
Mais uma marca chinesa a caminho do velho continente. A Li Auto, conhecida na China pelos seus SUV de autonomia alargada, confirmou que vai levar o Li Auto i6 à Europa na segunda metade de 2026. É um SUV 100% elétrico, com 720 km de autonomia no ciclo chinês e carregamento a 800V — e estreia-se publicamente no Salão Automóvel de Paris, em outubro de 2026.
Para quem em Portugal anda a olhar para o mercado dos elétricos chineses premium, vale a pena perceber o que aí vem. A Li Auto chega tarde — bem depois da XPeng, da Nio, da BYD e da Geely — mas chega com um produto que, no papel, tem números difíceis de ignorar.
O i6 é um crossover/SUV de cinco lugares, totalmente elétrico, com 4.950 mm de comprimento e 3.000 mm de distância entre eixos. Coloca-o sensivelmente no território de um Tesla Model Y, mas um pouco maior. É o terceiro modelo 100% elétrico da Li Auto, depois do i8 e do monovolume Mega.
A marca escolheu o i6 como ponta de lança para a Europa por uma razão simples: é o produto que melhor se encaixa no que os compradores europeus procuram — um SUV elétrico de tamanho médio, com boa autonomia e carregamento rápido. Não é um EREV (elétrico de autonomia alargada com motor a gasolina), é um elétrico puro.
A base do i6 é uma bateria LFP de 87,3 kWh fabricada pela CATL. Dá origem a duas configurações:
| Especificação | RWD (tração traseira) | AWD (tração integral) |
|---|---|---|
| Potência | 250 kW (~335 cv) | 400 kW (536 cv) |
| 0-100 km/h | 6,5 s | 4,5 s |
| Autonomia (CLTC) | 720 km | 660 km |
| Bateria | 87,3 kWh LFP CATL | 87,3 kWh LFP CATL |
| Arquitetura | 800V, carregamento 5C | 800V, carregamento 5C |
| Comprimento | 4.950 mm | 4.950 mm |
Há aqui um detalhe importante para o comprador português. Os 720 km são medidos no ciclo CLTC chinês, que é mais otimista do que o WLTP europeu. Na prática, conte com bastante menos em estrada real — o número WLTP, quando for homologado para a Europa, será provavelmente mais modesto. Ainda assim, mesmo descontando, fica um SUV com autonomia confortável para fazer Lisboa-Porto sem stress.
O carregamento é o verdadeiro argumento. A arquitetura de 800V com tecnologia 5C permite recuperar cerca de 500 km de autonomia em 10 minutos num carregador suficientemente rápido. Numa paragem de café numa área de serviço, o i6 enche o que precisa para seguir viagem. O senão: a rede portuguesa MOBI.E ainda tem poucos pontos capazes de débitos tão altos, por isso esse número de 10 minutos depende do carregador que encontrar.

A Li Auto não poupou no equipamento. O i6 traz dois ecrãs centrais de 15,7 polegadas, um head-up display de 16,8 polegadas a substituir o quadrante tradicional, e — opcionalmente — um ecrã de 21,4 polegadas montado no teto para os passageiros de trás. Há ainda um frigorífico de 8,8 litros, sistema de som com 20 altifalantes, bancos com massagem de 10 pontos à frente e nove airbags.
A condução assistida chama-se AD Max e corre sobre o chip Nvidia Thor, com 700 TOPS de capacidade e um LiDAR no teto. É tecnologia de ponta — embora, na Europa, as funções de condução autónoma estejam limitadas pela regulação, pelo que nem tudo o que funciona na China estará disponível por cá.
Aqui é preciso ser honesto: não há preço europeu nem português anunciado. O único valor oficial é o da China, onde o i6 arranca em 249.800 yuan (cerca de 35.000 dólares), com uma campanha de lançamento a baixar para 239.800 yuan e a versão 4WD totalmente equipada nos 277.800 yuan (cerca de 38.900 dólares).
Não traduza este valor diretamente para euros. Um carro importado da China para a Europa carrega custos de transporte, homologação, margem do importador e, sobretudo, as tarifas adicionais que a Comissão Europeia impôs aos elétricos chineses em outubro de 2024. Tudo somado, o preço europeu tende a ficar bem acima do chinês. Para referência de segmento, em Portugal um Tesla Model Y anda na casa dos 45.000€ — o i6, quando chegar, jogará nesse campo.
Quanto à disponibilidade: o primeiro mercado europeu é o Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo). Portugal não está na primeira vaga. A Li Auto montou um centro de I&D em Munique, contratou quadros vindos da XPeng e da Chery, e aderiu à Câmara de Comércio da China junto da UE — mas ainda não deu uma data concreta para o arranque das vendas na Europa, muito menos em Portugal. O mais realista é Portugal seguir só depois de o Benelux estar consolidado.
Vale a pena desfazer uma confusão que tem circulado. A Li Auto vai lançar uma versão com volante à direita do monovolume Li Mega, mas esse modelo destina-se à Ásia-Pacífico — Hong Kong e Singapura — até ao final de 2026. Volante à direita não serve a Europa continental, e Portugal conduz à esquerda. O Mega com volante à direita não vem para Portugal.
Dito isto, a versão de volante à esquerda do Mega faz parte da lista de modelos elétricos que a Li Auto pretende eventualmente trazer para a Europa. É um monovolume elétrico de sete lugares (configuração 2+2+3) com fichas impressionantes:
Mas é um modelo de nicho e sem data europeia. Para a esmagadora maioria dos compradores portugueses, o carro a seguir é o i6.
O Li Auto i6 estreia-se publicamente no Salão Automóvel de Paris em outubro de 2026 e entra na Europa na segunda metade de 2026, sendo o Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo) o primeiro mercado. Portugal não faz parte da primeira vaga e a Li Auto ainda não anunciou uma data concreta para o arranque das vendas no país. O cenário mais realista é Portugal seguir apenas depois de o rollout no Benelux estar consolidado.
Não há qualquer preço europeu ou português anunciado — qualquer valor é especulativo. O único preço oficial é o da China, onde o i6 arranca em 249.800 yuan (cerca de 35.000 dólares). Na Europa, custos de transporte, homologação, margem do importador e as tarifas adicionais impostas pela Comissão Europeia aos elétricos chineses em outubro de 2024 tendem a empurrar o preço bem acima do chinês. Como referência de segmento, um Tesla Model Y em Portugal anda na casa dos 45.000€.
A Li Auto anuncia 720 km na versão RWD e 660 km na AWD, mas esses números são medidos no ciclo chinês CLTC, mais otimista do que o WLTP europeu. Quando o i6 for homologado para a Europa, o valor WLTP será provavelmente mais modesto e em estrada real deve contar com ainda menos. Ainda assim, mesmo descontando, fica uma autonomia confortável para uma viagem Lisboa-Porto sem paragens.
A bateria LFP de 87,3 kWh da CATL usa arquitetura de 800V com tecnologia de carregamento 5C, capaz de recuperar cerca de 500 km de autonomia em apenas 10 minutos num carregador suficientemente rápido. Na prática, esse tempo depende da potência do posto: a rede portuguesa MOBI.E ainda tem poucos pontos capazes de débitos tão altos, pelo que os 10 minutos só se atingem nos carregadores ultrarrápidos.
Não. A versão com volante à direita do monovolume Li MEGA destina-se à Ásia-Pacífico — Hong Kong e Singapura — até ao final de 2026, e não serve a Europa continental nem Portugal, onde se conduz à esquerda. A versão de volante à esquerda do MEGA está na lista de modelos que a Li Auto pretende eventualmente trazer para a Europa, mas é um modelo de nicho e sem data confirmada. Para a maioria dos compradores portugueses, o carro a seguir é o i6.
A Li Auto entra num mercado onde já não está sozinha. XPeng, Nio, BYD, Geely e Leapmotor já cá estão ou estão a chegar, e isso é boa notícia para quem compra: mais concorrência, mais escolha, pressão sobre os preços. O próprio CEO da Li Auto, Li Xiang, admitiu que a marca ficou para trás — e a entrada na Europa é, em parte, uma resposta à guerra de preços e à procura fraca que enfrenta na China.
Para o comprador português, o calendário é o que importa. O i6 estreia-se em Paris em outubro de 2026, abre vendas no Benelux a seguir, e só depois — sem data confirmada — poderá chegar cá. Até lá, os números técnicos são promissores, mas o preço europeu é a incógnita que vai decidir tudo. Vale a pena acompanhar os próximos anúncios, sobretudo quando sair a homologação WLTP e a primeira tabela de preços para a Europa.