
Chega em novembro e muda a forma de entrar no SUV elétrico da Mitsubishi. O Eclipse Cross ganha uma nova bateria de 67 kWh com química LFP, mais barata de produzir, e a versão de topo troca os 87 kWh por 89 kWh NMC. A Mitsubishi Motors Europe anunciou as alterações a 9 de setembro de 2026, em Amstelveen, e as encomendas na Europa abrem em novembro de 2026.
Para quem está em Portugal, a pergunta óbvia é o preço. Ainda não há valor oficial para o nosso mercado com a nova bateria — mas os preços já publicados em França, Alemanha e Países Baixos dão pistas claras sobre o que esperar do Mitsubishi Eclipse Cross elétrico por cá.
A escolha passa a ser entre autonomia e preço. Tudo o resto fica igual: o motor dianteiro de 160 kW (220 cv) e 300 Nm, a tração dianteira e a capacidade de reboque de 1.100 kg são comuns às duas versões. Quem opta pela bateria menor não perde potência nem equipamento de condução — perde quilómetros.
| Especificação | 67 kWh Mid-Range | 89 kWh Long-Range |
|---|---|---|
| Química | LFP, cell-to-pack (232 células pouch) | NMC |
| Autonomia WLTP (Mitsubishi Europa) | 472 km | 650 km (antes 635 km) |
| Autonomia WLTP (homologação alemã) | 466 km | 641 km (antes 627 km) |
| Consumo (Alemanha) | 17,0-17,4 kWh/100 km | 16,4-16,8 kWh/100 km |
| Potência máxima DC | 165 kW | 150 kW |
| Carregamento 15-80% | cerca de 24 min | cerca de 28 min |
| Carregamento AC | 11 kW (22 kW consoante mercado/versão) | 11 kW / 22 kW |
| Motor | 160 kW (220 cv), 300 Nm | 160 kW (220 cv), 300 Nm |
| Reboque | 1.100 kg | 1.100 kg |
| Disponibilidade | novembro de 2026 | novembro de 2026 |
As fontes não coincidem totalmente na potência: há quem indique 162 kW ou 218 cv. Na prática, falamos do mesmo motor que já era vendido em Portugal com 220 cv.
Até 472 km WLTP é o que a Mitsubishi anuncia para a versão de entrada (466 km na homologação alemã, que depende de jantes e equipamento). A bateria usa células de fosfato de ferro-lítio, sem níquel nem cobalto, montadas diretamente no pack (cell-to-pack): 232 células pouch com 53% de aproveitamento do espaço.
O dado mais curioso está no carregamento. A bateria mais pequena aceita 165 kW em DC — mais do que a grande — e passa de 15% a 80% em cerca de 24 minutos. Numa paragem para café numa área de serviço da A1, isso chega para recuperar cerca de 300 km de autonomia WLTP.
Com o consumo homologado de 17,0-17,4 kWh/100 km, as contas simples dão cerca de 390 km; em autoestrada a 120 km/h, conte com bastante menos. Para quem faz sobretudo cidade e periferia — Lisboa, Porto, Braga — é mais do que suficiente para uma semana de trabalho sem ligar à tomada.
A versão Long-Range sobe de 87 para 89 kWh e a autonomia WLTP passa de 635 para 650 km. Pouco. A melhoria que se nota é no carregador: dos 15% aos 80% demora agora cerca de 28 minutos, até 9 minutos menos do que antes, embora a potência máxima se mantenha nos 150 kW.
É a versão para quem faz Lisboa-Porto ou Lisboa-Algarve com frequência e quer paragens espaçadas. Com 16,4-16,8 kWh/100 km homologados, é também ligeiramente mais eficiente do que a de 67 kWh.

Seja qual for a escolha, a garantia é a mesma: 8 anos ou 160.000 km para a bateria.
Preço oficial para Portugal com as novas baterias? Ainda não existe. O que sabemos é o preço de lançamento: segundo a imprensa nacional, o Eclipse Cross elétrico chegou em janeiro de 2026 a 44.500 € chave na mão (43.000 € para as primeiras 50 unidades), com o importador Astara, numa única versão Intense com bateria de 87 kWh.
Lá fora, os números novos já estão publicados:
| Mercado | 67 kWh | 89 kWh | Notas |
|---|---|---|---|
| França | 41.390 € | 44.990 € | 29.990 € com desconto Mitsubishi (-6.600 €) e Prime Coup de Pouce (-4.800 €) |
| Alemanha | desde 39.990 € | n.d. | cerca de 29.990 € com desconto do concessionário (4.000 €) e subsídio estatal (até 6.000 €) |
| Países Baixos | desde 32.990 € | n.d. | inclui benefício elétrico de 3.000 €; lançamento a 45.690 € |
Em França, a diferença entre as duas baterias é de 3.600 €. Se a Astara mantiver uma diferença semelhante e posicionar a versão de 89 kWh perto do preço atual, a versão de 67 kWh poderá ficar à volta dos 41.000 € em Portugal. Atenção: é uma projeção nossa, feita a partir do preço de lançamento nacional e dos valores franceses, alemães e holandeses — o IVA português (23%) é mais alto do que em França (20%) e na Alemanha (19%), e os descontos de lançamento variam muito de mercado para mercado.
Uma vantagem que não depende do importador: como elétrico, o Eclipse Cross está isento de ISV e de IUC, e para empresas continua a ser uma opção fiscalmente interessante face a um SUV a combustão.
Por baixo, são praticamente o mesmo carro. O Eclipse Cross é produzido pela Renault na fábrica de Douai, em França, sobre a plataforma AmpR Medium (agora chamada RG Medium 1.0), a mesma do Renault Scénic E-Tech — e recebe a mesma tecnologia de bateria da atualização do Scénic.
As diferenças estão no estilo exterior e, sobretudo, no pacote de garantia da Mitsubishi:
O interior mantém os dois ecrãs de 12,3 polegadas e o sistema de infoentretenimento da Renault baseado em Google. Por fora, não há alterações de design nesta atualização.
Para quem está a comparar os dois em Portugal, a decisão tende a cair no preço final de cada importador, na rede de concessionários mais próxima e no valor que dá àquele pacote de garantia de 8 anos.

A Mitsubishi Motors Europe anunciou as novas baterias de 67 kWh LFP e 89 kWh NMC a 9 de setembro de 2026, com encomendas na Europa a partir de novembro de 2026. A Astara, importadora da marca em Portugal, ainda não anunciou data de chegada nem preço oficial para estas versões no mercado nacional. Até lá, a versão à venda por cá continua a ser a Intense com bateria de 87 kWh.
Com o carregador de bordo de 11 kW de série numa wallbox trifásica, as contas apontam para cerca de 6 a 7 horas para carregar totalmente a bateria de 67 kWh e cerca de 8 a 9 horas para a de 89 kWh (estimativa sem perdas de carregamento). Consoante o mercado e a versão, pode existir carregador de bordo de 22 kW, que reduz esses tempos para perto de metade. Numa tomada doméstica comum, o carregamento é muito mais lento e só faz sentido para reposições noturnas parciais.
Sim, as baterias LFP (fosfato de ferro-lítio) toleram bem carregamentos frequentes a 100%, ao contrário das NMC, em que se recomenda normalmente limitar o uso diário a cerca de 80%. Isso permite aproveitar sempre os 472 km WLTP da versão de 67 kWh. Em ambas as baterias, a Mitsubishi dá 8 anos ou 160.000 km de garantia.
Como carro 100% elétrico, o Eclipse Cross está isento de ISV na compra e de IUC anual. Para empresas, a versão Intense de 87 kWh foi lançada desde 34.960 € + IVA, e as viaturas elétricas mantêm um enquadramento fiscal mais favorável do que os modelos a combustão. Os preços para empresas das novas versões de 67 e 89 kWh ainda não foram anunciados.
O Eclipse Cross elétrico pode rebocar até 1.100 kg, tanto com a bateria de 67 kWh como com a de 89 kWh, já que ambas usam o mesmo motor de 160 kW (220 cv) e 300 Nm. Com reboque o consumo sobe bastante, pelo que quem reboca com frequência beneficia da autonomia de 650 km WLTP da versão de 89 kWh. A bagageira oferece 545 litros, até 1.670 litros com os bancos rebatidos.
Se ainda não encomendou, sim. Com a nova bateria, o Mitsubishi Eclipse Cross deve baixar o preço de entrada de um SUV familiar com 220 cv e carregamento rápido a 165 kW, e a bateria de 89 kWh corrige o ponto mais fraco da versão atual: o tempo de carregamento. Quem compra agora uma unidade de 87 kWh deve pedir um desconto que reflita a chegada destas versões.
O próximo passo é o anúncio do preço oficial pela Astara. Até lá, vale a pena comparar com os SUV elétricos familiares já à venda e acompanhar as primeiras unidades que chegarem ao mercado em novembro.