
Quase duas décadas depois de a Land Rover ter arrumado o modelo original, o nome Freelander regressa. E chega com uma volta de guião inesperada: deixou de ser britânico. Agora é uma marca independente, desenvolvida em conjunto pela Chery e pela Jaguar Land Rover, com sede em Xangai, produção em Changshu e foco total em propulsão elétrica. O primeiro SUV arranca em casa no segundo semestre de 2026 — e a Europa está confirmada pouco depois, o que torna o Freelander elétrico Portugal num tema que vale a pena começar a seguir.
A operação não é simbólica. A parceria Freelander Chery JLR meteu cerca de 3 mil milhões de yuan (perto de 375 milhões de euros, ou 439 milhões de dólares) na fábrica de Changshu, a mesma que durante anos produziu o Range Rover Evoque para o mercado chinês. O plano anunciado prevê seis modelos em cinco anos, praticamente um novo carro a cada seis meses.
A divisão de trabalho ajuda a perceber o resultado final. A Chery lidera a definição do produto, a tecnologia de veículos de nova energia e a cadeia de fornecimento — é quem escolhe a bateria, o software, os chips. A JLR entra pela parte do design, do posicionamento e do chamado dynamic tuning — a afinação de direção, suspensão e comportamento em estrada que historicamente distinguiu a marca-mãe.
O paralelo mais próximo é a Lynk & Co, a marca que a Geely e a Volvo lançaram com a mesma lógica: engenharia chinesa, polimento europeu, carros vendidos dos dois lados. O CEO da operação, Wen Fei (com Wei Lan citado como responsável específico do Freelander), assumiu em entrevista que a ambição é fazer com que o carro chegue a mercados ocidentais sem o estigma de ser "mais um SUV chinês genérico".
O modelo de produção deriva diretamente do Concept 97, apresentado a 31 de março de 2026. O nome é uma homenagem ao Mk1 original de 1997 e a inspiração é visível: linhas direitas, proporções altas, e um pilar C diagonal distinto — o mesmo traço que passa a ser usado no novo logótipo da marca. Também voltam os faróis duplos sobrepostos, outro detalhe que puxa para a memória do primeiro Freelander.
Em dimensões, estamos perante um SUV médio-grande:
Não é um rival direto do antigo Freelander compacto — em tamanho, aproxima-se mais de um Defender grande ou de um Kia EV9. É um carro de família folgado, pensado para os gostos chineses atuais, mas com dimensões que também funcionam bem em mercados como o alemão ou o escandinavo.
Aqui é onde o projeto se separa do comum. O Freelander estreia a plataforma iMax, uma arquitetura a 800V capaz de receber motores totalmente elétricos, range-extender ou híbridos plug-in. A bateria é desenvolvida em conjunto com a CATL, com taxa de carregamento 6C e potência de pico que os comunicados oficiais indicam até 350 kW (uma fonte chegou a referir 360 kW).
Na prática, um carregamento 6C a 350 kW significa que, numa paragem curta numa área de serviço, se recupera uma fatia substancial de bateria antes de dar tempo para um café. A autonomia WLTP e a capacidade exata da bateria ainda não estão divulgadas — os detalhes completos estão prometidos para junho de 2026.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Arquitetura elétrica | 800V (plataforma iMax) |
| Motorizações previstas | 100% elétrico, range-extender, PHEV |
| Bateria | CATL (co-desenvolvida) |
| Taxa de carregamento | 6C |
| Potência máxima de carga | Até 350 kW |
| ADAS | Huawei Qiankun ADS 4.1 (de série) |
| LiDAR | 896 canais (primeira vez num SUV todo-o-terreno) |
| Chip central | Qualcomm Snapdragon 8397 |
| Sistema todo-o-terreno | i-ATS (co-desenvolvido com Huawei Yinwang) |
| Comprimento | mais de 5.100 mm |
| Distância entre eixos | mais de 3.000 mm |
O chip Snapdragon 8397 é a referência atual da Qualcomm para automóvel e, segundo os números divulgados, oferece cerca de três vezes mais CPU e GPU do que o 8295 que hoje encontramos em muitos SUV chineses topo-de-gama, e até 12 vezes mais capacidade de IA. Traduzindo: interface mais fluido, assistente de voz melhor, e margem para atualizações por software durante a vida útil do carro.
Antes do lançamento, o Freelander completou a campanha de validação de frio extremo na Suécia, com temperaturas a descer aos -30°C. É um marco relevante por duas razões. Primeiro, porque muitas marcas chinesas têm sido criticadas por baterias que perdem autonomia severa no inverno europeu. Segundo, porque assumir publicamente que os testes nórdicos estão feitos é um sinal claro de intenção de vender na Europa — e não apenas de olho posto no mercado doméstico.
A Europa está confirmada. Os executivos da marca disseram-no em comunicado e em entrevistas, e o Autocar noticiou que os carros destinados ao nosso continente serão reafinados com o know-how da JLR para se adaptarem às estradas e preferências locais. O que ainda não está confirmado é o canal de venda. Há especulação credível de que possa aproveitar parte da rede de concessionários JLR, mas a empresa não se comprometeu — e o CEO admitiu que o plano de distribuição europeu ainda está a ser desenhado.
Para o comprador português, restam três pontos em aberto:
Nos últimos dois anos, vimos as marcas chinesas deixarem de ser curiosidade para passarem a opção real no nosso mercado. BYD já tem dezenas de concessionários, a MG está instalada há mais tempo, a Xpeng e a Leapmotor começaram a abrir lojas, e a Zeekr prepara entrada. O Freelander entra numa lógica diferente das outras: não tenta impor um nome novo, antes recupera um já conhecido e associado a um perfil todo-o-terreno. Essa memória ajuda no marketing europeu.
A pergunta séria é se o cliente português aceita a ideia de um "Freelander" sem ADN britânico de raiz. Os primeiros compradores serão provavelmente entusiastas de tecnologia, adeptos da marca antiga curiosos com o regresso, ou famílias à procura de um SUV de seis lugares elétrico sem pagar os 90.000 euros de um Volvo EX90 bem equipado.
O lançamento do novo Freelander na China está marcado para o segundo semestre de 2026, com a Europa confirmada pouco depois. Na prática, e considerando os tempos típicos de homologação e distribuição, as primeiras entregas em Portugal devem acontecer já em 2027. A ficha técnica completa está prometida para junho de 2026.
Ainda não existe preço oficial para a China nem para a Europa. Pelo tamanho (mais de 5,1 metros), pelos seis lugares e pelo nível tecnológico (plataforma 800V, LiDAR, Snapdragon 8397), é expectável um posicionamento premium, provavelmente entre 60.000€ e 80.000€ em Portugal. Isto coloca-o na mesma prateleira do Kia EV9 (cerca de 76.000€) e abaixo de um Volvo EX90 bem equipado.
O Freelander usa a plataforma iMax com arquitetura a 800V e bateria co-desenvolvida com a CATL, suportando uma taxa de carregamento 6C e picos de potência até 350 kW (com uma fonte a referir 360 kW). A autonomia WLTP oficial só será divulgada em junho de 2026, mas um SUV desta dimensão com bateria a 800V deverá apontar para valores competitivos face ao Kia EV9 e ao Volvo EX90.
Ainda não é oficial. Existe especulação credível, noticiada pelo Autocar e pelo Irish Times, de que a marca possa aproveitar parte da rede de concessionários JLR na Europa, mas a empresa ainda não se comprometeu. O CEO admitiu que o plano de distribuição europeu continua a ser desenhado, pelo que o canal português ficará claro mais perto do lançamento.
Enquanto veículo 100% elétrico, o Freelander beneficia da isenção total de ISV e de IUC reduzido em Portugal, além de poder aceder a incentivos de apoio à mobilidade elétrica quando disponíveis. As variantes range-extender e PHEV previstas na plataforma iMax pagam menos do que um motor de combustão puro, mas não alcançam as vantagens fiscais do BEV — um detalhe relevante na hora de comparar preço final.
A ficha técnica completa está prometida para junho de 2026, e daí até ao lançamento chinês no segundo semestre esperam-se preços oficiais, versões e dados WLTP. Para Portugal, os sinais a observar são dois: confirmação do parceiro de distribuição (rede JLR ou lojas próprias) e o primeiro preço anunciado para um mercado europeu de referência, provavelmente Alemanha ou Reino Unido. A partir daí, fica mais simples perceber se o Freelander elétrico vai aterrar em Portugal como alternativa real ao Kia EV9 e ao Volvo EX90, ou se fica reservado a quem faz encomenda especial.