
A Mercedes-Benz apresentou o segundo facelift do EQS e, desta vez, não se ficou pela pele. O topo da gama elétrica de Stuttgart passa a contar com arquitetura a 800V, bateria de 122 kWh com novos ânodos de silício-grafite e uma autonomia que, na versão EQS 450+, chega aos 926 km WLTP. Para quem procura um Mercedes-Benz EQS 2026 com autonomia próxima dos 900 km, este é o momento em que a marca finalmente alinha com Lucid Air e Porsche Taycan na conversa técnica — e fá-lo a poucos meses de se despedir, já que a próxima Classe S (térmica e elétrica) vai substituir o EQS atual.
Mais de 25% dos componentes foram redesenhados. É a atualização mais profunda que este modelo vai receber.
Quatro versões, preços alemães já anunciados e uma arquitetura elétrica praticamente nova. A tabela resume o que interessa a quem está a considerar encomendar:
| Versão | Potência | Binário | 0-100 km/h | Autonomia WLTP | Preço (DE) |
|---|---|---|---|---|---|
| EQS 400 RWD | 367 cv (270 kW) | 505 Nm | 6,2 s | 817 km | 94 403 € |
| EQS 450+ RWD | 408 cv (300 kW) | 505 Nm | 5,9 s | 926 km | 108 635 € |
| EQS 500 4Matic | 476 cv (350 kW) | 750 Nm | 4,5 s | 876 km | 123 285 € |
| EQS 580 4Matic | 585 cv (430 kW) | 800 Nm | 4,1 s | 876 km | 134 732 € |
Velocidade máxima limitada a 210 km/h em toda a gama. A caixa traseira continua a ser de duas velocidades, solução rara entre elétricos e que ajuda a combinar arranque forte com eficiência em autoestrada.
Três das quatro versões passam a usar arquitetura 800V. Apenas o EQS 400 mantém um sistema de classe inferior com bateria NMC de 112 kWh. Nas restantes, a bateria sobe de 118 para 122 kWh úteis sem alterar as dimensões do pack — o ganho vem da química, com ânodos compostos de óxido de silício e grafite e redução do cobalto.
O resultado prático? Em DC, o EQS 450+ aceita até 350 kW de pico (o EQS 400 fica-se pelos 330 kW). São dez minutos para recuperar até 320 km WLTP. E quando parar num carregador europeu ainda limitado a 400V — metade da rede rápida em Portugal — o pack divide-se virtualmente em duas metades a carregar a 175 kW cada. Não há penalização de compatibilidade.
A potência máxima de regeneração passa de 290 para 385 kW. É mais travagem motora, mais energia recuperada em descidas longas, menos desgaste dos discos. A bateria aceita carregamento bidirecional (V2G e V2H), ativado via atualização OTA depois do lançamento — útil para quem está a ponderar combinar EQS com painéis solares e tarifário indexado.
Opcional, mas é o detalhe que vai dar conversa. Chega poucos meses depois do lançamento comercial e é a primeira aplicação em série de steer-by-wire num construtor alemão. Sem coluna mecânica entre volante e rodas, o sistema usa 170° de bloqueio a bloqueio — menos de meia volta de cada lado — com redundância dupla de sensores e atuadores. É compatível com volante tipo yoke (em U), opção que a Mercedes disponibiliza para quem quiser.
O eixo traseiro direcional, antes limitado a 4,5°, pode agora ir até 10° quando combinado com steer-by-wire. O raio de viragem baixa para menos de 11 metros — valores de citadino num sedan de 5,2 metros. Para quem anda em Lisboa ou no Porto, isto é mais relevante do que parece à primeira vista.
O EQS 450+ declara consumos entre 15,4 e 19,3 kWh/100 km em ciclo WLTP. Na prática portuguesa — A1 a 120 km/h, ar condicionado ligado, algum trânsito urbano misturado —, números entre 18 e 22 kWh/100 km são expectáveis. Isso coloca a autonomia real em qualquer coisa entre 600 e 700 km no 450+, dependendo do pé. Lisboa-Porto sem paragens passa a ser rotina e não exercício de planeamento.
O Cx continua nos 0,20, marca de referência do mercado. Capacidade de reboque: 1 600 kg no tração traseira, 1 700 kg nas versões 4Matic.
As encomendas estão abertas na Alemanha. As entregas europeias, incluindo Portugal, devem arrancar no segundo semestre de 2026. Os preços portugueses ainda não foram confirmados pela Mercedes-Benz Portugal, mas podemos fazer uma estimativa razoável:
Os incentivos fiscais portugueses continuam favoráveis: isenção total de ISV, IUC mínimo para veículos elétricos e deduções atrativas em IRC para empresas que adquiram o EQS como viatura de serviço. Nenhum destes benefícios resolve o preço absoluto — mas mudam significativamente o custo total ao fim de cinco anos.
O BMW i7 xDrive60 parte de cerca de 140 000 € em Portugal e fica-se por 611 km WLTP. O Lucid Air ainda não tem rede comercial estabelecida no país. O Porsche Taycan, embora com outro posicionamento mais desportivo, anda nos mesmos patamares de preço sem chegar à autonomia do EQS 450+. No segmento sedan elétrico de luxo com 900 km de autonomia, o EQS facelift é neste momento referência — e pode manter-se até ao lançamento da próxima Classe S elétrica.
O Hyperscreen mantém-se, com ecrã de 12,3" para o condutor, 17,7" central e 12,3" para o passageiro. Atrás, dois ecrãs táteis de 13,1". O sistema operativo é o novo MB.OS, com atualizações OTA e integração mais profunda de assistentes inteligentes.
Os faróis Micro-LED Digital Light apresentam-se com +40% de alcance iluminado e -50% de consumo energético, chegando aos 600 m de máximos. ADAS apoia-se em 10 câmaras, até 5 radares e 12 ultrassons. Filtro HEPA com 99,65% de retenção de partículas — para quem anda em zonas urbanas com poluição, é uma diferença percetível. Cintos aquecidos a 44 °C, item que a Mercedes introduziu primeiro nesta gama e que agora se generaliza.
As encomendas do Mercedes EQS 2026 estão abertas na Alemanha desde abril de 2026 e as entregas europeias, incluindo Portugal, estão previstas para o segundo semestre de 2026. A Mercedes-Benz Portugal ainda não confirmou datas exatas nem preços locais, mas o calendário deverá acompanhar o lançamento alemão com poucas semanas de atraso.
Na Alemanha, o EQS 400 parte de 94 403 € e o topo de gama EQS 580 4Matic chega aos 134 732 €. Em Portugal, como os elétricos puros estão isentos de ISV, estimamos um preço de entrada entre 95 000 e 100 000 € para o EQS 400 e cerca de 138 000 a 145 000 € para o EQS 580 4Matic, já com margem de importador e equipamento adaptado ao mercado nacional.
O EQS 450+ anuncia 926 km WLTP e consumos oficiais entre 15,4 e 19,3 kWh/100 km. Em condução real portuguesa — A1 a 120 km/h com ar condicionado ligado — esperam-se consumos entre 18 e 22 kWh/100 km, o que coloca a autonomia efetiva entre 600 e 700 km. Isto torna Lisboa-Porto possível sem paragens para carregar.
O EQS 450+ lidera claramente em autonomia com 926 km WLTP, contra os 611 km do BMW i7 xDrive60 (que parte de cerca de 140 000 € em Portugal). O Lucid Air iguala-se em autonomia, mas ainda não tem rede comercial estabelecida no país. Com carregamento DC até 350 kW e arquitetura 800V, o EQS facelift passa a ser a referência no segmento sedan elétrico de luxo até à chegada da próxima Classe S elétrica.
Sendo 100% elétrico, o EQS beneficia da isenção total de ISV, paga IUC mínimo e dá direito a deduções em IRC quando registado como viatura de serviço por empresas. Estes incentivos não alteram o preço de tabela, mas podem reduzir significativamente o custo total de propriedade ao longo de cinco anos, sobretudo em uso empresarial.
Se já conduz um EQS pré-facelift, a resposta depende do uso: se faz longas distâncias, o salto de 200 para 350 kW em DC é transformador. Se o seu padrão é urbano e suburbano, o facelift é menos crítico — e o valor de retoma do EQS atual vai cair assim que o novo chegar.
Para quem está a entrar agora no segmento, faz sentido esperar até ao segundo semestre de 2026. O preço base deve subir em relação ao modelo que sai de linha, mas a diferença em autonomia, velocidade de carregamento e tecnologia justifica. Vale a pena acompanhar os próximos anúncios de preços oficiais da Mercedes-Benz Portugal para fechar contas antes de encomendar.