
Mais 80 km de autonomia sem mexer no motor nem no design. A Fiat abriu encomendas nos Países Baixos, a 28 de outubro de 2026, para uma versão do Grande Panda elétrico com nova bateria de 54 kWh, que eleva a autonomia WLTP de 320 km para até 400 km. A versão de 44 kWh continua à venda.
Para quem está a pensar num citadino elétrico em Portugal, o Fiat Grande Panda elétrico 400 km resolve a principal crítica feita ao modelo: uma autonomia que obrigava a planear qualquer viagem mais longa. Há, contudo, uma contrapartida que os fãs do modelo vão notar, e ainda não existe preço nem data confirmados para o nosso mercado.
A diferença está toda debaixo do piso. São mais 10 kWh de bateria, o que dá cerca de 25% de autonomia extra. Tudo o resto se mantém: o mesmo motor de 83 kW (113 cv) com tração dianteira, o mesmo exterior com os faróis LED em "pixel", o mesmo habitáculo.
| Especificação | Grande Panda 44 kWh | Grande Panda 54 kWh |
|---|---|---|
| Bateria | 44 kWh LFP | 54 kWh |
| Autonomia WLTP | 320 km | até 400 km |
| Motor | 83 kW / 113 cv, tração dianteira | 83 kW / 113 cv, tração dianteira |
| Carregamento AC | 7,4 kW (com cabo enrolado integrado) | 11 kW, cabo separado |
| Carregamento DC | 100 kW (20-80% em cerca de 26 min) | 100 kW |
| Versões (Países Baixos) | Pop, Icon, La Prima | Pop, Icon, La Prima |
| Comprimento / largura / altura | 3,99 m / 1,76 m / 1,57 m | igual |
| Distância entre eixos | 2,54 m | igual |
| Porta-bagagens | 361 litros | igual |
A base é a plataforma Smart Car da Stellantis, partilhada com o Citroën ë-C3, e a produção continua em Kragujevac, na Sérvia. A química da nova bateria ainda não foi divulgada pela Fiat.
Os 400 km são um valor de homologação. Um concessionário italiano já lista valores entre 392 e 400 km consoante a versão, porque jantes e equipamento pesam no resultado. Na prática, velocidade, temperatura, carga e climatização vão reduzir esse número, e em autoestrada o ganho tende a ser menor que no ciclo misto.
Mesmo assim, a diferença conta. Lisboa-Porto são cerca de 300 km: com a versão de 44 kWh, essa viagem em autoestrada pede quase sempre uma paragem. Com 54 kWh, a margem passa a ser confortável em vez de justa.
Uma das ideias mais simpáticas do Grande Panda era o cabo de carregamento em espiral escondido na frente, que se puxava como uma mangueira para carregar a 7,4 kW em AC. A versão de 54 kWh perde-o. A Fiat explica que esse sistema não aguentava os 11 kW do novo carregador de bordo.
Em troca, todas as variantes de 54 kWh passam a ter carregamento AC de 11 kW de série, com cabo separado. As contas para encher a bateria de 0 a 100%:
Aqui está o ponto prático. A maioria das casas portuguesas tem instalação monofásica, onde os 11 kW não se aplicam. Num posto público AC da rede MOBI.E ou numa wallbox trifásica na empresa, a vantagem é real. Para carregamento rápido, a porta lateral continua a aceitar até 100 kW em DC.

Sejamos claros: a Fiat ainda não anunciou preço nem data para a versão de 54 kWh em Portugal. O que existe são pontos de referência.
| Referência | Preço |
|---|---|
| Países Baixos, 54 kWh Pop | 27.499€ |
| Itália, 54 kWh (concessionário, indicativo MY2027) | Pop 25.900€ / Icon 27.650€ / La Prima 30.650€ |
| Espanha, 44 kWh (desde) | 24.450€ |
| Portugal, 44 kWh RED (DECO, 2025) | cerca de 23.550€ |
| Portugal, 44 kWh La Prima (DECO, 2025) | 26.547€ |
Os preços italianos vêm de um único concessionário e não são oficiais. Há ainda uma discrepância sobre o custo extra da bateria maior: a Motor.es e a Elbil Radar falam em 2.000€ face à versão de 44 kWh, enquanto a AutoNext aponta apenas 1.000€. Não conseguimos confirmar qual está certo.
Se o diferencial de 1.000€ a 2.000€ se confirmar por cá, a versão de entrada de 54 kWh ficaria algures entre 24.500€ e 25.500€, partindo dos cerca de 23.550€ da versão RED de 44 kWh. É uma estimativa, não um preço. Repare também que em Portugal a versão base chama-se RED, não Pop, por isso a gama pode ser arrumada de forma diferente.
O que joga a favor: como elétrico, o Grande Panda está isento de ISV e IUC, e quem compra através de empresa beneficia da tributação autónoma favorável aos elétricos. Vale a pena confirmar se o Fundo Ambiental tem verba aberta no momento da compra.
Sem data. A imprensa italiana sugere que a Stellantis está a lançar a versão de longa autonomia primeiro em mercados elétricos mais maduros, com Itália numa segunda vaga. O site da Fiat Itália já menciona os 400 km, o que indica que o alargamento a outros países está nos planos. Portugal deverá seguir o calendário espanhol e italiano, mas isso é uma leitura nossa, não um anúncio.
O Grande Panda de 44 kWh partilha quase tudo com o Citroën ë-C3: plataforma, bateria de 44 kWh LFP, 113 cv e 320 km WLTP. Com 54 kWh, o Fiat passa a ter uma vantagem clara de autonomia sobre o primo francês, pelo menos até a Citroën responder.
| Modelo | Bateria | Autonomia WLTP | Carregamento DC | Potência |
|---|---|---|---|---|
| Fiat Grande Panda 54 kWh | 54 kWh | até 400 km | 100 kW | 113 cv |
| Fiat Grande Panda 44 kWh | 44 kWh LFP | 320 km | 100 kW | 113 cv |
| Renault 5 (bateria maior) | 52 kWh | 400 km | n.d. | n.d. |
| Hyundai Inster (bateria maior) | 49 kWh | 355 km | n.d. | 115 cv |
| Dacia Spring | 26,8 kWh LFP | 228 km | 30 kW | 65 cv |
O rival mais direto passa a ser o Renault 5 de 52 kWh, que também anuncia 400 km. O Grande Panda responde com mais espaço: 361 litros de porta-bagagens contra 326 litros do Renault 5 com a bateria de 40 kWh. O BYD Dolphin Surf joga num patamar de preço mais baixo e com menos autonomia, sendo mais alternativa à versão de 44 kWh do que à nova.

A Fiat ainda não anunciou preço para Portugal. Nos Países Baixos, a versão Pop de 54 kWh custa desde 27.499€, e as fontes europeias apontam para um acréscimo de 1.000€ a 2.000€ face à versão de 44 kWh. Partindo dos cerca de 23.550€ do Grande Panda RED de 44 kWh em Portugal, a versão de entrada de 54 kWh poderá ficar entre 24.500€ e 25.500€, mas é apenas uma estimativa. Como elétrico, fica isento de ISV e IUC.
Ainda não há data confirmada para Portugal. As encomendas abriram primeiro nos Países Baixos, a 28 de outubro de 2026, nas versões Pop, Icon e La Prima, e a imprensa italiana indica que Itália segue numa segunda vaga. O site da Fiat Itália já menciona os 400 km, pelo que é de esperar que Portugal acompanhe o calendário do sul da Europa, sem anúncio oficial até agora.
A autonomia WLTP sobe de 320 km para até 400 km com a bateria de 54 kWh (um concessionário italiano lista 392 a 400 km consoante a versão). No teste da DECO PROteste, a versão de 44 kWh fez cerca de 253 km, ou seja, perto de 80% do valor homologado. Se a proporção se mantiver, a versão de 54 kWh deverá rondar os 300 km em utilização real, e menos em autoestrada a velocidade constante, com frio ou climatização ligada.
Uma carga completa da bateria de 54 kWh demora cerca de 5 horas a 11 kW em corrente alternada trifásica, e cerca de 7 horas a 7,4 kW. Como a maioria das casas portuguesas tem instalação monofásica, os 11 kW só se aproveitam numa wallbox trifásica ou num posto AC da rede MOBI.E. Em carregamento rápido DC, aceita até 100 kW. Atenção: esta versão perde o cabo enrolado integrado na frente, pelo que precisa de um cabo separado.
O Citroën ë-C3 partilha a plataforma Smart Car, o motor de 113 cv e a bateria de 44 kWh com 320 km, pelo que o Grande Panda de 54 kWh ganha cerca de 80 km de vantagem de autonomia. O Renault 5 de 52 kWh é o rival mais direto, também com 400 km WLTP, mas o Fiat oferece mais espaço de bagagem: 361 litros contra 326 litros do Renault 5 com bateria de 40 kWh. A decisão final vai depender do preço que a Fiat fixar para Portugal.
A versão de 44 kWh continua a fazer sentido para quem anda sobretudo em cidade, carrega em casa numa tomada monofásica e gosta da conveniência do cabo enrolado. Para trajetos diários em Lisboa ou no Porto, 320 km WLTP chegam e sobram.
A de 54 kWh é para quem faz autoestrada com frequência, vive fora dos grandes centros ou tem acesso a carregamento AC trifásico. Se o diferencial ficar nos 1.000€, a escolha é fácil. Nos 2.000€, já obriga a fazer contas aos quilómetros que percorre por ano.
Entretanto, quem não quer esperar pode espreitar o mercado de usados à procura de um Grande Panda de 44 kWh. O próximo passo a acompanhar é o anúncio oficial da Fiat Portugal: o preço do Fiat Grande Panda elétrico 400 km vai decidir se este passa a ser o elétrico acessível de referência no nosso mercado.