
A Mercedes promete até 715 km de autonomia WLTP para o novo GLC elétrico. É um número grande — daqueles que enchem o olho numa ficha técnica. Mas a autonomia real do Mercedes GLC elétrico fica mais perto dos 500 km no dia a dia, e essa diferença é exatamente o que interessa a quem pondera trocar o GLC a gasóleo por um SUV premium elétrico.
Este é o primeiro GLC construído de raiz como elétrico. Não é a velha plataforma adaptada: estreia a nova base MB.EA-M ("M" de midsize) com arquitetura de 800V, a mesma que vai servir o futuro Classe C elétrico. Por isso vale a pena olhar para os números com calma antes de assumir que os 715 km são o que vai ver na estrada.
O valor de catálogo do GLC 400 4MATIC EQ vai até cerca de 715 km WLTP (ciclo TEL, com as jantes mais favoráveis). Conforme as jantes e a fonte, esse número cai para a casa dos 568-673 km — a variabilidade WLTP é real e convém saber disso.
Na prática, a EV Database estima 500 km de autonomia real combinada. Os testes ingleses da Electrifying e da What Car? apontaram cerca de 3,7-3,8 milhas por kWh, o que dá uns 580 km em condições amenas e perto de 480 km no inverno. A própria fabricante não esconde que o consumo médio ronda os 188 Wh/km.
Traduzindo para a realidade portuguesa: uma viagem Lisboa-Porto (cerca de 310 km) faz-se com folga e sobra carga para o regresso parcial. Lisboa-Algarve idem. O ponto fraco aparece nas viagens longas de autoestrada a velocidade constante, onde a EV Database calcula uns 365 km em frio — ainda assim suficiente para a maioria dos trajetos com uma única paragem.

Por agora, a versão que chega é a topo de gama GLC 400 4MATIC EQ. Dois motores, tração integral e números que não deixam dúvidas sobre o pedigree.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Plataforma | MB.EA-M (dedicada a elétricos), 800V |
| Tração | Integral, dois motores |
| Potência | 360 kW / 489 cv |
| Binário | 800 Nm |
| 0-100 km/h | 4,3 s |
| Velocidade máxima | 210 km/h |
| Bateria útil | ~94 kWh (100 kWh nominal), NMC |
| Autonomia WLTP | até ~715 km |
| Autonomia real (est.) | ~500 km |
| Consumo | ~188 Wh/km |
| Comprimento | 4.845 mm |
| Distância entre eixos | 2.972 mm |
| Bagageira / frunk | 570 L / 128 L (~690 L) |
| Capacidade de reboque | 2.400 kg |
| Peso | ~2.535 kg |
Os 489 cv e 800 Nm fazem o GLC 400 disparar dos 0 aos 100 km/h em 4,3 segundos — desempenho de desportivo num SUV familiar de mais de 2,5 toneladas. Mais relevante no uso diário: a bomba de calor é de série, o que ajuda a preservar autonomia no inverno em vez de a queimar a aquecer o habitáculo.
Aqui está um dos trunfos do GLC elétrico. A arquitetura de 800V permite até 330 kW em corrente contínua, e isso muda a logística das viagens longas.
Na prática, numa paragem para café numa área de serviço com carregador rápido, recupera autonomia para mais umas centenas de quilómetros. A rede MOBI.E e os carregadores ultrarrápidos nas autoestradas portuguesas já têm postos a 150 kW e acima — o GLC aproveita-os bem, embora o pico de 330 kW só apareça nos postos mais potentes.
Construir o carro de raiz como elétrico libertou espaço. Com 4.845 mm de comprimento e 2.972 mm de distância entre eixos, o GLC elétrico oferece cerca de 50 mm mais de espaço para as pernas atrás do que o GLC a combustão.
A bagageira leva 570 litros, aos quais se somam 128 litros no frunk (a mala dianteira), para um total perto de 690 litros. O frunk é prático para os cabos de carregamento ou uma mala extra. A capacidade de reboque chega aos 2.400 kg travados — número raro num SUV elétrico e útil para quem puxa atrelado ou caravana.
No interior, o destaque vai para o ecrã Hyperscreen opcional de 39,1 polegadas e o novo sistema MB.OS, com controlo por voz assistido por IA. Tudo muito tecnológico — talvez demasiado, segundo alguns testes, que apontam a falta de comandos físicos para a climatização.
O rival mais direto é o novo BMW iX3, também ele um SUV premium elétrico de nova geração. E é uma comparação honesta: o iX3 leva vantagem na autonomia, com versões a anunciar perto de 800 km WLTP e carregamento até 400 kW.
O GLC responde com o conforto, o requinte do interior e uma eficiência muito boa. A What Car? coloca-o entre o iX3 e o futuro Volvo EX60, elogiando a qualidade dos materiais e o equilíbrio entre conforto e desempenho. Outros rivais a ter no radar: o Audi Q6 e-tron e o Tesla Model Y. O GLC não é o mais barato nem o de maior autonomia, mas joga forte no conjunto.
Os preços oficiais portugueses ainda não estão fechados, mas os valores europeus dão uma boa referência. Na Alemanha, a gama arranca nos €64.736 para o GLC 250, sobe para €68.306 no GLC 300 4MATIC e atinge €71.281 no GLC 400 4MATIC EQ. Nos Países Baixos, o GLC 400 fica em €72.651.
Em Portugal, contando com margem de importação e equipamento, é realista esperar que o GLC 400 EQ se posicione na casa dos €75.000 a €80.000. A favor do comprador joga o enquadramento fiscal dos elétricos: isenção de ISV e benefícios no IUC, além das vantagens fiscais para viaturas de empresa — fatores que tornam a conta final de um elétrico premium mais digerível do que o equivalente a combustão.
As versões GLC 250 (tração traseira) e GLC 300 4MATIC, com bateria mais pequena de cerca de 85 kWh, abrem encomendas a partir de junho de 2026 e devem trazer o preço de entrada para baixo.
Os preços oficiais portugueses ainda não estão fechados, mas as referências europeias dão uma boa ideia: na Alemanha a gama arranca nos €64.736 (GLC 250), passa pelos €68.306 (GLC 300 4MATIC) e atinge €71.281 no GLC 400 4MATIC EQ. Em Portugal, com margem de importação e equipamento, é realista esperar o GLC 400 EQ na casa dos €75.000 a €80.000. A isenção de ISV e os benefícios no IUC para elétricos ajudam a tornar a conta final mais digerível do que o equivalente a combustão.
A Mercedes anuncia até 715 km WLTP (ciclo TEL, jantes mais favoráveis), mas a autonomia real fica perto dos 500 km combinados segundo a EV Database. Em condições amenas ronda os 580 km e no inverno aproxima-se dos 480 km, com um consumo médio de cerca de 188 Wh/km. Em autoestrada a velocidade constante e em frio, a EV Database calcula uns 365 km — suficiente para Lisboa-Porto (310 km) com uma única paragem.
Graças à arquitetura de 800V, o GLC aceita até 330 kW em corrente contínua e faz os 10-80% em cerca de 22 minutos num carregador potente. Em condições ideais recupera cerca de 300 km de autonomia em apenas 10 minutos. Em casa, o carregador AC de 11 kW de série (22 kW opcional) completa a carga em pouco mais de 10 horas. O pico de 330 kW só aparece nos postos mais potentes da rede portuguesa.
O BMW iX3 é o rival mais direto e leva vantagem na autonomia (versões a anunciar perto de 800 km WLTP) e na velocidade de carregamento (até 400 kW). O GLC responde com o conforto, o requinte do interior e uma eficiência muito boa, ficando, segundo a What Car?, entre o iX3 e o futuro Volvo EX60. O GLC não é o mais barato nem o de maior autonomia, mas joga forte no conjunto e na capacidade de reboque de 2.400 kg.
Para quem já comprava GLC e quer passar a elétrico sem abdicar de espaço, conforto ou reboque, o GLC 400 EQ faz sentido: a autonomia real de cerca de 500 km e o carregamento a 800V resolvem a ansiedade das viagens, e a bomba de calor de série mostra que a Mercedes pensou no inverno. O que falta confirmar são os preços portugueses definitivos e a chegada das versões GLC 250 e 300, com bateria de ~85 kWh, que abrem encomendas a partir de junho de 2026 e devem baixar o preço de entrada.
Para quem já comprava GLC e quer dar o salto para elétrico sem abdicar de espaço, conforto ou capacidade de reboque, o GLC 400 EQ faz sentido. A autonomia real de cerca de 500 km e o carregamento a 800V resolvem a ansiedade das viagens, e a bomba de calor de série mostra que a Mercedes pensou no inverno.
O que falta confirmar são os preços portugueses definitivos e a chegada das versões mais acessíveis. Vale a pena acompanhar os anúncios de preços oficiais para Portugal antes de decidir — e, sobretudo, comparar de perto com o BMW iX3, que continua a ser a referência de autonomia neste segmento.