KGM Torres EVX: Preço em Portugal, Ficha Técnica e Autonomia Real

Publicado: 12/09/2026
KGM Torres EVX: Preço em Portugal e 503 km de Autonomia

38.990 € pela versão de entrada: a Europa está a puxar o Torres EVX para baixo

A KGM abriu encomendas na Holanda para uma nova versão de entrada do Torres EVX, a Street Series, por 38.990 €. Fica 2.260 € abaixo da Bronze, que custa 41.250 €, e é a porta de entrada mais barata do SUV elétrico coreano naquele mercado.

Não é um caso isolado. Na Alemanha, a KGM tem em campanha o Torres EVX Nomad a partir de 34.990 €, mais de 13.000 € abaixo do preço de tabela alemão (41.990 €), com bomba de calor, bancos aquecidos e ventilados, câmara 360 e carregamento sem fios incluídos. As entregas começam em setembro de 2026. Ou seja: a marca está a usar séries especiais para atacar a faixa dos 35-40 mil euros em vários países ao mesmo tempo.

Nota importante para quem lê a partir de Portugal — a Street Series é uma designação holandesa. Cá, a gama chama-se K3, K30 e K40. O que interessa é o sinal de preço que estas versões europeias enviam — e o que o preço do KGM Torres EVX em Portugal tem a ver com elas.

O que a Street Series leva (e o que fica de fora)

Pelos 2.260 € de diferença, perde-se menos do que se poderia imaginar. A Street Series mantém climatização automática de duas zonas, navegação, cruise control adaptativo e quadrante digital de 12,3 polegadas.

Ficam de fora aquecimento dos bancos, regulação elétrica dos bancos, porta da bagageira elétrica e carregamento sem fios do telemóvel. Só que nada disso é de série na Bronze também — a diferença real está nas jantes.

E aqui está o detalhe curioso: a versão mais barata calça jantes de 20 polegadas Black Diamond Cut com pneus 245/45, enquanto a Bronze usa 18 polegadas com 225/60. Jantes maiores no carro mais barato. Fica mais bonito, mas custa conforto de rolamento e alguns quilómetros de autonomia.

Ficha técnica do KGM Torres EVX MY26: 80,6 kWh e 503 km WLTP

O ano-modelo 2026 trouxe a mudança que interessa. A bateria passou dos antigos 73,4 kWh para 80,6 kWh úteis (83,0 kWh nominais), com células LFP BYD Blade e arquitetura de 400 V. A autonomia WLTP subiu para 503 km, com um consumo homologado de 19,3 kWh/100 km (a KGM Alemanha anuncia 18,7 kWh/100 km combinado e até 664 km em ciclo urbano).

A mecânica é igual em todas as versões: 152 kW (207 cv), 339 Nm, tração dianteira, 0-100 km/h em 8,2 segundos e 175 km/h de velocidade máxima.

EspecificaçãoValor
Bateria (útil / nominal)80,6 kWh / 83,0 kWh, LFP BYD Blade
Potência / binário152 kW (207 cv) / 339 Nm
TraçãoDianteira
0-100 km/h8,2 s
Velocidade máxima175 km/h
Autonomia WLTP503 km
Consumo WLTP19,3 kWh/100 km
Carregamento AC11 kW (8h45m para 410 km)
Carregamento DC120 kW de pico, 36 min de 10 a 80%
V2LSim, até 3,5 kW
Bagageira839 L / 1.662 L
Reboque com travões1.500 kg
Garantia da bateria10 anos / 1.000.000 km

Autonomia real: 465 km com bom tempo, 350 km no frio

Os 503 km do WLTP não sobrevivem ao mundo real, como sempre. As estimativas da EV Database para este motor com a bateria de 80,6 kWh apontam para 465 km em uso combinado com tempo ameno e 350 km com frio.

Em autoestrada, que é onde a maioria das dúvidas nasce, os números descem para 365 km com bom tempo e 290 km no inverno. Traduzindo para o nosso mapa: Lisboa-Porto (cerca de 300 km pela A1) faz-se de uma assentada em qualquer estação do ano, mas com frio a margem já não é confortável para ir e voltar.

Um teste independente da electrive ao Torres EVX com a bateria anterior de 73,4 kWh mediu menos de 15 kWh/100 km em cidade, cerca de 20 kWh/100 km a 100 km/h e 22 kWh/100 km a 120 km/h. O motor e a carroçaria são os mesmos, por isso estes consumos devem manter-se no MY26 — muda a autonomia, que sobe com a bateria maior.

KGM Torres EVX visto de perfil, com carroçaria angular e jantes de 20 polegadas
A silhueta quadrada é o que dá ao Torres EVX a bagageira de 839 litros.

Carregamento: aqui é que dói

Este é o ponto onde o Torres EVX fica atrás da concorrência. Em corrente contínua, o pico é de 120 kW, com uma média de cerca de 100 kW e 36 minutos para ir dos 10 aos 80% — e esse tempo não melhora num carregador de 350 kW, porque o limite está no carro.

A referência da concorrência nesta faixa de preço anda abaixo dos 30 minutos. São seis a dez minutos a mais em cada paragem de viagem longa. Em casa, o carregador de bordo é de 11 kW, o que dá uma noite inteira (8h45m) para repor cerca de 410 km.

A boa notícia do MY26 é o pré-condicionamento da bateria, ativado manualmente através da navegação. O carro testado pela electrive não o tinha, e numa bateria LFP isso penaliza muito o carregamento no inverno. Continua a faltar Plug and Charge, mas há Autocharge e função V2L até 3,5 kW para alimentar equipamentos externos.

A bagageira de 839 litros é o argumento decisivo

Se há uma razão para pôr este SUV na lista, é esta. 839 litros com os bancos em pé, 1.662 litros com eles rebatidos. Um Skoda Enyaq, que é a referência do segmento, oferece 585 litros. São mais de 250 litros de diferença — a diferença entre caber a bagagem de família e ter de fazer contas.

O formato ajuda tanto quanto o volume: a carroçaria é quadrada, com 4.715 mm de comprimento e 2.680 mm de distância entre eixos, e há arrumação sob o piso da bagageira para os cabos. Não há frunk à frente, ao contrário de um Hyundai Ioniq 5 ou de um Kia EV6.

Acrescente-se 1.500 kg de capacidade de reboque com travões, barras de tejadilho de série e 510 kg de carga útil. Para quem puxa um atrelado ou uma caravana pequena, poucos elétricos nesta faixa fazem o mesmo.

KGM Torres EVX preço Portugal: quanto custa por cá

Aqui é preciso honestidade. Em Portugal, o Torres EVX é vendido pela rede KGM (a antiga SsangYong) com preços de tabela a começar à volta dos 45.900 €, com campanhas de concessionário a anunciar a versão K3 por cerca de 38.490 € já com os 4.000 € de apoio do Fundo Ambiental incluídos. Estes valores vêm de campanhas comerciais e agregadores, não de uma tabela oficial — confirme sempre no concessionário antes de decidir.

Traduzindo: o preço do KGM Torres EVX em Portugal, na versão K3 em campanha, aproxima-se dos 38.990 € da Street Series holandesa, mas só com o incentivo estatal aplicado. Sem ele, a distância para os preços do norte da Europa mantém-se.

Vale ainda lembrar o enquadramento fiscal português, que continua a favorecer os elétricos: isenção de ISV, isenção de IUC e vantagens fiscais para viaturas de empresa. No mercado de usados, exemplares de 2024 e 2025 rondam os 35.600 € em média — o que, com um carro tão recente, é uma alternativa a considerar seriamente.

Contra quem compete entre os 38 e os 45 mil euros

Nesta faixa, o Torres EVX enfrenta gente com muito mais historial. O Skoda Enyaq tem melhor comportamento dinâmico e uma rede de assistência incomparavelmente maior. O Renault Scenic E-Tech oferece bastante mais autonomia. Hyundai Ioniq 5 e Kia EV6 têm arquitetura de 800 V e carregam a mais do dobro da velocidade. O Mini Countryman Electric joga na imagem de marca.

O Torres EVX responde com três argumentos concretos: espaço de carga, capacidade de reboque e a garantia da bateria de 10 anos ou 1.000.000 km — um número que quase nenhum construtor europeu iguala. A garantia do veículo é de sete anos.

Interior do KGM Torres EVX com dois ecrãs de 12,3 polegadas e apontamentos em cobre
Os dois ecrãs de 12,3 polegadas impressionam à primeira vista; o software é que envelheceu.

Onde o Torres EVX perde pontos

Nada disto vale sem os avisos. E há alguns.

  • Sem classificação Euro NCAP. A KGM não tem qualquer modelo testado pelo Euro NCAP. O equipamento de segurança está lá — travagem automática de emergência, aviso de ângulo morto, alerta de tráfego transversal, oito airbags nas versões alemãs mais equipadas — mas não existe uma nota independente de proteção em caso de acidente.
  • Infoentretenimento datado. Gráficos antigos, menus lentos, resposta com atraso e todos os comandos de climatização enterrados no ecrã tátil. A navegação TomTom foi pensada para carros a combustão e não planeia paragens de carregamento.
  • Comportamento dinâmico apenas correto. Inclinação de carroçaria notória em curva, suspensão macia que filtra bem as irregularidades grandes mas transmite as pequenas, e ruído aerodinâmico e de rolamento evidente em autoestrada.
  • Bancos moles. Confortáveis nos primeiros quilómetros, cansativos ao fim de algumas horas, com pouco apoio lateral.

A Carwow deu-lhe 6 em 10, com um resumo que resiste bem: prático e espaçoso, mas sem brilho ao volante.

Vale a pena? Depende do que procura. Se quer o SUV elétrico com mais espaço de carga por 40 mil euros, com garantia de bateria a rondar o exagero e capacidade de reboque a sério, o Torres EVX faz sentido — sobretudo se conseguir uma campanha com apoio do Fundo Ambiental. Se faz muitos quilómetros de autoestrada e não quer perder 36 minutos em cada paragem, há melhores opções pelo mesmo dinheiro. As séries de entrada que estão a aparecer na Holanda e na Alemanha sugerem que a pressão sobre os preços vai continuar — e o mercado português costuma seguir com alguns meses de atraso.

Perguntas Frequentes

Para já não. A Street Series foi lançada como versão de entrada nos Países Baixos, por 38.990 €, abaixo da Bronze (41.250 €), e a KGM ainda não confirmou se é permanente ou apenas uma campanha. Em Portugal a gama continua a ser vendida com as designações K3 e K5, com preço de tabela a partir de cerca de 45.900 € para particulares. O sinal importante é outro: entre a Street Series holandesa e a Torres EVX Nomad alemã (34.990 €), a KGM está a empurrar o preço de entrada para baixo em vários mercados europeus, o que costuma antecipar campanhas semelhantes por cá.

O Torres EVX MY26 usa uma bateria LFP de 80,6 kWh úteis (células BYD Blade) e homologa 503 km WLTP, com um consumo de 19,3 kWh/100 km. Na prática, contar com cerca de 465 km em utilização mista com tempo ameno e cerca de 350 km no inverno é mais realista. Em autoestrada, o valor cai para perto de 365 km com bom tempo e 290 km no frio — números que continuam a chegar para o Porto-Lisboa sem paragem, mas com pouca margem no inverno.

Em corrente contínua o Torres EVX aceita um pico de 120 kW, com média perto dos 100 kW, e faz os 10-80% em cerca de 36 minutos. Em corrente alternada está limitado a 11 kW, o que significa cerca de 8h45 para uma carga completa em wallbox — uma noite inteira. É o ponto mais fraco da ficha técnica: vários rivais no mesmo escalão de preço fazem os 10-80% em menos de 30 minutos. A boa notícia do MY26 é a chegada do pré-condicionamento manual da bateria através da navegação, que ajuda a atingir a potência máxima no inverno.

Não. Nenhum modelo KGM tem classificação Euro NCAP atribuída, e o Torres EVX não é exceção — ainda não foi submetido a testes. Isso não significa que seja inseguro: traz de série travagem automática de emergência, assistente de manutenção de faixa, controlo de velocidade adaptativo, reconhecimento de sinais e vigilância de ângulo morto. Mas quem compra sem uma nota independente fica sem a referência que praticamente todos os rivais diretos já têm publicada.

Sendo 100% elétrico, o Torres EVX está isento de ISV e paga o IUC mínimo, além de beneficiar da taxa de IVA dedutível no caso das empresas. Para particulares, o apoio do Fundo Ambiental à compra de elétricos novos tem rondado os 4.000 €, sujeito a dotação anual limitada e a um tecto de preço do veículo — foi com esse apoio incluído que alguns concessionários anunciaram a versão K3 a partir de cerca de 38.490 €. Confirme sempre a dotação em vigor e a elegibilidade antes de fechar negócio, porque as verbas esgotam durante o ano.