MG 07 PHEV: 245 km de Autonomia Elétrica e Bateria de 30 kWh

Publicado: 16/08/2026
MG 07 PHEV: 245 km de Autonomia Elétrica em Modo EV

245 km em modo elétrico: o número que a MG acaba de anunciar

Um híbrido plug-in que anda 245 km sem gastar uma gota de gasolina. É o que a MG inscreveu na sua página oficial chinesa no dia 10 de agosto, ao apresentar a versão híbrida do MG 07 — a berlina coupé fastback que a marca já tinha revelado em junho na variante 100% elétrica.

A autonomia elétrica do MG 07 PHEV tem, porém, uma nota de rodapé importante: os 245 km são medidos no ciclo CLTC, o padrão chinês, bem mais generoso do que o europeu. O registo do MIIT feito em junho apontava 185 km em ciclo WLTC para o mesmo carro, e é esse o número a reter quando comparamos com o que se vende cá. Mesmo assim, 185 km continua a ser um valor fora do comum para um plug-in.

O que está debaixo da carroçaria do MG 07 híbrido plug-in

O sistema é o DMH da SAIC: um 1.5 litros atmosférico a fazer sobretudo de gerador e um motor elétrico com força suficiente para levar o carro sozinho na maioria dos trajetos.

EspecificaçãoValor
Motor a combustão1.5L, 82 kW (110 cv), 135 N·m
Motor elétrico152 kW (204 cv), 302 N·m
BateriaCATL LFP, cerca de 30 kWh
Autonomia elétrica245 km CLTC (185 km WLTC no registo MIIT)
Autonomia combinada1.745 km
Comprimento4.886 mm
Largura1.900 mm
Altura1.478 mm
Distância entre eixos2.858 mm

Os 30 kWh de bateria são a peça central. Um plug-in europeu típico anda pelos 12 a 20 kWh; aqui há quase o dobro, com química LFP da CATL — mais barata, mais tolerante a carregamentos frequentes a 100%, e com menos degradação ao longo dos anos. Para quem faz 40 km por dia entre casa e o emprego, isto significa carregar a wallbox uma vez por semana e passar meses sem entrar numa bomba.

A autonomia combinada anunciada, 1.745 km, é o argumento da outra ponta: bateria cheia mais depósito cheio dão para atravessar a Península Ibérica sem parar para reabastecer. Em Portugal, é a diferença entre planear a viagem para o Algarve e simplesmente fazê-la.

Nas dimensões, o MG 07 joga no campo do Tesla Model 3 e do BYD Seal: 4,89 metros de comprimento e 2,86 metros entre eixos, com silhueta fastback, puxadores semiescondidos e teto panorâmico de vidro.

Perfil lateral do MG 07, berlina coupé fastback com puxadores semiescondidos
A silhueta fastback do MG 07 coloca-o no mesmo terreno do Tesla Model 3 e do BYD Seal.

Comfort ou LiDAR: as duas versões anunciadas

A MG lançou o PHEV em duas configurações, 245 Comfort Edition e 245 LiDAR Edition. A diferença está na condução assistida: a versão LiDAR traz um sensor lidar no tejadilho e o sistema Momenta R7, o mesmo pacote que estreia no MG 07 elétrico e que a SAIC posiciona contra as soluções de software autónomo dos rivais internacionais.

No resto, o equipamento é generoso para o segmento: instrumentação digital de 8,88 polegadas, ecrã central de 15,6 polegadas, teto panorâmico com película prateada anti-calor, bancos dianteiros ventilados e aquecidos, iluminação ambiente de 256 cores, mala elétrica e carregamento sem fios de 50 W para o telemóvel.

Preço? Ainda não há. A MG publicou as fichas sem tabela de preços, nem na China nem em qualquer outro mercado.

MG 07 elétrico vs híbrido plug-in: o que muda entre os dois

O irmão 100% elétrico já está mais adiantado. Arrancou com pré-vendas na China a 29 de julho, a partir de 125.900 yuan (cerca de 18.500 dólares), com bateria de 67 kWh e 610 ou 650 km CLTC. A versão de topo, com arquitetura de 800V e cerca de 320 cv, é reportada com até 840-845 km CLTC — qualquer coisa como 600 km em WLTP.

MG 07 elétricoMG 07 PHEV
Bateria67 kWhcerca de 30 kWh (LFP)
Autonomia elétrica610-650 km CLTC245 km CLTC / 185 km WLTC
Potência176 kW (239 cv); topo cerca de 320 cv152 kW elétrico + 82 kW térmico
Motor a combustãonão1.5L
Preço na Chinadesde 125.900 yuanpor anunciar
Europalançamento previsto para o final de 2026sem confirmação

A escolha entre os dois é a de sempre, mas com as margens muito apertadas. Quem faz quase tudo dentro da cidade e da coroa metropolitana já não sente diferença prática: 185 km WLTC em modo elétrico cobrem a semana toda de um condutor médio português. Quem faz Lisboa-Porto com regularidade e não quer depender do estado da rede MOBI.E aos domingos à tarde ganha com o depósito de gasolina por trás.

Onde se posiciona face aos plug-in com mais autonomia à venda na Europa

Vale a pena colocar os 185 km WLTC ao lado do que já se compra cá — mesmo sabendo que o WLTC e o WLTP não são exatamente o mesmo teste, ficam suficientemente próximos para dar a escala.

ModeloBateriaAutonomia elétrica WLTPPreço
Lynk and Co 0839,6 kWh200 kmdesde 52.995 €
MG 07 PHEV (registo MIIT)cerca de 30 kWh185 km WLTCpor anunciar
Mercedes GLC 300 e31,2 kWh124 kmdesde 68.113 €
Cupra Terramar VZ e-Hybrid25,7 kWh122 kmdesde 52.210 €
Jaecoo 7 SHS18,3 kWh90 kmdesde 27.990 €
Peugeot 3008 Hybrid Plug-in21 kWh85 kmdesde 37.130 €

Só o Lynk and Co 08 fica à frente, e com uma bateria bem maior. O MG 07 entraria no pódio deste ranking — e, a julgar pelo posicionamento habitual da marca, por um preço bastante abaixo dos 50 mil euros que os rivais pedem. O MG 07 elétrico foi registado para o segmento dos 150.000 a 200.000 yuan (18.910 € a 25.220 €) no mercado chinês.

Interior do MG 07 com ecrã central de 15,6 polegadas e instrumentação digital
Ecrã de 15,6 polegadas ao centro e 8,88 polegadas de instrumentação — equipamento acima da média do segmento.

As tarifas da UE sobre híbridos plug-in chineses podem mudar as contas

Aqui está o travão. Desde 31 de outubro de 2024, os elétricos chineses pagam, além dos 10% de direito aduaneiro normal, uma taxa de compensação por marca: +17% para a BYD (27% no total), +18,8% para a Geely (28,8%) e +35,3% para a SAIC, dona da MG — 45,3% no total, a mais pesada da tabela.

Os híbridos plug-in escaparam a essa sobretaxa e pagam apenas os 10%. O resultado foi imediato: as marcas chinesas passaram a empurrar plug-ins para a Europa e chegaram a 34% do mercado europeu de PHEV em junho de 2026, segundo a Dataforce, com 11% do total de matrículas novas.

Bruxelas reagiu. Está em curso uma investigação antissubvenção e a Comissão prepara direitos de compensação específicos para os plug-in chineses, previsivelmente mais baixos do que os aplicados aos elétricos — a bateria pesa menos no valor de um híbrido. Nada foi ainda publicado em taxas finais; por agora é uma proposta em análise. Entretanto, a SAIC está a construir uma fábrica no norte de Espanha, exatamente para poder produzir dentro da UE e contornar o problema.

Perguntas Frequentes

A MG anuncia 245 km em modo 100% elétrico, mas esse valor é medido no ciclo chinês CLTC, bastante mais otimista do que o europeu. O registo do MIIT de junho de 2026 indica 185 km em ciclo WLTC para o mesmo carro, e é esse o número a usar quando se compara com plug-in vendidos na Europa. A autonomia combinada anunciada, com bateria e depósito cheios, é de 1.745 km.

Não há preço anunciado. A MG publicou as fichas das duas versões (245 Comfort Edition e 245 LiDAR Edition) na sua página oficial chinesa sem tabela de preços, e não existe preço para nenhum mercado europeu. Como referência, o MG 07 100% elétrico arrancou na China a partir de 125.900 yuan (cerca de 18.500 dólares) e foi registado no segmento dos 150.000 a 200.000 yuan, ou seja 18.910 € a 25.220 € — valores que em Portugal subiriam bastante com direitos aduaneiros, homologação, IVA e margens.

Não há lançamento europeu confirmado para a versão híbrida plug-in. Até agora só o MG 07 100% elétrico está reportado para a Europa, com chegada prevista para o final de 2026 e especulação de preços a partir de cerca de 19.400 € antes de taxas e margens. Se o plug-in acabar por vir, beneficiaria do enquadramento fiscal português para PHEV com mais de 50 km de autonomia elétrica e menos de 50 g/km de CO2, que dá redução de ISV.

O MG 07 elétrico leva 67 kWh de bateria e 610 a 650 km CLTC (a versão de topo de 800V e cerca de 320 cv chega aos 840-845 km CLTC, perto de 600 km WLTP), enquanto o PHEV combina um 1.5L de 82 kW com um motor elétrico de 152 kW e cerca de 30 kWh de bateria LFP da CATL. Para quem faz sobretudo trajetos urbanos e metropolitanos, os 185 km WLTC do plug-in cobrem uma semana inteira de utilização média sem gastar combustível. Para quem faz Lisboa-Porto com regularidade e não quer depender da rede de carregamento, o depósito de gasolina do PHEV continua a ser a rede de segurança.

Neste momento é o Lynk and Co 08, com 39,6 kWh de bateria e 200 km WLTP, desde 52.995 €. Seguem-se o Mercedes GLC 300 e (31,2 kWh, 124 km), o Cupra Terramar VZ e-Hybrid (25,7 kWh, 122 km), o Jaecoo 7 SHS (18,3 kWh, 90 km, desde 27.990 €) e o Peugeot 3008 Hybrid Plug-in (21 kWh, 85 km). Com 185 km WLTC, o MG 07 PHEV entraria no pódio desta lista se chegasse a ser vendido na Europa.

Por enquanto não. Desde 31 de outubro de 2024 os elétricos chineses pagam direitos de compensação por marca — +35,3% para a SAIC, dona da MG, o que dá 45,3% no total — mas os plug-in continuam a pagar apenas os 10% de direito aduaneiro normal. Foi essa diferença que levou as marcas chinesas a chegar a 34% do mercado europeu de PHEV em junho de 2026, segundo a Dataforce. Bruxelas tem uma investigação antissubvenção em curso e prepara taxas específicas para os plug-in, mas continua em fase de proposta e ainda não foram publicadas taxas finais.

O que isto significa para quem compra em Portugal

Comecemos pelo mais importante: o MG 07 PHEV não tem lançamento europeu confirmado. Só a versão 100% elétrica está reportada para a Europa, no final de 2026, com especulação de preços a partir de cerca de 19.400 € antes de direitos aduaneiros, homologação e margens — ou seja, o valor final será bastante mais alto.

Se o plug-in acabar por chegar cá, apanha um enquadramento fiscal favorável. Em Portugal, os híbridos plug-in com autonomia elétrica superior a 50 km e emissões abaixo de 50 g/km de CO2 beneficiam de redução do ISV, e um carro com 185 km WLTC cumpre isso com folga. Para frotas e viaturas de empresa, a diferença face a um gasolina equivalente é ainda mais visível nas tributações autónomas.

O que vale a pena vigiar nos próximos meses são duas datas: o anúncio de preços do PHEV na China, que dá a primeira baliza real, e a decisão de Bruxelas sobre as taxas aplicáveis aos plug-in chineses. É essa segunda que decide se um plug-in de 185 km chega às nossas concessões a um preço que faça mossa nos rivais europeus — ou se fica pelo caminho.