
500 km de autonomia WLTP. É o que a Jeep promete para o novo Compass e com bateria de 73,7 kWh. Mas o primeiro teste de autonomia real, feito pela ArenaEV a 7°C, conta uma história diferente — e quem planeia viagens longas em Portugal precisa de conhecer estes dados.
Na cidade e em estradas nacionais, o Compass e impressiona. A 60 km/h, o teste registou 676 km de autonomia com um consumo de apenas 10,9 kWh/100 km. A 90 km/h, ainda se conseguem 434 km — acima da promessa WLTP. O problema começa quando se acelera para velocidades de autoestrada.
A 130 km/h, a autonomia cai para 286 km. O consumo sobe para 25,8 kWh/100 km — mais do dobro do registado a 60 km/h. São menos 43% do que os 500 km WLTP. Para quem faz Lisboa-Algarve (cerca de 280 km), isto significa chegar ao destino com a bateria quase a zero, sem margem para desvios.
Este défice não é exclusivo do Compass e — a maioria dos elétricos perde autonomia a alta velocidade. Mas num SUV de 2.185 kg construído sobre uma plataforma partilhada (STLA Medium, não dedicada a elétricos), a aerodinâmica trabalha contra si. O Cd inferior a 0,30 é uma melhoria de 10% face ao antecessor, mas não basta para competir com rivais mais eficientes como o Skoda Enyaq ou o Tesla Model Y.
O EV Database, que calcula autonomias reais com base em múltiplos cenários, estima 420 km em condições mistas com tempo ameno e 315 km com frio. Em autoestrada com frio, a estimativa desce para 265 km. São números mais realistas para planear viagens em Portugal, especialmente no inverno.
| Cenário | Autonomia estimada | Consumo |
|---|---|---|
| Cidade, tempo ameno | 540 km | 13,6 kWh/100 km |
| Combinado, tempo ameno | 420 km | 17,5 kWh/100 km |
| Autoestrada, tempo ameno | 335 km | 22,0 kWh/100 km |
| Combinado, frio | 315 km | 23,4 kWh/100 km |
| Autoestrada, frio | 265 km | 27,8 kWh/100 km |
Para uso urbano e periurbano, o Compass e é mais do que suficiente. Lisboa-Porto (310 km) é exequível em tempo ameno a velocidades moderadas, mas exige uma paragem de carregamento se se circular a 120-130 km/h.
O carregamento DC máximo é de 160 kW, mas a média real entre 10% e 80% fica nos 90 kW. Tradução prática: 36 minutos para recuperar essa faixa de bateria. Numa paragem de 15 minutos num posto rápido da rede MOBI.E, recupera-se autonomia para mais 136 km em tempo ameno — ou 108 km com frio.
O carregamento AC é de 11 kW de série, com opção de 22 kW. Em casa, com uma wallbox de 7,4 kW, conte com cerca de 10-12 horas para uma carga completa. Nada de extraordinário, mas funcional para carregamento noturno.
O EV Database atribui ao Compass e apenas 2 de 5 estrelas para viagens longas. A combinação de autonomia real modesta em autoestrada e carregamento rápido médio limita a sua vocação de estrada aberta.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Bateria (utilizável) | 73,7 kWh (NMC, prismática, 400V) |
| Potência | 157 kW / 213 cv |
| Binário | 345 Nm |
| Tração | Dianteira |
| 0-100 km/h | 8,5 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Autonomia WLTP | 500 km (TEL) / 467 km (TEH) |
| Carregamento DC máx. | 160 kW |
| Carregamento DC 10-80% | 36 min (média 90 kW) |
| Comprimento | 4.552 mm |
| Peso | 2.185 kg |
| Mala | 550 litros |
| Altura ao solo | 200 mm |
| Profundidade de vau | 470 mm |
Com 213 cv e 345 Nm, o Compass e não é desportivo, mas tem potência suficiente para o dia a dia. O 0-100 km/h em 8,5 segundos é adequado para um SUV familiar desta dimensão.
A CAR Magazine destaca o interior como "resistente e funcional", com superfícies emborrachadas e materiais laváveis — pensado para famílias com crianças, cães e equipamento de ar livre. Não é luxuoso, mas é honesto na proposta.
O ecrã de infoentretenimento de 16 polegadas é grande, embora ocasionalmente lento segundo as críticas. O painel digital de 10 polegadas configurável e o Apple CarPlay/Android Auto sem fios completam a experiência tecnológica. A mala de 550 litros, com compartimento sob o piso para cabos, é generosa para o segmento.
No banco traseiro, há espaço para adultos atrás de adultos — algo que nem todos os rivais conseguem. O Selec-Terrain vem de série, embora na versão de tração dianteira os modos off-road sejam limitados.
Nota negativa: não suporta V2L, V2H nem V2G. Num mercado onde concorrentes como o Hyundai Ioniq 5 e até o Cupra Raval oferecem carregamento bidirecional, é uma lacuna.
Ambos partilham ADN Stellantis, mas posicionam-se de forma diferente. O Peugeot e-3008 aposta num interior futurista e maior eficiência, enquanto o Compass e joga a carta da robustez e capacidade off-road.
Em termos de autonomia real, o e-3008 com bateria de 73 kWh reivindica cerca de 527 km WLTP e tem fama de melhor eficiência em autoestrada. O Compass e, com números WLTP semelhantes, perde terreno a velocidades altas. Para quem circula mais em cidade e estradas nacionais, a diferença esbate-se.
O preço será o fator decisivo. Na Europa, o Compass e parte de €44.995 (Holanda) a €50.400 (Alemanha). O e-3008 posiciona-se de forma semelhante, mas com mais prestígio de marca no mercado português.
Ainda não há preço oficial para Portugal. Na Holanda, parte de €44.995; na Alemanha, de €50.400; no Reino Unido, de £36.999 (cerca de €43.500). Extrapolando para o nosso mercado, é razoável esperar um preço a partir de €45.000-48.000.
Sendo 100% elétrico, beneficia de isenção total de ISV e IUC em Portugal. Para empresas, há tributação autónoma reduzida e possibilidade de dedução de IVA em leasing. Estes benefícios fiscais podem representar uma poupança significativa face a um SUV a combustão equivalente.
As entregas começaram no final de 2025 nalguns mercados europeus. Em Portugal, a disponibilidade deverá alinhar-se com o primeiro semestre de 2026.
Quem pode esperar tem opções interessantes no horizonte: uma bateria de 98 kWh com cerca de 650 km WLTP e uma versão de tração integral com 375 cv. Se a autonomia real em autoestrada é uma preocupação, a bateria maior poderá resolver parte do problema.
No teste da ArenaEV a 7°C, o Jeep Compass e registou 286 km de autonomia a 130 km/h, com um consumo de 25,8 kWh/100 km. Isto representa uma queda de 43% face aos 500 km WLTP. A 90 km/h, a autonomia sobe para 434 km. Para viagens longas em autoestrada em Portugal, como Lisboa-Algarve (280 km), é aconselhável planear uma paragem de carregamento.
Ainda não há preço oficial para Portugal. Com base nos preços europeus — €44.995 na Holanda e €50.400 na Alemanha — estima-se um valor a partir de €45.000-48.000. Sendo 100% elétrico, beneficia de isenção total de ISV e IUC, e as empresas podem deduzir o IVA em regime de leasing, o que representa uma poupança significativa face a SUV a combustão equivalentes.
Em carregamento rápido DC, o Compass e demora 36 minutos de 10% a 80%, com uma potência média de 90 kW (máximo de 160 kW). Numa paragem de 15 minutos num posto rápido da rede MOBI.E, recupera cerca de 136 km de autonomia em tempo ameno. Em casa, com uma wallbox de 7,4 kW e o carregador AC de 11 kW de série, uma carga completa demora 10-12 horas.
Ambos partilham a plataforma Stellantis e têm baterias de 73 kWh, mas o e-3008 reivindica 527 km WLTP e é reputado como mais eficiente em autoestrada. O Compass e distingue-se pela capacidade off-road (200 mm de altura ao solo, 470 mm de profundidade de vau) e pela mala de 550 litros. Em preço, ambos se posicionam na faixa dos €45.000-50.000 na Europa. A escolha depende de priorizar eficiência em estrada (e-3008) ou versatilidade e robustez (Compass e).
Em condições de frio, o EV Database estima 315 km de autonomia em uso combinado e apenas 265 km em autoestrada. O teste da ArenaEV, realizado a 7°C, registou 286 km a 130 km/h. Para quem circula maioritariamente em cidade, a autonomia em tempo frio mantém-se acima dos 400 km. Uma versão futura com bateria de 98 kWh e cerca de 650 km WLTP poderá mitigar esta limitação.
O Compass e é um SUV elétrico honesto, com qualidades claras na condução urbana e periurbana. A autonomia real de 420 km em uso misto com tempo ameno é competitiva, a mala de 550 litros é das maiores do segmento, e a capacidade off-road — mesmo limitada na versão FWD — distingue-o dos rivais de asfalto.
Mas a queda acentuada de autonomia em autoestrada e o carregamento rápido médio de 90 kW tornam-no menos indicado para quem faz viagens longas com frequência. Se o percurso diário é urbano e as viagens longas são ocasionais, merece consideração. Se a autoestrada é o habitat natural, vale a pena olhar para alternativas mais eficientes — ou esperar pela versão de 98 kWh.