
Quase 4,93 metros de comprimento, tração traseira de série e autonomias WLTP acima dos 550 km. No papel, o Mazda 6e e o Hyundai Ioniq 6 disputam exatamente o mesmo cliente: quem quer uma berlina elétrica grande, confortável para viagens e que não custe o preço de um alemão premium. Por baixo da carroçaria, porém, são carros muito diferentes.
O Mazda 6e nasce de uma parceria com a chinesa Changan. É, na prática, um Changan Deepal SL03 redesenhado pela Mazda (na China chama-se Mazda EZ-6), montado na plataforma EPA1 com arquitetura de 400V. Já o Ioniq 6 usa a plataforma E-GMP, dedicada a elétricos, com sistema de 800V e um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,21. Esta comparação Mazda 6e vs Ioniq 6 olha para o que realmente pesa na decisão de quem compra em Portugal: espaço, autonomia, tempo de carregamento, equipamento e preço.
| Mazda 6e | Hyundai Ioniq 6 (renovado) | |
|---|---|---|
| Plataforma / tensão | Changan EPA1 / 400V | E-GMP / 800V |
| Comprimento / largura / altura | 4.921 / 1.890 / 1.485 mm | 4.925-4.930 / 1.880 / 1.495 mm |
| Distância entre eixos | 2.895 mm | 2.950 mm |
| Baterias | 68,8 kWh LFP; 80 kWh NMC; 78 kWh LFP (ano-modelo 2027) | 63 kWh; 84 kWh NMC |
| Potência | 258 CV (68,8 e 78 kWh); 245 CV (80 kWh) | 170 CV (63); 229 CV (84 RWD); 325 CV (84 AWD) |
| 0-100 km/h | 7,6 a 7,9 s | 8,3 s (63); 7,4 s (84 RWD); 5,1 s (AWD) |
| Autonomia WLTP | 479 km (68,8); 552 km (80); 560 km (78) | 521 km (63); até 680 km (84 RWD, jantes 18"); 595-650 km (AWD) |
| Carregamento DC máximo | 165 kW (68,8); 90 kW (80); 200 kW (78) | cerca de 260 kW |
| DC 10-80% | ~24 min (68,8 e 78); ~47 min (80) | ~18 min |
| Carregamento AC | 11 kW | 11 kW |
| Porta-bagagens | 466 L (até ao tejadilho) / 1.074 L + frunk de 72 L | 401 L + frunk de 45 L (RWD) ou 14,5 L (AWD) |
| Peso | 2.090 kg (78 kWh) | 2.000 kg (84 RWD) |
| Garantia da bateria | 8 anos / 160.000 km | 8 anos / 160.000 km |
As dimensões exteriores são praticamente decalcadas. O Ioniq 6 tem mais 55 mm entre eixos, o que se nota no espaço para as pernas atrás, mas a linha do tejadilho muito descaída cobra o seu preço: a altura para a cabeça nos bancos traseiros é o ponto mais criticado do Hyundai, e passageiros com mais de 1,80 m vão viajar ligeiramente encolhidos. Para baixar o assento traseiro, a Hyundai sacrificou também o apoio das coxas, algo que se sente numa viagem Lisboa-Algarve.
No Mazda 6e, o piso alto típico de um elétrico sem plataforma dedicada tira algum conforto a quem vai atrás, mas só pernas muito compridas darão por isso. O tejadilho panorâmico, de série, ajuda na sensação de espaço.
É aqui que a diferença fica mais clara. O Mazda declara 466 litros (medidos até ao tejadilho), 1.074 litros com os bancos rebatidos e ainda uma bagageira dianteira de 72 litros, ideal para os cabos de carregamento. A mala é pouco funda, mas estende-se bastante em comprimento. O Ioniq 6 fica-se pelos 401 litros, com um frunk de 45 litros na versão de tração traseira que encolhe para uns simbólicos 14,5 litros na versão de tração integral.
Para uma família que faz férias de carro, os 65 litros a mais atrás e o frunk maior do Mazda fazem diferença real.
Na Europa continental, o Mazda 6e chegou com uma escolha estranha. A versão de 68,8 kWh (química LFP, 258 CV) anuncia 479 km WLTP e carrega a 165 kW. A Long Range de 80 kWh (NMC, 245 CV) sobe para 552 km, mas fica limitada a 90 kW em DC, o que estica o 10-80% para cerca de 47 minutos. Mais bateria, menos potência e carregamento mais lento. Difícil de defender.
A Mazda resolveu o problema no ano-modelo 2027, que chega aos concessionários europeus a partir de novembro de 2026: passa a existir uma única bateria de 78 kWh LFP (77 kWh úteis), com 258 CV, 560 km WLTP e carregamento DC até 200 kW. O Reino Unido já só recebe esta versão, e é ela a referência para esta comparação daqui em diante.
Os números de estrada são animadores. A EV Database estima 470 km de autonomia real para o 6e de 78 kWh, e cerca de 445 km em autoestrada com tempo ameno. No inverno (a -10 °C), em autoestrada, a estimativa desce para 340 km. Num teste da Electrifying.com no Reino Unido, com mais de 30 °C, ar condicionado no máximo e bancos ventilados ligados, o Mazda fez 4,3 milhas por kWh, o equivalente a cerca de 539 km de autonomia. Nada mau para um carro com 2.090 kg.
Traduzido para Portugal: Lisboa-Porto (cerca de 310 km) faz-se sem paragens e com margem, e Lisboa-Algarve também.
O Ioniq 6 renovado anuncia até 680 km WLTP com a bateria de 84 kWh (80 kWh úteis), tração traseira e jantes de 18", com um consumo homologado de 13,5 kWh/100 km contra os 15,9 kWh/100 km do Mazda. A versão de 63 kWh e 170 CV fica pelos 521 km, e a de tração integral com 325 CV anuncia entre 595 e 650 km, conforme as jantes.
Na estrada, a EV Database aponta para 545 km reais no Ioniq 6 84 kWh RWD e 520 km em autoestrada com tempo ameno, contra os 445 km do Mazda. São 75 km a mais precisamente onde mais importam, a velocidade constante numa A1 ou A2. A diferença vem da aerodinâmica: com Cx de 0,21, o Ioniq 6 gasta menos energia para andar ao mesmo ritmo.

Numa viagem longa, o tempo parado conta tanto como a autonomia. O Ioniq 6 passa de 10 a 80% em cerca de 18 minutos num carregador de 350 kW, com picos na ordem dos 260 kW, e a Hyundai promete até 100 km recuperados em cinco minutos. Tem ainda Plug & Charge e pré-condicionamento automático da bateria quando se navega para um carregador.
O Mazda 6e de 78 kWh anuncia 24 minutos para o mesmo 10-80%, com pico de 200 kW. Diferença de seis minutos que, sinceramente, poucos vão sentir. O pré-condicionamento no Mazda é manual, o que exige lembrar-se de o ativar antes de chegar ao posto.
Carregadores de 350 kW ainda são minoria nas autoestradas portuguesas. Num posto de 150 kW, bem mais comum, a EV Database estima 25 minutos para o Ioniq 6 e 31 minutos para o Mazda no 10-80%. Num carregador de 50 kW, as contas quase se igualam: 71 minutos para o Hyundai, 68 para o Mazda. A vantagem dos 800V existe, mas é maior no papel do que numa área de serviço típica em Portugal.
Em corrente alternada, ambos carregam a 11 kW. Numa wallbox em casa, a noite chega para encher qualquer um dos dois.
Entrar no Mazda 6e é uma surpresa. Materiais macios, tecidos tipo camurça nas portas e, na versão Takumi Plus, pele Nappa em tom caramelo. A lista de série é longa: bancos dianteiros elétricos, aquecidos e ventilados, head-up display com realidade aumentada, tejadilho panorâmico, câmaras 360°, som Sony de 14 altifalantes e bomba de calor. O quadro de instrumentos tem 10,2" e o ecrã central 14,6".
O reverso da medalha? Quase tudo passa pelo ecrã tátil, incluindo limpa-para-brisas e faróis. Há dois botões programáveis no volante para contornar o problema, mas a ausência de comandos físicos para funções de segurança é uma crítica recorrente dos testes europeus, tal como a direção pouco natural em torno do centro e uma suspensão algo nervosa em piso irregular. A Mazda afinou a suspensão no ano-modelo 2027, mas ainda não há testes independentes que o confirmem.

O Ioniq 6 é mais racional. Dois ecrãs de 12,3", comandos físicos para a climatização e para o aquecimento e ventilação dos bancos, carregamento USB-C de 100 W e V2L de 3,6 kW para alimentar equipamentos a partir da bateria (o Mazda também tem V2L, de 3,3 kW). Head-up display, som Bose e Highway Driving Assist 2 ficam reservados para as versões mais equipadas, como a N Line.
Comparar preços entre estes dois exige cuidado, porque as gamas estão a mudar. Quando o Mazda 6e chegou a Portugal em 2025, a imprensa nacional noticiou preços de lançamento a partir de 40.050 € para o Takumi de 68,8 kWh. O novo 78 kWh ainda não tem preço português confirmado. Como referência, em Itália o 6e parte dos 42.650 € (Takumi) e dos 44.300 € (Takumi Plus), e no Reino Unido o 78 kWh custa 38.995 £.
Para o Hyundai Ioniq 6, a melhor referência europeia é a versão de 84 kWh RWD: 55.300 € na Alemanha e 52.995 € nos Países Baixos. Por cá, a Hyundai tem promovido campanhas para empresas na versão de 63 kWh, pelo que vale a pena pedir proposta ao concessionário. Mesmo assim, a leitura geral é clara: a preços de tabela, o Mazda chega ao mercado com mais equipamento por menos dinheiro, e o Ioniq 6 de bateria grande joga num patamar acima.
Ambos são 100% elétricos, por isso estão isentos de ISV e de IUC. Para empresas, o IVA é dedutível e não há tributação autónoma em viaturas elétricas até 62.500 € (antes de IVA), um limite que qualquer um dos dois respeita nas versões de acesso. Garantia da bateria? Igual nos dois: 8 anos ou 160.000 km.
No lançamento em Portugal, em 2025, o Mazda 6e foi anunciado a partir de 40.050 € na versão Takumi de 68,8 kWh. A nova versão de 78 kWh do ano-modelo 2027 ainda não tem preço português confirmado; como referência, em Itália o 6e parte dos 42.650 € e no Reino Unido o 78 kWh custa 38.995 £. Por ser 100% elétrico, está isento de ISV e de IUC.
O ano-modelo 2027 substitui as baterias de 68,8 kWh e 80 kWh por uma única bateria LFP de 78 kWh (77 kWh úteis), com 258 CV e 560 km de autonomia WLTP. O carregamento DC sobe para 200 kW, com 10-80% em cerca de 24 minutos, contra os 47 minutos da antiga Long Range de 80 kWh, limitada a 90 kW. Chega aos concessionários europeus a partir de novembro de 2026.
A EV Database estima cerca de 470 km reais para o Mazda 6e de 78 kWh e 545 km para o Ioniq 6 de 84 kWh com tração traseira. Em autoestrada com tempo ameno, os valores descem para 445 km e 520 km, respetivamente. No inverno (-10 °C) em autoestrada, o Mazda fica pelos 340 km estimados, o que ainda chega para um Lisboa-Porto sem paragens.
Sim, o Mazda 6e deriva do Changan Deepal SL03 e é vendido na China como Mazda EZ-6, usando a plataforma Changan EPA1 com arquitetura de 400V. A Mazda redesenhou o exterior e o interior e dá a mesma garantia de bateria do Ioniq 6: 8 anos ou 160.000 km. O Ioniq 6, por sua vez, usa a plataforma E-GMP da Hyundai, dedicada a elétricos e com 800V.
Num carregador de 350 kW, o Ioniq 6 passa de 10 a 80% em cerca de 18 minutos, com picos de cerca de 260 kW graças aos 800V. Num posto de 150 kW, mais comum na rede Mobi.E, a EV Database estima 25 minutos (31 minutos no Mazda 6e) e num carregador de 50 kW cerca de 71 minutos. Em casa, ambos carregam a 11 kW em corrente alternada, o suficiente para encher a bateria durante a noite.
O Mazda 6e faz sentido para quem valoriza espaço e conforto a bordo. Mala maior, frunk útil, habitáculo com acabamentos acima da média e uma lista de equipamento que no Hyundai obriga a subir de versão. Com a bateria de 78 kWh, deixa de ter um ponto fraco evidente no carregamento. Convém é experimentar o sistema de ecrã antes de assinar, porque a falta de botões divide opiniões.
O Hyundai Ioniq 6 é a escolha de quem faz muitos quilómetros em autoestrada. Mais eficiente, mais autonomia real em viagem, carregamentos mais curtos e a maturidade da plataforma E-GMP. Em troca, aceita-se uma mala mais pequena, pouco espaço para a cabeça atrás e um preço de partida mais alto na versão de 84 kWh.
Se vai esperar pelo Mazda 6e de 78 kWh, novembro é o mês a marcar no calendário. Quando os preços portugueses forem confirmados, a comparação entre os dois fica ainda mais afinada, e é provável que as campanhas da Hyundai respondam.