
A entrada de marcas chinesas no mercado europeu de veículos elétricos tem sido um tema recorrente nos últimos anos. Após BYD, Xpeng e MG, agora é a vez da Geely se preparar para expandir sua presença no Velho Continente. Um dos principais obstáculos enfrentados por fabricantes chinesas é o pagamento de tarifas alfandegárias impostas pela União Europeia, que aumentam os custos de veículos importados. No entanto, uma parceria estratégica com a Ford pode oferecer uma solução eficaz para a Geely.
A fábrica da Ford em Valência, Espanha, atualmente dedicada à produção do modelo Kuga, pode em breve se tornar um polo de montagem para os veículos elétricos da Geely. Devido à queda nas vendas do Kuga — apenas 98.376 unidades vendidas em 2025, enquanto a capacidade anual é de 400.000 unidades — a Ford está buscando alternativas para maximizar a utilização de sua planta. A colaboração com a Geely permitiria não apenas preencher essa capacidade ociosa, mas também reduzir custos operacionais para ambas as empresas.
Caso os veículos elétricos da Geely sejam montados na Espanha, eles poderão escapar das tarifas alfandegárias, tornando-os mais competitivos no mercado europeu. Mais ainda, essa montagem europeia poderia qualificar os veículos para incentivos fiscais, como o bônus ecológico oferecido na França, desde que cumpram os critérios de fabricação local.
Com a entrada da Geely, o mercado europeu de veículos elétricos, especialmente em Portugal, verá uma nova concorrência para modelos como o Renault 5 E-Tech. O modelo EX2 da Geely, por exemplo, é projetado para competir diretamente nesse segmento. A Geely já possui um forte portfólio no continente através de marcas como Volvo e Lynk & Co, e a introdução de veículos sob sua própria marca pode consolidar ainda mais sua presença.
Além da produção, a parceria entre Ford e Geely poderia se expandir para o compartilhamento de tecnologia, especialmente em áreas como condução autônoma. Relatos indicam que a Ford enviou uma delegação à China para avançar nas negociações, embora nenhuma confirmação oficial tenha sido feita por ambas as partes.
A Geely e a Ford estão em negociações avançadas para a Geely utilizar a fábrica da Ford em Valência, Espanha, para montar veículos elétricos destinados ao mercado europeu. Além da partilha de capacidade industrial, as negociações incluem potencial cooperação tecnológica em áreas como condução autónoma e sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS).
Entre os modelos previstos está o Geely EX2, um veículo elétrico compacto projetado para competir diretamente com o Renault 5 E-Tech Electric. A fábrica de Valência tem uma capacidade anual de cerca de 400.000 veículos, mas atualmente produz apenas o Ford Kuga, com vendas de apenas 98.376 unidades em 2025, o que deixa uma capacidade ociosa significativa para a montagem de modelos da Geely.
A montagem na Europa permite à Geely evitar as tarifas alfandegárias da UE sobre veículos elétricos importados da China, que para a Geely são de 18,8% mais 10% de tarifa regular. Ao eliminar estes custos adicionais, os veículos da Geely poderão chegar ao mercado português a preços mais competitivos, aumentando a concorrência e potencialmente pressionando os preços de outros modelos elétricos para baixo.
As negociações entre a Ford e a Geely estão em curso desde pelo menos o início de 2026, com a Ford a enviar delegações à China para avançar as conversações. Embora ainda não tenha sido anunciado um acordo formal, as discussões sobre a produção industrial estão mais avançadas do que as de partilha tecnológica. Nenhuma das partes confirmou oficialmente uma data de início de produção.
Esta parceria representa uma nova tendência na indústria automóvel, onde fabricantes chineses contornam tarifas comerciais através de alianças com fabricantes ocidentais. Para o mercado europeu, significa mais concorrência, maior oferta de modelos elétricos acessíveis e potencial para preços mais baixos. A Geely, que já detém a Volvo e a Lynk & Co na Europa, reforçaria significativamente a sua presença com veículos sob a sua própria marca.
Para os compradores portugueses, a potencial produção de veículos elétricos da Geely na Europa significa acesso a modelos mais acessíveis e competitivos. Além disso, a presença local pode melhorar o suporte pós-venda e a disponibilidade de peças. Enquanto as discussões continuam, esta colaboração promete beneficiar não apenas as empresas envolvidas, mas também os consumidores europeus que buscam alternativas sustentáveis e econômicas.
O que resta ver é quando e como essa parceria se materializará, mas as implicações são vastas e significativas para o futuro do mercado de veículos elétricos na Europa.