Leapmotor Prepara Marca Premium para 2027 com Tecnologia de 1000V

Publicado: 02/05/2026Leapmotor Marca Premium em 2027: Rival da DS e BMW i

Leapmotor prepara marca premium para 2027 — e a Europa está no radar

A Leapmotor, a chinesa apoiada pela Stellantis que já vende o T03 e o C10 em Portugal, vai lançar uma marca completamente nova em 2027 dedicada a carros acima dos 300.000 yuan — qualquer coisa como 40.000 euros ao câmbio de hoje. A informação foi avançada pela LatePost e confirmada por várias fontes do setor, e marca uma viragem clara na estratégia da marca: deixar de ser apenas a opção barata para entrar no segmento onde DS, BMW i e Mercedes EQ disputam clientes.

Para o comprador português, isto importa por duas razões. Primeiro, porque a Stellantis já produz Leapmotor em Espanha desde o final de 2026, o que encurta drasticamente o caminho até aos concessionários portugueses. Segundo, porque um Leapmotor premium nascido com músculo financeiro real pode pressionar os preços do segmento elétrico de luxo, hoje dominado por marcas alemãs.

Porque é que a Leapmotor precisa de uma marca premium

O número que explica tudo é este: a Leapmotor lucra apenas 905 yuan por carro vendido — pouco mais de 110 euros. O preço médio da gama atual ronda os 125.000 yuan (cerca de 18.100 dólares), comparável a marcas como a Mazda ou a Haval. Com um milhão de carros previstos para 2026 e 5 mil milhões de yuan de lucro líquido como meta, a única saída para crescer em margem é subir de gama.

A jogada é familiar. A Toyota fê-la com a Lexus, a Nissan com a Infiniti, e a BYD está a fazê-la agora com a Denza e a Yangwang. A Leapmotor segue o mesmo guião: rede de vendas independente, identidade própria, e uma separação clara face à imagem de "elétrico chinês acessível" que construiu nos últimos anos.

A vantagem Stellantis

É aqui que a parceria com a Stellantis ganha outro peso. O grupo italo-francês detém 21% da Leapmotor e controla 51% da Leapmotor International — a joint-venture que gere as vendas fora da China. Mais importante: a Stellantis sabe fazer marcas premium. Tem a Maserati, a DS, a Alfa Romeo e a Lancia. Sabe construir redes de concessionários de luxo, sabe formar pessoal de pós-venda para clientes exigentes, e sabe posicionar produto acima dos 50.000 euros.

Para uma marca chinesa que precisa de credibilidade premium na Europa, este é um atalho que nem a NIO nem a XPENG têm.

O D19 já mostra para onde a Leapmotor está a olhar

Antes da nova marca chegar, a Leapmotor já está a testar águas com o D19 — o atual topo de gama, lançado a 16 de outubro de 2025. As especificações dão uma ideia do que esperar:

CaracterísticaValor
Preço (China)250.000-300.000 yuan
Comprimentomais de 5,2 m
Distância entre eixos3,1 m
Lugares6 (três filas)
Bateria BEVCATL 115 kWh, arquitetura 1000V
Autonomia BEV720 km (ciclo chinês)
Carregamento rápido350 km em 15 minutos
Versão EREVbateria 80,3 kWh + depósito 40L
Autonomia EREV elétricamais de 500 km
Potência combinada EREV400 kW
Computaçãodual Snapdragon 8797 (1.280 TOPS)
Raio de viragem3,6 m

A bateria CATL de 115 kWh com arquitetura de 1000V não é detalhe técnico para discussão de fórum — significa, na prática, recuperar 350 km de autonomia em quinze minutos numa estação rápida. Para a realidade portuguesa, isto traduz-se em fazer Lisboa-Algarve com uma única paragem curta de café. A nova marca premium deverá herdar este nível de tecnologia, possivelmente afinado para padrões europeus (autonomia WLTP, em vez do ciclo chinês mais otimista).

O que isto significa para o mercado português

O contexto local é animador. No primeiro trimestre de 2026, a Leapmotor registou 23.300 unidades em 16 países europeus — um salto de 726,5% face ao ano anterior. Em termos de elétricos puros, foram cerca de 17.000 unidades em 12 países da UE, o que coloca a marca em primeiro lugar entre as chinesas no segmento BEV europeu. A produção CKD em Espanha, que arrancou no quarto trimestre de 2026, encurta tempos de entrega e reduz risco cambial.

Preço esperado em Portugal

Se o ponto de partida em China são os 300.000 yuan (cerca de 40.000 euros), o preço europeu vai inevitavelmente subir. Custos logísticos, homologação WLTP, normas de segurança Euro NCAP e margens de concessionário acrescentam tipicamente 30 a 50% ao preço chinês. Em Portugal, a venda de elétricos beneficia ainda da isenção de ISV e de IUC reduzido, o que ajuda — mas não elimina — o impacto fiscal.

Estimativa razoável: a nova marca premium da Leapmotor deverá posicionar-se entre os 55.000 e os 75.000 euros em Portugal, dependendo do modelo. Ou seja, território DS N°8, BMW iX1 e Mercedes EQA/EQB. Não vai competir com Porsche Taycan nem com BMW iX, pelo menos não na primeira geração.

Onde a Leapmotor pode ganhar

A rede MOBI.E continua a expandir-se e os carregadores de 150 kW e mais já são comuns nas autoestradas portuguesas. Um carro com arquitetura de 1000V tira partido pleno desta infraestrutura. Combinado com um preço 15 a 20% abaixo do equivalente alemão, a proposta é interessante para quem quer um SUV elétrico premium sem pagar prémio de marca.

A questão por resolver é a rede de concessionários. A Leapmotor opera em Portugal através da estrutura Stellantis, mas uma marca premium dedicada exige espaços próprios, formação específica e atendimento ao cliente diferente do que se faz para um T03 de 22.000 euros. Se a Stellantis usar a infraestrutura da DS ou da Maserati, o salto pode ser rápido. Se tiver de construir do zero, 2028 ou 2029 são datas mais realistas para Portugal.

Perguntas Frequentes

O lançamento global da nova marca está previsto para 2027, focada em modelos acima dos 300.000 yuan (cerca de 40.000 euros). A chegada a Portugal depende da rede de concessionários: se a Stellantis aproveitar a infraestrutura da DS ou Maserati, pode acontecer ainda em 2027; caso contrário, 2028-2029 são datas mais realistas para o mercado português.

Estima-se que os modelos da nova marca se posicionem entre 55.000 e 75.000 euros em Portugal, dependendo da versão. O ponto de partida chinês de 300.000 yuan (cerca de 40.000 euros) sobe tipicamente 30 a 50% na Europa devido a logística, homologação WLTP e Euro NCAP, ainda que a isenção de ISV e o IUC reduzido para elétricos atenuem o impacto fiscal.

A nova marca vai disputar o segmento da DS N°8, BMW iX1 e Mercedes EQA/EQB, com um posicionamento de preço 15 a 20% abaixo dos rivais alemães. A vantagem técnica está na arquitetura de 1000V e baterias CATL de 115 kWh (no atual D19), que permitem recuperar 350 km em 15 minutos — algo que poucos premium europeus oferecem hoje.

A produção CKD para a Europa arrancou no quarto trimestre de 2026 numa fábrica da Stellantis em Espanha, encurtando tempos de entrega e reduzindo risco cambial. No primeiro trimestre de 2026, a Leapmotor já registou 23.300 unidades em 16 países europeus (+726,5% em termos homólogos), liderando entre as marcas chinesas no segmento BEV da UE.

Os elétricos puros beneficiam em Portugal de isenção total de ISV (Imposto Sobre Veículos) e de IUC reduzido, o que pode representar uma poupança de vários milhares de euros face a um equivalente a combustão. A rede MOBI.E continua a expandir-se e os carregadores de 150 kW ou superiores são já comuns em autoestradas, tirando partido pleno da arquitetura de 1000V que a Leapmotor deverá manter na nova marca premium.

Os riscos que valem a pena vigiar

Os analistas chineses citados pelo CarNewsChina apontam dois problemas concretos. O primeiro é técnico: se a nova marca partilhar plataforma, eletrónica e fornecedores de bateria com a gama atual, é difícil justificar preços acima de 300.000 yuan. O segundo é de imagem: construir equity premium leva anos. A Lexus precisou de uma década para deixar de ser "a Toyota cara" no Ocidente. A Infiniti nunca chegou lá.

A diferença a favor da Leapmotor é o calendário. Com a Stellantis a tratar de canais e pós-venda na Europa, e com a vantagem de chegar a um mercado onde o preço dos elétricos premium ainda é um problema para muitos compradores, a janela existe. O D99, que sucede ao D19 ainda em 2026, dará as primeiras pistas sobre como a marca vai gerir esta transição.

Para já, é um plano para vigiar. Os próximos doze meses devem trazer o nome da nova marca, o primeiro modelo confirmado e — esperemos — uma data concreta para chegada à Europa. Em Portugal, vale a pena acompanhar os anúncios de produção da fábrica espanhola da Stellantis: é por aí que se decide se este projeto chega cedo ou tarde aos concessionários nacionais.