Nissan Juke Elétrico 2027: Autonomia, Ficha Técnica e Preço em Portugal

Publicado: 19/04/2026Nissan Juke Elétrico 2027: 622 km e Preço em Portugal

O Nissan Juke elétrico 2027 é oficial — e não é um concept

A Nissan apresentou em Yokohama a terceira geração do Juke e o formato levanta dúvidas logo à primeira vista: aquelas linhas em estilo origami, as luzes afiadas, o painel frontal cego? É isto mesmo que vai chegar aos concessionários. O Nissan Juke elétrico 2027 é a versão de produção, não um concept car disfarçado. Chega às estradas europeias na primavera de 2027, construído em Sunderland, no Reino Unido, e marca o fim das motorizações térmicas nesta linha.

Para o comprador português, há três notícias importantes: o carro existe, os números técnicos são sólidos, e a Nissan decidiu manter o Juke híbrido em paralelo — pelo menos durante algum tempo. Vamos ao que interessa.

Plataforma CMF-EV: irmão do Leaf, não do Renault 4

Há uma confusão que convém desfazer já. O novo Juke partilha plataforma com o Nissan Leaf III e o Ariya — a plataforma CMF-EV da Aliança. Não é primo do Renault 4 nem do Renault 5, que usam a AmpR Small da Renault. São rivais de segmento, não de arquitetura.

Essa base traz consequências concretas: o Juke elétrico usa as mesmas baterias do novo Leaf (52 kWh e 75 kWh, de química NMC arrefecidas a líquido) e o mesmo motor, só que desafinado. A tração é dianteira apenas — não há versão AWD como no Ariya. Para um B-SUV com 4,2 metros de comprimento, pensado para cidade e viagens familiares, faz todo o sentido.

Ficha técnica: 218 cv e até 622 km de autonomia

A configuração topo de gama aproxima-se do que a maioria dos condutores portugueses procura num SUV elétrico compacto: autonomia suficiente para o trajeto Lisboa-Porto sem parar e potência para não sofrer na A1.

Especificação52 kWh75 kWh
Potência177 cv218 cv
Binário345 Nm355 Nm
Autonomia WLTPaté 436 kmaté 604–622 km
Carregamento DC150 kW150 kW
10–80% DCcerca de 35 mincerca de 35 min
TraçãoDianteiraDianteira
V2GSimSim

Os 150 kW de carregamento rápido não são dos mais altos do mercado — o Kia EV3 atinge potências semelhantes, o Hyundai Kona Electric fica aquém — mas chegam para recuperar praticamente 400 km de autonomia numa pausa de café de 35 minutos. Em termos práticos, numa viagem Lisboa-Algarve uma única paragem resolve.

A funcionalidade Vehicle-to-Grid (V2G) é o que distingue o Juke da concorrência direta. Significa que o carro pode devolver energia à rede ou alimentar a casa em caso de corte — uma vantagem real em Portugal se as tarifas dinâmicas e a legislação de autoconsumo evoluírem nos próximos anos.

Design e interior: origami por fora, Google por dentro

O estilo nasce do concept Hyper Punk de 2023 e o Jordi Vila, vice-presidente da Nissan Europa, admitiu que a equipa de Sunderland teve dificuldade em estampar a chapa com aqueles ângulos tão agressivos. O resultado divide opiniões — a Autocar chamou-lhe "carro Marmite", ou se adora ou se detesta. Não existe meio-termo.

Lá dentro, a aposta é clara: dois ecrãs de 14,3 polegadas, Google built-in de série (com Maps otimizado para pontos de carregamento EV), atualizações OTA para manter o software fresco ao longo dos anos. A habitabilidade melhora em relação ao Juke Mk2, o que era preciso — o atual é conhecido pelo banco traseiro apertado.

Nissan Juke EV Portugal: quanto vai custar?

Não há preço oficial. A imprensa britânica aponta para cerca de £30.000 como base no Reino Unido — o equivalente a aproximadamente 35.000 € antes de impostos locais.

Para Portugal, a projeção realista é esta: a versão de entrada (52 kWh) deverá arrancar entre 37.000 € e 40.000 €, e a topo de gama (75 kWh) provavelmente ultrapassa os 45.000 €. Dois factores ajudam o comprador português:

  • Isenção de ISV para veículos 100% elétricos — poupança significativa face a um equivalente a combustão.
  • IUC reduzido e benefícios fiscais para viaturas de empresa que continuam a favorecer os elétricos.

Este posicionamento coloca o Juke elétrico em confronto direto com o Jeep Avenger EV (a partir de ~35.000 € em Portugal), o Peugeot e-2008 (~37.000 €) e o Kia EV3 (~38.000 €). O Renault 4 E-Tech, mais pequeno, fica abaixo. O Ford Puma Gen-E joga na mesma liga.

Quando chega o Nissan Juke elétrico a Portugal

O calendário da Nissan é claro:

  • Abril 2026: produção piloto arranca em Sunderland.
  • Início de 2027: produção em série.
  • Primavera de 2027: vendas na Europa.

Portugal segue normalmente o calendário europeu geral. É realista esperar as primeiras unidades nos concessionários nacionais entre abril e junho de 2027, com pré-reservas a abrir provavelmente no último trimestre de 2026, assim que a Nissan Portugal divulgar os preços.

Perguntas Frequentes

Não há preço oficial ainda, mas as estimativas apontam para um arranque entre 37.000 € e 40.000 € para a versão 52 kWh, e acima de 45.000 € para a topo de gama 75 kWh. A base no Reino Unido é cerca de £30.000 (aproximadamente 35.000 € antes de impostos locais). A isenção de ISV para elétricos e o IUC reduzido em Portugal aliviam significativamente o custo face a um equivalente a combustão.

A produção piloto arranca em Sunderland em abril de 2026 e a produção em série começa no início de 2027. As vendas europeias iniciam-se na primavera de 2027, e as primeiras unidades nos concessionários nacionais são esperadas entre abril e junho de 2027. As pré-reservas em Portugal devem abrir no último trimestre de 2026, assim que a Nissan Portugal anunciar os preços oficiais.

Em ciclo WLTP, a versão 52 kWh atinge até 436 km, e a versão 75 kWh chega aos 604-622 km. Em utilização real mista (autoestrada e cidade), é realista contar com cerca de 350 km na 52 kWh e aproximadamente 480-520 km na 75 kWh. A topo de gama permite fazer Lisboa-Porto sem qualquer paragem para carregar.

Apesar de ambos partilharem Aliança, o Juke usa a plataforma CMF-EV (mesma do Leaf III e Ariya), enquanto o Renault 4 assenta na AmpR Small — são rivais de segmento, não primos técnicos. O Renault 4 é mais pequeno e barato, o Kia EV3 oferece carregamento semelhante a 150 kW e preços a partir de cerca de 38.000 € em Portugal. O trunfo do Juke é o Vehicle-to-Grid (V2G) de série, que nenhum dos rivais diretos oferece nesta gama de preço.

Os veículos 100% elétricos beneficiam de isenção total de ISV (Imposto Sobre Veículos), o que representa uma poupança de vários milhares de euros face a um equivalente a combustão. O IUC anual é também reduzido, e as viaturas de empresa continuam a gozar de deduções fiscais favoráveis para elétricos. Para particulares, convém acompanhar o Fundo Ambiental, que historicamente oferece apoios entre 3.000 € e 4.000 € consoante a dotação anual disponível.

Estratégia dupla: o híbrido não desaparece

A Nissan ia descontinuar o Juke de segunda geração. Mudou de ideias. Massimiliano Messina, responsável pela Nissan Europa, confirmou que a marca continua "firmemente comprometida com um futuro totalmente elétrico", mas decidiu oferecer "maior escolha" face à adoção mais lenta do que esperado dos EVs em alguns mercados.

Para o comprador português indeciso, isto traduz-se numa decisão genuína: o Juke híbrido continua disponível em paralelo, produzido na mesma fábrica, para quem ainda não está pronto para o salto. O elétrico é o futuro da linha; o híbrido é a ponte.

Com quase 1,5 milhões de unidades vendidas na Europa desde 2010, o Juke é o segundo Nissan mais popular do continente, atrás do Qashqai. A pressão sobre esta terceira geração é alta — e os números técnicos, o design polarizante e a base tecnológica partilhada com o Leaf dão-lhe argumentos para continuar a dominar o segmento.

Vale a pena acompanhar os próximos meses: os preços oficiais para Portugal deverão ser conhecidos até ao final de 2026, e é aí que se decide se o Juke EV se torna uma compra óbvia ou fica à sombra do Kia EV3 e do Renault 4.