
1.169 cv, 2.000 Nm e dos 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos — num SUV com mais de cinco metros e perto de 2,7 toneladas. Foi assim que a Mercedes-AMG apresentou, a 17 de outubro em Affalterbach, o novo Mercedes-AMG GT SUV elétrico, o primeiro SUV de grandes dimensões que a marca desenvolveu inteiramente em casa.
Atenção a um detalhe que gera confusão: este é o SUV, não o Mercedes-AMG GT 4 portas elétrico (a berlina-coupé apresentada em maio de 2026). Os dois partilham a plataforma AMG.EA e boa parte da mecânica, mas o GT SUV é uma carroçaria nova, mais alta e mais prática. Já pode ser encomendado na Europa na versão de entrada, GT 53, a partir de 20 de outubro de 2026.
Um esclarecimento sobre números: os "1.153 hp" que vê na imprensa americana e os 1.169 cv aqui referidos são exatamente a mesma potência — 860 kW. Muda apenas a unidade (cavalos imperiais vs. cavalos métricos).
A gama arranca com três variantes, todas com tração integral 4MATIC+ e eixo traseiro direcional (até 6°). A grande divisão está nos motores.
O GT 53 usa dois motores síncronos convencionais, com 400 kW (544 cv) de pico e 800 Nm. Faz os 0-100 km/h em 4,2 segundos e chega aos 250 km/h. Só existe com a bateria de 106 kWh e travões em aço. É a versão mais leve e a mais eficiente — e, por agora, a única com preço.
As versões 55 e 63 recebem três motores de fluxo axial desenvolvidos pela YASA, empresa britânica do grupo Mercedes. O GT 55 entrega 600 kW (816 cv) e 1.860 Nm; o GT 63 sobe para 860 kW (1.169 cv) e 2.000 Nm. Ambos mantêm 530 kW de potência contínua — o valor que o carro consegue sustentar, por exemplo, numa volta de pista, sem recorrer ao pico momentâneo.
O motor dianteiro funciona como reforço quando é preciso mais tração ou potência, e pode ser desacoplado para poupar energia. Atrás há uma caixa de duas velocidades, solução que a Mercedes já usa no Classe C elétrico.
| Especificação | GT 53 SUV | GT 55 SUV | GT 63 SUV |
|---|---|---|---|
| Motores | 2 síncronos | 3 fluxo axial | 3 fluxo axial |
| Potência máxima | 400 kW / 544 cv | 600 kW / 816 cv | 860 kW / 1.169 cv |
| Potência contínua | 270 kW | 530 kW | 530 kW |
| Binário máximo | 800 Nm | 1.860 Nm | 2.000 Nm |
| 0-100 km/h | 4,2 s | 3,1 s | 2,7 s |
| 0-200 km/h | 14,6 s | 9,9 s | 7,2 s |
| Velocidade máxima | 250 km/h | 250 / 270 km/h | 250 / 270 km/h |
| Bateria (útil) | 106 kWh | 106 ou 128 kWh | 106 ou 128 kWh |
| Carregamento DC máx. | 600 kW | 600 / 710 kW* | 600 / 710 kW* |
| 10-80% | 11 min | 11 / 12 min | 11 / 12 min |
| Autonomia WLTP | 597-668 km | 585-700 km | 585-700 km |
| Consumo WLTP | 18,8-21,1 kWh/100 km | 21,2-23,8 kWh/100 km | 21,2-23,8 kWh/100 km |
| Peso (DIN) | 2.525-2.635 kg | 2.605-2.715 kg | 2.585-2.695 kg |
| Travões | Aço | Aço (carbono-cerâmicos opc.) | Carbono-cerâmicos |
| Preço Alemanha | desde 113.050 € | a anunciar | a anunciar |
*Valor preliminar segundo a Mercedes, ainda não homologado. Os 270 km/h exigem o AMG Driver's Package.
Com arranque otimizado (o chamado 1-foot rollout, usado nos EUA), o GT 63 baixa para 2,5 s nos 0-100 km/h e 6,8 s nos 0-200 km/h. Por isso verá os dois valores a circular.
As dimensões são de SUV de topo: 5.084 mm de comprimento, 2.001 mm de largura, 1.656 mm de altura e 3.040 mm entre eixos. A bagageira leva 607 litros (1.740 com os bancos rebatidos), e há ainda um frunk de 78 litros à frente. O coeficiente aerodinâmico é de 0,27, ajudado por um spoiler de tejadilho ativo.
Aqui está, provavelmente, o argumento mais forte do GT SUV. A arquitetura de 800 volts e as células cilíndricas com arrefecimento direto permitem carregar até 600 kW com a bateria de 106 kWh e até 710 kW com a de 128 kWh — este último ainda um valor preliminar, segundo a própria Mercedes.
Na prática, a marca anuncia 10-80% em 11 minutos (106 kWh) ou 12 minutos (128 kWh). Em 10 minutos, o GT 63 recupera cerca de 454 km de autonomia; o GT 53, cerca de 440 km. A bateria maior aceita 83 kWh em apenas 10 minutos.
A autonomia WLTP vai até 700 km nas versões 55 e 63, e até 668 km no GT 53. No papel, dá para Lisboa-Porto e regresso sem carregar. Na estrada, a 120 km/h e com 1.169 cv à disposição, conte com bem menos.
Não. Esta é a ressalva honesta para quem vive cá: os carregadores mais rápidos da rede MOBI.E ficam muito abaixo dos 600-710 kW que o GT SUV aceita. Num posto de 400 kW, a electrive indica cerca de 16 minutos para 10-80% — continua a ser rápido, mas os números de 11-12 minutos dependem de infraestrutura que ainda praticamente não existe no nosso país.
Há um lado positivo: o carro suporta cinco normas de carregamento (CCS2, GB/T, CHAdeMO, CCS1 e NACS), e com 800 V tira o máximo partido de qualquer posto ultrarrápido que encontre.

O habitáculo segue o do GT 4 portas: painel de instrumentos de 10,2 polegadas, ecrã central de 14 e um terceiro ecrã de 14 polegadas para o passageiro (opcional). O teto panorâmico Sky Control, o som Burmester 4D e o MBUX com assistentes de IA integrados completam a lista.
Para os entusiastas, o AMG Race Engineer coloca três comandos rotativos na consola (resposta, agilidade, controlo de tração) no 55 e no 63. A suspensão AMG Active Ride Control+, que substitui as barras estabilizadoras por um sistema hidráulico, é de série no GT 63 e opcional no GT 55.
E o som? O AMGFORCE Sport+ simula um seis cilindros em linha (GT 53) ou um V8 (GT 55 e 63), com passagens de caixa fictícias e vibração nos bancos. É uma questão de gosto — há quem adore, há quem desligue ao fim de dois dias.
A própria Mercedes-AMG assume o Porsche Cayenne como referência. Eis como o GT 63 SUV se compara com o Cayenne Turbo Electric e com o BMW iX M70:
| AMG GT 63 SUV | Porsche Cayenne Turbo Electric | BMW iX M70 | |
|---|---|---|---|
| Potência máxima | 860 kW / 1.169 cv | 850 kW / 1.156 cv | 485 kW / 659 cv |
| Binário | 2.000 Nm | 1.500 Nm | 1.015 Nm |
| 0-100 km/h | 2,7 s (2,5 s rollout) | 2,5 s | 3,8 s |
| Bateria | 106 / 128 kWh úteis | 113 kWh brutos | 108,9 kWh |
| Carregamento DC máx. | 710 kW* | 400 kW | 195 kW |
| Autonomia WLTP | até 700 km | 623 km | 521-600 km |
| Preço Alemanha | a anunciar | 165.500 € | 124.900 € |
*Preliminar.
Em potência pura, o duelo com o Porsche é quase um empate técnico — 13 cv de diferença não se sentem na estrada. Onde o AMG se destaca é no carregamento: 710 kW contra 400 kW no Cayenne e 195 kW no BMW. O iX M70 fica claramente noutra liga em desempenho, mas também é o mais "comedido" dos três.
A comparação mais interessante pode ser outra: o GT 53 SUV, a 113.050 € na Alemanha, fica abaixo do iX M70 (124.900 €) e entra no território do Cayenne Electric base (105.200 €). Tem mais potência do que o Cayenne base (544 contra 436 cv) e menos do que o iX M70 (659 cv), mas carrega muito mais depressa do que qualquer um dos dois: 600 kW contra 400 e 195 kW.

Ainda não há preço oficial para Portugal. O único valor confirmado é o alemão: desde 113.050 € para o GT 53 SUV, com IVA de 19%.
Uma estimativa simples: retirando o IVA alemão ficamos com cerca de 95.000 €; aplicando os 23% de IVA português, chegamos a perto de 117.000 €. Como os elétricos estão isentos de ISV, não há imposto automóvel a somar. Ainda assim, as tabelas portuguesas da Mercedes costumam ter os seus próprios ajustes de equipamento e preço, pelo que estimamos o Mercedes-AMG GT SUV em Portugal entre 117.000 € e 130.000 € para o GT 53. Trate este valor como uma estimativa nossa, não como preço de tabela.
O GT 55 e o GT 63 SUV ainda não têm preço em nenhum mercado. Tendo em conta a potência e o equipamento de série (travões carbono-cerâmicos, Active Ride Control+), é razoável esperar que o GT 63 fique bem acima da barreira dos 150.000 €.
Para particulares, a vantagem é clara: isenção de ISV e de IUC, como em qualquer elétrico. Já para empresas convém fazer contas — com um preço muito acima dos 62.500 €, o GT SUV fica fora do limite que permite deduzir o IVA na compra de elétricos.
Ainda não há preço oficial português. O único valor confirmado é o alemão: desde 113.050 € para o GT 53 SUV, com IVA a 19%. Ajustando para os 23% de IVA nacional e sem ISV a somar (os elétricos estão isentos), estimamos o GT 53 SUV entre 117.000 € e 130.000 € em Portugal — uma faixa próxima dos 129.500 € pedidos cá pelo GT 53 de 4 portas. O GT 55 e o GT 63 SUV ainda não têm preço em nenhum mercado, mas é de esperar que o GT 63 fique bem acima dos 150.000 €.
As encomendas do GT 53 SUV abrem na Europa a 20 de outubro de 2026, e o GT 55 e o GT 63 SUV seguem-se na primavera de 2027. O carro é produzido no Hall 32 da fábrica de Sindelfingen, na Alemanha. A Mercedes ainda não confirmou a tabela nem a data das primeiras entregas em Portugal, mas é expectável que o mercado nacional acompanhe o calendário europeu; nos EUA, as entregas só começam no verão de 2027.
O GT 53 SUV tem dois motores síncronos, 544 cv e 800 Nm, faz os 0-100 km/h em 4,2 s e usa sempre a bateria de 106 kWh com travões em aço. O GT 55 e o GT 63 recebem três motores de fluxo axial YASA: 816 cv e 1.860 Nm no 55, 1.169 cv e 2.000 Nm no 63, com 0-100 km/h em 3,1 s e 2,7 s, respetivamente. Só estes dois podem ter a bateria de 128 kWh (até 700 km WLTP) e chegar aos 270 km/h com o AMG Driver's Package; o GT 63 traz ainda de série travões carbono-cerâmicos e a suspensão Active Ride Control+.
Não. Os postos mais rápidos da rede MOBI.E ficam muito abaixo dos 600 kW (bateria de 106 kWh) e dos 710 kW (bateria de 128 kWh, valor ainda preliminar segundo a Mercedes) que o GT SUV aceita. Num carregador de 400 kW, os 10-80% demoram cerca de 16 minutos, em vez dos 11-12 minutos anunciados com potência máxima. Mesmo assim, graças aos 800 volts, o carro tira o máximo de qualquer posto ultrarrápido e chega a recuperar cerca de 454 km em 10 minutos (GT 63) nas condições ideais.
Os dois partilham a plataforma AMG.EA de 800 volts, os mesmos motores e potências até 1.169 cv, por isso a escolha é sobretudo de carroçaria e uso. O GT SUV tem 1.656 mm de altura, 607 litros de bagageira (1.740 com os bancos rebatidos) e um frunk de 78 litros, sendo mais prático para família e viagens. O GT 4 portas é mais baixo e eficiente — o GT 53 anuncia até 809 km WLTP contra 668 km no GT 53 SUV — e já tem preço em Portugal (129.500 €), enquanto o SUV ainda depende de uma estimativa.
Os concessionários portugueses deverão abrir encomendas do GT 53 em linha com o resto da Europa, mas as primeiras entregas e a tabela nacional ainda não foram confirmadas.
Para quem está a pensar num SUV elétrico de luxo com alma desportiva, o GT 53 SUV parece o ponto de equilíbrio da gama: carrega três vezes mais depressa do que o BMW iX M70 e custa menos, pelo menos na Alemanha. O GT 63 é outra conversa — um exercício de excesso que só faz sentido para quem quer o SUV elétrico mais potente da Mercedes-AMG. Vale a pena esperar pela tabela portuguesa antes de decidir.