
A Lucid cortou 5.000 € ao preço de entrada do Gravity e reorganizou a gama europeia em quatro níveis. O SUV elétrico de sete lugares arranca agora nos 94.900 € na Alemanha, contra os 99.900 € praticados desde novembro de 2025. Quem procurar "Lucid Gravity preço Portugal" vai encontrar sobretudo números americanos em dólares — e nenhum deles se aplica cá.
Comecemos pela ressalva mais importante: estes valores são preços de tabela alemães. A Lucid não tem rede de retalho em Portugal, não há preçário nacional e as entregas europeias só começam no outono de 2026. Ainda assim, a tabela vale a pena ser lida, porque mostra onde é que este carro se posiciona face ao BMW iX e ao Tesla Model X — os dois rivais que temos, esses sim, disponíveis no nosso mercado.
A lógica antiga tinha duas versões. A nova tem quatro, com dois grupos motopropulsores distintos: Touring e Touring Plus partilham 418 kW e uma bateria de 89 kWh; Grand Touring e Grand Touring Ultimate levam 617 kW e 123 kWh.
| Versão | Potência | Bateria | Autonomia WLTP | Preço (Alemanha) | Leasing/mês |
|---|---|---|---|---|---|
| Gravity Touring | 418 kW (568 cv) | 89 kWh | até 545 km | 94.900 € | 949 € |
| Gravity Touring Plus | 418 kW (568 cv) | 89 kWh | até 545 km | 99.900 € | 999 € |
| Gravity Grand Touring | 617 kW (839 cv) | 123 kWh | até 739 km | 119.900 € | 1.199 € |
| Grand Touring Ultimate | 617 kW (839 cv) | 123 kWh | até 739 km | 147.500 € | 1.475 € |
Os valores de leasing já incluem IVA. Nos Países Baixos a mesma gama custa mais 3.000 € por versão: 97.900 €, 102.900 €, 122.900 € e 150.500 €. É a prova de que "o preço do Gravity" depende sempre do país onde é matriculado.
Aqui está o detalhe que passa despercebido. Os 99.900 € do Touring Plus são exatamente o preço que o Touring simples pedia até agora — só que agora incluem sete lugares de série e o Comfort and Convenience Pack: cortinas elétricas nos vidros traseiros, portas com fecho suave, volante aquecido, escovas limpa-para-brisas aquecidas e bancos da segunda fila aquecidos.
Toda a gama europeia passa a ter o DreamDrive 2 Premium de série, com máximos automáticos, proteção de saída de faixa, visualização do ângulo morto e câmaras de visão envolvente 3D. O Grand Touring acrescenta bancos PurLuxe Premium com massagem e um pacote elétrico de 230 V. O Ultimate reserva para si o DreamDrive 2 Pro, o Dynamic Handling Package (suspensão pneumática de três câmaras e direção às quatro rodas), o sistema Surreal Sound Pro de 22 altifalantes e o interior em pele premium.

Os 739 km WLTP do Grand Touring são o número de montra, mas o dado mais útil vem da EV Database, que estima 615 km de autonomia real em uso combinado, com um consumo de 200 Wh/km. Em autoestrada e tempo ameno, o cálculo aponta para 575 km; no inverno, 450 km. Lisboa-Porto ida e volta sem carregar continua a ser possível na maior parte do ano.
Extrair 739 km de 123 kWh é um exercício de eficiência que poucos rivais conseguem igualar. Para comparar: o BMW iX xDrive60 precisa de 109,1 kWh para fazer 525 km reais.
O carregamento é o outro trunfo, e convém ser preciso sobre ele. A arquitetura de 926 V e 400 kW aplica-se apenas às versões de 123 kWh — Grand Touring e Grand Touring Ultimate. Nessas, a Lucid indica cerca de 400 km recuperados em 14 minutos. As versões de 89 kWh usam uma arquitetura de 672 V e carregam a 250 kW, o que dá os mesmos 400 km em cerca de 23 minutos. Em corrente alternada, o Gravity aceita 22 kW.
Na prática portuguesa, esta diferença importa menos do que parece. A rede MOBI.E tem hoje postos de 150 kW e 300 kW nos principais eixos, e são poucos os carregadores capazes de alimentar 400 kW de forma sustentada. A potência média entre 10% e 80% do Grand Touring fica nos 210 kW — esse é o número que vai sentir numa paragem real na A1.
Com 5.035 mm de comprimento e 3.035 mm de distância entre eixos, o Gravity é um carro grande mesmo para os padrões do segmento. O que faz com esse tamanho é que impressiona: 1.433 litros de bagageira com os bancos em uso, até 3.398 litros com tudo rebatido, mais 230 litros de mala dianteira.
Pesa 2.759 kg em vazio, reboca 2.500 kg travados e tem um diâmetro de viragem de 12,8 metros — surpreendentemente contido para o tamanho. Velocidade máxima de 250 km/h e 1.232 Nm de binário no Grand Touring.
Esta é a leitura que interessa a quem está a decidir hoje. Todos os preços são de tabela alemã, para que a comparação faça sentido.
| Gravity Touring | Gravity Grand Touring | BMW iX xDrive60 | Tesla Model X AWD | |
|---|---|---|---|---|
| Preço | 94.900 € | 119.900 € | 99.900 € | 115.970 € |
| Potência | 418 kW (568 cv) | 617 kW (839 cv) | 400 kW (544 cv) | 504 kW (685 cv) |
| Bateria útil | 89 kWh | 123 kWh | 109,1 kWh | 95 kWh |
| Autonomia WLTP | 545 km | 739 km | 701 km | 600 km |
| Autonomia real (EVDB) | n/d | 615 km | 525 km | 490 km |
| 0-100 km/h | 4,7 s | 3,6 s | 4,6 s | 3,9 s |
| Carregamento DC máx. | 250 kW | 400 kW | 195 kW | 250 kW |
| Lugares | 5 (7 opcional) | 7 | 5 | 7 |
| Bagageira máx. | 3.398 L | 3.398 L | 1.750 L | 2.675 L |
O Touring de entrada é mais barato 5.000 € do que o iX e leva mais 24 cv, mas perde na autonomia WLTP e só tem cinco lugares de série. Já o Grand Touring pede mais 20.000 € do que o iX e devolve 90 km reais extra, sete lugares e o dobro da potência de carregamento.
O Model X ficou numa posição estranha: custa quase tanto como o Grand Touring, tem menos 139 km WLTP e a produção do Model S e do Model X deverá terminar por volta do segundo trimestre de 2026. Comprar um agora é comprar um carro em fim de linha.

Não existe preçário português: a Lucid não tem rede de retalho em Portugal e nunca publicou uma tabela nacional. Os valores conhecidos são preços de tabela alemães de agosto de 2026 — 94.900 € para o Touring, 99.900 € para o Touring Plus, 119.900 € para o Grand Touring e 147.500 € para o Grand Touring Ultimate. Nos Países Baixos a mesma gama custa mais 3.000 € por versão, o que mostra que qualquer valor para Portugal seria sempre uma estimativa de importação, não um preço oficial.
A diferença é de 5.000 € (94.900 € contra 99.900 € na Alemanha) e não há qualquer alteração mecânica: ambos usam 418 kW, bateria de 89 kWh e até 545 km WLTP. O Touring Plus acrescenta os sete lugares de série — que no Touring são opção — e o Comfort and Convenience Pack, com cortinas elétricas traseiras, portas de fecho suave, volante aquecido, escovas aquecidas e bancos da segunda fila aquecidos. Para quem precisa da terceira fila, os 5.000 € são praticamente o custo dessa opção com equipamento oferecido por cima.
Sendo 100% elétrico, o Gravity está isento de ISV e beneficia da isenção de IUC aplicável aos veículos elétricos, o que retira a maior fatia da fiscalidade automóvel portuguesa. Comprado novo na Alemanha, o IVA é liquidado em Portugal à taxa de 23% sobre o valor do veículo. O custo real não está nos impostos, mas na logística: transporte, matrícula e, sobretudo, a ausência de rede de assistência, peças e garantia no país.
Depende da versão. O Grand Touring e o Grand Touring Ultimate usam arquitetura de 926 V e aceitam até 400 kW em corrente contínua, o que a Lucid traduz em cerca de 400 km recuperados em 14 minutos; o Touring e o Touring Plus, com 672 V, carregam a 250 kW e fazem esses 400 km em cerca de 23 minutos. Na rede MOBI.E, com postos maioritariamente de 150 kW a 300 kW, o número realista é a potência média de 210 kW entre 10% e 80% do Grand Touring. Em corrente alternada, todas as versões aceitam 22 kW.
Em números, o Gravity Touring custa menos 5.000 € do que o iX xDrive60 (94.900 € contra 99.900 € na Alemanha) e tem mais 24 cv, mas fica-se pelos 545 km WLTP e cinco lugares de série. O Grand Touring, a 119.900 €, oferece 615 km de autonomia real segundo a EV Database — mais 90 km do que os 525 km reais do iX — sete lugares e o dobro da potência de carregamento. Para um comprador português, porém, o iX tem a vantagem decisiva de existir cá, com rede de concessionários, assistência e valores residuais previsíveis.
Resposta curta: não chega, pelo menos não por via oficial. A Lucid não tem concessionários nem centros de assistência em Portugal, e as entregas europeias arrancam no outono de 2026 nos mercados onde a marca já opera — Alemanha e Países Baixos à cabeça.
Quem quiser mesmo um Gravity terá de o importar. Sendo 100% elétrico, um Gravity está isento de ISV e beneficia da isenção de IUC aplicável aos veículos elétricos, o que elimina a maior fatia da fiscalidade portuguesa sobre a importação. Se for comprado novo na Alemanha, o IVA é pago em Portugal à taxa de 23% sobre o valor do veículo. Sobra o problema prático: manutenção, peças e garantia dependem de uma rede que não existe no país.
É também aí que o argumento comercial fraqueja. Marcas estabelecidas mantêm redes de assistência e valores residuais mais previsíveis, e a essa altura de preço o valor residual pesa tanto na conta como o preço de compra. Nos Estados Unidos, a Lucid lançou em simultâneo o Gravity GT-S por 125.900 dólares, com cerca de 787 kW; a disponibilidade europeia dessa versão não está confirmada.
Para o comprador português, o Gravity funciona sobretudo como referência: mostra o que é possível fazer com 123 kWh e obriga o BMW iX e o resto do segmento a justificar preço. Se a Lucid decidir entrar em Portugal, vale a pena voltar a olhar para o Touring de 94.900 € — mas até haver rede, o iX continua a ser a escolha mais racional para quem quer um SUV elétrico grande e comprá-lo aqui.