
Um híbrido plug-in que anda 245 km sem gastar uma gota de gasolina. É o que a MG inscreveu na sua página oficial chinesa no dia 10 de agosto, ao apresentar a versão híbrida do MG 07 — a berlina coupé fastback que a marca já tinha revelado em junho na variante 100% elétrica.
A autonomia elétrica do MG 07 PHEV tem, porém, uma nota de rodapé importante: os 245 km são medidos no ciclo CLTC, o padrão chinês, bem mais generoso do que o europeu. O registo do MIIT feito em junho apontava 185 km em ciclo WLTC para o mesmo carro, e é esse o número a reter quando comparamos com o que se vende cá. Mesmo assim, 185 km continua a ser um valor fora do comum para um plug-in.
O sistema é o DMH da SAIC: um 1.5 litros atmosférico a fazer sobretudo de gerador e um motor elétrico com força suficiente para levar o carro sozinho na maioria dos trajetos.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Motor a combustão | 1.5L, 82 kW (110 cv), 135 N·m |
| Motor elétrico | 152 kW (204 cv), 302 N·m |
| Bateria | CATL LFP, cerca de 30 kWh |
| Autonomia elétrica | 245 km CLTC (185 km WLTC no registo MIIT) |
| Autonomia combinada | 1.745 km |
| Comprimento | 4.886 mm |
| Largura | 1.900 mm |
| Altura | 1.478 mm |
| Distância entre eixos | 2.858 mm |
Os 30 kWh de bateria são a peça central. Um plug-in europeu típico anda pelos 12 a 20 kWh; aqui há quase o dobro, com química LFP da CATL — mais barata, mais tolerante a carregamentos frequentes a 100%, e com menos degradação ao longo dos anos. Para quem faz 40 km por dia entre casa e o emprego, isto significa carregar a wallbox uma vez por semana e passar meses sem entrar numa bomba.
A autonomia combinada anunciada, 1.745 km, é o argumento da outra ponta: bateria cheia mais depósito cheio dão para atravessar a Península Ibérica sem parar para reabastecer. Em Portugal, é a diferença entre planear a viagem para o Algarve e simplesmente fazê-la.
Nas dimensões, o MG 07 joga no campo do Tesla Model 3 e do BYD Seal: 4,89 metros de comprimento e 2,86 metros entre eixos, com silhueta fastback, puxadores semiescondidos e teto panorâmico de vidro.

A MG lançou o PHEV em duas configurações, 245 Comfort Edition e 245 LiDAR Edition. A diferença está na condução assistida: a versão LiDAR traz um sensor lidar no tejadilho e o sistema Momenta R7, o mesmo pacote que estreia no MG 07 elétrico e que a SAIC posiciona contra as soluções de software autónomo dos rivais internacionais.
No resto, o equipamento é generoso para o segmento: instrumentação digital de 8,88 polegadas, ecrã central de 15,6 polegadas, teto panorâmico com película prateada anti-calor, bancos dianteiros ventilados e aquecidos, iluminação ambiente de 256 cores, mala elétrica e carregamento sem fios de 50 W para o telemóvel.
Preço? Ainda não há. A MG publicou as fichas sem tabela de preços, nem na China nem em qualquer outro mercado.
O irmão 100% elétrico já está mais adiantado. Arrancou com pré-vendas na China a 29 de julho, a partir de 125.900 yuan (cerca de 18.500 dólares), com bateria de 67 kWh e 610 ou 650 km CLTC. A versão de topo, com arquitetura de 800V e cerca de 320 cv, é reportada com até 840-845 km CLTC — qualquer coisa como 600 km em WLTP.
| MG 07 elétrico | MG 07 PHEV | |
|---|---|---|
| Bateria | 67 kWh | cerca de 30 kWh (LFP) |
| Autonomia elétrica | 610-650 km CLTC | 245 km CLTC / 185 km WLTC |
| Potência | 176 kW (239 cv); topo cerca de 320 cv | 152 kW elétrico + 82 kW térmico |
| Motor a combustão | não | 1.5L |
| Preço na China | desde 125.900 yuan | por anunciar |
| Europa | lançamento previsto para o final de 2026 | sem confirmação |
A escolha entre os dois é a de sempre, mas com as margens muito apertadas. Quem faz quase tudo dentro da cidade e da coroa metropolitana já não sente diferença prática: 185 km WLTC em modo elétrico cobrem a semana toda de um condutor médio português. Quem faz Lisboa-Porto com regularidade e não quer depender do estado da rede MOBI.E aos domingos à tarde ganha com o depósito de gasolina por trás.
Vale a pena colocar os 185 km WLTC ao lado do que já se compra cá — mesmo sabendo que o WLTC e o WLTP não são exatamente o mesmo teste, ficam suficientemente próximos para dar a escala.
| Modelo | Bateria | Autonomia elétrica WLTP | Preço |
|---|---|---|---|
| Lynk and Co 08 | 39,6 kWh | 200 km | desde 52.995 € |
| MG 07 PHEV (registo MIIT) | cerca de 30 kWh | 185 km WLTC | por anunciar |
| Mercedes GLC 300 e | 31,2 kWh | 124 km | desde 68.113 € |
| Cupra Terramar VZ e-Hybrid | 25,7 kWh | 122 km | desde 52.210 € |
| Jaecoo 7 SHS | 18,3 kWh | 90 km | desde 27.990 € |
| Peugeot 3008 Hybrid Plug-in | 21 kWh | 85 km | desde 37.130 € |
Só o Lynk and Co 08 fica à frente, e com uma bateria bem maior. O MG 07 entraria no pódio deste ranking — e, a julgar pelo posicionamento habitual da marca, por um preço bastante abaixo dos 50 mil euros que os rivais pedem. O MG 07 elétrico foi registado para o segmento dos 150.000 a 200.000 yuan (18.910 € a 25.220 €) no mercado chinês.

Aqui está o travão. Desde 31 de outubro de 2024, os elétricos chineses pagam, além dos 10% de direito aduaneiro normal, uma taxa de compensação por marca: +17% para a BYD (27% no total), +18,8% para a Geely (28,8%) e +35,3% para a SAIC, dona da MG — 45,3% no total, a mais pesada da tabela.
Os híbridos plug-in escaparam a essa sobretaxa e pagam apenas os 10%. O resultado foi imediato: as marcas chinesas passaram a empurrar plug-ins para a Europa e chegaram a 34% do mercado europeu de PHEV em junho de 2026, segundo a Dataforce, com 11% do total de matrículas novas.
Bruxelas reagiu. Está em curso uma investigação antissubvenção e a Comissão prepara direitos de compensação específicos para os plug-in chineses, previsivelmente mais baixos do que os aplicados aos elétricos — a bateria pesa menos no valor de um híbrido. Nada foi ainda publicado em taxas finais; por agora é uma proposta em análise. Entretanto, a SAIC está a construir uma fábrica no norte de Espanha, exatamente para poder produzir dentro da UE e contornar o problema.
A MG anuncia 245 km em modo 100% elétrico, mas esse valor é medido no ciclo chinês CLTC, bastante mais otimista do que o europeu. O registo do MIIT de junho de 2026 indica 185 km em ciclo WLTC para o mesmo carro, e é esse o número a usar quando se compara com plug-in vendidos na Europa. A autonomia combinada anunciada, com bateria e depósito cheios, é de 1.745 km.
Não há preço anunciado. A MG publicou as fichas das duas versões (245 Comfort Edition e 245 LiDAR Edition) na sua página oficial chinesa sem tabela de preços, e não existe preço para nenhum mercado europeu. Como referência, o MG 07 100% elétrico arrancou na China a partir de 125.900 yuan (cerca de 18.500 dólares) e foi registado no segmento dos 150.000 a 200.000 yuan, ou seja 18.910 € a 25.220 € — valores que em Portugal subiriam bastante com direitos aduaneiros, homologação, IVA e margens.
Não há lançamento europeu confirmado para a versão híbrida plug-in. Até agora só o MG 07 100% elétrico está reportado para a Europa, com chegada prevista para o final de 2026 e especulação de preços a partir de cerca de 19.400 € antes de taxas e margens. Se o plug-in acabar por vir, beneficiaria do enquadramento fiscal português para PHEV com mais de 50 km de autonomia elétrica e menos de 50 g/km de CO2, que dá redução de ISV.
O MG 07 elétrico leva 67 kWh de bateria e 610 a 650 km CLTC (a versão de topo de 800V e cerca de 320 cv chega aos 840-845 km CLTC, perto de 600 km WLTP), enquanto o PHEV combina um 1.5L de 82 kW com um motor elétrico de 152 kW e cerca de 30 kWh de bateria LFP da CATL. Para quem faz sobretudo trajetos urbanos e metropolitanos, os 185 km WLTC do plug-in cobrem uma semana inteira de utilização média sem gastar combustível. Para quem faz Lisboa-Porto com regularidade e não quer depender da rede de carregamento, o depósito de gasolina do PHEV continua a ser a rede de segurança.
Neste momento é o Lynk and Co 08, com 39,6 kWh de bateria e 200 km WLTP, desde 52.995 €. Seguem-se o Mercedes GLC 300 e (31,2 kWh, 124 km), o Cupra Terramar VZ e-Hybrid (25,7 kWh, 122 km), o Jaecoo 7 SHS (18,3 kWh, 90 km, desde 27.990 €) e o Peugeot 3008 Hybrid Plug-in (21 kWh, 85 km). Com 185 km WLTC, o MG 07 PHEV entraria no pódio desta lista se chegasse a ser vendido na Europa.
Por enquanto não. Desde 31 de outubro de 2024 os elétricos chineses pagam direitos de compensação por marca — +35,3% para a SAIC, dona da MG, o que dá 45,3% no total — mas os plug-in continuam a pagar apenas os 10% de direito aduaneiro normal. Foi essa diferença que levou as marcas chinesas a chegar a 34% do mercado europeu de PHEV em junho de 2026, segundo a Dataforce. Bruxelas tem uma investigação antissubvenção em curso e prepara taxas específicas para os plug-in, mas continua em fase de proposta e ainda não foram publicadas taxas finais.
Comecemos pelo mais importante: o MG 07 PHEV não tem lançamento europeu confirmado. Só a versão 100% elétrica está reportada para a Europa, no final de 2026, com especulação de preços a partir de cerca de 19.400 € antes de direitos aduaneiros, homologação e margens — ou seja, o valor final será bastante mais alto.
Se o plug-in acabar por chegar cá, apanha um enquadramento fiscal favorável. Em Portugal, os híbridos plug-in com autonomia elétrica superior a 50 km e emissões abaixo de 50 g/km de CO2 beneficiam de redução do ISV, e um carro com 185 km WLTC cumpre isso com folga. Para frotas e viaturas de empresa, a diferença face a um gasolina equivalente é ainda mais visível nas tributações autónomas.
O que vale a pena vigiar nos próximos meses são duas datas: o anúncio de preços do PHEV na China, que dá a primeira baliza real, e a decisão de Bruxelas sobre as taxas aplicáveis aos plug-in chineses. É essa segunda que decide se um plug-in de 185 km chega às nossas concessões a um preço que faça mossa nos rivais europeus — ou se fica pelo caminho.