patilhas de regeneração no volante, com quatro níveis. É o primeiro elétrico da NISMO a tê-las. O nível 1 quase não trava, e do 2 ao 4 a retenção vai aumentando. Na prática, servem para transferir peso para a frente antes de entrar numa curva, à maneira de quem usa o travão de pé esquerdo.

A aerodinâmica segue a mesma lógica funcional: para-choques dianteiro com condutas de ar, acabamentos de canto, saias laterais e inferiores das portas, e um difusor traseiro em casco de barco com ducktail prolongado. A Nissan garante mais downforce sem penalização de arrasto. Por fora há seis cores, espelhos em preto brilhante e filetes vermelhos.
O B7 anuncia até 702 km no ciclo japonês WLTC, o que corresponde a 604 km em WLTP — o ciclo que vale na Europa. O B5, com a bateria de 55 kWh, fica nos 521 km WLTC e 436 km WLTP. O LEAF standard europeu está cotado com até 624 km WLTP.
Atenção a um detalhe importante: estes valores WLTP são do LEAF, não do NISMO. A Nissan não publicou autonomia homologada para a versão NISMO. Com jantes de 19 polegadas e pneus Pilot Sport 5, que trocam eficiência por aderência, é realista contar com menos alguns pontos percentuais. Num percurso Lisboa-Porto em autoestrada, o B7 continua a fazê-lo sem parar com folga; o B5 fá-lo, mas já com o olho no carregador.
Não existe preço português. Nem alemão, nem sequer uma data europeia. O que existe é a tabela japonesa, e essa dá-nos uma referência utilizável: o prémio que a NISMO cobra sobre o LEAF normal.
| Versão (Japão) | Preço |
|---|---|
| LEAF B7 X (standard) | 5.188.700 ienes |
| LEAF B7 G (topo standard) | 5.999.400 ienes |
| LEAF B7 AUTECH | 6.513.100 ienes |
| LEAF B5 NISMO | 6.601.100 ienes |
| LEAF B7 NISMO | 6.952.000 ienes |
| LEAF B7 NISMO com RECARO | 7.227.000 ienes |
O B7 NISMO custa cerca de 950 mil ienes mais do que o B7 G, o topo de gama standard — aproximadamente +16%. É também cerca de 440 mil ienes acima do AUTECH, a linha de acabamento mais luxuosa.
Aplicando esse prémio de 16% aos preços europeus, chegamos a dois pontos de referência. Sobre o LEAF de 160 kW na Alemanha, que arranca em 41.200 euros, dá cerca de 47.800 euros. Sobre o topo de gama vendido em Portugal, na casa dos 51.600 euros, dá perto de 60.000 euros. A banda realista para um LEAF NISMO B7 em Portugal fica, portanto, algures entre 48.000 e 60.000 euros, provavelmente mais perto do meio dessa forquilha consoante o equipamento que a Nissan decidir incluir de série na Europa.
Isto é uma estimativa nossa, construída a partir do prémio japonês. Não é um preço anunciado pela Nissan e pode falhar por uma margem larga.
Aqui Portugal joga a favor. Sendo 100% elétrico, o LEAF NISMO fica isento de ISV e de IUC, o que retira do preço final a maior distorção que existe entre mercados europeus para carros com esta potência. Um desportivo a combustão com 218 cv pagaria vários milhares de euros só em ISV. O NISMO não paga nada.
Vale também lembrar que os bancos RECARO aquecidos, opcionais no B7 japonês por 275 mil ienes, poupam cerca de 20 kg face aos bancos de série. Se chegarem à Europa como opção, é dos poucos extras que compensa em dinâmica e não apenas em conforto.
A Nissan confirmou o plano de vender o LEAF NISMO na Europa e na América do Norte, sem indicar datas. Guillaume Cartier, Chief Performance Officer da marca, descreveu-o como "um modelo global". Convém dizer que as fontes não são unânimes quanto aos Estados Unidos — em finais de julho ainda se reportava que a Nissan não tinha planos confirmados para o mercado americano. Para a Europa, a informação é mais sólida.
Sem data europeia anunciada, e considerando o intervalo habitual entre lançamento japonês e chegada a Portugal, contar com disponibilidade nos concessionários portugueses antes de 2027 parece otimista.

Não é uma experiência nova. A NISMO trabalha o LEAF desde 2011, ano em que apresentou um protótipo com kit de carroçaria e jantes de 18 polegadas. Em 2013 chegaram os pacotes de retrofit no Japão: o Aero Package, só estético, e o Performance Package, que baixava o carro cerca de 30 mm com molas e amortecedores mais rígidos e reprogramava a centralina — sem tocar nos 107 cv do LEAF original.
Na segunda geração, em 2018, o NISMO passou a ser um nível de acabamento de fábrica, com direção reprogramada, suspensão mais rígida, relação de direção mais curta e bancos RECARO opcionais. A lógica manteve-se sempre igual: mexer no comportamento, não na potência. Houve exceções, mas só em pista — os LEAF NISMO RC de competição, o de 2018 com dois motores, tração integral, 322 cv e 3,4 segundos dos 0 aos 100 km/h.
A Nissan ainda não anunciou qualquer preço português nem europeu para o LEAF NISMO. A única base sólida é o mercado japonês, onde o B7 NISMO custa 6.952.000 ienes, cerca de 950 mil ienes (+16%) acima do B7 G, o topo de gama standard. Aplicando esse prémio ao LEAF de 160 kW alemão (41.200 euros) e ao topo de gama vendido em Portugal (cerca de 51.600 euros), a nossa estimativa aponta para uma banda entre 48.000 e 60.000 euros. É uma projeção nossa, não um preço oficial.
Não há data anunciada. O LEAF NISMO entrou à venda no Japão a 22 de julho de 2026 e a Nissan confirmou o plano de o vender na Europa, com Guillaume Cartier, Chief Performance Officer, a descrevê-lo como "um modelo global". Sem calendário europeu e considerando o intervalo habitual entre o lançamento japonês e a chegada aos concessionários portugueses, contar com unidades em Portugal antes de 2027 parece otimista.
Não. O B7 NISMO mantém os mesmos 160 kW (218 cv) e 355 Nm do LEAF standard, e o B5 NISMO fica-se pelos 130 kW (177 cv) e 345 Nm, ambos com tração dianteira. O ganho está no software de condução, que a Nissan diz render cerca de 20% mais força no arranque parado, e no chassis: molas específicas, barras estabilizadoras mais rígidas e amortecedores swing-valve herdados do X-Trail NISMO.
A Nissan não publicou autonomia homologada para o NISMO. Os valores conhecidos são do LEAF de série: 604 km WLTP no B7 de 75 kWh e 436 km WLTP no B5 de 55 kWh (702 km e 521 km no ciclo japonês WLTC). Com jantes Enkei de 19 polegadas e pneus Michelin Pilot Sport 5, que privilegiam aderência sobre eficiência, é realista contar com alguns pontos percentuais a menos do que estes números.
Não. Sendo 100% elétrico, o LEAF NISMO fica isento de ISV e de IUC em Portugal, ao contrário de um desportivo a combustão com 218 cv, que pagaria vários milhares de euros só em ISV. Essa isenção é o principal fator que aproxima o preço final português dos preços de mercados como a Alemanha, onde o LEAF standard de 160 kW arranca em 41.200 euros.
Se o objetivo é rodar muito, o B7 é o único que faz sentido: 604 km WLTP contra 436 km é uma diferença que se sente todas as semanas, e são apenas 350 mil ienes de diferença no Japão. O B5 fica como a opção de quem faz sobretudo cidade e periferia e quer o chassis NISMO pelo menor valor possível.
Face ao LEAF normal, a decisão é simples de enquadrar: paga-se cerca de 16% a mais por suspensão, aerodinâmica, jantes, pneus e software — e perde-se alguma autonomia por causa das rodas maiores. Quem quer autonomia máxima e conforto fica melhor servido pelo LEAF de série. Quem valoriza direção e apoio em curva num elétrico familiar não tem, neste segmento e a este preço, muitas alternativas em Portugal.
O que falta agora é a Nissan Portugal confirmar preço e calendário. Até lá, quem estiver a decidir tem tempo para comparar com o que já se compra hoje no mercado nacional — e o LEAF standard, esse, já cá está.